Poltrona Séries: A Isca/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Isca/Cesar Augusto Mota

A indústria do entretenimento pode esbanjar glamour e felicidade para quem acompanha de fora, mas quem faz parte desse meio se depara com muito mais do que tudo isso. Há chantagens, trocas de favores, inveja e muitos outros elementos ruins, que podem destruir uma carreira já consolidada ou outra que sequer começou. “A Isca”, série da Prime Video, traz justamente esse contexto, além de proporcionar momentos de humor e alívio em meio a tantas tensões.

Durante seis episódios acompanhamos Shah Latif (Riz Ahmed), um ator que vive endividado e possui diversas questões com sua família. Um dia, surge uma grande oportunidade vida, um teste para interpretar o novo James Bond. Porém, sua vida pessoal está prestes a virar de cabeça para baixo com uma série de conflitos que resolvem aparecer todos ao mesmo tempo, e justamente no momento mais importante de sua carreira.

Interessa saber se Shah vai conseguir o papel? À primeira vista, não, mas quais as consequências em caso de sucesso ou insucesso, tendo em vista o universo caótico no qual o protagonista está inserido. A chance de ser famoso mexe com a mente de Shah, que tem as relações familiares afetadas, com muita pressão sobre ser um grande astro e corresponder às expectativas de todos à sua volta.

A instabilidade do personagem-central é construída gradualmente, e a trama não conta com soluções fáceis. Momentos de humor e sátira são explorados de início como uma forma de criticar a indústria, mas também existirá momentos mais sérios, com abordagem sobre intolerância religiosa e racismo. Os conflitos internos do protagonista são ilustrados por reações contidas e silêncio, tudo com muita naturalidade, proporcionando autenticidade às cenas e aos desdobramentos delas.

A tensão psicológica, a crítica social e a comédia oferecidas pela série são bem estruturados durante os episódios e proporciona um misto de emoções em quem acompanha, que não só terá suas próprias reações, como se colocará no lugar do protagonista, que se sente em um beco sem saída e precisa de soluções urgentes. Uma experiência diferente e válida.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Santita/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Santita/Cesar Augusto Mota

Muitas vezes vivemos em meio ao caos, mas e quem está nesse contexto e com marcas irreversíveis do passado? Um estudo sobre o emocional e suas complexidades é feito na série “Santita”, da Netflix, com muitos impactos e com convite a reflexões. Quem vive uma realidade próxima a da protagonista, se colocará em seu lugar e passará a enxergar a vida de outra forma.

Ao longo de sete episódios, é possível acompanhar María José Cano (Paulina Dávila), uma médica obstetra, paraplégica e proprietária de uma clínica particular e que vem enfrentando sérios problemas financeiros oriundos de seu vício em jogos de azar. Um dia ressurge Alejandro (Gael Garcia Bernal), seu ex-noivo, que a faz recordar de um passado doloroso e se vê em um presente cheio de confusões.

A protagonista é multifacetada, percebe-se seu lado irônico e contagiante, além de suas fragilidades, bem como um arco cheio de camadas. A partir destas podemos fazer um link com o círculo social de Marí, e percebemos o quão perigosa a vida pode se tornar com os vícios que fazem parte do cotidiano e que são difíceis de serem superados.

Temas como eutanásia e aborto, além dos vícios, são recorrentes, e geram debates importantes acerca dos percalços que a vida coloca diante de nós e o quão fortes física e psicologicamente precisamos ser para driblá-los. Nem sempre estamos preparados para enfrentar certos dilemas, mas a protagonista, que enfrenta uma verdadeira montanha russa de emoções, nos ilustra que não só ela como também milhares de pessoas podem enfrentar os mesmos problemas e que não somos imunes a dificuldades.

Impactante, envolvente e filosófica, “Santita” é recomendável para quem busca algo diferente nos serviços de streaming, além do entretenimento.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Jovem Sherlock/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Jovem Sherlock/Cesar Augusto Mota

Séries que envolvem investigações de crimes e a sagacidade dos investigadores na associação entre as provas coletadas e a chegada ao autor do delito sempre são atrativas, a depender da narrativa e do formato explorado. A produção da vez, “jovem Sherlock”, da Prime Video, faz uma abordagem diferente sobre o mais famoso detetive consagrado na literatura e no cinema.

A narrativa acompanha um jovem Sherlock (Hero Fiennes Tiffin), de 19 anos, em uma vida desregrada, marcada por pequenos furtos. Retirado da prisão pelo irmão mais velho, Sherlock passa a trabalhar na Universidade de Oxford, observando à distância a comunidade acadêmica. A partir desse ingresso, começam as aventuras, as investigações e as incursões em grandes eventos sociais ao lado de James Moriarty (Dónal Finn).

As diretrizes de investigação de Sherlock começam a ser construídas a partir do primeiro caso, de um assassinato em Oxford, no qual recaem sobre ele as principais suspeitas, tendo em vista que o protagonista já possuir maus antecedentes criminais. Capacidade de observação, curiosidade constante e envolvimento em problemas na busca por respostas são perceptíveis ao longo dos oito episódios, além da capacidade de se descobrir diante das adversidades e aprender coisas novas.

A interação com o companheiro Moriarty é um ponto positivo, além da exploração dos conflitos internos do personagem-central, bem como memórias de família, fatores que são capazes de influenciar em decisões futuras. O poder de dedução de Sherlock e as discussões com Moriarty são outros ingredientes, que dão maior peso dramático à trama. A dupla consegue sustentar a primeira temporada, com possibilidades de novas histórias.

Um clássico revisitado sob uma nova perspectiva, de um jovem Sherlock em fase de aprendizado até chegar ao status de mente brilhante que o consagrou nas tramas policiais. Uma icônica e emocionante experiência.

Coração: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Alice in Borderland-3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Alice in Borderland-3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Um universo misterioso regado com uma grande gama de jogos mortais já havia chamado a atenção dos fãs de séries, principalmente os apreciadores do mangá de Haro São. Com duas temporadas de sucesso, a sequência de “Alice in Borderland” chega à Netflix com seis novos episódios e cercada de expectativas. Será um desfecho com chave de ouro ou ainda há espaço para novas temporadas?

A narrativa se inicia após alguns anos da última temporada, quando Usagi e Arisu despertaram de coma causado pela queda de um meteorito em Shibuya. Casados e residindo em Tóquio, Usagi começa a ter pesadelos recorrentes com o pai e Arisu vê sua vida mudar completamente após o desaparecimento da esposa. Ao chegar a um local já retratado nas temporadas anteriores, Arisu começa a ilustrar uma memória fragmentada e traumas decorrentes de uma experiência de quase morte. Tanto ele como Usagi acabam por voltar aos jogos e sentem que há algo mais em jogo além da sobrevivência.

Novos símbolos surgem, como flechas flamejantes e uma carta Coringa, e a sequência de jogos irá sugerir que, além da sobrevivência, existem importantes sentidos para a existência humana e cada participante terá de enfrentar todos os seus traumas e diversas metáforas da vida ao longo do jogo. As inéditas provas da Borderland são ainda mais violentas, com estratégias complexas e com verdadeiros testes de inteligência. Cada pensamento e ação são determinantes para a sequência do jogo e qualquer passo em falso pode ser mortal.

Novos elementos visuais e narrativos são introduzidos na terceira temporada, com sequências de alta tensão, violência, reflexão e drama. A carta coringa amplia os caminhos e opções no jogo e o uso da reflexão confere mais dinâmica e peso à série. Não há apenas referências a “Jogos Mortais”, que teve uma enorme sequência no cinema, mas também a Round 6. O imaginário dos participantes do jogo e do público são postos à prova, com muito mais sensibilidade e alta carga dramática.

Mesmo com problemas de ritmo e demora na introdução dos personagens no primeiro episódio, “Alice in Borderland” foi capaz de prender o espectador até o fim, com as novidades inseridas e a imprevisibilidade da terceira temporada. Gatilhos para novas histórias futuras e talvez novos universos.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Maldade/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Maldade/Cesar Augusto Mota

Séries que colocam lado a lado o luxo, a violência e os segredos pessoais estão muito em alta nos serviços de streaming. A bola da vez é “Maldade”, de James Wood, com David Duchovny como uma das estrelas. A Prime vídeo traz seis episódios de cinquenta minutos para uma maratona que promete muito mistério e tensão.

Acompanhamos Adam Healey (Whitehall), um tutor carismático e que parece não oferecer riscos a ninguém se infiltra na vida da família Tanner durante férias na Grécia. Quando a babá original adoece misteriosamente, Adam assume o posto e volta para Londres, revela seu plano maligno: destruir cada membro dos Tanner. Jamie Tanner (Duchovny), o patriarca, vive com a esposa Nat (van Houten), uma mulher atormentada por segredos familiares, e seus filhos adolescentes problemáticos.

Antes do vilão, a família Tanner é apresentada com um marido infiel e uma esposa depende emocionalmente dele. O filho mais velho é rebelde e já causa intrigas antes da chegada do tutor. Adam se aproveita da fragilidade de cada membro da família e só aumenta os problemas, manipulando cada um. Os segredos dos Tanner são aos pouco revelados, e há um avanço acelerado no capítulo final, mas que não prejudica a narrativa.

Adam é imprevisível e consegue ser envolvente ao longo da trama, Jamie é egocêntrico e consegue se autossabotar, a esposa Nat, apesar de submissa, se recusa a ser vítima e tenta se libertar do círculo vicioso no qual está presa. O humor sombrio se faz presente, mesmo que em poucas cenas, mudando a experiência e tornando-a mais envolvente. A ambiguidade é outro elemento evidente, o que deixa a história mais atrativa, mexendo com o imaginário do público.

Apesar de algumas imperfeições, a trama chama a tenção e proporciona grandes emoções e expectativas quanto ao desfecho de cada personagem. Vale a audiência.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota