Maratona do Oscar: Poltrona Cabine: Vice/ Cesar Augusto Mota

Maratona do Oscar: Poltrona Cabine: Vice/ Cesar Augusto Mota

Como abordar a política de uma forma bem-humorada e fazê-la se tornar interessante para o público? E como falar de um ex- vice-presidente norte-americano, uma das figuras mais poderosas e também controversas da Terra do Tio Sam, sem ser piegas e que chame a atenção? Adam Mckay, que já dirigiu o bem-sucedido A Grande Aposta (2015), faz um filme autobiográfico de Dick Cheney (Christian Bale), vice-presidente no governo George Bush (2001-2009) e decifra alguns termos políticos que pareceriam complicados para o público, tornando a obra mais didática e compreensível para todos.

Logo de início é abordada a vida difícil e desregrada de Cheney em sua juventude, sendo expulso da faculdade de Yale por se envolver em embriaguez e constantes brigas com outros alunos. E caso não ouvisse os conselhos da esposa Lynne (Ammy Adams), ele não teria trilhado um caminho de sucesso na política, quando conheceu Donald Runsfeld (Steve Carell), um poderoso empresário e Secretário de Defesa no governo Gerald Ford. Essa foi sua porta de entrada para a política, com uma carreira bem-sucedida, antes de ser convidado por George Bush para ser seu vice-presidente. E a partir desse novo mandato, o filme explora de forma contundente sua popularidade (ou falta), além de sua f orte personalidade e escolhas questionáveis, principalmente no que concerne à ideia de família, com posição ultraconservadora, despertando a ira de democratas e republicanos.

Para não tornar o filme monótono e sem graça, com muitas abordagens ideológicas e que beirassem à doutrinação política, McKay opta por escolher interessantes transições entre passado e presente, com o uso de montagens com bonecos, maquetes e também com o auxilio da quebra da quarta parede de Cheney com o espectador, que faz piadas com algumas situações. E o que poderia ser um filme com roupagem de documentário e alfinetadas em famosas emissoras de televisão americanas por mostrar seu viés político, há muito mais, com um certo ar dramático durante momentos históricos do governo Bush e ocasiões de d escontração entre Cheney e imprensa, proferindo até expressões chulas ao justificar determinadas opiniões sobre diretrizes do governo.
Sem dúvida, o atrativo desse filme é Christian Bale, que passa por uma grande transformação física para dar vida a um político de tamanha relevância e influência nos Estados Unidos. Bale já havia demonstrado um grande trabalho em ‘A Grande Aposta’, outro grande filme de McKay, demonstrando certo equilíbrio em sua atuação, apresentando mais momentos sóbrios e de vibração em situações-chave em relação a outros, de maneira linear e sem emoção, o saldo é mais que positivo.

Outro destaque fica também com Amy Adams na pele de Lynne Cheney. Ela não faz mera figuração na história, representa uma importante engrenagem na vida política de Dick, sendo uma forte aliada em sua chegada à Casa Branca, além de tê-lo recuperado em sua vida pessoal. Adams a cada trabalho desempenhado se mostra mais dinâmica e multifacetada, apta a representar todo tipo de papel e nos gêneros mais diversificados. Menções positivas também para Sam Rockell, recente vencedor do Oscar, como George Bush, uma figura mais conhecida do público em comparação ao protagonista da história. Mesmo com poucas aparições, Rockell consegue com competência interpretar o chefe de Estado mais poderoso do planeta, além de ilustrar a forte influência do presidente nos rumos da nação e também um líder que dava as carta s na Casa Branca.

Um filme cheio de atrativos e de boas atuações, além de uma montagem eficiente e atrativa para o público, ‘Vice’ é mais uma produção credenciada à temporada de premiações. E não seria absurdo dizer que Christian Bale vem forte e tem grandes chances de levar uma estatueta para casa. E caso aconteça, será merecido, um papel complexo e cheio de transformações, físicas e psicológicas, e Bale o fez muito bem.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona do Oscar: The Post/Anna Barros

Maratona do Oscar: The Post/Anna Barros

Quem é jornalista ou estuda Jornalismo, tem que assistir The Post. O filme talvez não tenha o mesmo impacto que Spotlight, vencedor em 2016, mas é simplesmente fantástico e com a grife Spielberg.

O filme fala da descoberta de arquivos secretos do governo americano em que vários presidentes de Kennedy a Nixon sabiam que a Guerra do Vietnã estava perdida, era uma furada. E narra esses fatos a partir de um furo do New York Times que é barrado na justiça e provoca, ao serem adquiridas as prova da mesma fonte do Times, a necessidade ou não de provocação.

A dona do jornal e  editora-chefe é Katherine que vive o dilema de quebrar acordo com amigos que a apoiaram num momento difícil e ~soa ligados ao Governo e seu dever de jornalista. Meryl Streep está soberba e Tom Hanks como Ben também está fantástico. Faltou à Academia a sensibilidade de indicá-lo e também ao diretor, Steven Spielberg.

O filme tem como mote a liberdade de imprensa e dá um frisson ao serem retratados termos jornalísticos como lide e o ambiente da redação, tanto do NY Times como do Washington Post. Dá orgulho em ser jornalista ao ver esse filme.

Nixon no fim acaba proibindo qualquer informação ao Post mas mostra como cena final o início do escândalo do Watergate que provocaria o seu impeachment. Interessante é a maneira ácida e crítica como Spielberg relata um episódio tão significativo da imprensa, já que a Guerra do Vietnã é um calcanhar de Aquiles dos americanos.

Meryl é sensível, dura, apegada à família, frágil e forte ao levar adiante o projeto de jornal do pai que o passara ao seu marido. Com a morte dele, ela se vê obrigada a tocar adiante. Ao mesmo tempo, mostra sua livre circulação entre os meios do poder.E debate a questão de que jornalista deve dizer quem é a fonte e se deve ter amigos nos meios em que haja denúncia e jornalismo investigativo.

Hanks é contido, determinado, de personalidade forte, e antes de tudo: jornalista. Ele leva ao pé da letra esse ofício tão incompreendido às vezes. Não deve levar Melhor Filme mas coloca uma pulga atrás da orelha da Academia no quesito Melhor Atriz. Meryl tem uma concorrente de peso que é Frances McDormand em Três Anúncios para um Crime. Vamos jogar as fichas. Três Oscars são de pouca monta para Streep.

A cotação é de 4,5/5 poltronas.

Super indico! Esse filme deveria ser passado em todas as faculdades de Jornalismo.

 

 

Maratona Oscar: Dunkirk/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Dunkirk/ Cesar Augusto Mota

Com trabalhos memoráveis no cinema, como ‘Interestelar’, ‘A Origem’ e a trilogia ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas’, o diretor Christopher Nolan nos traz um filme de guerra bem diferente daqueles com os quais você já estava acostumado, que mostravam muita carnificina, sangue, líderes com status de herói e enorme carga dramática. ‘Dunkirk’, novo longa a ser lançado pela Warner Bros., é completamente diferente, visto por outro prisma.

A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial, com a Alemanha nazista avançando rumo à França e cercando as tropas aliadas nas praias de Dunquerque, a chamada Operação Dínamo. Após uma forte cobertura aérea e terrestre feita por tropas britânicas e francesas, os soldados de Dunquerque tentam lentamente evacuar o local, mas são fortemente bombardeados pelos implacáveis alemães. Nolan revisita um dos momentos mais críticos e trágicos da humanidade, e o aborda sob 3 diferentes óticas, céu, terra e mar, para ilustrar as graves consequências da guerra e o terror que ela traz.

Com ótimas tomadas aéreas e marítimas, além de uma trilha sonora emocionante de Hans Zimmer, o filme é uma grande experiência épica, com verdadeira sensação de imersão do espectador não experimentada em outros filmes do gênero, além da alta qualidade de som. A cada explosão e disparo das armas, uma nova agonia, sem tempo para respirar, e a cada cena na água e bombardeio no ar, um sentimento maior de desespero a cada movimento feito.

De forma visceral, ‘Dunkirk’ nos mostra a incessante luta dos soldados pela sobrevivência, com comportamentos realizados por instinto na maior parte das vezes, sem espaço para heroísmo, tampouco para julgamentos. Em boa parte do filme, é possível constatar que os personagens conseguem demonstram o melhor deles em momentos com maior carga dramática, além das visões como cada um enxerga a guerra, isso de acordo com 3 pessoas em destaque: o aviador (Tom Hardy), o civil que tem o dever de resgatar as tropas e o soldado que quer voltar para casa após escapar de cerco à Dunquerque.

Nota-se no longa a existência de poucos diálogos, mas isso ocorre de forma proposital, eles são inseridos nas cenas mais fortes e com palavras mais elaboradas, autênticas e encorajadoras, sem discursos prontos e que apelem para a emoção. O uso desse recurso, de poucas falas e encaixe em ocasiões mais agudas, contribuem para uma maior emoção e envolvimento do espectador, dando um novo significado ao que foi a Segunda Guerra, uma outra grande estratégia de Christopher Nolan.

Trata-se de um filme incrível feito por Nolan, que não precisou apelar para sangue e corpos mutilados e nem uma enorme gama de palavras para transmitir uma mensagem de paz e contra a guerra. Um filme grandioso e que certamente vai ter grandes índices de bilheteria, vale a pena!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota