Poltrona Séries: A Queda da Casa de Usher/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Queda da Casa de Usher/Cesar Augusto Mota

A adaptação de obras literárias para outras mídias vem se tornando um grande atrativo para os espectadores, principalmente os fãs de filmes e séries. Seja nos gêneros drama, comédia ou terror, já vimos grandes resultados e o surgimento de novos públicos, fazendo os cinéfilos se interessarem pelas obras originais. E a bola da vez é a “A Queda da Casa de Usher”, da Netflix, inspirada na obra homônima de Edgar Allan Poe.

A trama acompanha a trajetória dos irmãos Roderick (Bruce Greenwood) e Madeline Usher (Mary MacDonnell), responsáveis pelo império construído com a indústria farmacêutica Fortunato. Isolados e doentes em uma casa que já experimentou o sucesso, os dois ficam presos nas mãos de uma mulher misteriosa de seus passados e terão de enfrentar segredos que virão à tona após as mortes de diversos membros da família, que vão ocorrendo uma após a outra.

O encarregado pela adaptação é o diretor Mike Flanagan, que se destacou em outras séries, como “a Maldição da Residência Hill”, “a Maldição da Mansão Bly” e “Missa da Meia-Noite”. Ele usa da verborragia à exploração de um ambiente em ruínas, claustrofóbico e envolto de corvos, este último elemento presente nos contos de Poe. Flanagan sabe usar das referências do escritor e também emprega seu próprio estilo na produção, com 8 episódios. A mistura de mistério com o clima sombrio e tenso, além da exploração dos conflitos psicológicos de cada personagem criam uma atmosfera capaz de proporcionar surpresas e revelações insanas.

Quem já conhece os contos e poemas de Edgar Allan Poe vai se surpreender com a série, pois nem tudo é seguido à risca. E quem não conhece, vai amar a produção de Flanagan, que já é parceiro de longa data da Netflix e se destaca pelo emprego da ambientação sombria, uso de jump scares, terror psicológico e a imprevisibilidade. Além do roteiro e das atuações do elenco, a direção de arte também se destaca, com ambientes de baixa iluminação e a presença do corvo característico das obras de Poe. O terror do escritor é como se estivesse presente em pelo ano de 2023 e isso Flanagan consegue retratar com maestria, bebeu da fonte de Poe, mas não perdeu sua essência.

Quem curte terror e já acompanhou as produções anteriores da Netflix sob a direção de Flanagan, vai curtir ‘A Queda da Casa de Usher’, mas quem ainda não acompanhou, vale uma visita às produções anteriores antes desta. Você vai viajar por um mundo insano, recheado de inquietações e muitas atrocidades.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Depois da Cabana/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Depois da Cabana/Cesar Augusto Mota

Sabe aquela história cuja narrativa se dá pela ótica da própria vítima? E os relatos de todos os envolvidos convergem e revelam segredos importantes do passado? Nesta produção alemã, veiculada pela Netflix, tudo o que é apresentado é inquietante e ainda há espaço para outras narrativas, que pareciam não possuir nenhuma conexão. Dividida em seis capítulos, ‘Depois da Cabana’ apresenta um enredo com muito suspense, insanidade e desfechos inesperados.

Adaptada do livro Liebes Kind (Querida Criança), de Romy Hausmann, ‘Depois da Cabana’ conta a história de Lena, que é sequestrada e isolada com Jonathan e Hannah, seus filhos. Eles ficam dentro de uma adega totalmente blindada e o sequestrador os força a fazer coisas horripilantes. Após conseguir escapar com Hannah, Lena passa a viver um novo drama e sente que precisa percorrer ainda um longo caminho para superar tudo o que passou e seguir sua vida normal (ou quase).

O enredo é rico em perspectivas, pois não se trata apenas de um drama psicológico vivido por uma mulher e suas crianças, outras pessoas que surgem ao longo da narrativa possuem alguma ligação com o sequestro e as peças que, na medida em que vão se apresentando e sendo juntadas, revelam coisas assustadoras e que jamais passariam por nossa percepção.

A história é intensa. visceral, sufocante, os personagens são catatônicos e as interpretações são ricas em realismo, em um ambiente perfeito para ilustrar todas as violências físicas e psicológicas de um cativeiro, além das consequências e pós-traumas após a liberdade. De quebra, o desfecho de cair o queixo, sobre a revelação da identidade do sequestrador e tudo o que ainda não havia sido esclarecido durante a investigação sobre o desaparecimento de Lena e das crianças.

Com algumas semelhanças ao filme ‘O Quarto de Jack’, ‘Depois da Cabana’ sabe fazer o espectador entrar na mente da protagonista e do vilão, além de conseguir prender a atenção até o último capítulo, quando ficamos por dentro de todas as camadas dos personagens, bem como da vítima do outro crime conexo com o sequestro de Lena e os filhos. Uma obra bastante vista e comentada e que vale a conferência.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Only Murders in the Building/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Only Murders in the Building/Cesar Augusto Mota

Séries que tenham a vibe do humor ou do mistério costumam atrair a atenção de milhares de pessoas e os resultados costumam ser satisfatórios. E como seria acompanhar uma produção que traz juntos os dois gêneros e três protagonistas no centro das investigações de um sério caso de assassinato? Com dez episódios, ‘Only Murders in The Building’, protagonizada por Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez, veiculada pelo serviço de streaming Star+, vem para oferecer ingredientes muito interessantes aos espectadores e uma experiência agradável.

Criada por John Hoffman e Steve Martin, a série apresenta Charles (Martin), uma estrela da tv que está a longo tempo longe das telas e perdido quanto à continuidade da carreira, se encontra com Oliver (Short), um diretor de um teatro recém-fechado, após ambos se verem obrigados a deixar o prédio Arconia devido ao assassinato de um dos vizinhos, Tim Kono. Os dois se juntam a Mabel (Gomez) e eles passam não só a investigar o crime, como também buscam transformar o incidente em um podcast criminal.

Como dito anteriormente, os três protagonistas também são alvo da polícia e apontados como os principais suspeitos do assassinato de Kono, muito por conta do jeito excêntrico de cada um e de condutas e declarações polêmicas em um passado recente, que poderia comprometê-los. A química entre os três atores é ótima, todos carregam a série muito bem até o fim e eles nos proporcionam momentos inusitados, como as piadas que fazem com os outros moradores do prédio e a sagacidade que eles possuem na busca por pistas e provas para a solução do mistério.

A mistura entre o humor e o clima de mistério funcionam de maneira eficiente, pois a tensão e a ansiedade por respostas sobre a autoria e motivação do crime movem os espectadores e aos poucos os interesses são atendidos. Os bastidores sobre a produção de um podcast e a paixão dos personagens-centrais por esse tipo de conteúdo também são ferramentas atraentes para a série, e quem acompanha fica ainda mais animado para buscar podcasts, não só sobre crimes, mas assuntos de interesse coletivo.

O ritmo como a série é levada começa cadenciado, mas depois fica frenético. Os diálogos são geniais, e a obra traz também participações especiais de uma humorista e um cantor que faz papel de si mesmo, e que, por incrível que pareça, também é suspeito de ser autor do crime. Uma produção gostosa de se assistir e que já possui duas novas temporadas na Star+, vale a pena ver.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Invasão Secreta/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Invasão Secreta/Cesar Augusto Mota

Após a febre de diversos filmes e série com super-heróis, a Marvel aposta em uma produção focada na ação e com abordagem de temas sociais, como o comportamento humano. ‘Invasão Secreta’, disponível na Disney+, pode ser rapidamente consumida pelo público, com total de seis episódios.

Criada por Kyle Bradstreet, ‘Invasão Secreta’, inspirada nas HQ´s de título homônimo, acompanha Nick Fury (Samuel L. Jackson), que descobre uma invasão clandestina da Terra por um grupo de metamorfos, os Skrulls. Juntamente de Everett Ross (Martin Freeman), Maria Hill (Cobie Smulders) e Talos (Bem Mendelsohn), eles correm contra o tempo para evitar uma invasão iminente e salvar a humanidade.

A narrativa é recheada de diversas cenas de ação, um grande clima de suspense e o poder dos Skrulls de conseguirem assumir a forma humana que quiserem. Apesar d ritmo lento inicial, a trama consegue fisgar o espectador e não há apenas os conflitos entre humanos e alienígenas, há também foco nos problemas de Nick Fury, que vive inseguranças em meio a constantes perseguições.

Fragilidades de nossa sociedade são muito bem exploradas e notamos isso com a tamanha possibilidade de camuflagem dos Skrulls, que agem nos bastidores das batalhas e planos humanos sem serem notados. Estes não são pintados apenas como vilões, seus sentimentos podem ser bem compreendidos pelo público e importantes discussões sobre caráter e confiança são discutidos.

A fotografia, as texturas e efeitos especiais utilizados lembram as grandes produções da Marvel, do universo dos super-heróis, embora eles não esteja em ‘Invasão Secreta’, e quem acompanha passa por uma grande experiência. Pode não ter a mesma intensidade e sentimento de imersão, mas é um passatempo agradável e que vale a pena assistir.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: O Urso-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: O Urso-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Quer uma série imersiva e bastante realista?  De fazer o espectador sentir a adrenalina do ambiente e os conflitos psicológicos do protagonista e dos personagens secundários? O Star+, serviço de streaming da Walt Disney Company, oferece ao público a série ‘O Urso’ (The Bear), com oito episódios rápidos, de trinta minutos de duração, em sua primeira temporada, com sua narrativa concentrada em um ambiente em boa parte do tempo: a cozinha de um restaurante.

Acompanhamos Carmen Berzatto (Jeremy Allen White), um jovem chef que herda um restaurante de seu falecido irmão e tem a dura missão de reconstruir o lugar e tornar o negócio viável, ao mesmo tempo que lida com seu sentimento de luto e com personalidades tão distintas dos novos funcionários do The Beef, localizado em Chicago.

O roteiro é bem amarrado e aborda temas variados e interessantes, como estratégias de negócio, luto, equilíbrio familiar e a rotina insana da indústria alimentícia, em um ambiente barulhento e de muita gritaria. Carmen, ou Carmy, como é conhecido terá como maior desafio conseguir motivar o grupo que tem nas mãos no comando do The Beef.

Na medida em que o tempo passa e Carmy introduz novas técnicas de trabalho e buscando o perfeccionismo, ele vai ganhando a confiança do grupo e aos poucos vai se formando uma nova família, como é possível perceber. Cada um começa a trabalhar de forma mais eficiente e cuidadosa e com o intuito de evitar conflitos, além de um se tornar confidente e ombro amigo do outro.

A montagem é precisa e bem agressiva, com retratação de um ambiente real de um restaurante, com muita correria, estresse e a busca incessante por eficiência e resultado. Cada objeto fora de lugar na cozinha, as expressões faciais do dono e seu jeito impulsivo fazem o espectador se sentir integrante daquele ambiente e do contexto de tensão nos quais os personagens secundários estão inseridos, tornando a experiência de assistir ‘O Urso’ bem dinâmica. As atuações são convincentes e de muita autenticidade, especialmente do protagonista, que transmite tudo o que sente e consegue envolver todos ao seu redor, em busca de seu objetivo.

 Ver ‘O Urso’ traz uma experiência diferenciada ao espectador, com muito realismo e imersão, boas doses de drama e humor em momentos precisos, sem contar a história, que é emocionante, instigante e recheada de surpresas. Vale a conferida.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota