Poltrona Séries: O Inocente/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: O Inocente/ Cesar Augusto Mota

Histórias marcadas por drama, mistério, vingança e imprevisibilidade estão cada vez mais em alta nos serviços de streaming. A minissérie espanhola ‘O Inocente’ (El Inocente) traz tudo isso e tenta ao máximo prender o público a cada episódio que é contado. São oito episódios que podem ser vistos rapidamente e sem perder o interesse em uma narrativa cheia de dinâmica e um enorme espiral, com tramas que se interligam aos poucos com o enredo principal.

Inspirado na obra homônima de Harlan Coben, acompanhamos Mateo Vidal um jovem que se envolve em uma briga na saída de uma boate, que empurra um homem para se defender, mas acaba este batendo a cabeça e morrendo. Sentenciado a quatro anos de prisão, ele busca reconstruir sua vida após cumprir a pena, mas seu recomeço não é nada fácil, e seu passado volta à tona quando sua mulher, Olivia Costa, recebe uma misteriosa ligação e some repentinamente.

Cada personagem é apresentado nos mínimos detalhes, com narração off em vez de flashbacks. É um recurso interessante, e passamos a conhecer melhor o protagonista e sua possível relação com os crimes que são investigados e pistas encontradas. A impressão que temos é a de que tramas paralelas vão se desdobrar e a principal será deixada de lado, mas são feitas perfeitas conexões com o recurso do narrador off, trazendo mais dinamismo à narrativa. O espectador fica mais ansioso para o que virá a seguir, nada é previsível, e novas surpresas acontecem. Como é dito na trama, todos sempre guardam segredos e passamos a conhecer menos as pessoas, até as que estão ao nosso lado.

A fotografia permite ao espectador se inserir em um universo perturbador, em um tom quente com muito sangue e violência. Olivia está em um perigoso esquema e a sensação é a de que novas vítimas serão feitas e que ela sofrerá consequências ainda mais graves por conta de sua resistência. E o envolvimento de Matt com os outros personagens passa a ter mais sentido quando se aproxima do desfecho da trama, com muita emoção e reviravoltas.

Com discussões importantes sobre cumplicidade e vingança, além de cenas frenéticas e uma história cheia de surpresas e muitas revelações vindo à tona, ‘O Inocente’ é um prato cheio para quem gosta dessas histórias, além da ilustração de um trabalho minucioso e polido da polícia, atento a tudo e sem descartar ninguém. O mesmo podemos dizer da história, não dá para deixar ninguém de lado, afinal todos possuem segredos.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Elite-4ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Elite-4ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Sucesso de público e crítica, ‘Elite’, série espanhola da Netflix, já havia mostrado a que veio, com muitas intrigas entre adolescentes, adultos, e a exposição de temas importantes e recorrentes na sociedade contemporânea, como sexualidade, drogas, poder e a dificuldade em se tornar decisões para a vida. A temporada passada teve um desfecho impactante e gora volta com algumas caras novas. Virão surpresas por aí?

A vida dos estudantes da conceituada escola Las Encinas havia virado de cabeça para baixo após um terrível acontecimento e foi necessário uma enorme superação e união de todos para que pudessem seguir em frente. Três alunos haviam conseguido bolsas de estudo para Nova Iorque e outros tiveram que ficar mais um ano para finalizar o Ensino Médio. Mas Guzmán, Samuel, Rebeka, Omar e Ander não contavam com a chegada de um novo diretor, Benjamin, que prometeu mudar tudo em Las Encinas e colocar a escola nos eixos. Junto a ele chegaram seus filhos Patrick, Ari e Mencía, que vão mexer com as vidas de todos eles. Como diria Ander, a chegada deles foi pior que uma metástase, provocou profundas e sérias mudanças no cotidiano dos protagonistas.

Os quatro novos personagens mencionados anteriormente, além do príncipe Phillipe, novo aluno de Las Encinas, não são peças decorativas, cada um mostra sua capacidade de influenciar todos ao seu redor e vão mexer com os discentes: Patrick começa a abalar o namoro entre Ander e Omar, Mencía se aproxima de Rebeka e mexe com seus brios, Aria deixa Samuel e Gusmán balançados e o diretor Benjamin não vai deixar barato no quesito disciplina e vai promover testes para os alunos com o intuito de mostrar que Aria, sua filha, é a melhor. Já Phillipe possui laços importantes com a família de Benjamin, e sua chegada a Las Encinas não só servirá para estreitar a amizade entre as famílias como também para acobertar certos boatos acerca da família de Phillipe. De quebra, o príncipe começa a se aproximar de Cayetanna e o improvável entre eles começa.

Mesmo com novos personagens, a essência de ‘Elite’ é mantida, com muitas tretas, sexo e controvertidos comportamentos dos adultos na história. Os desdobramentos dos episódios ocorrem naturalmente e a estrutura usada na temporada anterior, de mostrar cenas de um grave incidente, também é usada. Aos poucos o espectador descobre o que aconteceu e quem estava envolvido. Os protagonistas recorrentes continuam com grandes participações e eles permitem que os novos consigam brilhar e chamar a atenção do público. O destaque vai para as irmãs Mencía e Ari, que promovem os maiores arcos na narrativa e importantes discussões acerca da relação entre pais e filhos e a responsabilidade que os jovens têm de fazer decisões corretas em suas vidas.

Com gancho para uma nova temporada e novas histórias, ‘Elite’ mostra porque está conquistando espaço não só entre os jovens, como entre pessoas mais velhas. Uma produção que ilustra o cotidiano e os perigos que nos cercam, além de brindar com personagens carismáticos, intensos e imprevisíveis. Que venha a temporada cinco.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Ragnarok-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Ragnarok-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Dramas sobre amadurecimento e evolução humanas costumam ser bem atrativas, e com a apresentação de uma mitologia sob outro ângulo atrai mais atenção. Em sua primeira temporada, com seis episódios, ‘Ragnarok’, produção norueguesa veiculada pela Netflix, trouxe uma trama sólida, mas que careceu de consistência. Agora, em sua segunda temporada, Magne, um adolescente de 17 anos que possui os poderes de Thor, irá enfrentar batalhas ainda mais pesadas e inimigos mais enfurecidos. Será que ele está preparado para uma nova jornada?

Situada na cidade fictícia de Edda, na Noruega, a série continua a partir do último ponto, um confronto entre Magne e Vidar, um dos gigantes que o desafiou e presidente das indústrias Jutun, que provoca derretimento das geleiras e contamina a água da cidade. Dispostos a mostrar que não se dão por vencidos, os Gigantes desafiam Magne para uma nova batalha, durante a Lua Nova, que pode significar o salvamento definitivo da Terra e de seus habitantes ou o controle total do planeta. Para derrotar seus inimigos, Magne precisará de aliados e do martelo de Thor, perdido na última batalha, tendo em vista que ir sozinho para um novo confronto é bastante perigoso, mesmo que seja quase  invulnerável.

Se faltava algo que prendesse a atenção do espectador na primeira temporada, agora vemos uma história movida a ação e emoção e a importância de proteção familiar como um dos combustíveis que move Magne. Após descobrir um segredo perturbador sobre o irmão Mauritz, Magne não hesita em dar um desfecho na batalha contra os Gigantes antes que seja tarde. Do lado dos Gigantes, a família Jutun sobre uma grande baixa e o sentimento de vingança passa a ser predominante. Além do amor, a questão do poder ainda possui espaço, com protestos dos moradores de Edda após a água ser contaminada e a briga entre os irmãos Fiur e Saxa pela presidência das empresas Yutun.

Antes vimos personagens tímidos e sem muito a oferecer na primeira parte, mas nessa nova sequência vemos personagens secundários contribuindo com a história e promovendo o crescimento do protagonista. Lauritiz, irmão mais novo de Magne, ganha mais espaço e promove uma importante discussão sobre a importância de se conhecer sua origem e da aproximação com a família biológica. Os aliados de Magne trazem importantes pontos, como a questão da lealdade, traição e a união para se vencer uma batalha. Ainda sem estar preparado. Magne enfrenta grandes percalços, com um clímax impactante. Mesmo encurralado, ele mostra que está disposto a ir até as últimas consequências para salvar o mundo e proteger sua família.

Vemos batalhas eletrizantes, que não dependem tanto do CGI, movimentos que conferem autenticidade aos golpes e adereços que buscam proximidade com o que é relatado na mitologia nórdica, além de importantes desdobramentos sobre Thor, famoso herói que dispõe da arma mais poderosa do mundo. Uma produção que se redime e brinda o público com belas imagens e lutas épicas.

Os fãs de grandes heróis da mitologia nórdica vão se impressionar com a nova temporada de ‘Thor’, mas quem não é e curte grandes histórias movidas a ação e violência vai se surpreender com essa nova sequência, que se redime e traz o que uma verdadeira produção pede.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Quem Matou Sara?-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Quem Matou Sara?-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Uma trama de suspense que deixa no ar várias perguntas e embaralha a cabeça do espectador é, sem dúvida, um grande atrativo. Com enorme sucesso em sua primeira temporada e algumas lacunas a serem preenchidas, ‘Quem Matou Sara?’, produção mexicana veiculada no serviço de streaming Netflix, retorna com novos ingredientes para atiçar ainda mais a curiosidade do público e deixar a narrativa mais sombria, afinal, o passado sempre volta.

Uma grande tragédia mudou para sempre a vida de Alex Guzmán e da família Lazcano. Acusado de matar a irmã Sara, Alex passa 18 anos na prisão e está disposto a se vingar de todos que o prejudicaram. Porém, novos segredos são revelados, como um diário que Sara mantinha escondido e um corpo encontrado enterrado no quintal da casa de Alex. O protagonista precisará ter cuidado para não perder o rumo, e saber quem era realmente sua irmã será apenas o começo desse novo desdobramento ilustrado nessa inédita sequência de oito episódios.

O enredo conta novamente com os personagens secundários da primeira temporada, mas novos aparecem nessa sequência para contribuir com a história e mostrar que também tiveram problemas com Sara no passado. O destaque fica com o jovem Nicandro, que vendia drogas e viva no encalço de Sara, além de Abel Osório, um senhor com problemas mentais e presente na família Guzmán em um passado recente. O homem esconde vários segredos, e aos poucos o espectador entende que impactos ele causou e qual sua relação com Sara, que passou a se interessar mais por ele em seus últimos momentos de vida.

A condução da história com novos segredos revelados foi a chave para manter o espectador com interesse pelo enredo e seu desfecho. Os personagens secundários brilham mais nessa segunda temporada e têm muito a dizer. Os que fizeram parte da primeira temporada possuem poucas histórias paralelas desta vez, mas não deixam de contribuir com a evolução da história, destaque para Jose Maria, filho dos Lazcano, que sempre mostrou muita afeição por Alex Guzmán e que terá grande peso nessa nova sequência. Muitas perguntas são respondidas, e o desfecho deixa um gancho sobre uma possível continuidade da narrativa.

Mesmo com elementos que caracterizam os populares dramalhões mexicanos, ‘Quem Matou Sara’ foi capaz de manter viva a curiosidade do espectador, em uma história repleta de mistério, reviravoltas e com personagens coesos, vibrantes e com muito ímpeto para resolver questões do passado que insistem em retornar. A produção mostra que ainda é possível mais uma temporada e a inserção de novos personagens. Um enredo repleto de atrativos e que merece bastante atenção.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Fatma-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Fatma-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

O que você diz sobre uma série com muito mistério, suspense e que promove debates importantes sobre a posição da mulher na sociedade, principalmente se esta for conservadora? A produção turca ‘Fatma’, veiculada pelo serviço de streaming Netflix, traz tudo isso e nos apresenta a uma personagem que é invisível nesse meio social, e passa por muitos percalços. São seis episódios, com média de quarenta minutos cada, e muitas surpresas.

Acompanhamos Fatma Yilmaz, uma mulher de infância sofrida e que está passando por muitas dificuldades. O marido, Zafer, ficou quatro meses preso por um crime que não cometeu e depois de ser solto desaparece repentinamente. Ela possui um filho autista, que morre em um acidente, deixando a mãe completamente desnorteada. Para poder sobreviver, ela consegue diversos trabalhos como faxineira, mas ao longo do caminho vai se deparando com diversos homens que possuem alguma ligação com Zafer e que querem machucá-la. Fatma, no decorrer dos episódios, passa por grandes transformações e procura deixar cada desafeto para trás, em uma jornada frenética e de muita perseguição.

A protagonista se mostra inicialmente sem expressão, com um semblante pálido e fechado, muito por conta dos descasos que sofre desde a infância, e da sociedade atual, que não dá a ela o devido valor, e sequer desconfia dela quando uma série de crimes aparece durante os episódios. O espectador não sabe quem de fato é a Fatma, mas é feita uma construção bem parcimoniosa para que se possa compreender a motivação das atitudes de Fatma e depois passa a torcer por ela, mesmo que ela cometa barbaridades e desemboque em situações mórbidas.

Um recurso bastante utilizado em cada episódio e usado para prender a atenção do público é a de apresentar de início o clímax e depois um flashback para explicar como Fatma chegou a cada situação. Há algumas lembranças que a personagem central possui e que podem soar como pontas soltas na série, mas no fim da temporada temos tudo devidamente explicado. Fatma tenta fazer justiça de alguma forma e usa métodos bem simples para tal, e na medida em que mais inimigos se aproximam, ela tenta encontrar uma nova saída, e foge do lugar comum de uso de estratégias bem elaboradas, sem necessidade de efeitos especiais.

Assuntos como autismo, pedofilia, machismo e assédio sexual são inseridos na trama e discutidos de forma direta e didática. Essas pautas podem incomodar, mas são necessárias e refletem em diversas sociedades, inclusive a brasileira. Problemas que até hoje não são levados a sério e que ganham o devido destaque na série turca. Quem acompanha vai passar a torcer mais por Fatma, mesmo que ela cometa crimes e não utilize de métodos corretos para fazer justiça. São assuntos delicados e que não podem ser invisíveis aos nossos olhos.

Com muita ação, suspense, discussões e sustos, ‘Fatma’ insere o espectador em um mundo conservador e cheio de problemas que precisam ser combatidos. Há ganchos para uma segunda temporada, que, se vier, tem tudo para ser como a primeira, impactante do início ao fim.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota