Poltrona Séries: La Casa de Papel-Parte 5-Volume 1/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: La Casa de Papel-Parte 5-Volume 1/ Cesar Augusto Mota

Uma das séries mais populares da Netflix está em sua reta final. Com muita ação, adrenalina, tiros e várias explosões, ‘La Casa de Papel’ vem para fechar um ciclo que deu certo ao longo dos quatro anos em que foi exibida para milhões de pessoas, com personagens carismáticos, um roteiro repleto de reviravoltas e surpresas e um trabalho técnico de excelência. O Professor e seus pupilos sem dúvida irão deixar saudades, mas como vão terminar a eletrizante jornada que começaram?

A Parte 5 começa quando Lisboa engana os policiais e entra no Banco da Espanha e a inspetora Alicia Sierra encontra o esconderijo do Professor, apontando uma arma para ele. Sem a orientação mentor e a única maneira de retirar o ouro comprometida, o grupo de assaltantes se vê agora em uma situação quase irreversível e terá de fazer suas operações de uma forma inédita, com Lisboa assumindo o papel de líder e todos usando os recursos que têm em mãos.

O trabalho de montagem e efeitos especiais são ainda mais elaborados nessa sequência, principalmente nos episódios dois e três, retratando os planos improvisados para o assalto ao Banco da Espanha, uma possível trégua do grupo do Professor e as estratégias da Polícia e do Exército para conter os delinquentes e abortar os planos deles.  O mentor intelectual vai ter que usar mais do jogo psicológico para sair da situação na qual está inserido e tentar se aliar a Sierra, cujos planos interrompidos após a gravidez e provas encontradas contra ela. Ao longo dos cinco episódios, novos segredos são revelados e deixam o espectador estarrecido e ainda mais ansioso pelo desfecho do assalto.

As diferenças desta temporada para as demais estão não só no ritmo mais acelerado e intenso, como também na maior cumplicidade entre os assaltantes, unidos por queixas, traumas e os mais diversos desejos. Eles são mais humanizados, todos unidos pelo mesmo objetivo, além do propósito de viver mais intensamente, de maneira mais livre e sem grandes compromissos. Os flashbacks e uma história mais esticada são propositais, tendo em vista o clima de despedida, além do arco dramático dos personagens, bem desenvolvidos e na iminência de conclusão. Trata-se de uma primeira parte, com cinco episódios, com uma nova sequência de cinco episódios ainda a ser exibida. Será que a conclusão para todos os personagens será satisfatória?

Destaque para Tóquio nessa parte 1 da quinta temporada, ele se mostra mais corajosa e com um sopro de esperança para a sequência dos acontecimentos pós-assalto. Com tom mais reflexivo, ela sente que é hora de fechar um ciclo e ela brinda os espectadores com cenas fortes, angustiantes e com muita tensão. Será que ela consegue sobreviver às emboscadas preparadas pela polícia espanhola?

Curioso para essa primeira parte da última temporada de ‘La Casa de Papel’? Não deixe de ver essa sequência insana, de muita ação, adrenalina e preparativos para a conclusão definitiva dessa história que conquistou milhões ao redor do mundo.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Saída-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Saída-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

O cérebro exerce atividades simples e outras mais complexas, e algumas pessoas conseguem enxergar o que outras não têm capacidade. Histórias com suspense e mistério, como o filme Atividade Paranormal e a série Sobrenatural, estão cada vez mais comuns, e essa fórmula também é adotada pela produção polonesa ‘A Saída’, da Netflix. A obra possui seis episódios, rapidamente maratonáveis, e com ingredientes para fisgado e ainda mais curioso com o andamento da história.

Acompanhamos a jovem Julia, 17 anos, vítima de um acidente automobilístico que vitimou toda a sua família. Ela não se lembra de nada e é internada na clínica Segunda Chance, que trata de pacientes com quadros graves de amnésia e esquizofrenia paranóica. Lá, ela conhece Adam, que acaba por se tornar seu guia, mostrando toda a clínica e conhecendo outros pacientes com diagnóstico semelhante. Mas posteriormente ela se dá conta que a instituição não é o que aparenta ser, questiona seus métodos de tratamento e enfrenta grandes perigos enquanto busca descobrir tudo sobre sua origem e o que está acontecendo no mundo exterior.

A personalidade forte da protagonista e sua capacidade de senso crítico chamam muito a atenção, tendo em vista que os demais pacientes nada questionam e aceitam tudo passivamente na clínica. O roteiro prima por mostrar eventos encadeados e em ritmo lento para segurar o público ao máximo antes do clímax, o que acaba funcionando. Quem acompanha a narrativa fica confuso, pois não sabe se o que está na tela é real ou um produto da imaginação dos personagens. Julia, a paciente novata, é bastante refém de alucinações e de constantes aparições de uma garota ruiva, que pode ser algum parente ou então seu alter ego.

 Os personagens secundários seguram bem a trama, além de Adam, a paciente Magda, de quadro clínico mais grave, conduz Julia para um lado que a personagem-central jamais imaginaria, descobrindo segredos sombrios sobre a instituição psiquiátrica e quem a dirige, Zofia, uma mulher aparentemente prestativa e atenciosa, mas muito ambiciosa. A história dá um grande salto após Julia e seus amigos fazerem uma grande descoberta sobre o funcionamento da clínica Segunda Chance, e a partir daí passamos a descobrir a verdadeira identidade de Julia e por qual motivo ela e os demais pacientes são mantidos na instituição psiquiátrica e o porquê de métodos tão duros e ortodoxos. A conclusão não poderia deixar de ser chocante, com gancho para uma possível continuação.

Quem curte séries que buscam investigações, desvendar segredos e grandes saltos na narrativa, ‘A Saída’ tem muito a oferecer. Uma maratona viciante e instigante para fãs de suspense.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Control Z-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Control Z-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Fenômeno de audiência e vista em 64 países, a série ‘Control Z’, da Netflix, veio com uma narrativa impactante e envolvente, sobre os segredos mais obscuros que as pessoas podem guardar e as consequências quando caem em mãos erradas e levadas à tona. A produção mexicana nos revelou quem era o grande hacker por trás das mensagens ameaçadoras e responsável por surpreendentes revelações. Agora, a continuação desta história toma proporções ainda mais perigosas.

A sequência começa com a recuperação de Javi no hospital após uma séria briga durante uma festa ocorrida no fim da primeira temporada, com Sofia lhe dando apoio. A procura por Gerry, um dos alunos do Colégio Nacional, responsável por um grave incidente que envolveu o garoto Luis, se torna implacável. Raul, que se revela o hacker da primeira temporada, é seriamente ameaçado e precisa de grandes estratégias para não ser pego por seus colegas, e resolve desaparecer da escola por uns dias. E para completar, surge um novo hacker, que promete vingança após o que aconteceu com o jovem Luis. O pânico começa a tomar conta de todos os estudantes, pois todos são suspeitos e uma tentativa de conter os avanços do hacker poderia ser fatal.

Se o foco inicial estava na descoberta dos segredos dos estudantes do Colégio Nacional, agora a atenção está voltada para a vingança do hacker, com situações insanas e os perigos que vivem os envolvidos. As situações com as quais o espectador se depara são similares aos desenhos feitos por Luis, tudo para mexer com a cabeça dos personagens e do público, que já ficavam tensos com os problemas pessoais já retratados na primeira sequência, como sexualidade, drogas e aborto. Manter a atenção do público é um desafio, mas é um objetivo bem cumprido, levando-se em consideração a criatividade dos roteiristas, a atuação do elenco e a imprevisibilidade, com a atenção aguçada para se saber quem poderia ser a próxima vítima.

Além de novos contornos, a história ilustra exploração de personagens secundários e pouco falados antes, como Maria, Natália e Dario. Suas histórias revelam situações altamente de risco e os planos do vingador, como é denominado o hacker nesta segunda temporada, são ainda mais perigosos em relação a esses personagens. Sofia, a protagonista, está entre muitas idas e vindas com problemas que possui com Javi, além de acontecimentos que abalam sua família, mas consegue aparar as arestas e voltar para um desfecho com estilo nessa sequência.

A segunda temporada, apesar de ter resoluções muito simples de conflitos, termina com um bom gancho para uma possível leva de novos episódios e novas experiências insanas para os espectadores. Vale a pena aguardar.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Biohackers-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Biohackers-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Em âmbito científico e corporativo, muitos cientistas já se demonstraram capazes de procedimentos imorais e antiéticos em busca de dinheiro, poder e prestígio. Mas até onde estão dispostos a arriscar para alcançar seus objetivos? Na primeira temporada, a série alemã ‘Biohackers’, exibida no serviço de streaming Netflix, abordou o projeto Homo Deus, desenvolvido pela professora Lorenz, que usava seres humanos como cobaias e explorava por completo o DNA humano. Emma Engels, ou Mia, como ficou conhecida na produção, buscou vingar o irmão, vítima do projeto e desmascarar todos que estavam por trás do Homo Deus. Agora temos os desdobramentos e consequências das escolhas de Mia nesta segunda temporada, com seis episódios.

Na sequência da obra, nos deparamos com Mia bastante desorientada, com fortes dores de cabeça, nariz sangrando, alguns flashes em sua mente, além da perda considerável de memória. Ela não se lembra do que aconteceu nos últimos três meses e ao visitar o namorado Niklas, ela encontra a casa vazia, mas vê seu colega Jasper ainda morando lá, e descobre que estão namorando. Sedenta por descobrir o que aconteceu com ela, Mia vai contar com a ajuda de seus colegas Cult, Jing Xiang e Chen-Lu, além da professora Lorenz, que suspeita que foi sabotada no projeto Homo Deus, e deseja voltar a trabalhar após ter sua reputação destruída.

Na medida que a história se expande, os arcos dos novos personagens ganham contornos sombrios e bem tensos, principalmente o de Andreas Winter, que parecia ser um aliado de Mia, mas que a acabou por sequestrá-la e encabeça um novo projeto, o Oblivion, que é bem mais complexo e perigoso que o Homo Deus. O lado obscuro da ciência é bem explorado ao longo da narrativa e visa envolver cada vez mais os espectadores, mostrando a eles que há muito mais por trás de procedimentos que envolvem dados complexos, cálculos e códigos.

Há uma perfeita sintonia com os eventos do presente e as memórias de Mia, que ajudam a explicar o que realmente aconteceu com ela. O uso dos flashbacks e da visão embaçada são fundamentais no desenvolvimento da história e as reviravoltas são surpreendentes, revelando um perigoso esquema, colocando até mesmo Jasper em perigo. E não para por aí, descobrimos quem é quem e se há mais alguém disposto a derrubar Mia. A posição da professora Lorenz é bem diferente do que demonstrou na primeira temporada, mas é bom ficar de olho nela, pois ainda tem segredos que não foram revelados acerca de seu passado e ela não passa confiança a cada cena em que aparece.

Clima de tensão e mistério, um clímax perturbador e um enredo que tem muito a mostrar e ensinar sobre a ciência e uma de suas áreas cada vez mais em expansão, o biohacking. Vale a conferida.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Last Kingdom-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Last Kingdom-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Contar histórias fascinantes com um misto de ficção e realidade não é para qualquer um. Já vimos obras como ‘Game of Thrones’ e ‘Vikings’, com efeitos CGI e muita magia, mas essa produção da Netflix é bem diferente. Inspirada em Crônicas Saxônicas, série de livros escrita por Bernard Cornwell, ‘The Last Kingdom’ aborda em sua primeira temporada os dois primeiros livros, ‘O Último Reino’ e ‘O Cavaleiro da Morte’, ilustrando a Inglaterra dividida em diversos reinos e dominada pelos vikings, no século IX, D.C. O protagonista da narrativa terá que fazer uma escolha difícil, lidar com as consequências e lutar pelo que é seu por direito.

Nos primeiros oito episódios, acompanhamos a trajetória de Uthred, filho do líder de Bebberburg, no norte da Nortúmbria, um dos reinos da Grã-Bretanha. Ele e o pai atestam a chegada de vikings nos arredores, e partem para o combate. O jovem testemunha a morte do pai e é levado como escravo, juntamente da amiga Brida, por ‘Ragnar, o Intrépido’. Apesar da condição de escravo, Uthred e Brida são criados como parte da família de Ragnar, e ambos acabam por absorver as crenças e hábitos dos vikings. Em um ato de vingança, Uthred perde sua família dinamarquesa e acaba por fugir para o reino de Wessex, ainda não dominado por vikings. Ele passa a usar técnicas e estratégias dinamarquesas que aprendeu para ajudar o rei Alfredo com o intuito de recuperar Bebberburg, tomada por seu tio traidor.

Chama a atenção os conflitos internos que vive Uthred, ele foi criado e vive como dinamarquês, mas quer voltar às origens. O protagonista é saxão de origem, mas renega o cristianismo, utiliza preceitos dos costumes vikings e jura amor ao seu povo, o que lhe recebeu de braços abertos. Já sua amiga Brida renega a origem saxã e se assume viking, o que provoca uma certa confusão mental em Uthred. O público fica confuso com o que ocorre com o personagem principal, mas essas disparidades que ele vive são apenas o início dessa frenética aventura, que vai envolver muita violência e momentos de tensão.

A série faz uma rica abordagem sobre como o reino britânico era organizado e os preceitos vigentes na época, além de um importante debate sobre dogmas religiosos e a identificação de uma pessoa com sua nação e o sentimento de pertencimento àquele território ou país. A fé cristã e a posição da igreja são bem-abordados, mostrando como esta reage quando alguém é diferente aos seus dogmas. A questão das batalhas e invasões não fazem parte apenas do universo do protagonista, mas também do contexto histórico da Grã-Bretanha.

As cores utilizadas são bem vivas nos embates, mas no reino de Wessex são na cor cinza, os personagens usam figurinos que lembram os guerreiros de Esparta. Não há grandes comemorações após vitórias nos confrontos, e o uso de CGI é bem escasso. Apesar da restrição orçamentária, alguns efeitos especiais poderiam ter sido utilizados para dar mais realismo aos confrontos, mas isso não prejudica o andamento da série, que traz grandes emoções e reviravoltas. O espectador fica com vontade de acompanhar cada minuto e movimento na tela e o deixa mais ansioso para a conclusão da primeira temporada.

Uma produção recheada de personagens consistentes, uma narrativa bem construída e ótima representação visual. Uma boa sugestão a quem aprecia séries de época e com um pouco de realidade.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota