Poltrona Séries: Alice in Borderland-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Alice in Borderland-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Produções estrangeiras têm tido grande destaque na Netflix, em diferentes gêneros. Seja em ação, terror ou suspense, o espectador experimenta diferentes coisas, e consequentemente, vive grandes sensações. E com produções japonesas não seria diferente, com cultura nipônica misturada com a ocidental, bem como a chegada de um mundo totalmente paralelo ao que se vive. ‘Alice in Borderland’ possui oito episódios em sua primeira temporada e tem muito a oferecer.

A obra é inspirada em um mangá de mesmo nome, adaptado livremente da versão de ‘Alice no País das Maravilhas’, de Lewis Carroll. A história traz três jovens bastante desmotivados, Arizu (Kento Yamazaki), Chota (Yûki Morinaga) e Karube (Keita Machida). Após alguns incidentes, eles acabam por se deparar com uma Tóquio completamente vazia. Ao explorarem a cidade deserta, os amigos são forçados a entrar em uma série de desafios que precisam ser completados, e, caso contrário, acabam por se tornarem mortais. Eles podem ter seus vistos renovados se sobreviverem e caso abandonem o jogo ou não consigam créditos suficientes, serão eliminados.

A estrutura narrativa é atraente, com jogos bem elaborados e que abusam do sadismo, nos fazendo lembrar de ‘Jogos Mortais’. A diferença é que na produção estadunidense, sabemos logo de início quem está por traz dos desafios e ouvimos mensagens perturbadoras e ameaçadoras do autor, já na obra japonesa nós não sabemos quem é o mestre dos jogos, e só passamos a conhecê-lo a partir do quinto episódio, em uma nova ambientação.

O universo vai se expandindo na medida em que os personagens vão se aventurando, e a violência utilizada não é gratuita, ela movimenta a trama. Os efeitos especiais empregados, com muito sangue jorrando e membros decepados, são no estilo anime, e as lutas bem coreografadas e com elementos de desenhos japoneses, com os oponentes conversando durante o combate e apresentando as armas que cada um possui de melhor. Vemos também novos personagens sendo apresentados com o auxílio de flashbacks, e o público não perde o interesse pela história após alguns serem executados.

Com potencial para um mundo ainda mais amplo e desafios ainda mais insanos nas próximas temporadas, ‘Alice in Borderland’ traz interessantes referências americanas da obra de Carroll, mas sem perder a essência nipônica. Uma grande novidade para quem curte ação e gosta de ver muito sangue na tela.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Cobra Kai-3ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Cobra Kai-3ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Aliar o saudosismo com inovação é um grande desafio dos diversos remakes que são lançados ultimamente. Mas uma produção que antes era do Youtube Red e agora é da Netflix vem cumprindo muito bem esse papel: ‘Cobra Kai’. Produção que segue os acontecimentos de ‘Karatê Kid’, grande clássico dos anos 80, os atores dessa franquia foram trazidos de volta para reprisar seus papéis trinta anos depois, juntamente com uma nova geração, para trazer assuntos atuais como vida marginalizada e bullying. Uma fórmula de sucesso?

Se nas temporadas anteriores tínhamos como foco a rivalidade entre os senseis Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka) e os alunos dos dojôs Miyagi-Do e Cobra Kai, agora vemos o insano John Kreese (Martin Kove), ex-capitão do Exército, que esteve na Guerra do Vietnã. Agora é ele quem está àfrente de Cobra Kai, deixado por Lawrence após uma briga entre alunos dos dois dojôs, que levou o jovem Miguel Diaz a um coma e quase à morte. Kresse ensina karatê a seus alunos do seu jeito, com os ideais de bater ou morrer e de falta de compaixão para com seu oponente. Sem dúvida, isso provocará um grande rebuliço e grandes encrencas nos dez episódios dessa nova sequência.

O roteiro tem uma grande sacada e sabe aliar a nostalgia com o presente, além do timing certo para abordar assuntos sérios e trazer algumas piadas. Além disso, vemos a importância das artes marciais no cotidiano e a defesa pessoal, sem haver um veredicto final. Cada personagem tem seu espaço para brilhar, como os adolescentes dos respectivos dojôs, além dos adultos. Destaque maior para Lawrence, ainda preso ao passado e que busca amadurecer com suas falhas e crescer junto aos seus alunos, bem como tentar acertar as contas com o filho Rob e participar da recuperação de Miguel.

As coreografias são bem ritmadas e os golpes apresentados pelos praticantes de karatê são convincentes, quem acompanha se sente nos antigos filmes de Karatê Kid, sem muito tempo para respirar, com alta adrenalina e com desfechos imprevisíveis, com combates nos quais o mais fraco pode vencer o mais forte e vice-versa. Os arcos dramáticos são bem interessantes e a trama fica mais dinâmica, apesar de alguns elementos clichês de dramas e romances adolescentes. Cada personagem possui um desenvolvimento e ninguém fica de fora, não há pontas soltas e tudo é bem amarrado, até o grand finale da temporada, que abre possibilidades para uma nova sequência.

E não poderíamos deixar de destacar Daniel LaRusso, ou Daniel-Sam, carinhosamente conhecido. O pupilo do senhor Miyagi se mostra fora de rumo e busca o caminho certo para sua vida pessoal e profissional e justamente na Ilha de Okinawa ele consegue se reencontrar. Em sua passagem pelo Japão, ele também revê pessoas que foram importantes e marcantes em seu passado para achar possíveis respostas e sem esquecer de suas antigas glórias. Ele faz uma autoanálise para ver como está no presente e buscar um futuro melhor para si. Somos brindados com cenas de encher os olhos de Karatê Kid, além de relembrarmos importantes valores ensinados pelo senhor Miyagi, não só para a luta, mas também para a vida de Daniel.

Além do saudosismo e de um belo jogo entre cenas do passado e do presente, ‘Cobra Kai’ é uma aula para quem busca não só bem-estar, mas ser um cidadão de bem. A prática de esportes é importante para a saúde física e mental, e os efeitos físicos e psicológicos que trazem para os praticantes são benéficos. O esporte não é só um lazer, mas um importante fator social para uma comunidade. Vale acompanhar essa terceira temporada, a mais vibrante até o presente momento.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Bridgerton-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Bridgerton-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Romances sempre mexem com o imaginário e os corações dos espectadores, por suas histórias inspiradoras, com personagens em busca do par perfeito e o ideal de casamento ser por amor. Momentos ardentes, intrigas, fofocas e traições também regam histórias do gênero, e o que dizer se tudo isso ocorrer no século XIX, na bucólica e encantadora Londres? Inspirado na obra de Julia Quinn, ‘Bridgerton’ ilustra uma sociedade inglesa no período regencial, em 1813, com foco no duque de Hastings (Regé-Jean Page) e da família Bridgerton, uma das mais influentes da elite londrina.

Acompanhamos Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor), filha mais velha dos Bridgerton que debuta na mais alta sociedade com a esperança de se casar e encontrar o verdadeiro amor. Ela atrai a atenção de todos os homens e é apontada como o diamante raro da temporada, mas nem tudo são flores. As fofocas correm soltas, sendo publicadas em um jornal com artigos assinados por Lady Whistledown, deixando as pessoas da corte londrina abismadas. Ela traça um plano junto do duqye de Hastings, que consiste em fazer todos acreditarem que ambos estão apaixonados, e isso consequentemente aumentaria o prestígio de Daphne e faria o duque ficar distante dos olhares de outras moças ansiosas por um casamento.

A série começa num clima bem morno, com uma senhorita Bridgerton bastante na defensiva e o duque de Hastings como se não quisesse nada, mas a trama melhora quando corre uma fofoca de que ambos foram vistos no jardim durante um baile, e isso provoca enorme rebuliço, movimentando a família de Daphne, que fará tudo para proteger sua honra, com a iniciativa do irmão Anthony. E a narração de Lady Whistledown, feita por Julie Andrews, vai provocar enorme frenesi nos personagens e nos espectadores, pois os artigos revelam muitas intimidades dos londrinos, o que acaba por incomodar muitos, inclusive a rainha Charlotte.

A narrativa é bem construída, o foco pode estar no casal Hastings e Bridgerton, os arcos dos personagens são bem traçados, como de Anthony, irmão mais velho de Daphne, que passamos a compreender as dificuldades que ele tem de se apaixonar, além do duque de Hastings, que compreendemos sua resistência primeiramente em se casar e posteriormente de ter filhos. Personagens secundários como a rainha Charlotte e Eloise, uma das irmãs de Daphne Bridgerton, serão forças-motirzes para o desenvolvimento da história. A primeira que vai promover com todas as forças uma investigação sobre a descoberta da identidade de Lady Whistledown para depois silenciá-la, e a segunda, atuante e que provocará debates sobre o papel da mulher no século XIX.

Não poderia deixar de destacar a fotografia e figurinos, que retrataram muito bem o charme e o glamour de uma Inglaterra de dois séculos antes, além dos ambientes inspiradores, alegres e cheios de ornamentos. Quem acompanha se sente no período regencial inglês e se empolga com os grupos sociais em volta, acompanhada de uma fotografia pastel. E podemos notar a atmosfera pesada e triste dos grupos menos favorecidos no tom cinza.

Com uma história cheia de percalços, em meio a um ambiente bucólico, ‘Bridgerton’ ao fim dos oito primeiros episódios apresenta lacunas a serem preenchidas nas próximas temporadas, além de personagens ainda a serem explorados e com pouca exposição. Vale assistir.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Silêncio na Floresta-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Silêncio na Floresta-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

 

Que tal uma série inspirada em um best-seller, com uma história bem amarrada e  poucos episódios para você consumir e cheia de mistérios? ‘Silêncio na Floresta’ é uma produção polonesa da Netflix baseada na obra ‘The Woods’, de Harlan Coben, um thriller de suspense que promete envolver o espectador e fazê-lo acompanhar a história até o fim.

A narrativa acompanha a trajetória do promotor público Pawel Kopínski, que tem sofrido pela perda da irmã nos últimos 25 anos. Justamente após esse período, com a descoberta de uma pessoa que sumiu junto da irmã Kamila em um acampamento de verão, novos indícios surgem e dão esperança a Pawel de que Kamila pode ainda estar viva, mas aos poucos segredos tenebrosos de sua família são revelados.

O roteiro apresenta dois fatos interessantes, um é o mistério sobre o desaparecimento de Kamila e mais um jovem no acampamento, o outro sobre problemas internos que o protagonista tentou enterrar no passado, mas que acabaram por encontrá-lo no presente. E alguns desses demônios que Pawel enfrenta também o pressionam em sua carreira profissional, e terá que tomar decisões difíceis, pondo em risco sua trajetória como promotor de Varsóvia.

Há duas linhas temporais que são acompanhadas em todos os seis episódios: agosto de 1994, época do acampamento de verão no qual Kamila e o amigo Arthur sumiram e dois outro adolescentes foram brutalmente assassinados, Monika e Daniel, e 2019, que mostra Pawel e todos os envolvidos com a tragédia. A cada episódio, um segredo novo é desvendado, os nós são aos poucos desatados e o que aconteceu na noite do crime fica ainda mais claro. A participação dos pais dos jovens envolvidos e da antiga paixão de Pawel, Laura, possuem participações decisivas e fazem o protagonista se aproximar da verdade e saber se a irmã de fato sobreviveu ou não ao incidente.

A fotografia com cores frias e algumas cenas com tons em vermelho aguçam a vontade do espectador em seguir com a história e buscar pistas para saber quem matou os dois adolescentes e o que houve com os outros dois. Ninguém está ileso, todos são suspeitos, até mesmo Pawel, que era um dos instrutores no acampamento.

Apesar do final morno, ‘Silêncio na Floresta’ brinda o espectador com uma narrativa impactante, uma investigação meticulosa e eficiente e personagens com arcos bem construídos e importantes para a solução do mistério, e sem esquecer de Pawel, o personagem central, que atinge seu ápice ao encontrar uma pista valiosa no lago onde ocorreu o crime. Uma história alucinante e que vale a maratona.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Um Natal Nada Normal/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Um Natal Nada Normal/ Cesar Augusto Mota

O Natal representa noite de paz, amor e redenção, com as desavenças sendo deixadas de lado. E o que dizer de uma família que possui problemas como todas as outras, mas tudo dá errado na realização da celebração? A produção alemã “Um Natal Nada Normal”, da Netflix, apresenta um enredo instigante e nos mostra o qual fraternos e solidários podemos ser com os outros, não só no dia de Natal. A minissérie possui três episódios, de cerca de 40 minutos, de rápido consumo, e com um bom elenco.

Basti é um músico que mora em Berlim e tenta trilhar o caminho do sucesso, mas as coisas estão difíceis para ele. Durante as férias, ele vai para a cidade de Eifel passar o Natal com a família, mas não é só ela que o aguarda, como alguns problemas, principalmente no que tange ao irmão mais novo Niklas, que agora tem um relacionamento com sua ex, Fine. De quebra, Basti vê que a avó Hilde mora em um asilo e que seus pais Brigitte e Walter vivem brigando. O jovem vai passar por maus bocados e terá que desatar alguns nós para poder ver a família unida novamente e tentar passar um Natal feliz.

Apesar do enredo simples e já explorado à exaustão, como questões familiares e desavenças entre irmãos, notamos um certo cuidado no trato desses temas com o Natal como pano de fundo. O protagonista passa por conflitos internos até se encontrar, mas ao perceber seus erros, sente enormes estragos ao seu redor, provocados por seu comportamento infantil, afoito e inseguro. Isso movimenta a trama até o fim, e sentimos um certo alívio quando ele resolve tudo na base da criatividade e com a ajuda de suas maiores paixões, a música.

Mesmo que sejam poucos os episódios e a resolução dos conflitos seja simples, a minissérie tem o trunfo de abordagem enxuta e com personagens carismáticos em meio a questões triviais do cotidiano. O jeito descolado da avó de Basti deixa a narrativa mais divertida, e a chegada de Karina, a primeira namorada de Niklas, vai mexer com todas as peças do tabuleiro. E o que parecia estar perdido muda com uma grande surpresa.

Questões como amizade e cumplicidade dão o tom, e há importantes mensagens sobre a família e as principais consequências de segredos serem há muito tempo guardados. Os desdobramentos encerram a narrativa com chave de ouro, e notamos o quão importante é a família, devendo todos nós aproveitarmos os momentos juntos, o máximo de tempo possível.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota