NINTENDO E EU chega aos cinemas no dia 27 de abril pela Pandora Filmes

NINTENDO E EU chega aos cinemas no dia 27 de abril pela Pandora Filmes

Novo longa de Raya Martin tem distribuição da Pandora Filmes e traz uma história de amadurecimento nos anos 1990

NINTENDO E EU, de Raya Martin (“Independência”) é um filme com um olhar nostálgico e carinhoso pela juventude dos anos de 1990. A descoberta da sexualidade, do amor, a amizade e as tensões familiares, tudo isso e muito mais que é comum nessa fase da vida está no longa que chega aos cinemas no próximo 27 de abril, com distribuição da Pandora Filmes.

Exibido na Mostra Generation Kplus, uma seção do Festival de Berlim que conta com filmes sobre a juventude, o longa tem como protagonista o adolescente Paolo (Noel Comia Jr.), superprotegido por sua mãe, e apaixonado por videogame, até que uma série de terremotos causam a erupção do vulcão Pinatubo, cortando a energia elétrica por toda a Filipina.

Sem outra opção, ele e seus amigos terão de sair de casa para passar o tempo. O protagonista se apaixona por Shiara (Elijah Alejo), a menina mais popular do bairro, e não percebe que sua amiga, Mimaw (Kim Chloie Oquendo), gosta dele.

O roteiro é assinado por Valerie Castillo Martinez, que parte de experiências pessoais sobre amadurecer nos anos de 1990, para criar a história de um grupo de adolescentes. “Eu me lembro perfeitamente da manhã em que houve a erupção. Acordei, e vi tudo coberto de cinzas lá fora. É uma imagem muito vívida em minha memória, e isso me inspirou a criar essa história.”

Também produtora do longa, ela é uma cineasta filipina-americana que fundou sua empresa IndieFlip, para fazer filmes que lidam com assuntos sub-representados e temas transculturais, invertendo os clichês das narrativas usuais.

Martin, por sua vez, conta que cresceu no mesmo subúrbio que Valerie, e eram colegas de escola. “Era a época do surgimento da internet, e estávamos todos fascinados com o mundo virtual. Eu me senti muito próximo dessa história, mas também sugeri que a personagem Mimaw tivesse mais destaque no filme. Esse sentimento de desigualdade era muito importante para mim, sendo gay e crescendo num ambiente onde não podia contar a ninguém”, explica ele.

Eleito um dos 50 cineastas mais importantes com menos de 50 anos pela conceituada revista CinemaScope, Martin já exibiu seus filmes em Cannes, Toronto, Locarno e Nova York. Seu longa “Independência”, aclamado como uma mistura singular da história filipina e da fantasia de Hollywood, foi exibido na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2009, e “Manila”, seu filme seguinte, teve exibição especial na mesma edição do festival, marcando a primeira vez que um diretor filipino teve dois filmes no festival.

O visual do filme é, ao mesmo tempo, uma homenagem e um resgate da estética dos anos de 1990, especialmente, dos filmes. Existe um balanço, explica o diretor, entre a artificialidade daquela década, mas também a luz natural, muito usada pelo diretor de fotografia Ante Cheng.

“Posso citar diversas influências, de Edward Yang ao filme do personagem Riquinho, e também algumas produções filipinas entre esses dois extremos, sobre meninos obcecados por seus patins. NINTENDO E EU é uma viagem no tempo para nossa geração, mas também precisa ser uma apresentação sincera às gerações do futuro.”

Valerie concorda com o colega sobre a necessidade de abordar questões de forma honesta para se conectar com um público juvenil. “As mentes jovens são as mais impressionáveis, as mais vulneráveis e as mais honestas. Essa é uma história que vem do coração. Qualquer pessoa pode se conectar com os desejos dos nossos personagens de se sentir amados, e entender a si mesmos.”

“Essa é uma história de um monte de meninos e meninas descobrindo a si mesmos e si mesmas numa floresta de terceiro mundo: lidando com um mundo dominado por homens enquanto tentam articular seus afetos pelo sexo oposto. Não é apenas uma história de perda, mas, efetivamente, sobre o nascimento da personalidade na vida real”, conclui o diretor.

Sinopse
No início dos anos 1990 nas Filipinas, o adolescente Paolo e seus amigos se aventuram em novas descobertas e se divertem durante o verão, à medida que crescem.

Ficha Técnica
Direção:
 Raya Martin
Roteiro: Valerie Castillo Martinez
Produção: Valerie Castillo Martinez, Marizel Samson-Martinez, Kriz G. Gazmen, Marjorie B. Lachica
Elenco: Noel Comia, Jr., Kim Chloe Oquendo, Jigger Sementilla, John Vincent Servilla, Moi Bien, Nikki Valdez, Angelina Canapi
Direção de Fotografia: Ante Cheng
Desenho de Produção: Whammy Alcazaren, Thesa Tang
Trilha Sonora: Zeke Khaseli, Yudhi Arfani
Montagem: Cyril Aris
Gênero: drama, comédia
País: Filipinas, EUA, Singapura
Ano: 2020
Duração: 99 minutos

SOBRE A PANDORA FILMES
A Pandora é uma distribuidora de filmes independentes que há 30 anos busca ampliar os horizontes da distribuição de filmes no Brasil revelando nomes outrora desconhecidos no país, como Krzysztof Kieślowski, Theo Angelopoulos e Wong Kar-Wai, e relançando clássicos memoráveis em cópias restauradas, de diretores como Federico Fellini, Ingmar Bergman e Billy Wilder. Sempre acompanhando as novas tendências do cinema mundial, os lançamentos recentes incluem “O Apartamento”, de Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; e os vencedores da Palma de Ouro de Cannes “The Square: A Arte da Discórdia”, de Ruben Östlund e “Parasita”, de Bong Joon Ho.

Paralelamente aos filmes internacionais, a Pandora atua com o cinema brasileiro, lançando obras de diretores renomados e também de novos talentos, como Ruy Guerra, Edgard Navarro, Sérgio Bianchi, Beto Brant, Fernando Meirelles, Gustavo Galvão, Armando Praça, Helena Ignez, Tata Amaral, Anna Muylaert, Petra Costa, Pedro Serrano e Gabriela Amaral Almeida.

PARA’Í, ficção sobre a resistência do Povo Guarani, estreia dia 20 de abril

PARA’Í, ficção sobre a resistência do Povo Guarani, estreia dia 20 de abril

Dirigido por Vinicius Toro, longa foi filmado na Terra Indígena Jaraguá (SP), e traz uma história sobre a luta do povo Guarani Mbya
Trailer: https://youtu.be/voNn6cTwaRM

Dirigido por Vinicius Toro, PARA’Í surge do encontro entre o cineasta e a comunidade guarani do Jaraguá, como parte do Programa Aldeias, um projeto de fortalecimento cultural e político das terras indígenas de São Paulo. “O objetivo das oficinas de vídeo era que a comunidade pudesse se apropriar das tecnologias e realizar projetos para visibilizar o contexto de vida dos Guarani na maior cidade do país.” Produzido pela Travessia Filmes, o longa chega aos cinemas em 20 de abril, na semana do Dia dos Povos Indígenas, com distribuição da Descoloniza Filmes.

Um filme contemporâneo, que coloca na tela protagonistas indígenas, PARA’Í “fala sobre resistência, sobre seguir em meio à escassez, à dificuldade e não desistir, e poder ser destruído, mas algo sempre permanecer para dar continuidade. Então é a própria metáfora da história dos povos indígenas, por isso acho que no momento atual ele faz tanto sentido quanto antes, porque não é uma denúncia específica, é uma história que continua, essa jornada simbólica do povo Guarani”, destaca o diretor.

Ao centro do filme está Pará (Monique Ramos Ara Poty Mattos), uma garotinha que, pela primeira vez, encontra uma espiga de milho colorida. Encantada com a sua beleza, vai tentar cultivá-lo. Esse milho tradicional dos guaranis desperta nela uma busca sobre si mesma e seu lugar no mundo.

Vinicius conta que, ao ver o milho colorido pela primeira vez, ficou tão encantado quanto a sua personagem, surgindo assim a ideia de criar uma história sobre uma garota que encontra essa espiga no Jaraguá.

“Fomos integrando essa ideia com outros interesses da comunidade, como tratar do tema da espiritualidade Guarani frente à igreja cristã, e realizar um filme para o público infantil. O filme foi surgindo dessa relação com as pessoas do grupo, da integração entre meus interesses, os deles e o contexto maior da terra indígena e dos Guarani Mbya.”

Com um elenco composto por pessoas que vivem na própria Terra Indígena Jaraguá, alguns personagens e eventos da história foram se modificando a partir do trabalho com os atores da comunidade. “A Monique em especial era muito conectada com a natureza, por isso sempre ensaiávamos na aldeia nova, o que transformava a preparação também num momento lúdico. Disso acabou surgindo um jogo que fizemos dentro das filmagens, em que transformamos as cenas em aventuras, que envolviam animais do universo dos Guarani.”

“No filme, a maioria dos personagens traz inspirações em pessoas da comunidade ou até interpretavam uma certa versão de si mesmos, no caso da liderança Kerexu e da melhor amiga da protagonista, a Silmara. Porém, a menina Pará não tem ligação com ninguém real, pois ela era em si mesma o filme. Nesse sentido, Pará é mais do que uma pessoa, era uma força de vontade, uma jornada.”

A estética de PARA’Í, explica Vinicius, é muito baseada no princípio de focalizar essa protagonista indígena. “A invisibilidade e opressão realizada com os povos originários acontecem desde o início do Brasil, então nossa maneira de se colocar na ‘disputa de narrativas’ foi fazer um filme focado em uma personagem Guarani e construir a narrativa a partir da sua posição. O filme não dá explicações sobre onde fica a terra indígena, qual é a história do local, mas a narrativa acompanha os questionamentos próprios que a Pará vai fazendo e que revelam problemáticas que estavam sendo discutidas naquele contexto.”

O longa foi exibido em festivais como Brasília, Tiradentes e Rio, além dos estrangeiros de Guadalajara, Cartagena e Mannheim-Heidelberg. Sua primeira sessão foi no Jaraguá e depois realizou exibições especiais no Acampamento Terra Livre, em escolas públicas e em cineclubes, com vários tipos de públicos.

“As pessoas se emocionam bastante e compreendem muito bem os conteúdos que o filme aborda, mesmo aqueles mais políticos ou da espiritualidade Guarani. O público em geral parece querer ver também o que está além do filme, então perguntam bastante sobre o contexto da terra indígena, sobre o trabalho com os atores, sobre o milho, sobre o futuro dos Guarani. Então a discussão não é só sobre o filme em si, mas sobre todo esse universo que ele atravessa.”

PARA’Í será lançado no Brasil pela Descoloniza Filmes.

Sinopse
PARA’Í conta a história de Pará, menina guarani que encontra por acaso um milho guarani tradicional, que nunca havia visto e, encantada com a beleza de suas sementes coloridas, busca cultivá-lo. A partir dessa busca, começa a questionar seu lugar no mundo: por que não fala guarani, por que é diferente dos colegas da escola, por que seu pai vai à igreja Cristã, por que seu povo luta por terra.

Ficha Técnica
Direção e Roteiro: 
Vinicius Toro
Elenco: Monique Ramos Ara Poty Mattos, Samara Cristina Pará Mirim O. Martim, Lucas Augusto Martim, Regiane Dina de Oliveira Santos, Hortêncio Karai Tataendy, Sônia Barbosa Ara Mirim
Produção Executiva: Bruno Cucio
Montagem: Victor Fisch
Direção de Fotografia: Cris Lyra
Desenho de Som: Ricardo Zollner
Direção de Arte: Maíra Mesquita
Produtora: Travessia
Ano: 2018
País: Brasil
Duração: 82 minutos

Sobre Vinicius Toro
Formado em Audiovisual na USP, Vinicius trabalha há 12 anos junto ao povo Guarani, realizando documentários, exposições fotográficas e livros, culminando no filme de ficção PARA’Í, resultado da criação em parceria com a comunidade indígena do Jaraguá e desenvolvido a partir de fatos vividos durante o processo da luta pela terra.

Sobre a Travessia Filmes
Produtora de audiovisual dedicada à cultura e a projetos educacionais, tem expressado uma visão crítica e contundente de mundo, como nos curtas-metragens “Ava Mocoi, Os Gêmeos”, vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival de Oberhausen, e “Quebramar”, ganhador de Melhor Documentário em Clermont-Ferrand.

Sobre a Descoloniza Filmes
Fundada em 2017 por Ibirá Machado, a Descoloniza Filmes nasceu com o propósito de equiparar a distribuição de filmes dirigidos por mulheres e que tragam novas propostas narrativas e temáticas, contribuindo com a construção de uma nova forma de pensar. Em 2018, a Descoloniza lançou o filme argentino “Minha Amiga do Parque”, de Ana Katz, vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Sundance, “Híbridos – Os Espíritos do Brasil”, de Priscilla Telmon e Vincent Moon, o chileno “Rei”, de Niles Attalah, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Roterdã, e “Como Fotografei os Yanomami”, de Otavio Cury. Em 2019, codistribuiu junto à Vitrine Filmes a obra “Los Silencios”, de Beatriz Seigner, e levou aos cinemas “Carta Para Além dos Muros”, de André Canto. Durante a pandemia, lançou diretamente no streaming os filmes “Saudade Mundão”, de Julia Hannud e Catharina Scarpellini, e “Castelo de Terra”, de Oriane Descout, retomando os lançamentos em salas no segundo semestre de 2021 com “Cavalo”, de Rafhael Barbosa e Werner Sales, “Parque Oeste”, de Fabiana Assis, e “Aleluia, O Canto Infinito do Tincoã”, de Tenille Barbosa. Em 2022, realizou os lançamentos de “Sem Rosto”, de Sonia Guggisberg, “Gyuri”, de Mariana Lacerda, “Aquilo Que Eu Nunca Perdi”, de Marina Thomé, e “Êxtase”, de Moara Passoni. Em seu calendário de lançamentos de 20233, há “Muribeca”, de Alcione Ferreira e Camilo Soares, “Para’í”, de Vinicius Toro, “Para Onde Voam as Feiticeiras”, de Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral, “Luz nos Trópicos”, de Paula Gaitán, “Seus Ossos e Seus Olhos”, de Caetano Gotardo, dentre outros.

Com Pierfrancesco Favino, O COLIBRI estreia nesta quinta-feira

Com Pierfrancesco Favino, O COLIBRI estreia nesta quinta-feira

Filme da italiana Francesca Archibugi acompanha algumas décadas na vida de uma família repleta de tragédias e desafios
(Crédito: Enrico De Luigi)

Dirigido por Francesca Archibugi (“A Árvore do Pico”), O COLIBRI é um filme italiano protagonizado por um homem, desde a infância apelidado de Colibri, cuja vida é marcada por coincidências, encontros, desencontros e amores fortes. Pierfrancesco Favino interpreta o personagem no longa, que ainda conta com Nanni Moretti, Bérénice Bejo e Laura Morante no elenco. A estreia é em 13 de abril, com distribuição da Pandora Filmes, e acontece nas seguintes praças: São PauloRio de JaneiroAracajuBelo HorizonteBrasíliaJoão PessoaNiteróiPorto AlegreRecife e Salvador.

Para criar essa história que começa em 1970, e vai até um futuro próximo, Archibugi, que também assina o roteiro com Laura Paolucci e Francesco Piccolo, partiu do romance homônimo de Sandro Veronesi (“Caos Calmo”). “Amei muito o romance e queria ser fiel a ele e, ao mesmo tempo, o usei como material pessoal, porque é assim que me sinto. O livro é estilisticamente aventureiro e queríamos não só entrar na aventura, mas também a reinventar”.

A diretora explica que a escolha do elenco foi fundamental, uma vez que este é um filme fortemente calcado em personagens que carregam o fardo da história em si. “O mundo ao redor, as casas, as ruas, as imagens, a luz e as estações que se sucedem, foram feitos para envolver os personagens como um manto para a jornada.”

O filme, que, no ano passado, abriu o Festival de Roma e foi exibido em Toronto, conta com uma narrativa marcada pelas memórias e redescobertas. A história começa na juventude de Marco Carrera (que quando adulto será interpretado por Favino) ao lado de seus pais (Sergio Albelli e Laura Morante) e o irmão. Ele e seu irmão são apaixonados pela mesma jovem francesa, mas, naquela noite, uma tragédia se abaterá, mudando o destino de todos.

Anos mais tarde, um psicólogo (interpretado por Moretti) vai à procura de Carrera para perguntar sobre aquela jovem francesa, chamada Luisa (Bérénice Bejo), que tanto marcou seu passado. O psicólogo trata da mulher do protagonista, Marina (Kasia Smutniak), cujos problemas emocionais trazem uma situação de risco para o próprio marido.

Quando o passado volta à tona, a vida de todos se transforma, Marco precisa fazer escolhas que irão reverberar em todos os personagens. Ao mesmo tempo, o filme avança para o futuro, e nós o vemos em sua vida 30 anos depois.

“Também neste filme, como nos anteriores, o meu desejo era anular a câmera, podendo criar a percepção de que a história estava se contando. Não é um exercício de direção fácil. Às vezes, a coisa mais difícil de enquadrar é o rosto de um homem, uma mulher, meninos e crianças, entender os subtextos e filmar o invisível”, conta a diretora.

A equipe artística de O COLIBRI conta com fotografia assinada por Luca Bigazzi (“A Grande Beleza”), desenho de produção de Alessandro Vannucci (“Miss Marx”), trilha sonora de Battista Lena (“A Árvore do Pico”) e montagem de Esmeralda Calabria (“5 é o Número Perfeito”).

O COLIBRI será lançado no Brasil pela Pandora Filmes.

Sinopse
A história de Marco Carrera (Pierfrancesco Favino), conhecido como “Colibri”, uma vida de coincidências fatídicas, perdas e amores absolutos. A narrativa prossegue de acordo com a força das memórias que nos permitem saltar de um período para outro, de uma época para outra, num tempo que vai do início dos anos 1970 ao futuro próximo. Colibri é sobre a força ancestral da vida, da luta árdua que todos fazemos para resistir ao que às vezes parece insustentável. Mesmo com as poderosas armas da ilusão, da felicidade e da alegria.

Ficha Técnica
Direção: 
Francesca Archibugi
Roteiro: Francesca Archibugi, Laura Paolucci e Francesco Piccolo, baseado no livro de Sandro Veronesi
Produção: Domenico Procacci, Anne-Dominique Toussaint
Elenco: Pierfrancesco Favino, Kasia Smutniak, Bérénice Bejo, Nanni Moretti, Laura Morante, Sergio Albelli, Massimo Ceccherini, Alessandro Tedeschi, Benedetta Porcaroli
Direção de Fotografia: Luca Bigazzi
Desenho de Produção: Alessandro Vannucci
Trilha Sonora: Battista Lena
Montagem: Esmeralda Calabria
Gênero: drama
País: Itália
Ano: 2022
Duração: 126 minutos

SOBRE A PANDORA FILMES
A Pandora é uma distribuidora de filmes independentes que há 30 anos busca ampliar os horizontes da distribuição de filmes no Brasil revelando nomes outrora desconhecidos no país, como Krzysztof Kieślowski, Theo Angelopoulos e Wong Kar-Wai, e relançando clássicos memoráveis em cópias restauradas, de diretores como Federico Fellini, Ingmar Bergman e Billy Wilder. Sempre acompanhando as novas tendências do cinema mundial, os lançamentos recentes incluem “O Apartamento”, de Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; e os vencedores da Palma de Ouro de Cannes “The Square: A Arte da Discórdia”, de Ruben Östlund e “Parasita”, de Bong Joon Ho.

Paralelamente aos filmes internacionais, a Pandora atua com o cinema brasileiro, lançando obras de diretores renomados e também de novos talentos, como Ruy Guerra, Edgard Navarro, Sérgio Bianchi, Beto Brant, Fernando Meirelles, Gustavo Galvão, Armando Praça, Helena Ignez, Tata Amaral, Anna Muylaert, Petra Costa, Pedro Serrano e Gabriela Amaral Almeida.

Longa Premiado no Olhar de Cinema, RIO DOCE estreia nos cinemas dia 20/4

Longa Premiado no Olhar de Cinema, RIO DOCE estreia nos cinemas dia 20/4

Protagonizado pelo rapper Okado do Canal, o filme traz a jornada de um homem negro e periférico em crise
(Foto de Nathalia Tereza)

Diretor do premiado curta-metragem “O Delírio é a Redenção dos Aflitos” (2016), Fellipe Fernandes estreia na direção de longas com RIO DOCE, que foi o grande destaque do Olhar de Cinema: Festival Internacional de Curitiba, vencendo o Prêmio Olhar e também o de Melhor Longa Brasileiro das Mostras Competitiva, Outros Olhares e Novos Olhares, além de Melhor Filme da Mostra Novos Rumos no Festival do Rio de 2021 e o Prêmio Fipresci de Melhor Filme do 34th Cinélatino Rencontres de Toulouse.

O filme estreia em circuito nacional em 20 de abril. A produção é da Ponte Produtoras e a distribuição, da Vitrine Filmes, por meio do projeto Sessão Vitrine, contemplado pelo PROAC 34/2022, programa de fomento do Governo do Estado de São Paulo e Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.

A estreia no longa, para o diretor, foi um desafio, mas sua experiência como assistente de direção (“Sol Alegria”, “Aquarius” e “Bacurau”) o ajudou na empreitada. “Ainda que esse trabalho exija habilidades e saberes específicos, diferentes do de diretor, a possibilidade de poder acompanhar de perto o processo criativo desses realizadores me ajudou a entender as possibilidades de caminhos a serem percorridos. Então tudo que eu faço carrega um pouco deles e de todas as outras pessoas que cruzaram meu caminho ao longo desses anos e com as quais eu pude trocar e aprender.”

O personagem principal é Tiago, interpretado pelo rapper Okado do Canal, que mora em Rio Doce, periferia de Olinda, e leva uma vida dura. Pai de uma menina pequena, ele descobre a identidade de seu próprio pai, ausente em toda sua vida, quando é procurado por uma de suas meias-irmãs que também lhe conta que o homem morreu. A partir dessa descoberta, a vida desse rapaz se transforma e ele passa a questionar sua própria identidade.

Fernandes também assina o roteiro e explica que em RIO DOCE “acompanhamos a jornada emocional de um homem negro periférico em crise com o modelo de masculinidade que se vê reproduzindo, sufocado pela solidão, dificuldade de comunicação, pressão social e falta de compreensão dos próprios sentimentos. Tudo isso em meio à sua relação com três gerações de mulheres e diante de um conflito de classes”.

Além disso, Fernandes define o filme como uma construção coletiva, na qual a participação de todos foi fundamental. “A versão final do roteiro, aquela que foi filmada, foi construída a partir dos ensaios e das dinâmicas de criação que criamos com os atores/atrizes e preparadores de elenco. Nesse sentido, Fábio Leal e Carolina Bianchi exerceram papéis fundamentais no sentido de facilitar a comunhão desse processo criativo.”

Por fim, destaca o trabalho com o diretor de fotografia Pedro Sotero e a direção de arte de Thales Junqueira. “Pensamos muito sobre qual imagem gostaríamos que o filme tivesse e entendemos que a textura era algo essencial nessa construção. Então nosso trabalho de arte e fotografia foi no sentido de construir essa textura específica que reforçasse a existência do meio.”

RIO DOCE será lançado no Brasil pela Vitrine Filmes, por meio do projeto Sessão Vitrine.

Sinopse
Tiago é um jovem trabalhador que descobre a identidade do pai ausente, quando conhece as suas meias-irmãs, fato que o leva a questionar a sua própria identidade às vésperas de completar 28 anos. Morando em Rio Doce, na periferia de Olinda, região metropolitana do Recife, ele luta para encontrar seu lugar no mundo. Nesse processo, ele fortalece laços afetivos, transformando assim sua forma de ser e de ver o mundo.

Ficha Técnica
Direção: 
Fellipe Fernandes
Roteiro: Fellipe Fernandes
Produção:  Dora Amorim, Julia Machado, Thaís Vidal
Empresa Produtora: Ponte Produtoras 
Produção Executiva: Dora Amorim, Julia Machado, Thaís Vidal 
Direção de Produção: Luiza Ramos 
Primeiro assistente de direção: Milena Times
Direção de Fotografia: Pedro Sotero 
Montagem: Quentin Delaroche 
Direção de Arte: Thales Junqueira 
Figurino: Rita Azevedo 
Maquiagem: Ebony 
Som Direto: Lucas Caminha 
Desenho de Som: Nicolau Domingues 
Elenco: Okado do Canal, Cíntia Lima, Cláudia Santos, Carlos Francisco, Nash Laila, Thassia Cavalcanti, Amanda Gabriel
País: Brasil
Ano: 2021
Duração: 90 minutos

Sobre Fellipe Fernandes
Fellipe Fernandes é um realizador e jornalista nascido em Recife no ano de 1988. Nos últimos 12 anos, trabalhou como assistente de direção em obras audiovisuais como “Bacurau” (2019), dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles, “Piedade” (2019), de Cláudio Assis, “Sol Alegria” (2018), de Tavinho Teixeira, “Reforma” (2018), de Fábio Leal, “Mistéria – Episódio Piloto” (2017), de Daniel Bandeira, “Aquarius” (2016), também de Kleber Mendonça Filho, e “Represa” (2016), de Milena Times. Seu primeiro curta-metragem como diretor e roteirista, “O Delírio é a Redenção dos Aflitos”, estrou na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2016. Foi exibido em mais de 30 festivais nacionais e internacionais, recebendo 15 prêmios, entre os quais o de Melhor Roteiro, Melhor Direção e Melhor Direção de Arte do Festival de Brasília de 2016, além do prêmio principal do Goiana Mostra Curtas. Em 2019, seu segundo curta-metragem, “Tempestade”, estreou na Mostra de Cinema de Tiradentes e tem feito carreira nos festivais nacionais desde então. Naquele mesmo ano, Fellipe filmou seu primeiro longa-metragem como diretor e roteirista, RIO DOCE, que chega aos cinemas em abril de 2023. RIO DOCE foi exibido em abril de 2021 no Cine en Construcción do Cinélatino – Toulouse para projetos em working in progress ao lado de mais cinco filmes da América Latina.

Sobre a Ponte Produtoras
A Ponte Produtoras foi criada por Dora Amorim, Julia Machado e Thaís Vidal no Recife, em 2015, para produzir o trabalho de jovens realizadores. Seus filmes já foram exibidos em importantes festivais brasileiros e internacionais (como Brasília FF, Rio IFF, Semana da Crítica de Cannes, Chicago IFF, IndieLisboa, Rotterdam IFF e Locarno FF).

Sobre a Vitrine Filmes
A Vitrine Filmes, desde 2010, já distribuiu mais de 200 filmes e alcançou milhares de espectadores apenas nos cinemas do Brasil. Entre seus maiores sucessos estão “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2019; “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, que entrou para a lista dos 10 documentários mais vistos da história do cinema nacional; e “Druk – Mais Uma Rodada”, de Thomas Vinterberg, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2021.

Em 2020, a Vitrine Filmes iniciou um novo ciclo de expansão e renovação. Entre as iniciativas, o lançamento da Vitrine España, que produz e distribui longas-metragens na Europa; o Vitrine Lab, curso online sobre distribuição cinematográfica, vencedor do prêmio de distribuição inovadora do Gotebörg Film Fund 2021; a Vitrine Produções, para o desenvolvimento e produção de títulos brasileiros; e, em 2022, a criação do selo Manequim, focado na distribuição de filmes com apelo a um público mais amplo.

Na produção, o primeiro lançamento, “Amigo Secreto” (DocLisboa 2022), de Maria Augusta Ramos, que teve mais de 15 mil espectadores no Brasil; o romance adolescente “Jogada Ensaiada”, de Mayara Aguiar, em desenvolvimento; “O Nosso Pai”, curta de Anna Muylaert exibido no Festival de Brasília; e “Caigan Las Rosas Blancas” (White Roses, Fall!), de Albertina Carri, a continuação de “Las Hijas del Fuego”, distribuído pela Vitrine Filmes em 2019.

Em 2023, a Vitrine Filmes apresenta ainda mais novidades para a produção e distribuição audiovisual. Entre as estreias, estão confirmados para os próximos meses a animação “Perlimps”, de Alê Abreu; “Bem-vinda, Violeta!”, de Fernando Fraiha; e o vencedor do Festival de Gramado “Noites Alienígenas”, de Sérgio de Carvalho.

Já a Sessão Vitrine, projeto inovador de formação de público e distribuição coletiva de produções e coproduções brasileiras em salas de cinema comerciais, terá, em 2023, o patrocínio do PROAC. O filme “Mato Seco em Chamas”, de Adirley Queirós e Joana Pimenta, exibido no Festival de Berlim e premiado no Festival do Rio e no Festival de Brasília, abriu esta edição, que teve também “Medusa”, de Anita Rocha da Silveira, exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e premiado no Festival do Rio; e RIO DOCE, de Fellipe Fernandes.

Premiado terror de Anita Rocha da Silveira, MEDUSA estreia dia 16 de março

Premiado terror de Anita Rocha da Silveira, MEDUSA estreia dia 16 de março

Com produção da Bananeira Filmes, de Vania Catani, e da MyMama Entertainment, de Mayra Faour Auad, o filme lida com temas atemporais e universais ao abordar o papel da mulher no Brasil contemporâneo

Destaque na Quinzena dos Realizadores de Cannes, e no Festival Internacional de Cinema de Toronto, MEDUSA, de Anita Rocha da Silveira, chega aos cinemas no dia 16 de março. Desde sua primeira exibição, o longa fez uma trajetória de sucesso, recebendo prêmios em festivais como Sitges Film Festival (Melhor Direção), Tromsø Int. Film Festival (Melhor Filme), IndieLisboa (Prêmio Especial do Júri), Raindance Film Festival (Melhor Filme Internacional), Palm Springs Int. Film Festival (Menção Honrosa).

No Brasil, o filme foi o grande vencedor da Première Brasil do Festival do Rio, com os prêmios de Melhor Filme, além de ter recebido os prêmios de melhor direção e melhor atriz coadjuvante para Lara Tremouroux.

Anita, que também assina o roteiro, explica que o filme partiu de sua própria observação da sociedade brasileira dos últimos anos, que voltou a defender um modelo de mulher “bela, recatada e do lar”. Além disso, uma série de notícias de jornais de 2015 sobre ataques contra jovens consideradas “promíscuas” por agressoras também mulheres chamou a atenção da cineasta.

“Às vezes, o cabelo era cortado e cortes feitos na face, pois era essencial deixar essa mulher ‘feia’. Os motivos declarados para tamanha violência variavam entre a vítima ser considerada ‘bonita demais’, ter ‘dado em cima’ do namorado de uma das agressoras, ‘se exibir’ com roupas provocativas, ter likes de muitos rapazes em fotos no Instagram e ser tida como ‘fácil’ e ‘piranha’ – tudo isso em um mundo onde as redes sociais se tornaram a principal ferramenta de vigilância.”

Essas notícias, levaram Anita a recordar imediatamente do mito de Medusa: “Na versão mais conhecida do mito, Medusa era uma das mais lindas donzelas existentes, sacerdotisa do templo de Atena. Mas um dia ela cedeu às investidas de Poseidon, enfurecendo Atena, a deusa virgem, que transformou seu belo cabelo em serpentes, e deixou seu rosto tão horrível que uma mera visão transformaria os que a olhassem em pedra. Medusa foi punida por sua sexualidade, por desejar, por não ser ‘pura’. Da junção entre mito e realidade me ocorreu que mesmo com o passar dos séculos, faz parte da construção da nossa civilização as mulheres quererem controlar umas às outras. E que talvez essa seja uma forma de mantermos o controle de nós mesmas. Afinal, crescemos com medo de ceder aos nossos impulsos, e até de sermos consideradas ‘histéricas’. O controle também passa pela aparência, pela beleza, pois está impregnada em nós a ideia de que este é o nosso principal atributo. Fazemos dietas para chegar ao peso ‘padrão’ e passamos por procedimentos estéticos dolorosos na esperança de sermos jovens para sempre.”

É também um mundo onde, como diz uma personagem, “aparência é tudo”. “Porém, ao meu ver, o culto ao corpo e a um determinado padrão estético diz respeito, antes de mais nada, a uma forma de controle. Já que é exigido desses jovens controlar seus desejos, o exercício do controle começa pelos seus próprios corpos e perpassa para os corpos alheios.”

A protagonista do filme é Mariana (Mari Oliveira), uma bela jovem que, ao lado de suas amigas, se esforça para não cair em tentação, formando um grupo chamado de Preciosas do Altar. Em uma tentativa de se manterem fiéis aos princípios da Igreja, elas vigiam e controlam suas próprias vidas e corpos, como também das mulheres que as cercam.

Anita já havia trabalhado com Mari em seu primeiro longa, “Mate-me Por Favor”, e escreveu a personagem especialmente para a atriz. Para a construção do elenco, foram testados mais de 200 jovens, entre atores e atrizes. “Alguns já contavam com experiências profissionais na televisão e cinema, como a Lara Tremouroux, o Felipe Frazão e o João Oliveira; mas a maior parte do elenco jovem vem de formações diversas em escolas de teatro, e estreia nas telas em MEDUSA. Além disso, tivemos a honra de contar com nomes consagrados no elenco, como Thiago Fragoso e Joana Medeiros, e com as participações super especiais de Bruna Linzmeyer e Inez Viana.”

Classificado pelo site Colider como um dos melhores filmes de terror de 2022, MEDUSA começou a ser pensado em 2015, e foi filmado antes da pandemia, em novembro de 2019, mas reflete muito sobre o Brasil dos últimos anos. “O Brasil é um país cuja história é marcada pelo fanatismo religioso. Com a chegada dos portugueses e em sequencia dos jesuítas, um genocídio foi feito em nome de um deus cristão. Quando comecei a desenvolver o filme em 2015, algo que percebi é que meu interesse principal era falar do avanço do fascismo, da extrema-direita e do conservadorismo – que no Brasil, devido a nossa história, está ligado à religião.

MEDUSA foi também um exercício de pesquisar e entender o outro: quem é a jovem brasileira de extrema-direita, que já nasce em um ambiente ultraconservador? O que a move, quais são os seus medos? Mas, acima de tudo, MEDUSA foi para mim uma espécie de catarse, um modo de lidar com uma série de notícias cada vez piores e com o avanço da extrema-direita. Por isso que foi de extrema importância dar uma forma ficcional a todas essas inspirações reais, com espaço para o fantástico e o humor. Depois de anos tão difíceis, eu não queria que fosse pesado para a plateia brasileira assistir o filme, então por isso caprichamos numa estética que nos transporta para um universo paralelo, e mesmo sendo um filme cujo principal gênero é o horror, acredito que os elementos de comédia e musical que trouxe para a narrativa ajudam a tornar o filme um pouco mais leve.”

Anita acredita que, agora em 2023, o filme será visto ainda com mais leveza, e as partes de humor e fantasia terão mais evidência. “Além disso, é um filme que, antes de mais nada, parte de um mito de mais de dois mil anos, então muitas de suas questões são universais e perpassam gerações – em especial para as mulheres.”

O filme também conta com uma marcante trilha sonora da qual se destaca a inédita “Jesus é Meu Amor”, uma versão da música pop brasileira Sonho de Amor. “A Igreja de MEDUSA é pop, quer atrair fiéis, então nada como uma trilha sonora cativante. A escolha dos fonogramas passou muito pelo meu gosto pessoal, e por músicas que através de suas letras e ritmos ajudavam a transmitir as sensações das cenas do filme, como Cities In Dust (Siouxsie & The Banshees), Uma Noite e 1/2 (Renato Rocketh), na voz de Marina Lima, e Baby It’s You, que ganhou uma nova versão para o filme, na voz de Nath Rodrigues e produzida por Rafael Fantini. Já as músicas incidentais foram compostas por Bernardo Uzeda, e tiveram como influência John Carpenter, Tangerine Dream e Goblin.”

Em suas exibições, o longa recebeu diversos elogios. Marya E. Gates, por exemplo, que escreve para o site RogerEbert pontuou: “Com interpretações poderosas de suas duas protagonistas, e um visual arrebatador do diretor de fotografia João Atala, MEDUSA observa o mundo hipócrita e violento da cultura da pureza com uma honestidade inabalável”. Já Beatriz Loyaza diz, no The New York Times, que o filme “é um estudo de personagem bastante direto, lidando com questões como a epidemia dos padrões de beleza no ocidente e as dificuldades de se abandonar uma relação abusiva.”

Nicole Veneto, em The Arts Fuse, declara que “Com MEDUSA, Anita Rocha da Silveira encontra um lugar distinto para si no panteão de aclamados cineastas feministas internacionais como Lucrecia Martel, Claire Denis e Agnieszka Smoczyńska, moldando formas e tropas num tratado de uivo sobre o regresso da repressão feminina. Se nós mulheres somos verdadeiramente algo monstruoso, então Deus ajude aqueles que procuram destruir-nos.” E Michael Talbot-Haynes, em FilmThreat, define MEDUSA como “uma obra de arte eletrizante”.

Com produção da Bananeira Filmes, de Vania Catani, e da MyMama Entertainment, de Mayra Faour Auad, MEDUSA é uma distribuição da Vitrine Filmes, por meio do projeto Sessão Vitrine, contemplado pelo PROAC 34/2022, programa de fomento do Governo do Estado de São Paulo e Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.

Sinopse

A jovem Mariana pertence a um mundo onde deve manter a aparência de ser uma mulher perfeita. Para não cair em tentação, ela e suas amigas se esforçam ao máximo para controlar tudo e todas à sua volta. Ao cair da noite, elas formam uma gangue e, escondidas atrás de máscaras, caçam e punem aquelas que se desviaram do caminho correto. Porém, dentro do grupo, a vontade de gritar fica a cada dia mais forte.

Ficha Técnica
Direção e Roteiro: 
Anita Rocha da Silveira
Produção: Vania Catani, Mayra Faour Auad e Fernanda Thurann
Produção Executiva: Tarcila Jacob
Direção de Produção: Renata Amaral
Elenco: Mari Oliveira, Lara Tremouroux, Joana Medeiros, Felipe Frazão, Bruna G, Carol Romano, João Oliveira, Bruna Linzmeyer, Thiago Fragoso, Inez Viana.
Direção de Fotografia: João Atala
Direção de Arte e Cenografia: Dina Salem Levy
Figurino: Paula Stroher
Caracterização: Maria Inez Moura
Som direto: Evandro Lima
Desenho de som: Bernardo Uzeda
Mixagem: Gustavo Loureiro
Trilha sonora: Anita Rocha da Silveira e Bernardo Uzeda
Montagem: Marilia Moraes, edt.
Empresa Produtora: Bananeira Filmes
Empresas Coprodutoras: MyMama Entertainment, Telecine, Canal Brasil, Brisa Filmes, Cajamanga
País: Brasil
Ano: 2021
Duração: 127 min.

Sobre Anita Rocha da Silveira

Nascida no Rio de Janeiro, Anita Rocha da Silveira escreveu e dirigiu três curtas-metragens: “O Vampiro do Meio-Dia” (2008), “Handebol” (2010, Prêmio FIPRESCI no Int. Short Film Festival Oberhausen), e “Os Mortos-Vivos” (2012, Quinzena dos Realizadores de Cannes).

Seu primeiro longa-metragem, “Mate-me Por Favor” (2015), estreou na Mostra Orizzonti do Festival de Cinema de Veneza, onde recebeu o Bisato d’Oro de Melhor Atuação, concedido pela crítica independente italiana. Participou de festivais como SXSW, New Directors/New Films, AFI Fest, Bafici, Indie Lisboa, Filmfest Munchen, tendo recebido prêmios de Melhor Direção e Melhor Atriz no Festival do Rio, e Melhor Filme no Festival Int. de Cine de Cali e no Panorama Int. Coisa de Cinema.

“Medusa” (2021) é seu segundo longa-metragem e estreou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Depois, participou de festivais tais como TIFF, Sitges Film Festival (Melhor Direção), Tromsø Int. Film Festival (Melhor Filme), IndieLisboa (Prêmio Especial do Júri), Festival do Rio (Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz Coadjuvante), Raindance Film Festival (Melhor Filme Internacional), Palm Springs Int. Film Festival (Menção Honrosa), Viennale, Jeonju Int. Film Festival e IFFR. “Medusa” já teve lançamento comercial em países como Estados Unidos, França e Alemanha, e terá sua estreia nos cinemas brasileiros em março de 2023.

Atualmente, Anita desenvolve uma série e seu terceiro longa-metragem.

Sobre a Bananeira Filmes

Convidada em junho de 2018 para integrar como membro a Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS (Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood), Vania Catani fundou a Bananeira Filmes no ano 2000, e se tornou uma das mais prestigiadas produtoras do Cinema Brasileiro. Somadas, suas produções receberam mais de 270 prêmios e foram exibidas em mais de 500 festivais como Cannes, Veneza, Rotterdam, Berlinale em mais de 60 países. Ao longo de 22 anos produziu e coproduziu vários curtas e mais de 30 longa-metragens, dentre os quais estão os premiados “Narradores de Javé” (2003), da diretora Eliane Caffé; “A Festa da Menina Morta” (2008), estreando Matheus Nachtergaele como diretor, com première mundial no Festival de Cannes; “Feliz Natal” (2008) experiência bem sucedida com Selton Mello que se repetiu em “O Palhaço” (2011), visto por cerca de 1,5 milhão de pessoas no Brasil somente em salas de cinema e escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012. Em 2017 Vania Catani e Selton Mello retomaram a parceria com “O Filme da Minha Vida”. Os longas “Mate-me Por Favor” (2015), de Anita Rocha da Silveira, e “Zama” (2017), da premiada diretora Lucrecia Martel, tiveram estreia no Festival de Veneza. Zama foi o escolhido para representar a Argentina na disputa por uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2018 e em 2019 foi considerado o 9º melhor filme do século pelo prestigiado jornal britânico The Guardian e o melhor filme latino-americano da década pela Remezcla. Também são destaques suas coproduções “La Playa” (Colômbia), “El Ardor” (Argentina) e “Jauja” (Argentina) que tiveram estreia internacional no Festival de Cannes, sendo “La Playa” o escolhido pela Colombia para representar o país na disputa por uma vaga no Oscar de 2013.

Em 2021, estreou “Medusa”, segundo filme com a diretora Anita Rocha da Silveira, no Festival de Cannes, vencedor do Melhor Filme no Festival do Rio do mesmo ano. Em 2022, estreou “Fogaréu” no Festival de Berlim, primeiro longa-metragem de Flávia Neves, ficando em 3º Lugar no Prêmio do Público como Melhor Filme. Também em 2022, estreou, junto a Paramount+, uma série documental sobre o ídolo rubro negro, “Adriano Imperador”, e “Serial Kelly”, longa-metragem de René Guerra protagonizado por Gaby Amarantos. Estreará no Brasil “O Baile dos 41”, longa de David Pablos, coprodução internacional junto a Canana Films (México) e Manny Films (França). Em produção, está o “Incondicional – O Mito da Maternidade”, documentário de Patrícia Froes. Já em finalização, há “Toda Essa Água”, documentário sobre o primeiro disco solo do cantor mineiro Lô Borges, dirigido por Rodrigo de Oliveira. Se prepara para gravar “Super Poderes”, longa-metragem de Anne Pinheiro Guimarães, e desenvolve “Casa Assassinada”, de José Luiz Villamarim.

Sobre a MyMama Entertainment

Duas vezes vencedora do Emmy Internacional (“Hack the City” e “Nosso Sangue, Nosso Corpo”), a MyMama Entertainment é uma produtora reconhecida internacionalmente. Os filmes da MyMama foram premiados em grandes festivais de cinema como Cannes, TIFF, Sundance, SXSW, Berlinale, Veneza e no Festival do Rio. Em 2022 lançou os longas-metragens “Fogaréu” (Prêmio da Audiência – Panorama no Festival de Berlim), “Odilon, Réu de Si Mesmo” (HBOMax) e a série “The Beat Diaspora” (YouTube Originals).

Vitrine Filmes

A Vitrine Filmes, desde 2010, já distribuiu mais de 200 filmes e alcançou milhares de espectadores apenas nos cinemas do Brasil. Entre seus maiores sucessos estão “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2019; “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, que entrou para a lista dos 10 documentários mais vistos da história do cinema nacional; e “Druk – Mais Uma Rodada”, de Thomas Vinterberg, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2021.

Em 2020, a Vitrine Filmes iniciou um novo ciclo de expansão e renovação. Entre as iniciativas, o lançamento da Vitrine España, que produz e distribui longas metragens na Europa; o Vitrine Lab, curso online sobre distribuição cinematográfica, vencedor do prêmio de distribuição inovadora do Gotebörg Film Fund 2021; a Vitrine Produções, para o desenvolvimento e produção de títulos brasileiros; e, em 2022, a criação do selo Manequim, focado na distribuição de filmes com apelo a um público mais amplo.

Na produção, o primeiro lançamento, “Amigo Secreto” (DocLisboa 2022), de Maria Augusta Ramos, que teve mais de 15 mil espectadores no Brasil; o romance adolescente “Jogada Ensaiada”, de Mayara Aguiar, em desenvolvimento; “O Nosso Pai”, curta de Anna Muylaert exibido no Festival de Brasília; e “Caigan Las Rosas Blancas” (White Roses, Fall!), de Albertina Carri, a continuação de “Las Hijas del Fuego”, distribuído pela Vitrine Filmes em 2019.

Em 2023, a Vitrine Filmes apresenta ainda mais novidades para a produção e distribuição audiovisual. Entre as estreias, estão confirmados para os próximos meses a animação “Perlimps”, de Alê Abreu; “Bem-vinda, Violeta!”, de Fernando Fraiha; e o vencedor do Festival de Gramado, “Noites Alienígenas”, de Sérgio de Carvalho.

Já a Sessão Vitrine, projeto inovador de formação de público e distribuição coletiva de produções e coproduções brasileiras em salas de cinema comerciais, terá, em 2023, o patrocínio do PROAC. O filme “Mato Seco em Chamas”, de Adirley Queirós e Joana Pimenta, exibido no Festival de Berlim e premiado no Festival do Rio e no Festival de Brasília, abrirá esta edição, que terá também “Medusa”, de Anita Rocha da Silveira, exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e premiado no Festival do Rio; “Sol Alegria”, de Tavinho Teixeira e Mariah Teixeira; e “Rio Doce”, de Fellipe Fernandes.