Poltrona Series: Quem Matou Sara?-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Series: Quem Matou Sara?-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Séries que retratam investigações e a busca dos protagonistas por respostas e vingança têm tomado conta dos serviços de streaming e agradado aos espectadores. Uma produção da Netflix e que lembra muito ‘Revenge’, ‘Quem Matou Sara?’ é uma obra mexicana que tenta prender a atenção de quem acompanha a história até o décimo e último episódio da primeira temporada. Será que merece nossa atenção?

Acompanhamos Alex, um jovem que foi condenado injustamente pela morte da irmã Sara em um acidente numa lancha e fica 18 anos preso. O rapaz foi forçado a confessar algo que não cometeu em troca de benefícios que a família Lazcano o prometera e a promessa de que ficaria no máximo dois meses encarcerado, o que não acontece. Ao sair da prisão, ele aos poucos executa seu plano para se vingar dos Lazcano e descobrir quem de fato matou sua irmã e por qual motivo, mas acaba se envolvendo com Eliza, filha do poderoso e corrupto Cesar Lazcano. A garota, mesmo traindo sua família, estará o tempo todo ao lado se Alex para descobrir tudo o que envolve seus familiares.­­­

­Todos os personagens possuem grandes arcos dramáticos, mas a condução de suas histórias apresentou problemas. O enredo se perde a partir do quinto episódio e há demasiadas cenas repetidas, algumas poderiam ter sido supridas e alguma outra pista relevante sobre a morte de Sara poderia ter sido inserida. Cada personagem possui alguma ligação com Sara e vários teriam motivos para querer assassiná-la, não é possível apontar um único suspeito nesta trama. Os destaques ficam com o controverso Cesar Lazcano, com um passado sombrio e com revelações grotescas sobre sua índole a cada episódio e para o administrador Elroy, figura caricata e com alguns podres em seu passado também revelados.

Discussões sobre sexualidade, preconceito e luta de classes são inseridas no contexto ao longo dos episódios, e são bem válidas. Apesar do melodrama e do tom novelesco que a série possui, nada passa batido, tudo consegue ser bem retratado e com grandes reviravoltas. O desfecho da primeira temporada é um pouco decepcionante, pois algumas revelações não fazem sentido e não fica claro quem é o assassino de Sara. Já existe um gancho, inclusive teasers que anunciam a segunda temporada de ‘Quem Matou Sara?’, que seja para alguns erros serem consertados e para brindar o público com mais ação, suspense e dramaticidade.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The One-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The One-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Encontrar o par perfeito tem sido um grande desafio para milhões de pessoas, seja por relações interpessoais ou virtuais. Mas o que você acharia se esse objetivo se concretizasse por combinações de DNA? Essa premissa curiosa deu origem à série britânica ‘The One’, também baseada no livro homônimo de John Marrs, composta por oito episódios com média de duração de 40 minutos. Vale o passatempo?

Rebecca Webb, uma cientista promissora, juntamente do parceiro James, encontram uma forma de formar casais por meio de um revolucionário novo serviço de encontros, o The One. Uma ideia ousada que culminou com a inauguração de uma empresa forte e poderosa, mas ambos não contavam que esse serviço desencadearia diversos problemas, colocando relações pessoais e até mesmo o futuro da multinacional em risco.

Essa obra nos faz lembrar da série Weird City, do Youtube, que também mostra materiais genéticos combinados para encontrar casais perfeitos. ‘The One’ possui uma atmosfera macabra, no estilo Black Mirror, e tenta prender a atenção do espectador até o último episódio, mas só consegue até a metade da temporada. Além de vários elementos clichês, há muitos recursos de transição entre cenas repetidos à exaustão e não existe uma empatia entre os personagens. Tudo é apresentado às pressas, e falta desenvolvimento dos personagens, principalmente os secundários.

A série proporciona reflexões e mexe com o imaginário das pessoas no tocante à procura pelo amor ideal, mas o problema está em quem escolhe esse caminho, e na produção vemos pessoas comprometidas fazendo isso. As chances de encontro do par perfeito por métodos científicos de darem errado são enormes, e essas combinações geram graves consequências, sejam nos personagens secundários, como na protagonista, que chega a ser investigada pela polícia pelo assassinato de Ben Naser, seu amigo.

Apesar das pontas soltas, há grandes reviravoltas e um gancho para uma possível continuação. A protagonista não entrega nenhuma novidade, mas deixa um mistério no ar no último episódio, uma motivação a mais para o espectador, que se deparou com uma primeira temporada morna e sem muitas surpresas. A maneira como a tecnologia pode interferir em relacionamentos é algo interessante a se explorar hoje em dia, mas ‘The One’ merecia algo mais aprofundado e grandes desdobramentos. Mas há uma esperança disso ocorrer em uma possível segunda temporada, o jeito é aguardar e cruzar os dedos.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Por Trás de Deus Olhos-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Por Trás de Deus Olhos-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Como funciona a nossa mente? Os sonhos representam um tipo de mundo paralelo? Como medir as consequências das escolhas que são feitas na vida? Essas e outras perguntas na minissérie “Por Trás de Deus Olhos” (Behind Her Eyes), produção britânica da Netflix baseada no romance homônimo de Sarah Pinborough, desenvolvida em seis episódios que prometem prender o público, sem fazê-lo perder o interesse no decorrer da história.

Acompanhamos Louise, uma mãe solteira que trabalha como secretária em uma clínica psiquiátrica, que resolve ir a um bar para encontrar uma amiga, mas é deixada na mão. Quando está prestes a ir embora, Louise acaba por encontrar um homem gentil, com quem acaba conversando e deixando se envolver. Mas ela não esperava que esse mesmo homem, David, seria seu chefe no consultório. David é casado com Adele, uma jovem bonita que sofre de distúrbios psicológicos, e ele demonstra constantemente uma aparência de tristeza, em decorrência de constantes instabilidades no casamento. Adele, mais adiante, se esbarra com Louise e ambas se tornam amigas, e isso desencadeia um grande enigma na cabeça da secretária, que conhece o casal, mas não pode revelar nada a nenhum deles.

Em uma encruzilhada, Louise começa a ver que há inconsistências no relacionamento de David e Adele, e ela começa a desconfiar que seu chefe possa ter cometido um crime contra uma pessoa próxima de Adele, Rob, um amigo que ela conheceu em um hospital psiquiátrico no qual passou após escapar de um terrível incêndio que vitimou seus pais. Louise começa a juntar as peças e fica cada vez mais próxima de Adele, mas seu envolvimento nesse imbróglio acaba por agravar seu estado psíquico e começa a sonhar com um mundo paralelo que ela deseja ao lado de Adam, seu filho. Uma possível reviravolta no casamento de Adele e David está prestes a acontecer, mas um grande e chocante segredo do passado faz a situação se agravar e fazer Louise encarar sérias consequências.

Apesar do uso de uma ideia clichê, no caso, um triângulo amoroso, a narrativa foi bem desenvolvida e cada personagem tem tempo para ter seu arco construído e influenciar o público. As imagens em flashback do período em que Adele ficou hospitalizada servem como grande instrumento para o espectador entender sua personalidade e também a de seu amigo Rob, por quem nutriu uma paixão platônica. O flashback não foi usado à exaustão e tampouco para tapar buracos, o recurso funciona e ajuda a desvendar o passado tanto de David como de Adele.

Os conflitos internos de Louise, que tenta uma nova vida após se divorciar, são ilustrados por cores quentes e por portas que ela quer abrir. Essa representação é uma espécie de catarse, pois ela vive um trauma após a perda da mãe e um terror psicológico que parece não ter fim depois de descobrir muita coisa sobre David e o passado obscuro de Adele. Parece ser um beco sem saída, mas aos poucos os nós são desatados e o conflito é resolvido, embora de maneira fácil.

Um thriller psicológico com personagens carismáticos e universos perturbadores, esses são alguns dos ingredientes de “Por Trás de Seus Olhos”, para quem curte produções com muitos segredos e sobressaltos. Uma jornada frenética que vale a pena acompanhar.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Ratched-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Ratched-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Como funciona a mente humana? Ela está atrelada às amarras do dia a dia e/ou questões familiares? E o que se passa na cabeça de um criminoso? Já tivemos obras famosas do cinema que trabalharam essa premissa, como ‘Psicose’ e ‘A irresistível face do mal’, sobre o serial killer Ted Bundy. Baseada no livro ‘Um Estranho no Ninho’, de Ken Kesey, a série Ratched, da Netflix, apresenta ao público uma enfermeira sádica e bastante controversa, ao longo de oito episódios de cerca de 50 minutos. Uma produção que vem chamando a atenção e com gancho para uma próxima temporada.

Ambientado em 1947 e no norte da Califórnia, a série conta a história de Mildred Ratched (Sarah Paulson), uma enfermeira que trabalhou na Segunda Guerra e que ingressa na Clínica Lucia de Recuperação. Com seu jeito frio e manipulador, ela acaba por manipular e influenciar a todos, inclusive o doutor Richard Hanover (Jon Jon Briones), diretor do hospital. Em um piscar de olhos, tudo vira de pernas para o ar e todo o cuidado com a enfermeira Ratched será pouco, ainda mais que ela possui planos para cada um dos pacientes e funcionários da Clínica Lucia.

A ambientação nos anos 40 é bem retratada, com fotografia em cores frias e personagens com semblantes de sobressalto, tendo em vista o caos do ambiente que é a Clínica Lucia, com pacientes que possuem todo tipo de distúrbio, e os métodos insanos e cruéis de tratamento que são utilizados. A cor vermelha é bem nítida em algumas cenas, para ilustrar a barbárie e a insanidade que imperam no local, além do perfil assombroso, frio e calculista da personagem principal.

A visão deturpada que a enfermeira Ratched tem da realidade e sua rápida mudança de comportamento chamam a atenção, ora compreensiva e com compaixão, outra bastante fria e insana. O espectador percebe que ela quer o bem-estar dos pacientes, mas suas ações são bem cruéis e inacreditáveis, a ponto de provocar espanto e pavor, até vontade de deixar de acompanhar a história. Mas o arco dramático é tão bem trabalhado que o imprevisível faz o espectador voltar e esperar que outra coisa insana ou até algum tipo de redenção ocorra.

Se o foco da série era a exploração da mente de Mildred Ratched e a origem de seus atos, a produção acabou por dar mais atenção ao sofrimento dos pacientes ao seu redor. O ritmo da história é lento, mas as peças vão aos poucos se encaixando e o sentimento de decepção é compensado pelo enredo e performance dos personagens, com destaque para a enfermeira Ratched e o doutor Hanover, que tem um passado cheio de amarras e contas a serem acertadas.

Se você curte séries com cenas fortes e enredos emocionantes, Ratched vai oferecer tudo isso e horas de atenção. Uma jornada assustadora, mas bem interessante.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Desordem que Ficou/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Desordem que Ficou/ Cesar Augusto Mota

As minisséries estão chegando e se tornando populares na Netflix, com tramas que exploram o mistério e o thriller psicológico, com grandes dilemas internos enfrentados pelos personagens centrais.  ‘A Desordem que Ficou’ (El desorden que dejas) é uma produção espanhola criada por Carlos Montero, o mesmo de ‘Elite’, que possui oito episódios. E uma pergunta vai ficar na mente dos expectadores, que vão procurar descobrir: uma das protagonistas cometeu suicídio ou foi assassinada?

A narrativa possui duas linhas temporais que acompanham a trajetória de duas professoras de literatura: a primeira, Viruca (Barbara Lennie), uma profissional competente e apaixonada pela profissão, mas que se envolve e acaba assediada e ameaçada por alunos, até um dia ser encontrada boiando em um rio. A segunda, Raquel (Inma Cuesta), a substituta, bastante assustada no início e passiva com seus alunos, busca ganhar o respeito de todos. Mas a sombra da antiga professora assombra Raquel, que vai investigar e buscar saber tudo o que aconteceu. Mas ela passa a ser também ameaçada pelos alunos, e teme terminar como Viruca.

A divisão da narrativa com duas vidas paralelas chama a atenção e nos faz acompanhar todas as pistas, para não perder nada e saber o que realmente aconteceu e as revelações a cada novo episódio deixam o espectador ainda mais confuso e ansioso para ver como a história vai terminar. As ameaças, assédios e chantagens que as duas professoras enfrentam as fazem beirar a insanidade e tudo isso faz a trama ter mais substância e atrativa ao público.

A fotografia e a montagem são outros atrativos. Com tons frios, há a sugestão de algo bem sombrio, e a mistura de sensações das personagens ficam bem estabelecidas e conexas na história. E a montagem é bem precisa, não há confusão sobre qual trajetória se está acompanhando, e ambas são bem interligadas, até a chegada do clímax, que nos esclarece tudo e desvendamos o mistério, se Viruca foi morta ou se ela se suicidou.

E as atuações foram acima da média, as atrizes souberam passar ao espectador tudo o que suas personagens sentiam, além de conduzirem a narrativa de uma forma magnetizante e cheia de reviravoltas. E os personagens secundários também se destacam, em especial Áron Piper, o Ander de Elite. O jovem, com seu olhar e expressões perturbadoras, não só intrigaram as vidas das professoras como também envolveu os demais alunos, com sentimento de sobressalto e culpa, por mostrarem que Viruca não foi ouvida, o mesmo se passando com Raquel.

Uma obra intrigante, mas com bons ingredientes e um elenco coeso. ‘A Desordem que Ficou’ é uma ótima sugestão para quem aprecia histórias com muito mistério e conflitos internos de personagens. Vale a pena conferir.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota