Poltrona Séries: A Isca/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Isca/Cesar Augusto Mota

A indústria do entretenimento pode esbanjar glamour e felicidade para quem acompanha de fora, mas quem faz parte desse meio se depara com muito mais do que tudo isso. Há chantagens, trocas de favores, inveja e muitos outros elementos ruins, que podem destruir uma carreira já consolidada ou outra que sequer começou. “A Isca”, série da Prime Video, traz justamente esse contexto, além de proporcionar momentos de humor e alívio em meio a tantas tensões.

Durante seis episódios acompanhamos Shah Latif (Riz Ahmed), um ator que vive endividado e possui diversas questões com sua família. Um dia, surge uma grande oportunidade vida, um teste para interpretar o novo James Bond. Porém, sua vida pessoal está prestes a virar de cabeça para baixo com uma série de conflitos que resolvem aparecer todos ao mesmo tempo, e justamente no momento mais importante de sua carreira.

Interessa saber se Shah vai conseguir o papel? À primeira vista, não, mas quais as consequências em caso de sucesso ou insucesso, tendo em vista o universo caótico no qual o protagonista está inserido. A chance de ser famoso mexe com a mente de Shah, que tem as relações familiares afetadas, com muita pressão sobre ser um grande astro e corresponder às expectativas de todos à sua volta.

A instabilidade do personagem-central é construída gradualmente, e a trama não conta com soluções fáceis. Momentos de humor e sátira são explorados de início como uma forma de criticar a indústria, mas também existirá momentos mais sérios, com abordagem sobre intolerância religiosa e racismo. Os conflitos internos do protagonista são ilustrados por reações contidas e silêncio, tudo com muita naturalidade, proporcionando autenticidade às cenas e aos desdobramentos delas.

A tensão psicológica, a crítica social e a comédia oferecidas pela série são bem estruturados durante os episódios e proporciona um misto de emoções em quem acompanha, que não só terá suas próprias reações, como se colocará no lugar do protagonista, que se sente em um beco sem saída e precisa de soluções urgentes. Uma experiência diferente e válida.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Jovem Sherlock/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Jovem Sherlock/Cesar Augusto Mota

Séries que envolvem investigações de crimes e a sagacidade dos investigadores na associação entre as provas coletadas e a chegada ao autor do delito sempre são atrativas, a depender da narrativa e do formato explorado. A produção da vez, “jovem Sherlock”, da Prime Video, faz uma abordagem diferente sobre o mais famoso detetive consagrado na literatura e no cinema.

A narrativa acompanha um jovem Sherlock (Hero Fiennes Tiffin), de 19 anos, em uma vida desregrada, marcada por pequenos furtos. Retirado da prisão pelo irmão mais velho, Sherlock passa a trabalhar na Universidade de Oxford, observando à distância a comunidade acadêmica. A partir desse ingresso, começam as aventuras, as investigações e as incursões em grandes eventos sociais ao lado de James Moriarty (Dónal Finn).

As diretrizes de investigação de Sherlock começam a ser construídas a partir do primeiro caso, de um assassinato em Oxford, no qual recaem sobre ele as principais suspeitas, tendo em vista que o protagonista já possuir maus antecedentes criminais. Capacidade de observação, curiosidade constante e envolvimento em problemas na busca por respostas são perceptíveis ao longo dos oito episódios, além da capacidade de se descobrir diante das adversidades e aprender coisas novas.

A interação com o companheiro Moriarty é um ponto positivo, além da exploração dos conflitos internos do personagem-central, bem como memórias de família, fatores que são capazes de influenciar em decisões futuras. O poder de dedução de Sherlock e as discussões com Moriarty são outros ingredientes, que dão maior peso dramático à trama. A dupla consegue sustentar a primeira temporada, com possibilidades de novas histórias.

Um clássico revisitado sob uma nova perspectiva, de um jovem Sherlock em fase de aprendizado até chegar ao status de mente brilhante que o consagrou nas tramas policiais. Uma icônica e emocionante experiência.

Coração: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Maldade/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Maldade/Cesar Augusto Mota

Séries que colocam lado a lado o luxo, a violência e os segredos pessoais estão muito em alta nos serviços de streaming. A bola da vez é “Maldade”, de James Wood, com David Duchovny como uma das estrelas. A Prime vídeo traz seis episódios de cinquenta minutos para uma maratona que promete muito mistério e tensão.

Acompanhamos Adam Healey (Whitehall), um tutor carismático e que parece não oferecer riscos a ninguém se infiltra na vida da família Tanner durante férias na Grécia. Quando a babá original adoece misteriosamente, Adam assume o posto e volta para Londres, revela seu plano maligno: destruir cada membro dos Tanner. Jamie Tanner (Duchovny), o patriarca, vive com a esposa Nat (van Houten), uma mulher atormentada por segredos familiares, e seus filhos adolescentes problemáticos.

Antes do vilão, a família Tanner é apresentada com um marido infiel e uma esposa depende emocionalmente dele. O filho mais velho é rebelde e já causa intrigas antes da chegada do tutor. Adam se aproveita da fragilidade de cada membro da família e só aumenta os problemas, manipulando cada um. Os segredos dos Tanner são aos pouco revelados, e há um avanço acelerado no capítulo final, mas que não prejudica a narrativa.

Adam é imprevisível e consegue ser envolvente ao longo da trama, Jamie é egocêntrico e consegue se autossabotar, a esposa Nat, apesar de submissa, se recusa a ser vítima e tenta se libertar do círculo vicioso no qual está presa. O humor sombrio se faz presente, mesmo que em poucas cenas, mudando a experiência e tornando-a mais envolvente. A ambiguidade é outro elemento evidente, o que deixa a história mais atrativa, mexendo com o imaginário do público.

Apesar de algumas imperfeições, a trama chama a tenção e proporciona grandes emoções e expectativas quanto ao desfecho de cada personagem. Vale a audiência.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Mentiras-A Série/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Mentiras-A Série/Cesar Augusto Mota

Adaptações estão ganhando cada vez mais espaço na sétima arte, seja de filme para série ou o inverso. Mas adaptar um musical para a televisão e transformá-lo em série é um desafio ainda maior, tornando-se uma novidade e mais um atrativo para o público. A bola da vez é “Mentiras-A Série”, uma produção mexicana veiculada pela Prime Video, que gira em torno de cinco pessoas. Deu resultado?

A obra conta a história de quatro mulheres que acabam se conhecendo durante o funeral de Emmanuel Mijares, um homem com o qual mantiveram relacionamentos secretos. A partir do instante que é revelado que ele fora assassinado, as quatro passam a ser suspeitas e precisam solucionar o mistério, tendo que enfrentar segredos e rivalidades durante a investigação policial.

A trilha sonora é o primeiro atrativo, com diversos clássicos dos anos 80, aliada a uma mescla de comédia com suspense, que a trama pede. Apesar de haver um assassinato a ser desvendado, os momentos que Emmanuel passou com cada mulher investigada são tratados com muito bom humor, mas quando é necessário seriedade, uma música adequada para a ocasião é inserida.

Questões como machismo, a estereotipia feminina, identidade feminina e sororidade são temas bastante importantes, não só para a compreensão do passado dos personagens, mas uma reflexão sobre as situações e as diversas barreiras que a mulher tem enfrentado em uma sociedade mexicana ainda preconceituosa. Os erros dos homens não são colocados como compreensíveis, mas são abordados de uma forma cômica e irônica e lembrando que a mulher possui uma espécie de sexto sentido, ninguém pode duvidar da capacidade da mulher superar situações adversas.

A essência da peça foi respeitada, o elenco entrega atuações espetaculares e honestas e a história contada de uma forma direta e sem rodeios, afinal o público não quer enrolação, mas emoção e muitas risadas. “Mentiras-A Série” é uma grata surpresa, com um humor acima da média, que todo bom mexicano sabe fazer.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: On Call/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: On Call/Cesar Augusto Mota

Toda função social envolve dilemas, desafios, complexidades de um contexto social e o combate a todo tipo de corrupção. E o que dizer se o cotidiano de uma determinada profissão colocar o espectador no centro da ação? ‘On Call’, série da Prime Video, vem com o intuito de ilustrar tudo o que envolve as forças policiais de Long Beach,Califórnia, com um alto grau de imersão do espectador, mas será que funciona?

Dos mesmos criadores de ‘Law & Order: SVU’ e ‘FBI’, acompanhamos o cotidiano de dois policiais, com Traci Harmon (Troian Belisario), uma veterana disposta a transmitir toda a sua experiência, bem como Alex Diaz (Brandon Larracuente), um jovem recruta formado na Academia de Polícia da Califórnia. Ambos passam os plantões juntos solucionando os mais diversos casos, desde furtos até batidas policiais de grande risco.

Durante os oito episódios da série, notam-se as mais diversas perspectivas e experiências dos oficiais, que acabam por se complementarem, além das complexidades, que vão além das suas atribuições e do dever de cumprir a lei. A série procura fazer a abordagem do trabalho da polícia da Califórnia de maneira realista e inovadora, e para isso se utiliza de recursos visuais, além das questões humanas complexas e do dilema em ter de tomar decisões difíceis em face da gravidade da situação e da preservação da ordem.

O uso da câmera na mão e a corporal imprimem urgência e realismo na jornada dos dois oficiais, e as filmagens em grande plano proporcionam uma total imersão do espectador, que não só vê como sente o ambiente, como se realmente estivesse nele. Além da relação da polícia com a sociedade, as políticas internas de uma corporação também ganham espaço e ilustram enormes desafios, não só de proteger a população, como o do oficial em estar altamente preparado e apto para servir a toda uma comunidade.

‘On Call’ é uma série que procura pensar fora da caixa e oferecer uma obra diferente das que já foram feitas sobre séries policiais, não se limitando à abordagem do combate ao crime. Merece toda a atenção e audiência.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota