
A indústria do entretenimento pode esbanjar glamour e felicidade para quem acompanha de fora, mas quem faz parte desse meio se depara com muito mais do que tudo isso. Há chantagens, trocas de favores, inveja e muitos outros elementos ruins, que podem destruir uma carreira já consolidada ou outra que sequer começou. “A Isca”, série da Prime Video, traz justamente esse contexto, além de proporcionar momentos de humor e alívio em meio a tantas tensões.
Durante seis episódios acompanhamos Shah Latif (Riz Ahmed), um ator que vive endividado e possui diversas questões com sua família. Um dia, surge uma grande oportunidade vida, um teste para interpretar o novo James Bond. Porém, sua vida pessoal está prestes a virar de cabeça para baixo com uma série de conflitos que resolvem aparecer todos ao mesmo tempo, e justamente no momento mais importante de sua carreira.
Interessa saber se Shah vai conseguir o papel? À primeira vista, não, mas quais as consequências em caso de sucesso ou insucesso, tendo em vista o universo caótico no qual o protagonista está inserido. A chance de ser famoso mexe com a mente de Shah, que tem as relações familiares afetadas, com muita pressão sobre ser um grande astro e corresponder às expectativas de todos à sua volta.
A instabilidade do personagem-central é construída gradualmente, e a trama não conta com soluções fáceis. Momentos de humor e sátira são explorados de início como uma forma de criticar a indústria, mas também existirá momentos mais sérios, com abordagem sobre intolerância religiosa e racismo. Os conflitos internos do protagonista são ilustrados por reações contidas e silêncio, tudo com muita naturalidade, proporcionando autenticidade às cenas e aos desdobramentos delas.
A tensão psicológica, a crítica social e a comédia oferecidas pela série são bem estruturados durante os episódios e proporciona um misto de emoções em quem acompanha, que não só terá suas próprias reações, como se colocará no lugar do protagonista, que se sente em um beco sem saída e precisa de soluções urgentes. Uma experiência diferente e válida.
Cotação: 5/5 poltronas.
Por: Cesar Augusto Mota