Poltrona Séries: Maldade/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Maldade/Cesar Augusto Mota

Séries que colocam lado a lado o luxo, a violência e os segredos pessoais estão muito em alta nos serviços de streaming. A bola da vez é “Maldade”, de James Wood, com David Duchovny como uma das estrelas. A Prime vídeo traz seis episódios de cinquenta minutos para uma maratona que promete muito mistério e tensão.

Acompanhamos Adam Healey (Whitehall), um tutor carismático e que parece não oferecer riscos a ninguém se infiltra na vida da família Tanner durante férias na Grécia. Quando a babá original adoece misteriosamente, Adam assume o posto e volta para Londres, revela seu plano maligno: destruir cada membro dos Tanner. Jamie Tanner (Duchovny), o patriarca, vive com a esposa Nat (van Houten), uma mulher atormentada por segredos familiares, e seus filhos adolescentes problemáticos.

Antes do vilão, a família Tanner é apresentada com um marido infiel e uma esposa depende emocionalmente dele. O filho mais velho é rebelde e já causa intrigas antes da chegada do tutor. Adam se aproveita da fragilidade de cada membro da família e só aumenta os problemas, manipulando cada um. Os segredos dos Tanner são aos pouco revelados, e há um avanço acelerado no capítulo final, mas que não prejudica a narrativa.

Adam é imprevisível e consegue ser envolvente ao longo da trama, Jamie é egocêntrico e consegue se autossabotar, a esposa Nat, apesar de submissa, se recusa a ser vítima e tenta se libertar do círculo vicioso no qual está presa. O humor sombrio se faz presente, mesmo que em poucas cenas, mudando a experiência e tornando-a mais envolvente. A ambiguidade é outro elemento evidente, o que deixa a história mais atrativa, mexendo com o imaginário do público.

Apesar de algumas imperfeições, a trama chama a tenção e proporciona grandes emoções e expectativas quanto ao desfecho de cada personagem. Vale a audiência.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Como um Relâmpago/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Como um Relâmpago/Cesar Augusto Mota

A política americana atrai cada vez mais pessoas, seja para acompanhar o dia a dia na terra do Tio Sam ou contemplar filmes e séries sobre os Estados Unidos.  Os principais governos democratas e republicanos foram devidamente retratados, com importantes acontecimentos que afetaram não só a maior potência do mundo como alterou a relação como os demais países, dentre eles, o assassinato do presidente John F. Kennedy, na década de 60. O que será pano de fundo em “Como um Relâmpago” (Death by Lightning), da Netflix, será a morte de James A. Garfield, o vigésimo presidente. Uma obra que faz importantes reflexões sobre poder, loucura e ambição.

Garfield (Michael Shannon), um homem com a intenção de reformar a política e combater a corrupção, ascendeu à presidência em 1881.  Como contraponto, está Charles Guiteau (Matthew Macfadyen), um advogado fanfarrão e caloteiro, se convence de que seu apoio a Garfield foi vital para a vitória do congressista, e que, por isso, merecia reconhecimento e um grande cargo diplomático. A recusa do governo transforma sua admiração em uma obsessão assassina.

Há um paralelo entre o passado e presente, que mostra como o poder consegue corroer pessoas e instituições, e as tensões de uma república americana ainda presentes, antes marcadas por escravidão, racismo e corrupção. Uma nação em reconstrução, com esperanças de dias melhores com um veterano da Guerra Civil, mas que não esperava que o país ficaria marcado por mais uma tragédia.

A ascensão e queda do presidente Garfield são retratadas de forma honesta, sem necessidade de sensacionalismo, e o arco do vilão, desde a ilusão de chegada ao poder até a insanidade que culminou em ruína, é bem construído e ilustra que o obstinado pela fama é capaz de tudo e a ambição pode cegar as pessoas e fazê-las perder todo o tipo de noção e controle. As atuações são satisfatórias, com destaque para o vilão, figura perversa, caricata e que ilustra uma perfeita alegoria da fragilidade humana, facilmente manipulada e corrompida.

Quem aprecia séries históricas, com drama, thriller psicológico e importantes críticas sociais certamente vai curtir “Como um Relâmpago”. Um grande divertimento e, sobretudo, aprendizado.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Magnum-Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Magnum-Cesar Augusto Mota

A Marvel Studios vem se consolidando no mercado audiovisual com produções séries compostas por episódios semanais e tem conquistado públicos variados. Foi assim com Loki e Cavaleiro da Lua. Porém, a nova produção, “Magnum”, foge do padrão e chega com oito episódios em sequência para maratona, diferente do que vinha ocorrendo com as produções da Marvel e transmitidas pelo Disney+ desde 2021, com Wandavision.

Acompanhamos Simon Williams (Yahya Abdul-Mateen II), um jovem ator que tenta conseguir um papel no remake de ”Magnum”, um famoso filme de super-heróis que ele acompanhou quando criança. Na disputa pela vaga, ele conhece Trevor Slattery (Ben Kingsley), ator que se tornou mundialmente famoso por interpretar o terrorista Mandarim, em Homem de Ferro 3.  Trevor está enfrentando um período de decadência na carreira e seu encontro com Willians, o protagonista da série, fará mudar o rumo dos dois na indústria cinematográfica e nas relações interpessoais deles.

Diferentemente de outras obras da Marvel em destacar super-heróis e a missão de salvar o mundo, “Magnum” não é especificamente sobre isso, mas para ilustrar a trajetória de atores iniciantes que querem lugar ao sol, muitos deles vivendo sob insegurança, outros com frustrações. O sentimento de ambição do protagonista fala alto, e mostra o que muitos profissionais sentem e que por diversas vezes se perde pelo caminho em razão das dificuldades que se apresentam.

A interação entre Willians e Trevor sustenta a narrativa, e ambos se completam. Enquanto o primeiro possui carisma, mas com psicológico frágil, o segundo é um alívio cômico, um personagem bem explorado e que faz o protagonista evoluir ao longo dos oito episódios. A proposta de uma história mais dinâmica e reflexiva se encaixa nesse formato de maratona, ao contrário de exibições semanais, pois ocorreria quebra de ritmo da história.

Mostrar os bastidores da atuação é o principal ingrediente desta obra, em vez de explorar à exaustão o mundo aparentemente perfeito e glamouroso de celebridades. Ficção faz parte do audiovisual, mas a realidade também se faz necessária para evitar alienação, ilusão e frustração, seja do espectador, ou do profissional da arte. Um ótimo entretenimento e reflexão proporciona “Magnum”, o novo sucesso da Marvel e veiculado pela Disney+.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Gênio dos Desejos/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Gênio dos Desejos/Cesar Augusto Mota

É inegável o sucesso das séries coreanas no Brasil, os populares doramas. Com um misto de drama e comédia, os brasileiros se encantam e fazem questão de maratonar histórias regadas com muitas surpresas, imprevisibilidade e personagens carismáticos. A série “Gênio dos Desejos” procura beber dessa fonte e tenta alcançar o mesmo sucesso de outros doramas exibidos no serviço de streaming Netflix. É uma boa opção?

Acompanhamos Iblis (Kim Woo-bin), um gênio que foi banido do paraíso após fazer uma aposta com Deus. Preso por mil anos em uma lâmpada, ele aparece em um mundo moderno para conceder três pedidos a Ka-young (Suzy Bae), uma mulher rotulada como “psicopata” por sua frieza.  E qual será o grande desafio para Iblis? Provar que humanos são corruptíveis por terem desejos egoístas.

Os desejos de Ka-young vào além de satisfações pessoais, passam também por ajudar animais abandonados e reparação de antigas relações pessoais. Uma relação improvável entre Ka-Young e Iblis começa a se desenhar e na medida em que os episódios vão se desenrolando é possível perceber um paradoxo entre o que realmente é necessário e o que pode ser descartável. Os pedidos feitos por outros personagens ilustram como o ser humano pode ser manipulável e ficar em meio a dilemas morais e escolhas difíceis.

Não vemos pedidos triviais e tampouco relações tóxicas, mas sim verdadeiras lições sobre identidade, poder de escolha e princípios morais. O humor e a emoção dos personagens são latentes, há um misto de irreverência e melancolia e histórias cheia sde reviravoltas e com altas cargas emocionais. Quem gosta de grandes histórias e de interpretações impactantes, essa série é a escolha certa.

Apesar do ritmo irregular dos últimos episódios, num total de dezesseis, “Gênio dos Desejos” traz um importante debate sobre a natureza humana e os mais diversos dilemas existenciais pelos quais podemos passar. Uma experiência épica.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Emily em Paris-5ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Emily em Paris-5ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Turismo, negócios, luxo e muitas belezas naturais. Quem acompanhou “Emily em Paris”, no serviço de streaming Netflix, notou tudo isso e histórias com reviravoltas, envolvendo relacionamentos e mudanças profissionais da protagonista, viva por Lily Collins. Desta vez, o palco muda e surge um novo amor na vida de Emily Cooper, teremos novas surpresas?

Emily se muda para Roma para liderar a filial da Agência Grateau, mas ainda se sente observada por todos a sua volta, como nas temporadas anteriores. Ela engata um romance com Marcelo Muratori, herdeiro de uma fábrica de cachecóis. Emily goza de menos autonomia no trabalho e enfrenta novas frustrações e desastrosas campanhas de marketing.

Ter respostas para tudo e as soluções ideais para todos os problemas são características evidentes de Emily, mas ela passa por uma transformação esta temporada e quem tinha ojeriza passa a ter empatia pela protagonista. Artigos de luxo e grandes desfiles também ganham espaço, além de alguns romances envolvendo os personagens secundários, inclusive de Sylvie, a chefe de Emily.

Roma é um novo personagem, uma cidade inspiradora, no qual o amor pulsa e as amizades afloram, tendo duas pessoas do passado de Emily retornado para essa sequência, gerando muitas surpresas. Os figurinos utilizados possuem cores vibrantes, são atrações à parte e empolgam o público feminino, que se mobiliza para ver as novidades da temporada. A quinta temporada traz a essência do começo da série, e também mudanças pontuais que irão agradar ao público.

Envolvente, surpreendente e imprevisível. “Emily em Paris” tenta trazer algumas novidades e deixar para trás as rejeições em decorrência de como os franceses e a cultura francesa foram retratados.  Uma temporada mais amistosa e convidativa.

Cotação: 4/5 poltronas.  

Por: Cesar Augusto Mota