Poltrona Séries: Santita/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Santita/Cesar Augusto Mota

Muitas vezes vivemos em meio ao caos, mas e quem está nesse contexto e com marcas irreversíveis do passado? Um estudo sobre o emocional e suas complexidades é feito na série “Santita”, da Netflix, com muitos impactos e com convite a reflexões. Quem vive uma realidade próxima a da protagonista, se colocará em seu lugar e passará a enxergar a vida de outra forma.

Ao longo de sete episódios, é possível acompanhar María José Cano (Paulina Dávila), uma médica obstetra, paraplégica e proprietária de uma clínica particular e que vem enfrentando sérios problemas financeiros oriundos de seu vício em jogos de azar. Um dia ressurge Alejandro (Gael Garcia Bernal), seu ex-noivo, que a faz recordar de um passado doloroso e se vê em um presente cheio de confusões.

A protagonista é multifacetada, percebe-se seu lado irônico e contagiante, além de suas fragilidades, bem como um arco cheio de camadas. A partir destas podemos fazer um link com o círculo social de Marí, e percebemos o quão perigosa a vida pode se tornar com os vícios que fazem parte do cotidiano e que são difíceis de serem superados.

Temas como eutanásia e aborto, além dos vícios, são recorrentes, e geram debates importantes acerca dos percalços que a vida coloca diante de nós e o quão fortes física e psicologicamente precisamos ser para driblá-los. Nem sempre estamos preparados para enfrentar certos dilemas, mas a protagonista, que enfrenta uma verdadeira montanha russa de emoções, nos ilustra que não só ela como também milhares de pessoas podem enfrentar os mesmos problemas e que não somos imunes a dificuldades.

Impactante, envolvente e filosófica, “Santita” é recomendável para quem busca algo diferente nos serviços de streaming, além do entretenimento.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Jovem Sherlock/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Jovem Sherlock/Cesar Augusto Mota

Séries que envolvem investigações de crimes e a sagacidade dos investigadores na associação entre as provas coletadas e a chegada ao autor do delito sempre são atrativas, a depender da narrativa e do formato explorado. A produção da vez, “jovem Sherlock”, da Prime Video, faz uma abordagem diferente sobre o mais famoso detetive consagrado na literatura e no cinema.

A narrativa acompanha um jovem Sherlock (Hero Fiennes Tiffin), de 19 anos, em uma vida desregrada, marcada por pequenos furtos. Retirado da prisão pelo irmão mais velho, Sherlock passa a trabalhar na Universidade de Oxford, observando à distância a comunidade acadêmica. A partir desse ingresso, começam as aventuras, as investigações e as incursões em grandes eventos sociais ao lado de James Moriarty (Dónal Finn).

As diretrizes de investigação de Sherlock começam a ser construídas a partir do primeiro caso, de um assassinato em Oxford, no qual recaem sobre ele as principais suspeitas, tendo em vista que o protagonista já possuir maus antecedentes criminais. Capacidade de observação, curiosidade constante e envolvimento em problemas na busca por respostas são perceptíveis ao longo dos oito episódios, além da capacidade de se descobrir diante das adversidades e aprender coisas novas.

A interação com o companheiro Moriarty é um ponto positivo, além da exploração dos conflitos internos do personagem-central, bem como memórias de família, fatores que são capazes de influenciar em decisões futuras. O poder de dedução de Sherlock e as discussões com Moriarty são outros ingredientes, que dão maior peso dramático à trama. A dupla consegue sustentar a primeira temporada, com possibilidades de novas histórias.

Um clássico revisitado sob uma nova perspectiva, de um jovem Sherlock em fase de aprendizado até chegar ao status de mente brilhante que o consagrou nas tramas policiais. Uma icônica e emocionante experiência.

Coração: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Alice in Borderland-3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Alice in Borderland-3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Um universo misterioso regado com uma grande gama de jogos mortais já havia chamado a atenção dos fãs de séries, principalmente os apreciadores do mangá de Haro São. Com duas temporadas de sucesso, a sequência de “Alice in Borderland” chega à Netflix com seis novos episódios e cercada de expectativas. Será um desfecho com chave de ouro ou ainda há espaço para novas temporadas?

A narrativa se inicia após alguns anos da última temporada, quando Usagi e Arisu despertaram de coma causado pela queda de um meteorito em Shibuya. Casados e residindo em Tóquio, Usagi começa a ter pesadelos recorrentes com o pai e Arisu vê sua vida mudar completamente após o desaparecimento da esposa. Ao chegar a um local já retratado nas temporadas anteriores, Arisu começa a ilustrar uma memória fragmentada e traumas decorrentes de uma experiência de quase morte. Tanto ele como Usagi acabam por voltar aos jogos e sentem que há algo mais em jogo além da sobrevivência.

Novos símbolos surgem, como flechas flamejantes e uma carta Coringa, e a sequência de jogos irá sugerir que, além da sobrevivência, existem importantes sentidos para a existência humana e cada participante terá de enfrentar todos os seus traumas e diversas metáforas da vida ao longo do jogo. As inéditas provas da Borderland são ainda mais violentas, com estratégias complexas e com verdadeiros testes de inteligência. Cada pensamento e ação são determinantes para a sequência do jogo e qualquer passo em falso pode ser mortal.

Novos elementos visuais e narrativos são introduzidos na terceira temporada, com sequências de alta tensão, violência, reflexão e drama. A carta coringa amplia os caminhos e opções no jogo e o uso da reflexão confere mais dinâmica e peso à série. Não há apenas referências a “Jogos Mortais”, que teve uma enorme sequência no cinema, mas também a Round 6. O imaginário dos participantes do jogo e do público são postos à prova, com muito mais sensibilidade e alta carga dramática.

Mesmo com problemas de ritmo e demora na introdução dos personagens no primeiro episódio, “Alice in Borderland” foi capaz de prender o espectador até o fim, com as novidades inseridas e a imprevisibilidade da terceira temporada. Gatilhos para novas histórias futuras e talvez novos universos.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Maldade/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Maldade/Cesar Augusto Mota

Séries que colocam lado a lado o luxo, a violência e os segredos pessoais estão muito em alta nos serviços de streaming. A bola da vez é “Maldade”, de James Wood, com David Duchovny como uma das estrelas. A Prime vídeo traz seis episódios de cinquenta minutos para uma maratona que promete muito mistério e tensão.

Acompanhamos Adam Healey (Whitehall), um tutor carismático e que parece não oferecer riscos a ninguém se infiltra na vida da família Tanner durante férias na Grécia. Quando a babá original adoece misteriosamente, Adam assume o posto e volta para Londres, revela seu plano maligno: destruir cada membro dos Tanner. Jamie Tanner (Duchovny), o patriarca, vive com a esposa Nat (van Houten), uma mulher atormentada por segredos familiares, e seus filhos adolescentes problemáticos.

Antes do vilão, a família Tanner é apresentada com um marido infiel e uma esposa depende emocionalmente dele. O filho mais velho é rebelde e já causa intrigas antes da chegada do tutor. Adam se aproveita da fragilidade de cada membro da família e só aumenta os problemas, manipulando cada um. Os segredos dos Tanner são aos pouco revelados, e há um avanço acelerado no capítulo final, mas que não prejudica a narrativa.

Adam é imprevisível e consegue ser envolvente ao longo da trama, Jamie é egocêntrico e consegue se autossabotar, a esposa Nat, apesar de submissa, se recusa a ser vítima e tenta se libertar do círculo vicioso no qual está presa. O humor sombrio se faz presente, mesmo que em poucas cenas, mudando a experiência e tornando-a mais envolvente. A ambiguidade é outro elemento evidente, o que deixa a história mais atrativa, mexendo com o imaginário do público.

Apesar de algumas imperfeições, a trama chama a tenção e proporciona grandes emoções e expectativas quanto ao desfecho de cada personagem. Vale a audiência.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Como um Relâmpago/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Como um Relâmpago/Cesar Augusto Mota

A política americana atrai cada vez mais pessoas, seja para acompanhar o dia a dia na terra do Tio Sam ou contemplar filmes e séries sobre os Estados Unidos.  Os principais governos democratas e republicanos foram devidamente retratados, com importantes acontecimentos que afetaram não só a maior potência do mundo como alterou a relação como os demais países, dentre eles, o assassinato do presidente John F. Kennedy, na década de 60. O que será pano de fundo em “Como um Relâmpago” (Death by Lightning), da Netflix, será a morte de James A. Garfield, o vigésimo presidente. Uma obra que faz importantes reflexões sobre poder, loucura e ambição.

Garfield (Michael Shannon), um homem com a intenção de reformar a política e combater a corrupção, ascendeu à presidência em 1881.  Como contraponto, está Charles Guiteau (Matthew Macfadyen), um advogado fanfarrão e caloteiro, se convence de que seu apoio a Garfield foi vital para a vitória do congressista, e que, por isso, merecia reconhecimento e um grande cargo diplomático. A recusa do governo transforma sua admiração em uma obsessão assassina.

Há um paralelo entre o passado e presente, que mostra como o poder consegue corroer pessoas e instituições, e as tensões de uma república americana ainda presentes, antes marcadas por escravidão, racismo e corrupção. Uma nação em reconstrução, com esperanças de dias melhores com um veterano da Guerra Civil, mas que não esperava que o país ficaria marcado por mais uma tragédia.

A ascensão e queda do presidente Garfield são retratadas de forma honesta, sem necessidade de sensacionalismo, e o arco do vilão, desde a ilusão de chegada ao poder até a insanidade que culminou em ruína, é bem construído e ilustra que o obstinado pela fama é capaz de tudo e a ambição pode cegar as pessoas e fazê-las perder todo o tipo de noção e controle. As atuações são satisfatórias, com destaque para o vilão, figura perversa, caricata e que ilustra uma perfeita alegoria da fragilidade humana, facilmente manipulada e corrompida.

Quem aprecia séries históricas, com drama, thriller psicológico e importantes críticas sociais certamente vai curtir “Como um Relâmpago”. Um grande divertimento e, sobretudo, aprendizado.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota