Poltrona Séries-Wandinha-2ª Temporada-Parte 2/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries-Wandinha-2ª Temporada-Parte 2/Cesar Augusto Mota

Com uma primeira parte bem aceita pelo público, “Wandinha” chegou com seus episódios finais da segunda temporada após grandes acontecimentos ao fim da primeira parte. Novos vilões irão surgir em Nevermore e mais segredos da Família Addams serão revelados, sem esquecer das participações especiais nessa sequência. Vai a segunda temporada ter um grand finale ou será uma decepção?

O passado de Morticia e Gomez é explorado, com muitas revelações, além das nuances da personalidade macabra de Wandinha, com muito humor ácido. Há um misto de drama adolescente, investigação e arcos complexos bem conectados. Os novos personagens também se destacam, tendo um deles trocado de lugar com Wandinha, que acaba por se tornar uma grande surpresa da temporada.

Uma série que não fique centrada apenas na personagem principal, mas que saiba explorar o que está ao redor do universo de Wandinha, tudo é bem feito e acaba por agradar ao público, que não esperava uma obra que mostrasse formas ainda não ilustradas da protagonista e da família Addams. Tio Chico, um dos mais engraçados, poderia ter sido mais explorado na série, bem como a nova geração de alunos da escola de Nevermore.

Não se poderia esquecer de Tim Burton, com a presença de elementos característicos de seus icônicos trabalhos no cinema, com cenários dotados de elementos sombrios, personagens com personalidades excêntricas e o espaço para situações bizarras. Tudo isso se encaixou na série de Wandinha, que conta com uma atriz acostumada com enredos que exploram a tensão, o medo, o inusitado e o inesperado. Jenna Ortega já se envolveu com projetos que exploravam o humor e o horror, “Wandinha” aborda ambos os gêneros, aliados à identidade visual de Tim Burton.

Com altos e baixos, a segunda parte da temporada dois de “Wandinha” agrada com o drama adolescente da protagonista e surpreende com as revelações sobre os Addams, mas faltou profundidade aos personagens secundários e aos alunos de Nevermore. Uma produção com potencial para corrigir sua rota e garantir mais uma temporada.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Wandinha-2ª Temporada-Parte 1/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Wandinha-2ª Temporada-Parte 1/Cesar Augusto Mota

Com uma grande audiência em seu lançamento, em novembro de 2022, a série “Wandinha”, da Netflix, já indicava que seria renovada e que teria uma segunda temporada. Jenna Ortega, a atriz que vive a protagonista homônima, agora passa a ser também produtora executiva da obra. Ela se sai bem nas duas funções?

A segunda temporada terá oito episódios e será dividida em duas partes. Nos episódios de um a quatro, acompanhados por agora, é possível constatar marcas registradas de Tim Burton, que também é produtor executivo da série. Cores frias, cenários góticos, melancolia e personagens caricatos e personalidades fortes. É possível ver tudo nessa atual temporada e uma relação mais próxima entre Wandinha e Mortícia, que vai ser essencial para compreender alguns desdobramentos.

Os desafetos de Wandinha estão de volta e a ambientação na “Escola Nunca Mais” também, mas a novidade está no surgimento de assassinatos na cidade de Jericho e experimentos sinistros no Hospital de Willow Hill. O carisma da protagonista e a sagacidade para resolver enigmas impressionam e há espaços para abordagem de relações de afeto e amizade.

Os personagens secundários ganham mais espaço e importantes revelações são feitas, dentre elas um stalker de Wandinha. Há uma abertura para um grande desfecho, que deve se dar na segunda parte da temporada, além de participações especiais. Quem já curtiu a primeira temporada certamente vai apreciar essa sequência, com muita comédia, drama e mistério.

Não só os fãs da Família Addams, mas os apreciadores das obras de Tim Burton e quem curte histórias com pistas e resoluções de mistérios. Uma série para públicos variados.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Você-5ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Você-5ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Quem não curte séries que envolvam intrigas, mistérios e assassinatos, e ainda mais tudo isso ao mesmo tempo? Após quatro temporadas, a série Você (You), da Netflix encerra seu ciclo e o culto a um serial killer tido pelo público como carismático. E qual será o desfecho de Joe Goldberg (Penn Badgley), depois de tantos flertes e várias atrocidades?

Após passar por Londres e de volta a Nova York, Joe aparentemente deu a volta por cima, com uma família estável, a guarda do filho retomada e livre das acusações de assassinato. Porém, com a aparição de Bronte (Madeline Brewer), ex-aluna de sua esposa, Joe reacende sua chama de serial killer, mas não contava com a esperteza da vítima em potencial, que não só monitora, mas tenta arrancar alguma confissão acerca de seu passado tenebroso.

A tentativa de desmascarar Joe com o ressurgimento de sobreviventes das temporadas superiores é um dos atrativos dessa derradeira jornada, e essa emboscada, logicamente, faz o vilão passar por situações que não imaginava. Ideias como machismo, impunidade e normalização de comportamentos abusivos são severamente debatidos, e tudo o que é transmitido ilustra que a ficção não está longe da realidade e que todos devem ligar o sinal de alerta.

A quebra da quarta parede, com Joe confrontando o espectador e questionando se o problema não seria “você” é outro ingrediente que fez essa última temporada ainda mais interessante e com viés filosófico. Não se trata de inocentar Joe e polir sua imagem, mas de mostrar sua verdadeira face e como uma mente tão perturbada pode representar um risco a uma sociedade passiva e conivente com violência e preconceito, principalmente com mulheres. O desfecho é bem honesto, embora previsível.

Uma série envolvente, provocativa e instigante, “Você” termina com chave de ouro e sempre será lembrada pelo seu roteiro novelesco e altamente dramático, além de mostrar porque ainda existe fascínio por séries que apresentam serial killers e seus desvios de personalidade. Quem não viu as temporadas anteriores, vale a pena, uma jornada interessante e com muitas memórias.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Heróis de Plantão/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Heróis de Plantão/Cesar Augusto Mota

O serviço hospitalar sempre foi alvo de debates, assim como a importância que se deve dar a um profissional a serviço da saúde e compromissado com a ética e a vida. Já vimos produções americanas e brasileiras, como “Grey’s Anatomy”, “Plantão Médico” e “Sob Pressão”, cada uma com seu devido destaque. “Heróis de Plantão”, produção coreana com direção de Lee Do-yune veiculada pela Netflix, é mais um dorama disposto a oferecer muitas emoções e conquistar públicos variados.

A série acompanha a trajetória de Baek Kang-hyuk, um veterano de guerra que volta para Seul com o intuito de transformar o sistema de atendimento de emergência em um centro de traumas no Hospital Universitário de Hankuk. Porém, algumas barreiras surgem, como procedimentos administrativos complexos, cortes orçamentários e a desconfiança dos demais profissionais do hospital.

Agilidade nos atendimentos, principalmente em casos de emergência, investimentos em infraestrutura e o máximo de entrega do profissional no auxílio para com seu paciente são tópicos muito bem explorados durante os oito episódios. Apesar do ritmo acelerado e do pouco desenvolvimento dos personagens secundários, a obra consegue prender a atenção e proporcionar emoções aos espectadores, tamanho é o desafio dos médicos em um centro de traumas.

O protagonista, um pouco frio e arrogante no início, se transforma no decorrer da trama, e sua dedicação e entrega ao trabalho e aos pacientes acaba por não só conquistar a confiança dos colegas de trabalho como a admiração do público. Há doses de humor em momentos oportunos e o drama que é esperado funciona. Uma produção que entrega tudo e que dá gancho para uma possível sequência.

Muitos pacientes costumam ser tratados apenas como números ou ganha-pão de cada profissional da saúde, mas a série mostrou que a vida é o bem mais precioso e mais importante que qualquer coisa, e tudo isso é bem transmitido pela série. Não só os desgastes físico e mental são sentidos pelo espectador, mas também a angústia e ansiedade em tratar cada paciente com excelência e zelar o máximo possível pela vida de cada um.

Cômica, emocionante e necessária, assim pode-se definir “Heróis de Plantão”, uma produção que serve para mostrar que não existem heróis apenas nos campos de futebol ou nas histórias em quadrinhos.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Adolescência/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Adolescência/Cesar Augusto Mota

O advento da internet e das redes sociais vêm exercendo grande influência sobre os jovens de nossa sociedade. E até que nível é tolerável? Como evitar que o uso dessas ferramentas venha a virar problema? A série “Adolescência”, da Netflix, aborda esse assunto e traz uma trama policial bastante envolvente, sobre um possível envolvimento de um adolescente na morte de uma colega de escola.

Acompanhamos o garoto Jamie, de 13 anos, acusado de matar uma menina de mesma idade a facadas. Todos querem saber, dos pais à polícia, o que aconteceu? Que motivações um adolescente teria para cometer um crime tão chocante e bárbaro? Sofria bullying? Vivia relações tóxicas em casa e/ou na escola? Possuía algum vício? Aos poucos todas as dúvidas são sanadas durante os quatro episódios da minissérie em um clima de suspense e angustiante.

Um recurso interessante utilizado nesta obra foi o uso do plano-sequência, a gravação contínua das cenas e sem cortes, tudo para garantir a imersão do espectador na trama e explorar sua imaginação. As cenas de Jamie, da ansiedade às lágrimas, tudo é bem articulado, com um grande suspense acerca das provas do crime e do olhar incrédulo dos pais com a situação.

Esta série é um verdadeiro convite à reflexão sobre o cotidiano e o universo no qual os jovens estão inseridos hoje, do fácil acesso à internet, conteúdos de acesso livre nas redes sociais e que muitas vezes molda a opinião de crianças e adolescentes, discursos de ódio e a falta de regulamentação da internet. As atuações são memoráveis, o jovem Owen Cooper se sai muito bem como Jamie e o elenco traz muita autenticidade e dramaticidade ao contexto da história, tudo o que se esperava foi alcançado.

“Adolescência” é uma série instigante, reflexiva e que mexe com os nervos da gente. Ela liga o sinal de alerta acerca do comportamento dos nossos adolescentes e as influências ao redor deles. Uma abordagem corajosa e, sobretudo, necessária.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota