Festival de Toronto 2018: Michael Moore revela que foi auditado pela receita uma semana após anunciar filme sobre Trump

Festival de Toronto 2018: Michael Moore revela que foi auditado pela receita uma semana após anunciar filme sobre Trump

Crédito: Entertainment Weekly

O polêmico documentarista Michael Moore chegou causando no Festival de Toronto 2018. Já na noite de abertura do evento, o cineasta apresentou seu mais novo trabalho: Fahrenheit 11/9. O filme foca sua atenção no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrando como ele chegou ao poder com a colaboração da mídia e de vários erros do partido democrata.

E Moore não pega nada leve com Trump, fazendo comparações com a chegada dos nazistas ao poder na Alemanha. O diretor chega ao ponto de dublar um discurso de Hitler com um áudio de Trump.

Mas se Moore volta sua atenção ao presidente, o governo americano também está de olho no cineasta. O diretor revelou que está sofrendo com uma auditoria por parte da receita federal dos Estados Unidos. “Uma semana após eu anunciar que estava fazendo este filme no programa do Stephen Colbert, a receita iniciou uma auditoria nas minhas contas”, revelou.

Em conversa com o público, Moore garantiu que está com as contas certas e que vai abrir os dados para todos assim que o processo acabar. Ele foi mais longe: “Na verdade, eu paguei impostos em excesso. Eles terão que me devolver com juros e correção monetária.”

Fahrenheit 9 de Novembro (tradução livre) ainda não tem data para chegar aos cinemas brasileiros.

Fonte: Terra

Marcha em Toronto pede mais oportunidades para cineastas mulheres

Marcha em Toronto pede mais oportunidades para cineastas mulheres

Centenas de mulheres, entre cineastas, atrizes e entusiastas, realizaram uma marcha que tomou a John Street, rua na qual ocorre alguns dos eventos do Festival de Toronto. A caminhada, que  se deu na manhã deste sábado (8), pedia igualdade de condições ao sexo feminino numa indústria marcada por seu machismo histórico.

“Por que estamos treinando as novas gerações a ter preconceito de gênero?”, questionou a atriz Geena Davis à multidão. À frente do instituto que leva seu nome, a protagonista de “Thelma & Louise” defende uma equiparação salarial entre os sexos.

Em 2018,  pouco mais de um terço dos filmes da programação do Festival de Toronto tem mulheres à frente da direção —superior à média dos eventos europeus.

Porém,  na indústria em geral, a proporção é bem inferior: somente 4% das 1.100 maiores bilheterias entre 2007 e 2017 tem diretoras, segundo levantamento da Universidade do Sul da Califórnia, em Annenberg.

O Festival de Toronto segue a todo vapor e vai até o próximo domingo, 16 de setembro.

Fonte: Folha de S. Paulo

Crédito da foto: Los Angeles Times

Por: Cesar Augusto Mota

‘Roma’, de Alfonso Cuarón, leva o Leão de Ouro no Festival de Veneza

‘Roma’, de Alfonso Cuarón, leva o Leão de Ouro no Festival de Veneza

O filme ‘Roma’, do cineasta mexicano Alfonso Cuarón, faturou neste sábado (08), o Leão de Ouro da 75.ª edição do Festival de Cinema de Veneza.  Cuarón sucede o conterrâneo Guillermo del Toro como vencedor do prêmio, obtido no ano passado com ‘A Forma da Água’, que posteriormente levou o Oscar de melhor filme.

Roma aborda um ano turbulento na vida de uma família de classe média na Cidade do México, na década de 1970. O filme é produzido pela Esperanto Filmoj e Participant Media, e estará disponível nos cinemas e na Netflix ainda em 2018.

Confira abaixo a lista completa dos vencedores do 75.º Festival de Cinema de Veneza:

Seção oficial

Leão de Ouro: Roma, de Alfonso Cuarón

Leão de Prata de melhor diretor: Jacques Audiard, por The Sisters Brothers

Grande Prêmio do Júri: The Favourite, de Yorgos Lanthimos

Prêmio Especial do Júri: The Nightingale, de Jennifer Kent

Copa Volpi de melhor atriz: Olivia Colman, por The Favourite

Copa Volpi de melhor ator: Willem Dafoe, por Ay Eternity’s Gate

Melhor roteiro: Ethan y Joel Coen, por The Ballad of Buster Scruggs

Prêmio Marcello Mastroianni de melhor intérprete revelação: Baykali Ganambarr, por The Nightingale

Seção Horizontes

Melhor filme: Kraben rahu, de Phuttiphong Aroonpheng

Melhor diretor: Emir Baigazin, por Ozen

Prêmio Especial do júri: Anons, de Mahmut Fazil Coskun

Melhor interpretação feminina: Natalya Kudryashowa, por The Man Who Surprised Everyone

Melhor interpretação masculina: Kais Nashif, por Tel Aviv on Fire

Melhor roteiro: Pema Tseden, por Jinpa

Melhor curta metragem: Kado, de Aditya Ahmad

Prêmio Luigi di Laurentiis de melhor estreia: The Day I Lost my Shadow, de Soudade Kaadan

Prêmio ao melhor filme de realidade virtual: Spheres, de Eliza McNitt

Prêmio de melhor experiência em realidade virtual: Buddy VR, de Chuck Chae

Prêmio de melhor história de realidade virtual: L’île des morts, de Benjamin Nuel

 

 

Crédito da foto: EFE

Fonte: Estadão

Por: Cesar Augusto Mota

Filme de época ‘Legítimo Rei’ abre Festival de Toronto

Filme de época ‘Legítimo Rei’ abre Festival de Toronto

A Netflix conquistou 190 países, mas não consegue conquistar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Apesar de todos os esforços e investimentos do serviço de streaming, ela ainda tem encontrado resistência, mesmo tendo faturado este ano a estatueta de melhor documentário,  por ‘Ícaro’.

Após ser barrada do Festival de Cannes, que cedeu à pressão de exibir somente filmes que passarão nas salas de exibição, o serviço de vídeo sob demanda foi recebido de braços abertos pelo Festival de Toronto, com a mostra canadense reservando à Netflix a sua sessão de abertura. “Legítimo Rei” (Outlaw King),  filme de época dirigido por David Mackenzie, abriu o evento em uma de suas salas mais nobres, o Princess of Wales.

A trama acompanha a trajetória de Robert The Bruce (Chris Pine), nobre escocês que no século 14 se insurgiu contra o domínio inglês e instaurou a independência do país.

Mackenzie (“A Qualquer Custo”) mostra que teve preocupação e zelo em recriar a Escócia da época, por onde o protagonista transita recrutando soldados sob o mote de que é “o rei do povo, e não o da terra”.

A Netflix marca presença em Toronto com outros sete títulos. Além do filme de época “Legítimo Rei”, ela aposta em documentários (“Quincy”), dramas intimistas (“The Land of Steady Habits”), longas em língua estrangeira (“Roma”) e em histórias ancoradas na interpretação, como é o caso de “The Kindergarten Teacher”.

 O Festival de Cinema de Toronto ocorre até o próximo dia 16 de setembro.

A  chegada de ‘Legítimo Rei’ à Netflix Brasil está prevista para o dia o 9 de novembro.

Crédito da foto: David Eustace/Netflix

Fonte: Folha de S. Paulo

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Camocim/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Camocim/ Cesar Augusto Mota

Um filme que é o retrato da sociedade brasileira, na qual os cidadãos só se interessam por política e apenas se mobilizam em tempos de eleição. Assim é ‘Camocim’, novo longa de  Quentin Delaroche, que ilustra a disputa por poder em um município pernambucano, com o local dividido entre eleitores adeptos do azul e outros do vermelho, cenário semelhante visto nas últimas eleições gerais no país.

A narrativa se passa em Camocim de São Félix, interior de Pernambuco, no período de eleições municipais. A jovem Mayara Gomes, 23 anos, está bastante motivada e muito engajada na campanha do amigo Cesar Lucena, que tenta se eleger vereador do município. A campanha está bastante parada, em comparação com a disputa pela prefeitura, mas ela se mostra bem apegada ao objetivo de ajudar Cesar e firme em seus ideais, mesmo que esteja sozinha em alguns momentos da trama e não consiga convencer tantos eleitores de que a participação de cada um pode ser decisiva e que é necessário seriedade em tempos de mudança.

O roteiro não se limita apenas em mostrar a campanha eleitoral, mas também de mostrar os bastidores, a intimidade da protagonista, bem como fazer um panorama do comportamento da juventude atual, seus interesses, o quão estão antenados ou não com os problemas locais e do país, além de destacar a polarização do município, com comícios, micaretas, carros de som e alguns entreveros quando os grupos azul e vermelho se encontram, em um clima de quase uma guerra civil.

Tudo que é retratado parece ficção, mas um espelho do que é a política brasileira, com muitos humildes mobilizados com discursos populistas, cabos eleitorais e funcionários do Estado preocupados em manter seus empregos e pessoas esperançosas com um futuro melhor, caso de Mayara, embora o cenário atual, com os atuais governantes e a participação ativa (ou não) dos cidadãos no cotidiano de Camocim de São Félix não contribua para isso. Um filme necessário e apropriado para o momento atual em que vivemos, que serve de incentivo e alerta para a população, que um voto faz diferença, e o conhecimento acerca da realidade é crucial para presente e futuro de uma nação.

Não deixe de assistir ‘Camocim’, apesar do período curto de duração e do ritmo lento, quem acompanha se identifica com ele e vê congruência entre ficção e realidade. Um excelente exercício.

Cotação: 3/5 poltronas.