Poltrona Séries: Succession-2ª e 3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Succession-2ª e 3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Com a credencial de Emmy de melhor série dramática, ‘Succession’, fenômeno de grande audiência na HBO, tem oferecido não só uma narrativa cheia de percalços e temores de seus personagens, mas momentos cômicos aos espectadores, e nas duas temporadas seguintes à estreia, continuou batendo recordes de audiência e debates nas redes sociais.

Na segunda temporada, Logan Roy, patriarca da família, aparenta estar melhor de saúde e é presença constante nas reuniões e decisões da empresa, a WayStar RoyCo, poderoso conglomerado de mídia e entretenimento. E para trazer o filho Kendall de volta ao seio familiar e deixar a disputa pela sucessão da empresa ainda mais acirrada, Logan usará um fato grave e perturbador do passado de Kendall para chantageá-lo. Mas o maior desafio será o de impedir a aquisição de sua empresa por outra com posição ideológica oposto, a Pierce Global Media-PGM.

A série começa a alçar voos mais altos quando evidenciamos conflitos de interesse também na concorrência, além de um escândalo que vem à tona envolvendo a RoyCon, colocando Logan quase sem saída. E o movimento das peças de xadrez passa a ser diferente, pois os filhos de Logan passam a ficar mais próximos não só no seio familiar, mas também nos negócios, e entendem que uma ação conjunta pode ser mais eficaz que cada um agir por si só. Percebe-se um verdadeiro show de horrores, mas momentos cômicos em alguns momentos.

Já na terceira temporada, Jesse Armstrong, criador da série, nos brinda com uma história ainda mais tensa, que aborda temas como o assédio, a preocupação com a imagem da empresa e a importância do media training, que aborda imagem perante à sociedade,  gerenciamento de crise e o discurso polido dos representantes da RoyCo. A empresa passa a ser um personagem importante nesta temporada, pois é ela que está prestes a ruir, e a formação de alianças é bem explorada. Personagens que antes ficavam de lado ou até bem apareceram muito ganham espaço, um deles é Tom, genro de Logan. Será ele premiado pela lealdade ao sogro ou será traído? E outra personagem será a mãe do clã Logan, prestes a se casar novamente. O que acontecerá? Um gancho bem interessante para a próxima temporada e um novo dilema que os filhos vão viver, alé de lutarem pelo trono da RoyCo.

Apesar de já ter sido explorado à exaustão, narrativa que aborda busca por poder e dinheiro e como a corrupção corrompe o ser humano é um tema atemporal e bastante recorrente, nunca se esgota, E o viés adotado por Armsotrong é bastante interessante e traz dramas internos e externos vividos por personagens com personalidades diversas, do passivo ao mais explosivo. E a maneira como a sociedade trata do assunto nos dias atuais, principalmente no Brasil, um país cada mais dividido e polarizado, faz ‘Succession’ ter o espaço e a audiência que merece. Vale conferir.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Diplomata-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Diplomata-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Séries que abordam dramas políticos não são uma novidade para o público, pois questões geopolíticas costumam afetar não só os países envolvidos em um determinado conflito, mas todo o mundo. Já havíamos reparado a dimensão dos confrontos em ‘O Agente Noturno’, agora a nova produção da Netflix, ‘A Diplomata’, faz essa abordagem, além de trazer uma subtrama romântica.

Acompanhamos a trajetória de Kate Wyler ( Keri Russel), uma diplomata norte-americana que é obrigada pelo presidente do país a se tornar embaixadora dos Estados Unidos no Reino Unido. Ela e o marido Hal (Rufus Sewell) partem para Londres para tentar amenizar um conflito que ilustra um ataque a um porta-aviões da Inglaterra na região do Golfo Pérsico. O Irã é o principal suspeito de ter feito o ataque, e cabe a Kate tomar as rédeas, acalmar os chefes de Estado e encontrar a melhor solução para esse embate. Mas terá que conviver com a sombra de Hal, com vasta experiência em outras embaixadas.

A protagonista passa por grandes desafios, como o de cumprir bem sua função de embaixadora no Reino Unido, controlar sua angústia e vontade de voltar rapidamente para seu país natal e segurar seu casamento, que está em crise. Kate, com sua sutileza e ajuda de algumas pessoas, como do próprio marido e do vice embaixador, não só tira de letra como nos brinda com situações inusitadas, como as palavras certas a serem usadas nos diálogos com os chefes de Estado, como a maneira adequada de se vestir.

A série faz um importante paralelo da vida profissional e pessoal de Kate, e como uma afeta a outra, trazendo consequências que até então seriam inesperadas. Vimos um pouco disso em Grey’s Anatomy, com histórias bem amarradas, instigantes e que conseguiam se sustentar, motivando o público a continuar a acompanhar. Em ‘A Diplomata’, temos essa mesma sensação, com um enredo instigante, atores com atuações convincentes e diálogos bem calibrados.

Mesmo que a vida amorosa de Kate com Hal não seja o foco da série, não é algo que foi inserido sem um propósito, a conexão da relação matrimonial, o novo trabalho de Kate e o passado de Hal são bem explorados e nos levam a um grande incidente que ocorre no último episódio, no que tange às relações geopolíticas entre Estados Unidos e Inglaterra, citado inicialmente.

‘A Diplomata’ possui um roteiro rico em referências históricas, locais conhecidos no mundo recriados com excelência e um enredo que mescla drama, suspense e humor em momentos cruciais. Uma receita utilizada em outras produções e com potencial de sucesso nos oito episódios disponíveis para o público. Vale a conferida.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Dom-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Dom-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Séries brasileiras estão cada vez mais em alta nos serviços de streaming, com muitas histórias envolventes e baseadas em fatos reais. E esta obra veiculada pela Prime Video não fica atrás, com uma narrativa que é um misto de drama e thriller policial contada em oito episódios de sessenta minutos casa: ‘Dom’. Encabeçada por Breno Silveira, a série surgiu de um projeto ambicioso que levou cerca de 10 anos para ser posto em prática e filmado em pouco mais de 160 locações.

‘Dom’ retrata a trajetória de Pedro Machado Lomba Neto, líder de uma organização criminosa especializada em assaltos a edifícios de luxo no Rio de Janeiro. Vivido por Gabriel Leone, Pedro Dom é inicialmente apresentado na adolescência, período no qual ingressou no mundo das drogas antes de ser o chefe de sua gangue que passou a assombrar a sociedade carioca. Quem também dá o ar da graça na série é o pai de Pedro Dom, Victor Dantas, interpretado por Filipe Bragança, e Gabriel Tolezani, na fase adulta. Victor é o contraponto ao protagonista, pois ele faz parte do serviço de inteligência da Polícia Civil e caberá a ele chefiar o grupo que estará em busca do filho e todo o seu bando.

Com muito drama, emoções e perseguições, ‘Dom’ consegue apresentar uma trama sólida, bem estruturada e uma boa quantidade de elementos para os espectadores, que conseguem acompanhar a narrativa em um ritmo frenético e num bom jogo de cores quentes e frias. As tomadas utilizadas para as histórias de Pedro Dom e Victor mostram as variadas camadas dos personagens, principalmente de Dom. A capacidade de transformação e a força nas convicções são os destaques dos personagens, que são muito bem ilustradas pelos atores, Leone e Bragança. Os dois são competentes e conseguem prender a atenção do público ao longo dos episódios, até o derradeiro desfecho.

Além do roteiro e da fotografia, a série mostra importantes informações acerca do mundo das drogas, o efeito sobre os usuários e suas famílias, além dos grandes avanços da ciência no oferecimento de novos tratamentos. Há outros personagens e histórias paralelas em Dom’, mas a trama se concentra no embate entre pai e filho, com muito drama e emoção, do início ao fim.

Quem gosta de uma boa narrativa policial, com personagens de personalidades fortes e sequências instigantes, ‘Dom’ é uma ótima opção de a Amazon Prime Video oferece. A série já possui duas temporadas e a terceira com estreia prevista para 2024. Vale a pena acompanhar.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Wandinha-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Wandinha-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Quem não se lembra da Família Addams? Após a primeira aparição em uma série de 1964, tivemos algumas versões em desenho animado, além de dois longas-metragens, de 1991 e 1993, sucessos de bilheteria. A bola da vez é o spin-off ‘Wandinha’, série da Netflix dirigida pelo icônico Tim Burton.

A filha mais velha do clã Addams (Jenna Ortega) vive o dilema da puberdade e acerca do mundo que a rodeia, e parte em uma grande jornada de investigações e descobertas em meio a escola Nervermore. Ao chegar à instituição, ela se depara com criaturas muito presentes no universo do terror, como lobisomens, vampiro e górgonas, além de alunos que se sentem excluídos do meio social, como ela. Uma narrativa cheia de suspense e com doses de uma boa comédia de terror, presente nas obras de Tim Burton.

Muitos vão se perguntar sobre a Família Addams, alguns membros até aparecem, como Morticia e Gomez, mas eles fazem apenas pequenas pontas, para decepção de muitos, mas eles têm participações importantes e decisivas no universo de Wandinha. Aquele suspense presente em novelas como o ‘quem matou?’ se faz presente, mas a conclusão deixa a desejar. As intervenções da protagonista, com representações insanas de sua imaginação e a quebra da quarta parede são os atrativos de boa parte dessa primeira temporada, além da reprodução dos trejeitos da Wandinha que lembram a versão de 1991, vivida por Christina Ricci. Jenna Ortega entrega uma ótima protagonista e consegue conquistar o público com seu carisma e espontaneidade.

Outros atrativos da série são os planos fechados e texturas escuras na fotografia, imprimindo um ar sombrio que a obra pede. O paralelo entre o estranho e o ridículo também são empregados, além de interessantes inserções literárias de Edgar Allan Poe, constantes em filmes de terror, para comparar a ficção com a realidade. Referências a alguns filmes de Burton também são perceptíveis, como A Noiva Cadáver e a Lenda do Cavaleiro sem Cabeça.

A questão da inclusão é bem abordada, com Wandinha buscando a compreensão de como ela vive e formas de se inserir em seu novo meio social, diferentemente de querer se isolar e viver apenas para si mesma. Temos comicidade e originalidade na série, com uma personagem com características preservadas dos longas-metragens, mas com elementos novos, além de personagens secundários que tentam ao máximo se descobrir e resolver os dilemas vivenciados por eles em uma fase tão desafiadora, que é a adolescência. 

Quem ainda não viu não pode perder ‘Wandinha’, uma série na qual você ri, se assusta e fica ansioso para saber como serão os próximos capítulos e o que virá em possíveis próximas temporadas. Vale a pena.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Casa do Dragão-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Casa do Dragão-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

A produção de séries ligadas a grandes sucessos, os famosos spin-offs, tem se tornado prática de grandes serviços de streaming, e com a HBO Max não seria diferente. Ambientada 200 anos antes dos acontecimentos de Game of Thrones, do universo de George R.R.Martin, ‘A Casa do Dragão’ é a nova aposta para atrair os fãs da antiga série, ou até mesmo conquistar novos públicos.

Acompanhamos o reino de Westeros, governada pelos Targaryen, sob o comando do rei Viserys I. Em vez de disputas por poder, é retratada uma disputa interna em um mesmo núcleo familiar, com os núcleos Pretos e Verdes competindo. E há também como destaque a representação feminina feita de forma cuidadosa e minuciosa, das amigas Rhaenyra e Alicent, que tiveram inicialmente suas trajetórias traçadas por homens, mas, posteriormente, há mudanças de rumo, com cada uma tomando suas decisões e seguindo direções opostas.

Ao longo dos dez episódios, é possível perceber a preocupação da HBO Max em oferecer ao público uma nova narrativa, com representações gráficas mais bem definidas e personagens com arcos complexos e capazes de cativar o espectador. As cenas são executadas com eficiência e há personagens que foram capazes de provocar reações negativas no público, com destaque para o ator Matt Smith, na pele do príncipe Daemon Targaryen. Há cenas de sexo e nudez, como em Game of Thrones, mas elas são pontuais e não há superexposição das atrizes, e os dragões que aparecem são também personagens, e não simples alegorias.

O maior problema dessa primeira temporada ficou por conta do roteiro, com uma linha do tempo demasiadamente acelerada e com grandes saltos. Alguns personagens fizeram poucas aparições, sendo logo substituídos em episódios posteriores, impedindo que os espectadores se acostumassem com eles e compreendessem seus arcos dramáticos. Mas a teia composta por intrigas quase mortais e a lavagem de roupa suja em família conseguiram atenuar um pouco os defeitos, preparando o público para uma nova sequência.

Apesar dos altos e baixos, ‘A Casa do Dragão’ surge como um produto que tem muito a oferecer aos seus espectadores, mas precisa ter sua linha temporal ajustada e continuar com sua receita que parece ter agradado, com fortes conflitos familiares e personagens fortes, que mostram que realmente possuem a força dos dragões dentro de si mesmos.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota