Poltrona Séries: Ragnarok-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Ragnarok-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Dramas sobre amadurecimento e evolução humanas costumam ser bem atrativas, e com a apresentação de uma mitologia sob outro ângulo atrai mais atenção. Em sua primeira temporada, com seis episódios, ‘Ragnarok’, produção norueguesa veiculada pela Netflix, trouxe uma trama sólida, mas que careceu de consistência. Agora, em sua segunda temporada, Magne, um adolescente de 17 anos que possui os poderes de Thor, irá enfrentar batalhas ainda mais pesadas e inimigos mais enfurecidos. Será que ele está preparado para uma nova jornada?

Situada na cidade fictícia de Edda, na Noruega, a série continua a partir do último ponto, um confronto entre Magne e Vidar, um dos gigantes que o desafiou e presidente das indústrias Jutun, que provoca derretimento das geleiras e contamina a água da cidade. Dispostos a mostrar que não se dão por vencidos, os Gigantes desafiam Magne para uma nova batalha, durante a Lua Nova, que pode significar o salvamento definitivo da Terra e de seus habitantes ou o controle total do planeta. Para derrotar seus inimigos, Magne precisará de aliados e do martelo de Thor, perdido na última batalha, tendo em vista que ir sozinho para um novo confronto é bastante perigoso, mesmo que seja quase  invulnerável.

Se faltava algo que prendesse a atenção do espectador na primeira temporada, agora vemos uma história movida a ação e emoção e a importância de proteção familiar como um dos combustíveis que move Magne. Após descobrir um segredo perturbador sobre o irmão Mauritz, Magne não hesita em dar um desfecho na batalha contra os Gigantes antes que seja tarde. Do lado dos Gigantes, a família Jutun sobre uma grande baixa e o sentimento de vingança passa a ser predominante. Além do amor, a questão do poder ainda possui espaço, com protestos dos moradores de Edda após a água ser contaminada e a briga entre os irmãos Fiur e Saxa pela presidência das empresas Yutun.

Antes vimos personagens tímidos e sem muito a oferecer na primeira parte, mas nessa nova sequência vemos personagens secundários contribuindo com a história e promovendo o crescimento do protagonista. Lauritiz, irmão mais novo de Magne, ganha mais espaço e promove uma importante discussão sobre a importância de se conhecer sua origem e da aproximação com a família biológica. Os aliados de Magne trazem importantes pontos, como a questão da lealdade, traição e a união para se vencer uma batalha. Ainda sem estar preparado. Magne enfrenta grandes percalços, com um clímax impactante. Mesmo encurralado, ele mostra que está disposto a ir até as últimas consequências para salvar o mundo e proteger sua família.

Vemos batalhas eletrizantes, que não dependem tanto do CGI, movimentos que conferem autenticidade aos golpes e adereços que buscam proximidade com o que é relatado na mitologia nórdica, além de importantes desdobramentos sobre Thor, famoso herói que dispõe da arma mais poderosa do mundo. Uma produção que se redime e brinda o público com belas imagens e lutas épicas.

Os fãs de grandes heróis da mitologia nórdica vão se impressionar com a nova temporada de ‘Thor’, mas quem não é e curte grandes histórias movidas a ação e violência vai se surpreender com essa nova sequência, que se redime e traz o que uma verdadeira produção pede.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Quem Matou Sara?-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Quem Matou Sara?-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Uma trama de suspense que deixa no ar várias perguntas e embaralha a cabeça do espectador é, sem dúvida, um grande atrativo. Com enorme sucesso em sua primeira temporada e algumas lacunas a serem preenchidas, ‘Quem Matou Sara?’, produção mexicana veiculada no serviço de streaming Netflix, retorna com novos ingredientes para atiçar ainda mais a curiosidade do público e deixar a narrativa mais sombria, afinal, o passado sempre volta.

Uma grande tragédia mudou para sempre a vida de Alex Guzmán e da família Lazcano. Acusado de matar a irmã Sara, Alex passa 18 anos na prisão e está disposto a se vingar de todos que o prejudicaram. Porém, novos segredos são revelados, como um diário que Sara mantinha escondido e um corpo encontrado enterrado no quintal da casa de Alex. O protagonista precisará ter cuidado para não perder o rumo, e saber quem era realmente sua irmã será apenas o começo desse novo desdobramento ilustrado nessa inédita sequência de oito episódios.

O enredo conta novamente com os personagens secundários da primeira temporada, mas novos aparecem nessa sequência para contribuir com a história e mostrar que também tiveram problemas com Sara no passado. O destaque fica com o jovem Nicandro, que vendia drogas e viva no encalço de Sara, além de Abel Osório, um senhor com problemas mentais e presente na família Guzmán em um passado recente. O homem esconde vários segredos, e aos poucos o espectador entende que impactos ele causou e qual sua relação com Sara, que passou a se interessar mais por ele em seus últimos momentos de vida.

A condução da história com novos segredos revelados foi a chave para manter o espectador com interesse pelo enredo e seu desfecho. Os personagens secundários brilham mais nessa segunda temporada e têm muito a dizer. Os que fizeram parte da primeira temporada possuem poucas histórias paralelas desta vez, mas não deixam de contribuir com a evolução da história, destaque para Jose Maria, filho dos Lazcano, que sempre mostrou muita afeição por Alex Guzmán e que terá grande peso nessa nova sequência. Muitas perguntas são respondidas, e o desfecho deixa um gancho sobre uma possível continuidade da narrativa.

Mesmo com elementos que caracterizam os populares dramalhões mexicanos, ‘Quem Matou Sara’ foi capaz de manter viva a curiosidade do espectador, em uma história repleta de mistério, reviravoltas e com personagens coesos, vibrantes e com muito ímpeto para resolver questões do passado que insistem em retornar. A produção mostra que ainda é possível mais uma temporada e a inserção de novos personagens. Um enredo repleto de atrativos e que merece bastante atenção.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Fatma-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Fatma-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

O que você diz sobre uma série com muito mistério, suspense e que promove debates importantes sobre a posição da mulher na sociedade, principalmente se esta for conservadora? A produção turca ‘Fatma’, veiculada pelo serviço de streaming Netflix, traz tudo isso e nos apresenta a uma personagem que é invisível nesse meio social, e passa por muitos percalços. São seis episódios, com média de quarenta minutos cada, e muitas surpresas.

Acompanhamos Fatma Yilmaz, uma mulher de infância sofrida e que está passando por muitas dificuldades. O marido, Zafer, ficou quatro meses preso por um crime que não cometeu e depois de ser solto desaparece repentinamente. Ela possui um filho autista, que morre em um acidente, deixando a mãe completamente desnorteada. Para poder sobreviver, ela consegue diversos trabalhos como faxineira, mas ao longo do caminho vai se deparando com diversos homens que possuem alguma ligação com Zafer e que querem machucá-la. Fatma, no decorrer dos episódios, passa por grandes transformações e procura deixar cada desafeto para trás, em uma jornada frenética e de muita perseguição.

A protagonista se mostra inicialmente sem expressão, com um semblante pálido e fechado, muito por conta dos descasos que sofre desde a infância, e da sociedade atual, que não dá a ela o devido valor, e sequer desconfia dela quando uma série de crimes aparece durante os episódios. O espectador não sabe quem de fato é a Fatma, mas é feita uma construção bem parcimoniosa para que se possa compreender a motivação das atitudes de Fatma e depois passa a torcer por ela, mesmo que ela cometa barbaridades e desemboque em situações mórbidas.

Um recurso bastante utilizado em cada episódio e usado para prender a atenção do público é a de apresentar de início o clímax e depois um flashback para explicar como Fatma chegou a cada situação. Há algumas lembranças que a personagem central possui e que podem soar como pontas soltas na série, mas no fim da temporada temos tudo devidamente explicado. Fatma tenta fazer justiça de alguma forma e usa métodos bem simples para tal, e na medida em que mais inimigos se aproximam, ela tenta encontrar uma nova saída, e foge do lugar comum de uso de estratégias bem elaboradas, sem necessidade de efeitos especiais.

Assuntos como autismo, pedofilia, machismo e assédio sexual são inseridos na trama e discutidos de forma direta e didática. Essas pautas podem incomodar, mas são necessárias e refletem em diversas sociedades, inclusive a brasileira. Problemas que até hoje não são levados a sério e que ganham o devido destaque na série turca. Quem acompanha vai passar a torcer mais por Fatma, mesmo que ela cometa crimes e não utilize de métodos corretos para fazer justiça. São assuntos delicados e que não podem ser invisíveis aos nossos olhos.

Com muita ação, suspense, discussões e sustos, ‘Fatma’ insere o espectador em um mundo conservador e cheio de problemas que precisam ser combatidos. Há ganchos para uma segunda temporada, que, se vier, tem tudo para ser como a primeira, impactante do início ao fim.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Series: Quem Matou Sara?-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Series: Quem Matou Sara?-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Séries que retratam investigações e a busca dos protagonistas por respostas e vingança têm tomado conta dos serviços de streaming e agradado aos espectadores. Uma produção da Netflix e que lembra muito ‘Revenge’, ‘Quem Matou Sara?’ é uma obra mexicana que tenta prender a atenção de quem acompanha a história até o décimo e último episódio da primeira temporada. Será que merece nossa atenção?

Acompanhamos Alex, um jovem que foi condenado injustamente pela morte da irmã Sara em um acidente numa lancha e fica 18 anos preso. O rapaz foi forçado a confessar algo que não cometeu em troca de benefícios que a família Lazcano o prometera e a promessa de que ficaria no máximo dois meses encarcerado, o que não acontece. Ao sair da prisão, ele aos poucos executa seu plano para se vingar dos Lazcano e descobrir quem de fato matou sua irmã e por qual motivo, mas acaba se envolvendo com Eliza, filha do poderoso e corrupto Cesar Lazcano. A garota, mesmo traindo sua família, estará o tempo todo ao lado se Alex para descobrir tudo o que envolve seus familiares.­­­

­Todos os personagens possuem grandes arcos dramáticos, mas a condução de suas histórias apresentou problemas. O enredo se perde a partir do quinto episódio e há demasiadas cenas repetidas, algumas poderiam ter sido supridas e alguma outra pista relevante sobre a morte de Sara poderia ter sido inserida. Cada personagem possui alguma ligação com Sara e vários teriam motivos para querer assassiná-la, não é possível apontar um único suspeito nesta trama. Os destaques ficam com o controverso Cesar Lazcano, com um passado sombrio e com revelações grotescas sobre sua índole a cada episódio e para o administrador Elroy, figura caricata e com alguns podres em seu passado também revelados.

Discussões sobre sexualidade, preconceito e luta de classes são inseridas no contexto ao longo dos episódios, e são bem válidas. Apesar do melodrama e do tom novelesco que a série possui, nada passa batido, tudo consegue ser bem retratado e com grandes reviravoltas. O desfecho da primeira temporada é um pouco decepcionante, pois algumas revelações não fazem sentido e não fica claro quem é o assassino de Sara. Já existe um gancho, inclusive teasers que anunciam a segunda temporada de ‘Quem Matou Sara?’, que seja para alguns erros serem consertados e para brindar o público com mais ação, suspense e dramaticidade.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The One-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The One-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Encontrar o par perfeito tem sido um grande desafio para milhões de pessoas, seja por relações interpessoais ou virtuais. Mas o que você acharia se esse objetivo se concretizasse por combinações de DNA? Essa premissa curiosa deu origem à série britânica ‘The One’, também baseada no livro homônimo de John Marrs, composta por oito episódios com média de duração de 40 minutos. Vale o passatempo?

Rebecca Webb, uma cientista promissora, juntamente do parceiro James, encontram uma forma de formar casais por meio de um revolucionário novo serviço de encontros, o The One. Uma ideia ousada que culminou com a inauguração de uma empresa forte e poderosa, mas ambos não contavam que esse serviço desencadearia diversos problemas, colocando relações pessoais e até mesmo o futuro da multinacional em risco.

Essa obra nos faz lembrar da série Weird City, do Youtube, que também mostra materiais genéticos combinados para encontrar casais perfeitos. ‘The One’ possui uma atmosfera macabra, no estilo Black Mirror, e tenta prender a atenção do espectador até o último episódio, mas só consegue até a metade da temporada. Além de vários elementos clichês, há muitos recursos de transição entre cenas repetidos à exaustão e não existe uma empatia entre os personagens. Tudo é apresentado às pressas, e falta desenvolvimento dos personagens, principalmente os secundários.

A série proporciona reflexões e mexe com o imaginário das pessoas no tocante à procura pelo amor ideal, mas o problema está em quem escolhe esse caminho, e na produção vemos pessoas comprometidas fazendo isso. As chances de encontro do par perfeito por métodos científicos de darem errado são enormes, e essas combinações geram graves consequências, sejam nos personagens secundários, como na protagonista, que chega a ser investigada pela polícia pelo assassinato de Ben Naser, seu amigo.

Apesar das pontas soltas, há grandes reviravoltas e um gancho para uma possível continuação. A protagonista não entrega nenhuma novidade, mas deixa um mistério no ar no último episódio, uma motivação a mais para o espectador, que se deparou com uma primeira temporada morna e sem muitas surpresas. A maneira como a tecnologia pode interferir em relacionamentos é algo interessante a se explorar hoje em dia, mas ‘The One’ merecia algo mais aprofundado e grandes desdobramentos. Mas há uma esperança disso ocorrer em uma possível segunda temporada, o jeito é aguardar e cruzar os dedos.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota