Poltrona Séries: Alice in Borderland-3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Alice in Borderland-3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Um universo misterioso regado com uma grande gama de jogos mortais já havia chamado a atenção dos fãs de séries, principalmente os apreciadores do mangá de Haro São. Com duas temporadas de sucesso, a sequência de “Alice in Borderland” chega à Netflix com seis novos episódios e cercada de expectativas. Será um desfecho com chave de ouro ou ainda há espaço para novas temporadas?

A narrativa se inicia após alguns anos da última temporada, quando Usagi e Arisu despertaram de coma causado pela queda de um meteorito em Shibuya. Casados e residindo em Tóquio, Usagi começa a ter pesadelos recorrentes com o pai e Arisu vê sua vida mudar completamente após o desaparecimento da esposa. Ao chegar a um local já retratado nas temporadas anteriores, Arisu começa a ilustrar uma memória fragmentada e traumas decorrentes de uma experiência de quase morte. Tanto ele como Usagi acabam por voltar aos jogos e sentem que há algo mais em jogo além da sobrevivência.

Novos símbolos surgem, como flechas flamejantes e uma carta Coringa, e a sequência de jogos irá sugerir que, além da sobrevivência, existem importantes sentidos para a existência humana e cada participante terá de enfrentar todos os seus traumas e diversas metáforas da vida ao longo do jogo. As inéditas provas da Borderland são ainda mais violentas, com estratégias complexas e com verdadeiros testes de inteligência. Cada pensamento e ação são determinantes para a sequência do jogo e qualquer passo em falso pode ser mortal.

Novos elementos visuais e narrativos são introduzidos na terceira temporada, com sequências de alta tensão, violência, reflexão e drama. A carta coringa amplia os caminhos e opções no jogo e o uso da reflexão confere mais dinâmica e peso à série. Não há apenas referências a “Jogos Mortais”, que teve uma enorme sequência no cinema, mas também a Round 6. O imaginário dos participantes do jogo e do público são postos à prova, com muito mais sensibilidade e alta carga dramática.

Mesmo com problemas de ritmo e demora na introdução dos personagens no primeiro episódio, “Alice in Borderland” foi capaz de prender o espectador até o fim, com as novidades inseridas e a imprevisibilidade da terceira temporada. Gatilhos para novas histórias futuras e talvez novos universos.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Maldade/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Maldade/Cesar Augusto Mota

Séries que colocam lado a lado o luxo, a violência e os segredos pessoais estão muito em alta nos serviços de streaming. A bola da vez é “Maldade”, de James Wood, com David Duchovny como uma das estrelas. A Prime vídeo traz seis episódios de cinquenta minutos para uma maratona que promete muito mistério e tensão.

Acompanhamos Adam Healey (Whitehall), um tutor carismático e que parece não oferecer riscos a ninguém se infiltra na vida da família Tanner durante férias na Grécia. Quando a babá original adoece misteriosamente, Adam assume o posto e volta para Londres, revela seu plano maligno: destruir cada membro dos Tanner. Jamie Tanner (Duchovny), o patriarca, vive com a esposa Nat (van Houten), uma mulher atormentada por segredos familiares, e seus filhos adolescentes problemáticos.

Antes do vilão, a família Tanner é apresentada com um marido infiel e uma esposa depende emocionalmente dele. O filho mais velho é rebelde e já causa intrigas antes da chegada do tutor. Adam se aproveita da fragilidade de cada membro da família e só aumenta os problemas, manipulando cada um. Os segredos dos Tanner são aos pouco revelados, e há um avanço acelerado no capítulo final, mas que não prejudica a narrativa.

Adam é imprevisível e consegue ser envolvente ao longo da trama, Jamie é egocêntrico e consegue se autossabotar, a esposa Nat, apesar de submissa, se recusa a ser vítima e tenta se libertar do círculo vicioso no qual está presa. O humor sombrio se faz presente, mesmo que em poucas cenas, mudando a experiência e tornando-a mais envolvente. A ambiguidade é outro elemento evidente, o que deixa a história mais atrativa, mexendo com o imaginário do público.

Apesar de algumas imperfeições, a trama chama a tenção e proporciona grandes emoções e expectativas quanto ao desfecho de cada personagem. Vale a audiência.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Como um Relâmpago/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Como um Relâmpago/Cesar Augusto Mota

A política americana atrai cada vez mais pessoas, seja para acompanhar o dia a dia na terra do Tio Sam ou contemplar filmes e séries sobre os Estados Unidos.  Os principais governos democratas e republicanos foram devidamente retratados, com importantes acontecimentos que afetaram não só a maior potência do mundo como alterou a relação como os demais países, dentre eles, o assassinato do presidente John F. Kennedy, na década de 60. O que será pano de fundo em “Como um Relâmpago” (Death by Lightning), da Netflix, será a morte de James A. Garfield, o vigésimo presidente. Uma obra que faz importantes reflexões sobre poder, loucura e ambição.

Garfield (Michael Shannon), um homem com a intenção de reformar a política e combater a corrupção, ascendeu à presidência em 1881.  Como contraponto, está Charles Guiteau (Matthew Macfadyen), um advogado fanfarrão e caloteiro, se convence de que seu apoio a Garfield foi vital para a vitória do congressista, e que, por isso, merecia reconhecimento e um grande cargo diplomático. A recusa do governo transforma sua admiração em uma obsessão assassina.

Há um paralelo entre o passado e presente, que mostra como o poder consegue corroer pessoas e instituições, e as tensões de uma república americana ainda presentes, antes marcadas por escravidão, racismo e corrupção. Uma nação em reconstrução, com esperanças de dias melhores com um veterano da Guerra Civil, mas que não esperava que o país ficaria marcado por mais uma tragédia.

A ascensão e queda do presidente Garfield são retratadas de forma honesta, sem necessidade de sensacionalismo, e o arco do vilão, desde a ilusão de chegada ao poder até a insanidade que culminou em ruína, é bem construído e ilustra que o obstinado pela fama é capaz de tudo e a ambição pode cegar as pessoas e fazê-las perder todo o tipo de noção e controle. As atuações são satisfatórias, com destaque para o vilão, figura perversa, caricata e que ilustra uma perfeita alegoria da fragilidade humana, facilmente manipulada e corrompida.

Quem aprecia séries históricas, com drama, thriller psicológico e importantes críticas sociais certamente vai curtir “Como um Relâmpago”. Um grande divertimento e, sobretudo, aprendizado.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Gênio dos Desejos/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Gênio dos Desejos/Cesar Augusto Mota

É inegável o sucesso das séries coreanas no Brasil, os populares doramas. Com um misto de drama e comédia, os brasileiros se encantam e fazem questão de maratonar histórias regadas com muitas surpresas, imprevisibilidade e personagens carismáticos. A série “Gênio dos Desejos” procura beber dessa fonte e tenta alcançar o mesmo sucesso de outros doramas exibidos no serviço de streaming Netflix. É uma boa opção?

Acompanhamos Iblis (Kim Woo-bin), um gênio que foi banido do paraíso após fazer uma aposta com Deus. Preso por mil anos em uma lâmpada, ele aparece em um mundo moderno para conceder três pedidos a Ka-young (Suzy Bae), uma mulher rotulada como “psicopata” por sua frieza.  E qual será o grande desafio para Iblis? Provar que humanos são corruptíveis por terem desejos egoístas.

Os desejos de Ka-young vào além de satisfações pessoais, passam também por ajudar animais abandonados e reparação de antigas relações pessoais. Uma relação improvável entre Ka-Young e Iblis começa a se desenhar e na medida em que os episódios vão se desenrolando é possível perceber um paradoxo entre o que realmente é necessário e o que pode ser descartável. Os pedidos feitos por outros personagens ilustram como o ser humano pode ser manipulável e ficar em meio a dilemas morais e escolhas difíceis.

Não vemos pedidos triviais e tampouco relações tóxicas, mas sim verdadeiras lições sobre identidade, poder de escolha e princípios morais. O humor e a emoção dos personagens são latentes, há um misto de irreverência e melancolia e histórias cheia sde reviravoltas e com altas cargas emocionais. Quem gosta de grandes histórias e de interpretações impactantes, essa série é a escolha certa.

Apesar do ritmo irregular dos últimos episódios, num total de dezesseis, “Gênio dos Desejos” traz um importante debate sobre a natureza humana e os mais diversos dilemas existenciais pelos quais podemos passar. Uma experiência épica.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Emily em Paris-5ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Emily em Paris-5ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Turismo, negócios, luxo e muitas belezas naturais. Quem acompanhou “Emily em Paris”, no serviço de streaming Netflix, notou tudo isso e histórias com reviravoltas, envolvendo relacionamentos e mudanças profissionais da protagonista, viva por Lily Collins. Desta vez, o palco muda e surge um novo amor na vida de Emily Cooper, teremos novas surpresas?

Emily se muda para Roma para liderar a filial da Agência Grateau, mas ainda se sente observada por todos a sua volta, como nas temporadas anteriores. Ela engata um romance com Marcelo Muratori, herdeiro de uma fábrica de cachecóis. Emily goza de menos autonomia no trabalho e enfrenta novas frustrações e desastrosas campanhas de marketing.

Ter respostas para tudo e as soluções ideais para todos os problemas são características evidentes de Emily, mas ela passa por uma transformação esta temporada e quem tinha ojeriza passa a ter empatia pela protagonista. Artigos de luxo e grandes desfiles também ganham espaço, além de alguns romances envolvendo os personagens secundários, inclusive de Sylvie, a chefe de Emily.

Roma é um novo personagem, uma cidade inspiradora, no qual o amor pulsa e as amizades afloram, tendo duas pessoas do passado de Emily retornado para essa sequência, gerando muitas surpresas. Os figurinos utilizados possuem cores vibrantes, são atrações à parte e empolgam o público feminino, que se mobiliza para ver as novidades da temporada. A quinta temporada traz a essência do começo da série, e também mudanças pontuais que irão agradar ao público.

Envolvente, surpreendente e imprevisível. “Emily em Paris” tenta trazer algumas novidades e deixar para trás as rejeições em decorrência de como os franceses e a cultura francesa foram retratados.  Uma temporada mais amistosa e convidativa.

Cotação: 4/5 poltronas.  

Por: Cesar Augusto Mota