Pequenas Tragédias é aclamado no Festival de Brasília

Pequenas Tragédias é aclamado no Festival de Brasília

‘PEQUENAS TRAGÉDIAS’, DE DANIEL NOLASCO, É ACLAMADO NO FESTIVAL DE BRASÍLIA

Novo longa do cineasta goiano retorna a Catalão para investigar as relações entre cidade, pertencimento e experiência queer

Equipe do filme PEQUENAS TRAGÉDIAS na apresentação de estreia do Festival de Brasília.

Novo longa-metragem de Daniel Nolasco, PEQUENAS TRAGÉDIAS teve sua première neste domingo, dia 13, na Competição Nacional no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Ambientado em Catalão, no interior de Goiás, cidade natal do diretor e cenário recorrente de sua filmografia, o filme parte de memórias pessoais para construir um retrato fragmentado, afetivo e crítico da cidade e das experiências queer que a atravessam.

“Esse filme não é sobre mim. É sobre uma cidade. ‘Pequenas Tragédias’ nasce como um documentário. Um registro sobre minha geração, meus amigos, que deixaram Catalão para viver em Brasília, no Rio ou São Paulo. Essa ideia me veio quando eu regressei à minha cidade para fazer ‘Vento Seco’. Perguntei por amigos e colegas de escola. Entre os poucos que permaneceram em Catalão, soube que um deles morrera em condições trágicas. Por suicídio (ou teria sido assassinado por um namorado). Entendi, então, que para falar de nossas vivências LGBT, das festas, da Parada Gay, do Social Bar, eu teria que fabular. Por isso, o filme tem camadas ficcionais. Ao mesmo tempo, tomei muito cuidado ao abordar a violência. Eu não queria reproduzir a brutalidade que recai sobre os corpos LGBT. Não queria que um homofóbico, ao assistir ao filme, tivesse uma catarse. Queria, isto sim, incomodá-lo. Daí o cuidado que tomei ao contar a história de Samuel. Não queria reproduzir preconceitos”, conta Daniel Nolasco.

Foto: divulgação – Crédito: Felipe Quintelas

A recepção da obra no Festival foi calorosa, com longos aplausos após a exibição. O crítico Luiz Zanin, do jornal Estadão, destaca a força do filme: “O uso de simetrias, um domínio geométrico das imagens, a narrativa em off, irônica (que lembra a de Barry Lyndon, de Kubrick) expressam um cinema de grande precisão, em que cada sequência parece medida e pensada antes de ser filmada. Trata-se de um objeto cinematográfico de grande equilíbrio”.

Luiz Joaquim, do Blog Cinema Por Escrito, também elogia o diretor: “Nolasco dá mais um passo para fincar seu nome como um dos mais afiados de sua geração e, agora, administrando humor com uma notável destreza sobre seu discurso cinematográfico; e, ainda, trazendo o seu público pela mão com elegância até o final de um azeitado recado”.

O crítico Bruno Carmelo, do Portal Meio Amargo, aponta a capacidade do filme de partir de uma realidade específica para alcançar questões universais: “o autor conquista um equilíbrio dificílimo para o cinema queer. Ele compõe uma obra repleta de nudez e desejo, apesar de leve, divertida, quase familiar, no sentido de lidar com temas e valores universais de amizade, carinho, afeto, pesar, empatia. Aborda uma realidade bastante segmentada (a vida LGBT de Catalão) de maneira ampla e acessível, pois repleta de falhas, desejos não concretizados, lembranças deturpadas, memórias fragmentadas”.

Na Revista de Cinema, Maria do Rosário destaca a inventividade, a mistura de documentário e ficção, o humor e a dimensão queer da obra: “impressionou por sua inventividade, humor corrosivo e pegada documental impregnada por envolvente ficção fabular. E com trilha sonora que une canções que vão de Ney Matogrosso (“Homem de Neanderthal”) a hits do agronejo. Sem esquecer cenas homoeróticas, já que ‘Pequenas Tragédias’ é um vigoroso exemplar de narrativas queer”.

Antes de chegar ao Festival de Brasília, PEQUENAS TRAGÉDIAS participou, ainda em fase de finalização, do Conexão Brasil CineMundi 2026, realizado durante a Mostra de Cinema de Tiradentes, onde recebeu o Prêmio Málaga WIP.  Em março de 2026, o longa venceu também o principal Prêmio Málaga WIP Iberoamérica no evento espanhol.

Sinopse: Em 2011, Daniel se mudou da pequena cidade onde nasceu, no interior do Brasil, para o Rio de Janeiro. Foi fazer faculdade. Era o primeiro de um grupo de amigos queers que deixava a cidade. Dez anos depois, nenhuma das pessoas que formavam esse grupo mora mais lá. A cidade se chama Catalão, um lugar que todos dizem ser bom demais para viver.

Ficha Técnica
PEQUENAS TRAGÉDIAS
 (2026, 119’)
Direção: Daniel Nolasco
Roteiro: Daniel Nolasco
Produção: Cecília Brito e Daniel Nolasco
Produtora: Rensga Filmes
Coprodutoras: Bebop Filmes; Welt Film
Direção de fotografia: Felipe Quintelas
Montagem: Luciano Carneiro
Direção de arte: Roberta Brasil
Elenco: Guilherme Théo, Geovaldo Souza, Lucas Drummond, Aivan, Marcelo Camargo, Ronaldo Martins, Karvalio, Serge Bear, João Bennett, Cecília Brito, Dudu Soares, Álvaro Sobral, Del Neto, Felipe Oliveira e Helder Amorim.

SOBRE A DISTRIBUIDORA
A Embaúba Filmes é uma distribuidora especializada em cinema brasileiro, criada em 2018 e sediada em Belo Horizonte. Seu objetivo é contribuir para a maior circulação de filmes autorais brasileiros. Diferencia-se pela qualidade de seu catálogo, que já conta com mais de 50 títulos, investindo em obras de grande relevância cultural e política. A empresa também atua na exibição de filmes pela internet por meio da plataforma Embaúba Play, que reúne mais de 1.000 títulos entre curtas, médias e longas do cinema brasileiro contemporâneo.

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