Produzido por Lin-Manuel Miranda, o longa está sendo aclamado pela crítica ao redor do mundo e conta com 89% de aprovação no Rotten Tomatoes
Grande sucesso da literatura juvenil, “Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo” chega aos cinemas pelas mãos da cineasta e roteirista Aitch Alberto. OS SEGREDOS DO UNIVERSO é uma produção do ator, dramaturgo e músico Lin-Manuel Miranda (“A Pequena Sereia” e “Hamilton”) e tem sua estreia nacional confirmada para o dia 30 de novembro.No longa, os jovens Aristóteles Mendoza (Max Pelayo) e Dante Quintana (Reese Gonzales) são unidos pelo acaso e, embora sejam completamente diferentes um do outro, iniciam uma amizade especial, daquelas que duram uma vida inteira. Dante é tudo o que Aristóteles deseja ser: expressivo, inteligente e autoconfiante. Ele vira o seu mundo de cabeça para baixo, apresentando-o à música, poesia e lições sobre o céu, mostrando ao novo amigo que o universo é cheio de segredos. E que tudo fica muito mais fácil com alguém ao seu lado para desvendá-los com você.A diretora de OS SEGREDOS DO UNIVERSOconta que a leitura do romance, originalmente publicado em 2012, mudou radicalmente sua própria vida. “Eu era uma pessoa diferente, li do começo ao fim de uma vez, e isso me afetou profundamente. Na época, eu não entendia a jornada que faria, mas, às vezes, você simplesmente entra porque a vida está te convidando.” Assista ao Trailer
Há anos, ela investigava sobre questões de gênero, e o livro, os personagens e a necessidade de contar essa história fazem parte dessa jornada. “Ari tem sido um espelho e um guia para me ajudar a desvendar meus próprios equívocos e estereótipos internalizados em torno da masculinidade. Dante, com a sua ingenuidade e coragem – inspirou-me a abraçar e a tornar-me plenamente quem sou. Na verdade, ser honesta sobre quem sou e dar permissão aos jovens para fazerem o mesmo tornou-se a minha missão.”
O produtor Lin-Manuel conheceu o livro pouco depois de ser publicado, e foi convidado para ser o narrador da versão em audiolivro do romance. “Ao lê-lo pela primeira vez, apaixonei-me imediatamente por Ari e Dante à medida que a química deles saltava da página. Foi uma honra dar voz aos pensamentos e sentimentos de Ari e Dante enquanto eles se encontravam. Esta foi uma história que eu gostaria que meus amigos e eu tivéssemos lido enquanto crescia.”
Poucos anos depois, ele recebeu o roteiro adaptado por Aitch, e ficou impressionado com como ela foi capaz de captar a jornada de autodescoberta e desenvolvimento de Aristóteles. “Eu imediatamente quis ajudar este filme a ser feito. Quando ficou claro que Aitch iria dirigir também, fiquei muito animado com o que estava por vir. Aitch sempre teve uma visão incrível para este filme e uma profunda compaixão por esses personagens. Eu sabia que sua estreia na direção seria uma obra de arte linda, sincera e mágica”, conta o produtor.
O elenco conta ainda com Eugenio Derbez, que também assina como produtor, Eva Longoria, Veronica Falcón, Kevin Alejandro. OS SEGREDOS DO UNIVERSO será lançado no Brasil pela Imagem Filmes.
Sinopse: Em um verão inesquecível, os jovens Aristóteles e Dante são unidos pelo acaso e, embora sejam completamente diferentes um do outro, iniciam uma amizade especial, daquelas que duram uma vida inteira. Dante é tudo o que Aristóteles deseja ser: expressivo, inteligente e autoconfiante. Juntos, eles embarcam em uma emocionante jornada pela adolescência e começam a questionar todos os segredos do universo.
Elenco: Max Pelayo Reese Gonzales Eugenio Derbez Eva Longoria Veronica Falcón Kevin Alejandro
Ficha Técnica: Direção: Aitch Alberto Roteiro: Aitch Alberto Produção: Lin-Manuel Miranda, Valerie Stadler, Dylan Sellers, Chris Parker, Ben Odell, Eugenio Derbez Direção de Fotografia: Akis Konstantakopoulos Desenho de Produção: Denise Hudson Trilha Sonora: Isabella Summers Montagem: Stefanie Visser, Harry Yoon Gênero: drama, País: EUA Ano: 2022 Duração: 98 min.
As cidades, vibrantes em suas cores e arte, se tornam figuras centrais em PELE, documentário de Marcos Pimentel que chega com exclusividade aos cinemas nesta quinta-feira, 26 de outubro, com distribuição da Embaúba Filmes. As praças que receberão o filme são Aracaju, Balneário Camburiú, Belo Horizonte, Brasília, Córrego Fundo, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador. Em São Paulo, as exibições são previstas para acontecer a partir de 2 de novembro. A classificação indicativa é 12 anos.
A produção executiva é de Luana Melgaço e a produção é assinada pela Tempero Filmes. O longa fez sua estreia mundial no IDFA/Envision Competition, no qual foi premiado com a Menção Especial do Júri, e no Brasil, foi exibido na Mostra Competitiva do É Tudo Verdade. Na Rússia, recebeu o Grande Prêmio da Crítica no Festival Message to Man, em São Petersburgo, e já foi exibido também na França, Canadá, Itália, China, Nova Zelândia, Rússia, Indonésia, Áustria, Alemanha e Colômbia.
O cineasta conta que o filme nasceu do seu interesse pela experiência de se viver em cidades inchadas – cheias de pessoas, conflitos e contradições – que temos no Brasil e na América Latina e pela pulsão da arte urbana encontrada nelas. “Eu sempre gostei de caminhar pelas cidades prestando atenção no que está presente nos muros, paredes e estruturas de concreto. Incontáveis grafites, pichações, publicidades, letras, declarações de amor, palavras de ordem, hieróglifos, mensagens políticas, palavrões… É possível encontrar de tudo ali, numa caótica composição visual que diz muito do nosso tempo e dos lugares que habitamos.”
Morando em Belo Horizonte, ele explica que começou a perceber ali mesmo as interações espontâneas que as pessoas têm com a arte urbana. “Mesmo sem nos darmos conta, a todo momento nossos corpos estão dialogando com os conteúdos que ‘vestem’ os muros. Ali, nesta espécie de pele, os ‘habitantes dos muros’ interagem com os ‘habitantes das cidades’, produzindo leituras bastante interessantes que, infelizmente, nem sempre temos tempo de contemplar.”
O filme foi rodado em 2019, em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, e filmar nas ruas, para Pimentel, foi um desafio, mas também uma alegria. “A rua é um ambiente que me encanta justamente pela falta de controle quando se filma um documentário. Nunca é fácil, mas também poucos espaços são tão ricos e prazerosos para um documentarista como as ruas das cidades. Não tínhamos controle de nada e nunca nos propusemos a isso. Então, era um filme onde precisávamos esperar muito e filmar pouco. Eram horas esperando até que determinada situação acontecesse espontaneamente diante de algum grafite ou pichação.”
Como foi rodado sem captação de som direto, o som de PELE foi todo construído na pós-produção, por Vitor Coroa, que, além de reproduzir o som do que se vê na tela, trouxe também várias camadas e possibilidades de interpretação a partir do som de cada sequência. Assim, o documentário tenta reproduzir a experiência urbana e a urgência dos discursos presentes nas ruas do país também através do som, perseguindo uma atmosfera sonora que permite uma outra experiência de cidade.
Pimentel, que em sua filmografia tem longas como “Fé e Fúria” e “Os Ossos da Saudade”, conta que trata grafites, pichações e intervenções nos muros e paredes como gritos silenciosos emitidos pelos habitantes de algum lugar. “As narrativas urgentes das ruas estão sempre ali, estampadas nos muros, que são encarados como espaços onde os artistas e os moradores das cidades podem gritar para o mundo tudo o que pensam e também extravasar as muitas opressões a que são submetidos no cotidiano. Fica tudo depositado ali, até as pessoas e o tempo agirem sobre estes conteúdos, modificando-os uma vez mais.”
Ele aponta que essa arte tem muito a dizer sobre o tempo e o lugar onde vivemos. “No filme PELE, nós articulamos esses elementos e acabamos por narrar boa parte da história recente do país. Encontramos lá os Jogos Olímpicos do Rio, a Copa do Mundo de 2014, o Passe Livre e os protestos de junho de 2013, o golpe dado pelo Temer, a Lava Jato, a prisão do Lula, a Vaza Jato, o Lula Livre, o #elenão, os muitos escândalos do governo Bolsonaro, o Fora Bozo, o assassinato na Marielle, racismo, fascismo, misoginia, intolerância religiosa, muitos protestos que ganharam as ruas ao longo dos últimos anos… A história recente do país está narrada ali.”
Parceiro do montador Ivan Morales Jr há 20 anos, Pimentel conta que a montagem era o desafio de se valer do material filmado e o transformar numa narrativa sobre o Brasil contemporâneo. “PELEé um filme que não possui entrevistas, narrador, voz em off… O filme todo é construído somente pelo registro dos conteúdos dos muros, a observação entre a interação entre os corpos que habitam a cidade e os grafites e pichações e algumas sequências de intervenções artísticas pelo ambiente urbano. Portanto, a montagem foi essencial para articular estes elementos e fazer surgir um filme a partir deles.”
PELE é um filme que, claramente, dialoga com as outras obras de Pimentel, especialmente com “Polis”, “Urbe” e “Taba”, sem deixar de lado a observação mais contemplativa de seus filmes, como “Sopro”, “A Parte do Mundo Que Me Pertence” e “A Arquitetura do Corpo”.
“Acho que emPELEdei um passo a mais em relação a estes trabalhos anteriores, caminhando na direção de algo que venho perseguindo nos últimos tempos, que é conseguir equilibrar e alternar poesia e política ao longo da construção da obra. Ando bastante instigado por filmes que possuem camadas poéticas na construção de sua linguagem, mas que não se dissociam da construção política do discurso. É uma obra na qual política e poesia caminham de mãos dadas o tempo todo, fazendo com que o filme seja uma experiência sensorial pelas ruas das cidades e pelas artes e intervenções encontradas ao longo do caminho sem nunca perder de vista um discurso político bem marcado, que está entrelaçado na construção de praticamente todas as sequências do filme.”
Sinopse Documentário sobre a interação entre os habitantes das cidades e o que está expresso em seus muros e paredes. Grafites, pichações, símbolos indecifráveis, palavras de ordem, pensamentos políticos, hieróglifos, declarações de amor… Fragmentos de memória e gritos silenciosos que revelam os desejos, medos, fantasias e devaneios de quem habita os centros urbanos. As letras e desenhos interagindo com os diferentes corpos que transitam pelo espaço público. As narrativas urgentes das ruas que expressam as subjetividades dos mais variados discursos visuais que “vestem” as cidades brasileiras.
Ficha Técnica Direção: Marcos Pimentel Produção Executiva: Luana Melgaço Roteiro: Marcos Pimentel, Ivan Morales Jr. Fotografia: Giovanna Pezzo Som Direto: Giordano Lima Montagem: Ivan Morales Jr. Desenho de Som e Mixagem: Vitor Coroa Direção de Produção e Assistente de Direção: Vinícius Rezende Morais Produção de Set: Marcelo Lin Assistente de Produção: Evandro Laina Pesquisa: Vinícius Rezende Morais, Marcelo Lin, Milena Manfredini, Marcos Pimentel Empresa Produtora: Tempero Filmes Classificação Indicativa: 12 anos
Sobre Marcos Pimentel Documentarista formado pela Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños (EICTV – Cuba) e especializado em Cinema Documentário pela Filmakademie Baden-Württemberg, na Alemanha. Também é graduado, no Brasil, em Comunicação Social (UFJF) e Psicologia (CES-JF).
Diretor, roteirista e produtor independente, realizou filmes que ganharam 94 prêmios por festivais nacionais e internacionais e foram exibidos em mais de 700 festivais em todos os cantos do mundo.
Desde 2009, é professor titular do departamento de documentários da Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños (EICTV – Cuba), onde ministra aulas para alunos do curso regular, da maestria documental e dos talleres internacionales. Desde 2017, dá aulas no curso de cinema da Escola de Design de Altos de Chavón, na República Dominicana. Já deu cursos de narrativa e estética documental, roteiro e direção de documentário em distintas instituições no Brasil, Portugal, Holanda, Espanha, Cuba, Colômbia, México, República Dominicana, Cabo Verde e Angola, além de atuar como roteirista e consultor de dramaturgia e desenvolvimento de projetos.
Desde 2012, é coordenador audiovisual da Agência de Desenvolvimento do Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais, sediado em Cataguases, sendo responsável pelos projetos da área de formação audiovisual.
Vive e trabalha em Belo Horizonte.
Sobre a Tempero Tempero é um espaço de criação e produção audiovisual, que reúne as obras dos realizadores Ana Valeria González, Ivan Morales Jr, Leo Ayres e Marcos Pimentel. Voando juntos ou separados, eles desenvolvem projetos com foco no cinema autoral e na produção independente, atuando em diferentes lugares, principalmente Brasil, Alemanha e México. Seus filmes foram exibidos e premiados em importantes festivais internacionais, como Rotterdam, IDFA (Holanda), Veneza (Itália), Tampere (Finlândia), Cinema du Réel, Toulouse, Nantes, Lussas, Centre Georges Pompidou, Biarritz (França), Visions du Réel (Suíça), Documenta Madrid, Huesca, MECAL, L´Alternativa, CinemaJove, Granada (Espanha), Parnu (Estônia), Doc Lisboa, Indie Lisboa, Santa Maria da Feira (Portugal), Gulf Film Festival (Dubai/Emirados Árabes), La Habana (Cuba), Chicago, Hollywood Film Festival, (EUA), Guadalajara, DOCS DF, Morelia (México), Cartagena (Colômbia), Atlantidoc (Uruguai), EDOC (Equador), DOCKANEMA (Moçambique), FIC Luanda (Angola), Norwegian Short Film Festival (Grimstad/Noruega), FIDOCS (Chile), Zagreb (Croácia), Tokyo, Sapporo, Con-can, JVC Film Festival (Japão), Pequim e SCTVF (China), e nos mais importantes festivais brasileiros, como É Tudo Verdade, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Festival de Gramado, Cine-PE, Cine Ceará, Mostra Internacional do Filme Etnográfico, Festival Internacional de Curtas de SP, Festival Internacional de Curtas de BH, ForumDoc, Mostra de Cinema de Tiradentes, Janela Internacional de Cinema do Recife, Indie BH, Mostra do Filme Livre, entre vários outros.
Sobre a Embaúba Filmes A Embaúba Filmes é uma distribuidora especializada em cinema brasileiro, criada em 2018 e sediada em Belo Horizonte. Seu objetivo é contribuir para a maior circulação de obras autorais brasileiras. Ela busca se diferenciar pela qualidade de seu catálogo, que já conta com mais de 40 títulos, em menos de 5 anos de atuação, apostando em filmes de grande relevância cultural e política. A empresa atua também com a exibição de filmes pela internet, por meio da plataforma Embaúba Play, que exibe não apenas seus próprios lançamentos, como também obras de outras distribuidoras e contratadas diretamente com produtores, contando hoje com mais de 500 títulos em seu acervo, dentre curtas, médias e longas-metragens do cinema brasileiro contemporâneo.
Longa conta com participação especial deMaria Fernanda Cândido e distribuição da Paris Filmes
Uma mãe esperançosa segue na trilha dos sonhos do filho, que se encontra em coma. Esta saga em busca de realizar desejos e enxergar o melhor que a vida pode proporcionar é o tema principal de filme “O Livros dos Sonhos”(The Book of Wonders), que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 19 de outubro. Para assistir ao trailer, clique aqui.
Com direção de Lisa Azuelos, a produção traz Alexandra Lamy, Muriel Robin e Hugo Questel no elenco, que ainda conta com participação especial da atriz brasileira Maria Fernanda Cândido. O roteiro é de Julien Sandrel, com adaptação de Juliette Sales e Fabien Suarez. Jerico, SND Films, M6 Films assinam a produção.
Sinopse: Depois que o filho entra em coma após sofrer um atropelamento, sua mãe encontra seu diário que contém uma lista de dez coisas que ele queria fazer antes do fim do mundo. Com a intenção de cumprir os desejos do filho, ela começa a seguir a lista na esperança que o menino enxergue – mesmo em coma – como a vida é linda.
Sobre a Paris Filmes
A Paris Filmes é a maior distribuidora brasileira independente e atua no mercado de distribuição de filmes no Brasil e na América Latina, destacando-se pela alta qualidade cinematográfica. Além de ter distribuído grandes sucessos mundiais como as sagas “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes”, o premiado “O Lado Bom da Vida”, que rendeu o Globo de Ouro®️ e o Oscar®️ de Melhor Atriz a Jennifer Lawrence em 2013 e “Meia-Noite em Paris”, que fez no Brasil a maior bilheteria de um filme de Woody Allen, a distribuidora também possui em sua carteira os maiores sucessos do cinema nacional, como as franquias “De Pernas Pro Ar”, “Até Que a Sorte nos Separe”, “DPA – O Filme” e “Turma da Mônica”. Nos últimos anos a empresa esteve à frente de importantes lançamentos como “John Wick”, “La La Land – Cantando Estações”, “A Cabana”, “Extraordinário” e “Marighella”. Para os próximos lançamentos, a empresa aposta em um line-up diversificado, que inclui títulos como “Os Três Mosqueteiros”, “Minha Irmã e Eu”, “Tá Escrito”, e as sequências “John Wick 4: Baba Yaga”, “Jogos Vorazes – A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes”, “Pássaro Branco – Uma história de Extraordinário”, “Jogos Mortais x”, entre outros.
Combinando o documental e a ficção, o cineasta Thiago B. Mendonça lança um olhar carinhoso e lúdico à história do cinema em UM FILME DE CINEMA, que chega com exclusividade na tela grande nesta quinta-feira, 5 de outubro, nas seguintes praças: São Paulo, Rio de Janeiro, Aracaju, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Maceió, Porto Alegre e Salvador. A distribuição é da Embaúba Filmes, com classificação indicativa livre.
Tudo começou com o interesse de registrar um momento da vida das filhas Bebel e Isa, de 7 e 3 anos respectivamente. “Queria fazer algo que tivesse relação com nossas histórias, e que fosse ao mesmo tempo uma grande brincadeira ficcional. Bebel e Isa nasceram no meio do cinema e do teatro – a mãe delas, Renata, é a produtora do filme e também se dedica ao cinema”, explica o diretor. Daí nasceu a ideia para o longa, que tem ao centro um cineasta, interpretado por Rodrigo Scarpelli, que funciona como uma espécie de alterego de Mendonça.
A filha mais velha do personagem resolve fazer, como trabalho na escola, um filme com seus amigos. O pai está em crise criativa, e o processo desse projeto acaba servindo como uma investigação da história do cinema, e, também, uma maneira dele lembrar porque gosta tanto dessa arte.
Mendonça conta que o trabalho com as crianças foi bastante espontâneo. Houve uma preparação para que ficassem à vontade na frente da câmera, mas fora isso, deixava-as livres para improvisar. “Muitos dos diálogos nasceram espontaneamente, como a entrevista que o pai faz com a Bebel. A Bebel sempre foi uma criança diferente, muito certa de suas ideias e firme nas suas posições. Ao final ela fazia o papel dela mesma.”
Ele conta que Bebel levou as filmagens muito a sério, e que a menor, Isa, viu tudo como uma grande brincadeira, e se divertiu bastante. “Elas gostam muito do filme. Assistem com diversão, mas também com saudade. Sabem o privilégio que tiveram de ter esta memória particular de um momento rico da infância registrado para sempre, junto a amigas, amigos e familiares.”
Já o cineasta, interpretado por Scarpelli, Mendonça conta que não é baseado apenas nele mesmo. “Eu o criei como um pastiche não só do que sou, mas de diretores que vivem crises de identidade. Foi muito divertido pensar este personagem para o Rodrigo, um ator muito querido, com quem eu trabalhei anteriormente no grupo teatral Folias D’Arte. Nós temos um jeito parecido e também somos parecidos fisicamente.”
Uma das preocupações do diretor nesse filme era o tornar também acessível para um público infantil, uma vez que a infância é também um dos temas aqui, e, para isso, assistiu a vários filmes para criança, especialmente para perceber como as histórias são contadas para elas. “É uma responsabilidade grande pensar conteúdo para crianças. Criar algo que seja ao mesmo tempo divertido, educativo (sem didatismo) e que possibilite uma reflexão autônoma. Tentamos construir um filme que busca um caminho de liberdade, de inspirar a criatividade do público infantil. Essa era a vontade que tínhamos e que temos, o nosso desafio.”
A combinação entre o documental e o ficcional também foi importante na construção de UM FILME DE CINEMA, pois, segundo Mendonça, o modo como apresentamos o cinema para as crianças tem algo de documentário, mas, ele ressalta, filme é também todo invenção, há muito trabalho de interpretação das crianças, muita criação para chegarmos no processo de filmagem. “O documental está nas entrevistas das crianças, na forma como elas utilizam a câmera, em muitas sugestões delas que foram acolhidas, no registro de um momento especial da vida das meninas (trata-se de nossa casa, do quarto onde elas dormiam, da escola da Isa e de crianças que em sua maioria estudavam com elas ou moravam próximas). E também é um documento das relações de afeto que transparecem na tela.”
Nas exibições em festivais, como na 20ª Mostra de Tiradentes, o diretor confessa que estava apreensivo com a reação do público – especialmente o infantil – mas a resposta na sessão foi a certeza de que o projeto atingia seus objetivos. “Foi emocionante, pois as crianças interagiam, riam bastante, e ficavam o tempo todo concentradas na história. Tivemos muitas falas bonitas das crianças que assistiram, e também de seus pais. Foi uma surpresa perceber que os pais gostam muito do filme.”
Exibido em diversos países, como Holanda, Alemanha, Estados Unidos, Espanha, Coreia do Sul, Ucrânia e Portugal, Mendonça confessa que a sessão mais tocante foi na Índia, onde foi premiado em um festival que exibe os filmes para milhares de crianças em suas escolas. “Para nós é muito bonito ver crianças de todo o mundo acompanhando as aventuras da Bebel e Isadora. Me ensinou de novo como o cinema pode nos aproximar de outros universos. Sempre percebi isso como cinéfilo. E agora percebo com realizador. Fazer filmes para crianças é uma responsabilidade muito grande e acho que conseguimos construir um filme bonito, que se comunica com outros ‘mundos’, realidades distantes, que o cinema tem o poder de tornar próximas.”
Sinopse Bebel, filha de um diretor de cinema em crise, quer fazer um filme com seus amigos para um projeto escolar. A realização do filme se torna uma grande aventura e leva Bebel, sua família e seus amigos a uma viagem pela história do cinema.
Ficha Técnica Direção: Thiago B. Mendonça Roteiro: Thiago B. Mendonça Produção Executiva: Renata Jardim Produção: Adriana Barbosa, Danillo Prisco, Laura Calasans, Alex Rocha Elenco: Bebel Mendonça, Isadora Mendonça, Rodrigo Scarpelli, Eugênia Cecchini, Antonio Petrin, Alípio Freire, Carlos Francisco, Camila Urbano Direção de Fotografia: Andre Moncaio Direção de Arte: Bira Nogueira Trilha Sonora: Zeca Loureiro Montagem: Bem Ortolan do Prado e Eduardo Liron País: Brasil Ano: 2017 – 2023 Duração: 83 minutos Classificação Indicativa: Livre
Sobre Thiago B. Mendonça Thiago B. Mendonça é diretor de cinema, roteirista, crítico e educador. Bacharel em Ciências Sociais pela USP, estudou cinema na UnB e atualmente faz pós-graduação em audiovisual na ECA-USP, estudando a obra de Andrea Tonacci. Recebeu por seus filmes mais de uma centena de prêmios em festivais nacionais e internacionais. Entre seus curtas estão “Minami em Close-up”, “A Guerra dos Gibis”, “Piove, il Film di Pio”, “O Canto da Lona”, “Entremundo”, “Procura-se Irenice”, “O Karaokê de Isadora” e “Belos Carnavais”. Seu primeiro longa-metragem, “Jovens Infelizes ou Um Homem que Grita não é um Urso que Dança”, foi o vencedor da Mostra de Cinema de Tiradentes de 2016 e premiado em festivais em Portugal, Estados Unidos, México, Colômbia, Venezuela e Argentina. Seu segundo longa-metragem, “Um Filme de Cinema”, participou de alguns dos mais importantes festivais internacionais voltados para o público infantil. Seu terceiro longa-metragem, “Curtas Jornadas Noite Adentro”, estreou simultaneamente no DocLisboa e na Mostra Internacional de São Paulo, recebendo elogios de críticos como Claire Alouche na prestigiosa revista francesa Cahiers du Cinema. Atualmente finaliza seu quarto longa-metragem, “Antes do Fim”. Dirigiu a série “Vozes da Floresta”, sobre a Aliança dos povos da floresta, pela qual recebeu uma bolsa Pulitzer. Trabalha como roteirista para importantes diretores da nova geração do cinema brasileiro, com destaque para sua parceria com Adirley Queirós, com quem colaborou em 4 filmes. Co-dirigiu trabalhos com Adirley, Zózimo Bulbul, entre outros diretores. Atua junto a grupos de teatro paulistanos como o Coletivo Comum e o Grupo Folias. É coordenador do Cinemancipa, curso de formação de cinema organizado pela Rede Emancipa de Educação Popular. Ministra cursos de audiovisual em diversos espaços. Como jornalista colaborou com diversas publicações, destacando-se seu trabalho na revista Le Monde Diplomatique, jornal Valor Econômico, Brasil de Fato, Estadão e na Revista Época (onde escrevia uma coluna sobre cinema).
Sobre a Embaúba Filmes A Embaúba Filmes é uma distribuidora especializada em cinema brasileiro, criada em 2018 e sediada em Belo Horizonte. Seu objetivo é contribuir para a maior circulação de obras autorais brasileiras. Ela busca se diferenciar pela qualidade de seu catálogo, que já conta com mais de 40 títulos, em menos de 5 anos de atuação, apostando em filmes de grande relevância cultural e política. A empresa atua também com a exibição de filmes pela internet, por meio da plataforma Embaúba Play, que exibe não apenas seus próprios lançamentos, como também obras de outras distribuidoras e contratadas diretamente com produtores, contando hoje com mais de 500 títulos em seu acervo, dentre curtas, médias e longas-metragens do cinema brasileiro contemporâneo.
Falando em dialetos Veneto e Friuli, o drama italiano conta a história de uma jovem numa jornada marcada pelo realismo fantástico
Em 2016, a diretora e roteirista Laura Samani descobriu um pequeno santuário Trava o qual, até o século XIX, acreditava-se ser capaz de trazer de volta à vida bebês natimortos. Eles dariam apenas um suspiro, novamente, para poderem ser batizados e enterrados em solos sagrados. Partindo dessa história que a encantou, a cineasta escreveu e dirigiu O PEQUENO CORPO, que chega aos cinemas brasileiros em 16 de novembro, com distribuição da Pandora Filmes.
O filme, que rendeu a Samani o David di Donatello de cineasta estreante, conta a história de Agata, uma jovem que, em 1900, embarca numa jornada com a esperança de trazer sua filha à vida novamente. Levando o pequeno corpo da menina em uma caixa, ela parte de seu pequeno vilarejo rumo a um desses santuários. Em sua jornada, conhece Lynx, um garoto solitário que promete a ajudar.
Durante sua pesquisa para o filme, a diretora conta que descobriu que eram em sua maioria homens que viajam levando os pequenos corpos, uma vez que as mulheres, que acabaram de dar à luz, não tinham condições físicas de se submeter a essa viagem. Escrevendo o roteiro com Marco Borromei e Elisa Dondi, Samani se perguntou: o que acontece com a mulher que fica em casa? E se a jornada, ao invés de ser feita por um homem, fosse feita por uma mulher?
“Para mim, a melhor parte de uma história é aquele momento em que um personagem decide se rebelar. A escolha de Agata é praticamente escandalosa porque denota orgulho e protesto não apenas contra sua religião, mas também contra as leis da natureza. Agata decide ouvir as vozes que falam sobre os milagres. Seguindo seu instinto e sem contar a ninguém, ela parte em uma viagem com seu bebê em uma pequena caixa. Sozinha”, explica a diretora.
A diretora colocou como cenário sua terra natal, a Friul-Veneza Júlia, no nordeste da Itália. Ela conta que enquanto buscava lugares onde filmar, encontrou diversos moradores e moradoras da região que acabaram entrando no filme. “Quase todo o elenco é formado por pessoas que nunca atuaram antes; em alguns casos, famílias inteiras. Foi também por esta razão que decidi rodar o filme nos dialetos Veneto e Friuli, não apenas para o público conhecer a língua autêntica da época, homenageando as diferentes variações, como também para que as pessoas pudessem se expressar tanto quanto possível da maneira mais natural.
”O PEQUENO CORPO fez sua estreia mundial na Semana da Crítica do Festival de Cannes, onde recebeu críticas positivas da imprensa especializada. “A linguagem cinematográfica de Samani tem consistência e urgência, e há um traço interessante de ateísmo que acompanha a aura espiritual deste filme”, escreveu Peter Bradshaw, no The Guardian. “Celeste Cescutti lidera um elenco, que é na maioria de atores não-profissionais, com uma atuação feroz que comanda e fundamenta os temas de realismo mágico do filme”, disse Tara Brady, no The Irish Times.
Sinopse Itália, 1900. Agata é uma jovem que embarca em uma jornada desesperada para chegar a um misterioso santuário para salvar a alma de sua filha da condenação eterna do Limbo.
Ficha Técnica Direção: Laura Samani Roteiro: Marco Borromei, Elisa Dondi, Laura Samani Produção: Alberto Fasulo Elenco: Celeste Cescutti, Ondina Quadri Direção de Fotografia: Mitja Licen Desenho de Produção: Rachele Meliadò Trilha Sonora: Chiara Dainese Montagem: Yorgos Mavropsaridis, Ted Guard, Santiago Otheguy Gênero: drama, suspense, guerra País: Colômbia, Argentina, Holanda, Alemanha, Suécia, Uruguai, Estados Unidos, Suíça, Dinamarca, França Ano: 2019 Duração: 102 minutos
Sobre a Pandora Filmes A Pandora é uma distribuidora de filmes independentes que há 30 anos busca ampliar os horizontes da distribuição de filmes no Brasil, revelando nomes outrora desconhecidos no país como Krzysztof Kieślowski, Theo Angelopoulos e Wong Kar-Wai, e relançando clássicos memoráveis em cópias restauradas, de diretores como Federico Fellini, Ingmar Bergman e Billy Wilder. Sempre acompanhando as novas tendências do cinema mundial, os lançamentos recentes incluem “O Apartamento”, de Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; e os vencedores da Palma de Ouro de Cannes: “The Square: A Arte da Discórdia”, de Ruben Östlund e “Parasita”, de Bong Joon-ho.
Paralelamente aos filmes internacionais, a Pandora atua com o cinema brasileiro, lançando obras de diretores renomados e também de novos talentos, como Ruy Guerra, Edgard Navarro, Sérgio Bianchi, Beto Brant, Fernando Meirelles, Gustavo Galvão, Armando Praça, Helena Ignez, Tata Amaral, Anna Muylaert, Petra Costa, Pedro Serrano e Gabriela Amaral Almeida.