CINEASTA E ATRIZ ESTREIA DUAS PRODUÇÕES INDEPENDENTES NOS EUA
Memorarium estreia no Chelsea Film Festival, em Nova York, e Sweet Suite California chega ao LABRIFF, em Los Angeles

Obras independentes formam uma sequência artística sobre o impacto das novas tecnologias no comportamento humano — e colocam a cineasta e atriz brasileira em dois importantes circuitos de cinema dos Estados Unidos
A cineasta e atriz Marta de Oliveira Torres vive um momento singular em 2026: dois filmes independentes, com estreias em dois dos mais importantes festivais de cinema dos Estados Unidos, em cidades e meses seguintes: em outubro, ela retorna a Nova York como protagonista de Memorarium, curta-metragem carioca dirigido por João Castro, que estreia no Chelsea Film Festival concorrendo, entre outras categorias, aos prêmios de Melhor Cinematografia e Melhor Atriz. Em novembro, desembarca em Los Angeles para a estreia mundial de Sweet Suite California, curta que escreveu, dirigiu, produziu e protagoniza, no LABRIFF — o Los Angeles Brazilian Film Festival.
Mais do que duas estreias simultâneas, os filmes formam uma sequência artística que convida à reflexão do impacto das novas tecnologias no comportamento humano, nas memórias e nas identidades.
NOVA YORK: Memorarium e a memória mediada pela tecnologia
Em Memorarium, Marta interpreta Roberta, uma mulher à beira do suicídio que recorre a um serviço misterioso de acesso às memórias do passado. Ao lado do ator Marcus Liberato, ela dá vida a uma personagem que condensa sentimentos atuais e comuns de uma humanidade desesperançosa e, ao mesmo tempo, impactada tanto pelas facilidades quanto pela destruição causada pelas novas tecnologias. A obra usa a metáfora da mediação tecnológica para investigar como lembranças e identidades podem ser reorganizadas e reativadas.
A relação de Marta com Nova York e com o Chelsea Film Festival já tem história. Esta é a quarta vez que ela desembarca na cidade para exibir seus filmes: em duas ocasiões com o curta A Missão Encantada, premiado como melhor filme experimental em sua estreia nos Estados Unidos e posteriormente reconhecido pelo governo chinês como o terceiro melhor filme para promoção da ciência. Em 2024, Virtualidade — curta que produziu, dirigiu e protagonizou — também estreou no Chelsea Film Festival, exibido em uma das melhores salas de cinema do mundo, consolidando o evento como palco de suas realizações artísticas.
A conexão de Marta com Nova York já rendeu curiosidades em 2026: uma foto sua em uma brincadeira carnavalesca foi estampada pelo The New York Times e pelo The Economist para ilustrar reportagens sobre o momento efervescente do cinema brasileiro — quase um prenúncio de sua presença no cinema estadunidense. O Chelsea Film Festival é considerado um dos 10 maiores da América do Norte pela USA Today, enquanto o NYT o aponta como um dos melhores do país para revelar novos talentos.
“Já tinha realizado o sonho de ver meu filme naquele cinema magnânimo; o retorno é uma alegria ainda maior porque já sei o quanto o Chelsea Film Festival é incrível e sinto minha arte acolhida em Nova York!”, revela Marta. “Virtualidade foi escrito no início das relações humanas mediadas por aplicativos, o que causou em mim uma angústia por duvidar do mundo virtual. Memorarium nos convida a refletir sobre como as memórias estão sendo reordenadas pelas novas tecnologias. É um tema urgente.”
LOS ANGELES: Sweet Suite California e o sonho americano em versão surreal
Poucas semanas depois, Marta cruza o país para a estreia mundial de Sweet Suite California (Doce Suite California), curta-metragem independente rodado em Hollywood que chega ao LABRIFF — importante festival brasileiro em Los Angeles — disposto a abrir caminho pelo mundo.
No filme, Marta interpreta Courtney, uma influenciadora de redes sociais estrangeira que chega à Califórnia carregando uma mala cheia de
Ilusões hollywoodianas. Na cidade de suas fantasias mais doces, depara-se com uma realidade bem diferente. A jornada de Courtney conduz o espectador por temas globais urgentes: vício virtual, saúde mental, exploração digital, imigração.
Sweet Suite California é uma produção de baixo orçamento, mas de alcance genuinamente global. Rodado inteiramente em Los Angeles com elenco internacional — reunindo atores do Brasil, Rússia, Estados Unidos, Turquia, El Salvador, Honduras e República Dominicana —, o curta mantém suas raízes brasileiras na protagonista, diretora, roteirista e produtora, além da pós-produção realizada no Brasil pelo editor carioca Daniel Garcia (colaborador de Rui Guerra e Cacá Diegues em diversos filmes premiados) e do pernambucano Lindemberg Oliveira na trilha sonora. A combinação entre tema universal, elenco multicultural e olhar de uma cineasta brasileira sobre o solo estadunidense faz do filme uma obra que transita entre fronteiras, tanto narrativas quanto geográficas.
UMA SEQUÊNCIA ARTÍSTICA SOBRE TECNOLOGIA E COMPORTAMENTO HUMANO
Vistos em conjunto, Memorarium e Sweet Suite California compõem uma sequência independente e complementar sobre como as novas tecnologias estão remodelando a experiência humana. Se Virtualidade (2024) questionava o que é real no mundo virtual e o que é ilusão na realidade, Memorarium aprofunda a reflexão ao investigar como as memórias — matéria-prima da identidade — podem ser mediadas, reorganizadas e reativadas por serviços tecnológicos. Sweet Suite California, por sua vez, leva essa investigação para o território da imagem pública e da autoexposição: a influenciadora digital que transforma a própria vida em conteúdo e descobre, na pele, uma realidade diversa por trás da fantasia.
Para Marta, as duas estreias representam um convite para que o público reflita sobre como podemos, juntos, reagir aos desafios trazidos por esse novo mundo tecnológico. “A estreia no LABRIFF em Los Angeles é ponto de partida ideal, por ser um dos mais importantes festivais brasileiros fora do Brasil e se revela comprometido com narrativas que ultrapassam o entretenimento e convidam também à reflexão”, afirma a cineasta.
SERVIÇO
Memorarium — Estreia mundial no Chelsea Film Festival (Nova York)
Direção: João Castro
11 min | Drama | Brasil | 2026
Exibição: PROGRAM #14 — THE SYSTEM
Regal Battery Park | Sábado, 17 de outubro | 16h30
Elenco: Marta Torres, Marcus Liberato
Sinopse: Em um prédio abandonado, uma mulher suicida recorre a um serviço que promete acesso a memórias do passado. Como metáfora das novas tecnologias, Memorarium investiga como lembranças e identidades podem ser mediadas e reativadas.
Prêmio do Público — Chelsea Film Festival:
Votação de 14 a 18 de outubro (encerramento em 18/10, às 12h ET).
1. Adquira um passe pelo link oficial.
2. Assista ao filme: https://chelseafilm.org/memorarium/
3. A opção de avaliação aparecerá ao final do filme.
4. Atribua uma nota de 1 a 5 estrelas.
Votação aberta de 14 de outubro (8h ET) a 18 de outubro (12h ET).
#CFFNY2026
@martadeoliveiratorres @chelseafilmfestival
Sweet Suite California — Estreia mundial no LABRIFF (Los Angeles Brazilian Film Festival)
Direção, roteiro, produção e direção: Marta de Oliveira Torres
Elenco: Marta Torres, Colby Kennedy, Areg Barsegian, Johanny Paulino, Oceana Christopher, Billy Minogue, Anastasiya Varanko, Roberto Gavarrete
Pós-produção: Brasil — edição de Daniel Garcia e trilha sonora de Lindemberg Oliveira
Gênero: ficção . Horror surrealista
Duração: 19 min
Estreia: Novembro de 2026
