Poltrona Cabine: A Voz de Deus/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: A Voz de Deus/Cesar Augusto Mota

Com as redes sociais cada vez mais constantes e a fé muito difundida entre as classes sociais, a tendência é do aumento do número de debates e o surgimento de novos pregadores religiosos. O documentário “A Voz de Deus”, de Miguel Antunes Ramos, revela a aparição de dois jovens evangélicos tidos como prodígios entre os adeptos, com muita visibilidade e uma superexposição, que poderia ter sido prejudicial.

O filme acompanha Daniel Pentecoste, que viveu o auge da popularidade ainda criança e hoje lida com o fim dessa visibilidade, e João Vitor Ota, que, na abordagem feita no documentário, vive justamente o momento de maior projeção. A obra é feita ao longo de cinco anos, que aproxima essas duas histórias para refletir sobre a fé no Brasil de hoje, observando como sonhos, expectativas e transformações atravessam a vida desses jovens.

Quem espera espetacularização e romantização do evangelho pregado por crianças se surpreende, pois o diretor vai pelo sentido oposto, com uma abordagem sensível, formado por cenas de bastidores, ilustrando a pressão das famílias, das comunidades e o significado das palavras que compõem os discursos dos personagens em foco. A palavra de Deus é ilustrada na íntegra, sem cortes, e não há narrações em off. A partir da pregação, o espectador é convidado ao debate, mas sem juízo de valor, não há um lado certo ou errado da história, todas as crenças são respeitadas.

A importância da religião é o ponto mais alto do documentário, que molda identidades, transforma as massas, dá suporte emocional e prega valores, como fraternidade, amor e humildade. A fé não é um espetáculo, mas uma linguagem dos povos, o público contempla os cultos e ao mesmo tempo tem uma visão crítica acerca das mensagens transmitidas, mas com compreensão e respeito. O objetivo é levar a palavra de Deus a todas as classes, não há um escopo de doutrinar, mas de fazer todas as classes conhecerem os ensinamentos divinos e o legado deixado para as atuais gerações e as futuras.

“A Voz de Deus” é uma obra relevante e para todos os públicos, não só pelo tema, mas a forma que o diretor escolhe para a transmissão das mensagens, com linguagem polida e séria, sem espaço para confusão entre política e religião, tão comum em um mundo cada vez mais dinâmico e digital.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Super Mario Galaxy-O Filme/Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Super Mario Galaxy-O Filme/Cesar Augusto Mota

Os fãs de video games, principalmente da franquia Mario, estão cada vez mais eufóricos, não só pela gama de jogos que estão sendo lançados nos últimos anos, como também pelas adaptações que vêm sendo feitas. Em 2023, o público foi brindado com “Super Mario Bros-O Filme”, com uma aventura frenética de Mario e Luigi em busca da libertação da princesa Peach das garras do temível Bowser. Agora, em 2026, chega “Super Mario Galaxy”, que promete muito mais.

Na nova narrativa, Bowser Jr. decide raptar Rosalina como parte de um plano para impressionar Bowser. Peach e Toad partem em busca da personagem enquanto a princesa mergulha em seu próprio passado. Mario e Luigi, ao lado de Yoshi, entram em ação após um encontro com o vilão.

É possível perceber referências aos jogos anteriores, um autêntico fan service, despertando nostalgia e carinho em quem cresceu jogando os jogos da franquia Mario. As adaptações, com a recriação de situações icônicas e inesquecíveis funcionam, o público infantil se encanta e fica satisfeito só de ver os personagens em cena, mas os adultos se decepcionam. Falta profundidade ao arco de alguns personagens, como a origem de Peach e o lado paternal de Bowser, tudo de forma superficial.

Além da falta de profundidade, a sucessão dos acontecimentos se dá de forma acelerada, sem dar tempo para o espectador respirar e se conectar aos personagens. Rosalina, novo ícone e alvo dos antagonistas aparece pouco na trama e não ganha o destaque que merecia. Há muito mais recursos, a diversão é garantida, além do carisma dos personagens, mas a história deixa a desejar, peca pela falta de construção e um objetivo definido.

“Super Mario Galaxy” é diversão garantida entre a garotada e o público mais velho, mas com gosto de quero mais, poderia ter oferecido mais do que foi apresentado e de uma forma mais satisfatória. Porém, há brechas para novas histórias serem construídas e os erros cometidos nesta sequência serem corrigidos. A conferir.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Rancho Dutton estreia em 15 de maio no Paramount+

Rancho Dutton estreia em 15 de maio no Paramount+

Primeiras Imagens e Teaser Revelam Uma Nova Série de Yellowstone, Protagonizada Por Cole Hauser e Kelly Reilly

Crédito da foto: Emerson Miller/Paramount+
 

CLIQUE AQUI PARA CONFERIR O TEASER

Paramount+ acaba de anunciar o retorno de Kelly Reilly e Cole Hauser como os indomáveis Beth Dutton e Rip Wheeler em RANCHO DUTTON, série que estreia, mundialmente, no streaming em 15 de maio, com dois episódios — e, desta vez, eles irão desbravar o estado do Texas. Nesta nova série original, Hauser e Reilly estarão acompanhados pelos indicados ao Oscar, Ed Harris e Annette Bening.
 

Enquanto Beth e Rip lutam para construir um futuro juntos, longe dos fantasmas de Yellowstone, eles se deparam com novas realidades brutais e com um rancho rival implacável, que não vai parar por nada para proteger seu império. No sul do Texas, o sangue corre em abundância, o perdão é passageiro e o custo de sobreviver pode ser, nada menos, do que a própria alma.
 

Ao lado de Kelly Reilly e Cole Hauser, a nova série dramática original também conta com as atuações de Finn Little, Juan Pablo Raba, Jai Courtney, J.R. Villarreal, Marc Menchaca e Natalie Alyn Lind, além de Ed Harris e Annette Bening.
 

Produzida pela Paramount Television Studios e pela 101 Studios, a primeira temporada, com nove episódios, marca o início de uma nova série dentro do universo de Yellowstone. Criada pelo produtor executivo e showrunner, Chad Feehan, e baseada em personagens criados pelos produtores executivos, Taylor Sheridan e John Linson, Dutton Ranch também conta com produção executiva de David C. Glasser, Art Linson, Ron Burkle, David Hutkin, Bob Yari, Christina Alexandra Voros, Michael Friedman, Cole Hauser, Kelly Reilly e Keith Cox. Além de produtora executiva, Christina Alexandra Voros também dirigiu vários episódios desta temporada, incluindo os episódios de estreia e o final da temporada. Greg Yaitanes, Jessica Lowrey e Phil Abraham também participaram como diretores nesta temporada.
 

Produzida pela Paramount Television Studios e pela 101 Studios, a primeira temporada de nove episódios marca o início de uma nova série dentro do universo Yellowstone.
 

***

Paris Filmes divulga cartaz de Jogos Vorazes – Amanhecer na Colheita

Paris Filmes divulga cartaz de Jogos Vorazes – Amanhecer na Colheita

Paris Filmes divulga cartaz de “Jogos Vorazes – Amanhecer na Colheita”

Longa chega em cinemas de todo o Brasil em novembro de 2026

 A Paris Filmes acaba de divulgar um cartaz de “Jogos Vorazes – Amanhecer na Colheita” (The Hunger Games: Sunrise On The Reaping), nova distopia da série de sucesso que já levou milhões de pessoas aos cinemas. A produção estreia em novembro de 2026 nos cinemas brasileiros. Baixei aqui o cartaz.

O filme, dirigido por Francis Lawrence, revisitará o mundo de Panem 24 anos antes dos eventos de Jogos Vorazes, começando na manhã da colheita da 50º edição dos Jogos Vorazes, também conhecida como o Segundo Massacre Quaternário. “Jogos Vorazes – Amanhecer na Colheita é baseado no livro homônimo de Suzanne Collins, lançado no Brasil pela Editora Rocco. O elenco conta com diversos nomes de peso, como Ralph Fiennes, Jesse Plemons, Glenn Close, Kieran Culkin, Elle Fanning e mais. 

SOBRE A PARIS FILMES

A Paris Filmes é a maior distribuidora brasileira independente e atua no mercado de distribuição de filmes no Brasil e na América Latina, destacando-se pela alta qualidade cinematográfica. Além de ter distribuído grandes sucessos mundiais como as sagas “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes”, o premiado “O Lado Bom da Vida”, que rendeu o Globo de Ouro®️ e o Oscar®️ de Melhor Atriz a Jennifer Lawrence em 2013 e “Meia-Noite em Paris”, que fez no Brasil a maior bilheteria de um filme de Woody Allen, a distribuidora também possui em sua carteira os maiores sucessos do cinema nacional, como as franquias “De Pernas Pro Ar”, “Até Que a Sorte nos Separe”, “DPA – O Filme” e “Turma da Mônica”. Nos últimos anos a empresa esteve à frente de importantes lançamentos como “John Wick”, “La La Land – Cantando Estações”, “A Cabana”, “Extraordinário”, “Marighella”, “Meu Nome é Gal”, “Homem com H”, “Manas”, “Pedágio”, “Ritas” , “Jogos Vorazes – A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes”, “Jogos Mortais X”, “A Empregada”, a franquia “Truque de Mestre” e “Minha Irmã e Eu” – primeiro filme nacional a bater a marca de 2 milhões de espectadores pós-pandemia. 

Entre os próximos lançamentos estão “Feito Pipa”, “Geni e o Zepelim”, “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você”, “Minha Melhor Amiga”, “Minha Vida com Shurastey” e “Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita”.

Acompanhe as novidades sobre esse e outros lançamentos por meio das redes sociais:

www.facebook.com/ParisFilmesBR

www.instagram.com/ParisFilmes

www.twitter.com/ParisFilmes

www.youtube.com/ParisFilmes

A Voz de Deus observa o crescimento de jovens pregadores

A Voz de Deus observa o crescimento de jovens pregadores

ENTRE FÉ E QUESTIONAMENTO, A VOZ DE DEUS OBSERVA O CRESCIMENTO DE JOVENS PREGADORES

Documentário de Miguel Antunes Ramos observa jovens pregadores em momentos distintos de suas vidas e constrói um retrato atento às suas escolhas e dilemas

A VOZ DE DEUS, novo documentário dirigido por Miguel Antunes Ramos, estreia nos cinemas brasileiros no dia 16 de abril, com distribuição da Embaúba Filmes. 

Filmado ao longo de cinco anos, o documentário acompanha a trajetória de dois jovens pregadores evangélicos em momentos distintos de suas vidas. Daniel Pentecoste foi o pregador infantil mais famoso do país reunindo multidões e projeção nacional, numa época onde os smartphones ainda não estavam tão presentes em nossas vidas. Ao crescer, enfrenta o esvaziamento da fama precoce e a incerteza sobre o futuro. Já João Vitor Ota é um fenômeno atual, que  ganhou projeção ainda criança com vídeos de suas pregações nas redes sociais e vive o auge da visibilidade com milhares de seguidores no TikTok e Instagram.

Ao aproximar essas duas trajetórias — o auge e o depois —, o filme constrói um retrato sobre o que permanece e o que se transforma quando a infância se cruza com a exposição pública.

Mais do que registrar um fenômeno religioso, A VOZ DE DEUS observa como a fé, a família e o contexto político atravessam a construção da identidade de dois jovens. Daniel relembra que sua trajetória na igreja  antecede qualquer escolha consciente: criado pelo pai após o divórcio, cresceu em um ambiente em que a igreja se tornou refúgio, rotina e horizonte possível. “Como qualquer criança incentivada em um ambiente específico, fui impulsionado por isso”, afirma. No filme, sua história revela não apenas o fato de ter sido transformado em figura pública gospel ainda jovem, mas também o esforço de reinventar a própria vida para além desse lugar.

Hoje em outro momento da sua relação com a igreja, Daniel afirma que sua fé permanece viva, sustentada menos pela rigidez dogmática e mais pela mensagem de amor do evangelho. “Acredito que parei de pastorear dentro da igreja para pastorear na vida”, diz. Atualmente, trabalha com música e educação infantil.

Ao refletir sobre sua trajetória, ele também propõe uma leitura crítica do campo religioso. “Costumo dividir a igreja entre a ‘Igreja da Varanda’, que vê o mundo de cima, de forma dogmática e com a ideia de que sua verdade é a única, e a ‘Igreja do Caminho’, que é a que eu acredito, que está entre as pessoas e entende o mundo como quem faz parte dele”, afirma.

Ao acompanhar Daniel e João Vitor em tempos diferentes de suas trajetórias, o filme também desenha um retrato das mudanças recentes no Brasil. Entre o país dos programas de auditório, DVDs e televangelismo, que marcou a ascensão de Daniel, e o universo das lives, publis e redes sociais que impulsiona João, A VOZ DE DEUS evidencia uma transformação profunda nos regimes de visibilidade e influência.

Para o diretor Miguel Antunes Ramos, no entanto, o centro do filme nunca esteve na espetacularização desses personagens. “O filme recusa essa ideia de uma ‘voz de Deus’ que explica tudo. O interesse está justamente nos tempos mortos, nos silêncios, nas cenas banais do cotidiano”, afirma o diretor. Em vez de reforçar caricaturas ou julgamentos fáceis sobre o universo evangélico, o documentário se aproxima das contradições, dos afetos e das ambiguidades de seus personagens.

Essa escolha faz com que política e religião apareçam não como temas abstratos, mas encarnados nas relações familiares, nos conflitos geracionais e nas expectativas projetadas sobre esses jovens. Daniel, por exemplo, vive um distanciamento em relação ao pai justamente por ter seguido caminhos diferentes dos esperados dentro do ambiente religioso. “Até hoje, meu pai não entende as decisões que tomei de me afastar do meio eclesiástico. Apesar de termos uma relação boa, esse é o grande “elefante na sala” entre nós.”, reflete Daniel.

Com uma abordagem observacional que privilegia a presença e a escuta, A VOZ DE DEUS evita sensacionalismos e propõe um olhar rigoroso e sensível sobre personagens que costumam ser reduzidos a estereótipos. A câmera compartilha o espaço, acompanha hesitações, silêncios e conflitos, revelando como a fé pode ser ao mesmo tempo abrigo, herança, disputa e reinvenção.

Desde sua estreia em festivais, o longa vem sendo reconhecido pela crítica por seu olhar rigoroso e sensível. A VOZ DE DEUS integrou a Competitiva Brasileira do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, onde recebeu o prêmio de Melhor Montagem, além de participar do CineBH – Festival Internacional de Cinema de Belo Horizonte, da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e do Festival de Brasília 2025. Mais recentemente, o documentário conquistou o Prêmio Especial do Júri na seção oficial de documentários do Festival de Málaga, reforçando sua trajetória de destaque no circuito de festivais.

Dirigido por Miguel Antunes Ramos, o filme dialoga com temas recorrentes na trajetória do cineasta, como a observação de grupos sociais, as dinâmicas de poder e as relações entre indivíduo e contexto. Em A VOZ DE DEUS, esses elementos ganham uma dimensão temporal inédita em sua obra, acompanhando ao longo dos anos a formação — e a reinvenção — de figuras públicas ainda em idade de descoberta.

SINOPSE
Duas crianças pregadoras buscam o caminho para uma vida melhor por meio da fé. Daniel Pentecoste foi o pregador infantil mais famoso do Brasil, mas conforme cresce enfrenta a frustração de um futuro incerto. João Vitor está no auge, com um milhão de seguidores. Entre lives e smartphones, prega para multidões. O filme revela as infâncias escondidas sob a construção de duas figuras públicas, oferecendo uma reflexão sobre um Brasil em transformação, em que política e religião frequentemente se confundem.

FICHA TÉCNICA
A VOZ DE DEUS
 (2025) – 85’
Direção: Miguel Antunes Ramos
Roteiro: Miguel Antunes Ramos, Alice Riff
Produção: Nicholas Bernstein
Produtoras: Corisco Filmes, Intropia Media
Distribuição: Embaúba Filmes
Montagem: Yuri Amaral
Fotografia: Alice Andrade Drummond, Léo Bittencourt
Som: Jonathan Macías, Tomás Franco, Rafael Veríssimo
Desenho de Som: Fernando Henna
Trilha Sonora: Arthur Decloet, Kiko Dinucci
País: Brasil / Espanha

SOBRE O DIRETOR
Cineasta brasileiro cujo trabalho explora a transformação de paisagens urbanas e a persistência da violência histórica. É formado em audiovisual pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA–USP). Realizou, entre outros, os curtas-metragens “Um, Dois, Três, Vulcão” (2012), “Salomão” (2013), “E” (2014), “A Era de Ouro” (2014), “O Castelo” (2015) e “Comissão de Vendas” (2016), apresentados em festivais como os de Roterdã, Toulouse e Oberhausen e premiados em diversos festivais no Brasil. Realizou também os longa-metragens documentais “Banco Imobiliário” (2016) “Filhos de Macunaima” (2019) e  “A Flecha e a Farda” (2020).

Sinny Comunicação