Poltrona Cabine: Meu Malvado Favorito 3/Lívia Lima

Poltrona Cabine: Meu Malvado Favorito 3/Lívia Lima

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É difícil que o terceiro filme de uma sequência se sustente com sua essência, mas Meu Malvado Favorito 3 consegue, até certo ponto, manter a leveza e divertimento presentes nos dois primeiros filmes.

O ex-vilão Gru (Steve Carrell/Leandro Hassum) volta na sequência trabalhando ao lado de sua linda esposa Lucy combatendo o mal e desta vez, o vilão Balthazar Bratt, um ator dos anos 80 que tem sua série cancelada e utiliza seu personagem, Evilbratt, como forma de buscar vingança. No mesmo enredo, Gru recebe notícias de seu, até então, irmão gêmeo desaparecido e viaja com Lucy e as fofíssimas irmãs Agnes, Edith e Margo, para o encontro.

O filme é leve, divertido e gostoso de assistir. Conseguiu manter bem o frescor e inocência que Meu Malvado Favorito sempre possuiu e faz uso de bons artifícios para entreter seus espectadores. Desde caça à unicórnio (tão fofinho!!!) até referências aos anos 80 que agradarão os pais. Inclusive, para os mais velhos, garanto que será muito divertido relembrar Michael Jackson, ombreiras e mullets característicos da época.

Os efeitos especiais são impecáveis e, unidos à sensação de que tudo pode acontecer que só as animações proporcionam, são responsáveis pelo caráter lúdico da produção. A trilha sonora também cria essa atmosfera sonhadora, gostosa e familiar. Apesar da diversão e leveza, a história traz apenas mais um capítulo da vida da família. Ainda bem que muito bem feito.

Ah! Se você não aguentou a febre dos Minions, eu dou a minha palavra de que eles voltam mais encantadores ainda e roubando a cena das formas mais adoráveis possíveis.

Cotação Poltrona: 4 poltronas

 

Poltrona Cabine: Uma Família de Dois/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Uma Família de Dois/ Cesar Augusto Mota

Está cada vez mais comum nos depararmos com refilmagens de longas de sucesso, sejam hollywoodianos ou estrangeiros. Toni Erdmann, produção alemã indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro será refeita em Hollywood e contará com o protagonismo de Jack Nicholson, que desde 2010 não pintava nas telas.  E chega ao circuito nacional nesta semana um filme inspirado em produção mexicana. ‘Uma Familia de Dois’, filme francês dirigido por Hugo Gélin fará o espectador se lembrar um pouco de ‘Não aceitamos Devoluções’, do cineasta e ator mexicano Eugênio Derbez.

Samuel (Omar Sy) é um homem que vive na Riviera Francesa de forma despreocupada e em meio a festas regadas com muita música, bebida e mulheres bonitas à beira-mar. Após mais uma noitada, ele é surpreendido inesperadamente por Kristin (Clémence Poésy), uma jovem inglesa com quem ficara recentemente e esta lhe entrega um bebê de poucos meses de vida em suas mãos. A mãe some repentinamente e tomado pelo desespero e despreparo para cuidar de uma criança, Samuel parte para Londres em busca da mãe biológica. Sem sucesso, decide criar a pequena Glória (Gloria Colston) sozinho. Mas após 8 anos, Kristin retorna e fará de tudo para levar sua filha consigo.

A maneira como Hugo Gélin dirige e constrói a história é muito interessante, com a mistura de comédia, drama familiar e uma dose de fantasia,  tudo para fugir do óbvio. A mudança na vida de Samuel é radical, ele deixa sua terra natal e passa a trabalhar no cinema como dublê, e em vários momentos há um equilíbrio entre os personagens interpretados e a personalidade de Samuel, o homem e o ator muitas vezes se confundem e divertem o público. Além disso, a química existente entre pai e filha é de impressionar, bem como os artifícios que o pai utiliza para dizer à filha que a mãe está viajando pelo mundo e um dia voltará.

A fotografia escura e o ambiente de Londres também são destaque, bastante convidativos e atraentes, um palco capaz de ilustrar momentos de descontração e felicidade em família, seja quando Samuel está realizando filmagens ou passeando com a filha. A direção de arte é um primor, não só com belas paisagens o filme conta, como também a casa onde passa boa parte da história, construída de acordo com a criatividade de Samuel e os gostos de Gloria, com fliperamas na sala e um enorme escorregador que vai do quarto para a sala, um autêntico castelo. E o roteiro bem construído, com evoluções surpreendentes dos personagens e uma dramaticidade crescente do enredo até o desfecho.

E o aspecto atuação? Omar Sy, mesmo sem os trejeitos de um comediante, consegue passar uma veia cômica nas cenas de comédia, além de conseguir se equilibrar nos momentos que exigem uma maior dramaticidade. Não existe a caricatura, há um bom equilíbrio entre a comédia e o drama, Omar se sai muito bem e entrega seu papel com primor. Além dele, a jovem Gloria Colston mostra um ótimo entrosamento com Omar, a pequena Glória traz um brilho intenso à história, além de cativar o espectador facilmente com sua inocência e personalidade e sua ingenuidade. Já Clémence Poésy também não fica atrás, faz uma interpretação digna, melhor até que a mãe da versão mexicana.

Se você procura por um filme que seja uma comédia dramática, abastecida por qualidade artística, um roteiro coeso, equilibrado e uma direção competente, ‘Uma Família de Dois’ é o filme certo. E fique ligado, o longa francês chega ao circuito brasileiro em 29 de junho de 2017, aproveite!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Tudo e Todas as Coisas/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Tudo e Todas as Coisas/ Cesar Augusto Mota

Diz o provérbio escocês: “Aproveite bem a vida enquanto estiver vivo, pois você estará morto por muito tempo”. Esse pensamento ilustra muito bem o que acontece em ‘Tudo e todas as coisas’, novo filme da Warner Bros. baseado no best-seller escrito por Nicola Yoon e que vai fazer você enxergar a vida com outros olhos.

A história acompanha a vida de Maddy (Amanda Stenberg), uma jovem de 18 anos portadora de uma doença rara e que vive numa casa hermeticamente fechada. Ela não pode sair de seu lar para não sofrer maiores complicações, até mesmo a morte, e para passar o tempo ela lê livros, vê vídeos de gatos na Internet e faz aulas online de arquitetura. Maddy é uma garota criativa, sonhadora e com esperanças de que um dia conseguirá ter uma vida no mundo exterior, apesar da supervisão médica e da superproteção da mãe, Pauline (Anika Noni Rose).

Tudo começa a mudar quando uma nova família se muda para a casa ao lado de Maddy e o jovem Olly (Nick Robinson), ao olhar para a jovem pela janela, começa a se interessar e se encantar com ela. Uma paixão que parecia ser improvável surge, mas como poderia dar certo se ambos não poderiam se tocar? A partir desse dilema nos deparamos com uma história dotada de leveza, drama, angústia e o desespero de Maddy em querer ter sua paixão correspondida e uma vida além de quatro paredes.

O roteiro traz uma história comovente, com uma protagonista se sentindo mais entediada do que doente, um olhar atônito de Maddy em relação ao mundo em que vive e a perspectiva de estar em um novo ambiente, além de mistérios em relação a Olly. Não se sabe muito sobre sua vida, apenas que tem olhar soturno e apreciador de roupas escuras, mas seu perfil misterioso e seu carisma foram suficientes para conquistar Maddy. Para a jovem, ela ainda não teve uma vida e sequer tem certeza se está doente, e o desejo de querer sair de casa irá consumi-la ainda mais. Maddy está disposta a correr todos os riscos, arriscar-se, novas experiências, não dá para não fazer nada ou se ter medo o tempo todo, não é mesmo? Mas o último ato da história é um pouco prejudicado por conta da aceleração, dá a impressão que o desfecho foi feito às pressas.

A direção de arte e a fotografia são formidáveis, somos presenteados com cenas criativas, como a de personagens presentes nas maquetes de Maddy ampliados e interagindo no mesmo ambiente que esta e Olly, além da personificação da garota em um outro personagem, ilustrando o que ela realmente sentia, uma passageira que precisava desfrutar o máximo da vida, mesmo que se colocasse em risco.

Apesar dos altos e baixos, ‘Tudo e Todas as Coisas’ cumpre bem seu papel, de nos mostrar que a vida deve ser aproveitada a cada segundo e que podemos e devemos fazer a diferença, se quisermos viver coisas novas e inesquecíveis. Vale o ingresso.

Não perca, a estreia do filme no circuito brasileiro está marcada para 15 de junho, vá se preparando.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Mulher-Maravilha/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Mulher-Maravilha/ Cesar Augusto Mota

Após as decepções com ‘Batman vs Superman: A Origem da Justiça’ e ‘Esquadrão Suicida’, a DC Comics aposta na história de um dos mais importantes ícones dos quadrinhos para voltar a ter terreno num mercado conquistado pela rival Marvel. Após 76 anos de espera, ‘Mulher-Maravilha’ chega aos cinemas com grande potencial para ser um dos melhores filmes do ano e com sucesso de público.

A história se passa na ilha paradisíaca de Themyscira, local cuidado pelas Amazonas, cujo grupo tem a missão de transmitir amor, paz e de confrontar Ares, o Deus da Guerra. Somos brindados com uma belíssima fotografia, composta por cores fortes e vibrantes, como amarelo e laranja, em contraste com a coloração sombria escura de Londres, outro local onde se desenvolve a trama.

Antes de falar de Gal Gadot, a protagonista, vale fazer menção honrosa para Robin Wright no papel de Antíope, tia de Diana Price e general das Amazonas. A atriz apresenta uma personagem forte, consistente e de personalidade, características essências para a encarregada por treinar Diana Prince e colocá-la como líder do grupo. Destaque também para Connie Nielsen como Hipólita, mãe de Diana, que assume inicialmente um papel de mãe protetora e resistente à ideia de ver a filha ser treinada pelas Amazonas e se envolver com conflitos e um possível duelo com Ares, mas convencida de que não poderá proteger a herdeira por muito tempo e sequer impedi-la de defender seu povo.

A partir do momento da queda do avião do espião Steve Trevor (Chris Pine), Diana Prince passa a se inserir em um cenário de grandes aventuras, com toques bem humorados em vários momentos, e com incrível demonstração de coragem, força e personalidade da protagonista, mostrando que não necessita de qualquer apoio para o que quer que seja. O roteiro ilustra uma história com tom bastante impactante e empolga o público, e o trabalho com as cenas de ação em câmera lenta em alguns confrontos e os efeitos com computação gráfica trouxeram mais realismo à produção.

Chris Pine, conhecido pelo tom caricato que costuma dar a seus personagens, principalmente, em Star Trek, apresenta uma ótima química com Gal Gadot, e consegue fazer um bom contraponto com uma protagonista ingênua em relação à vida, mas de alma pura e disposta a fzer o bem ao próximo. O espião Steve Trevor é voluntarioso, mas realista e bastante cético em relação ao futuro da humanidade em meio a uma sangrenta guerra. Gal Gadot imprime uma personagem de extrema beleza, muito carismática, valente e focada em sua missão. Em dados momentos há escorregões em cenas mais tristes, mas nada que comprometa sua brilhante atuação.

E o que falar do trabalho da diretora Patty Jenkins? Extraordinário, consegue ilustrar uma visão feminina sem pieguismo, com importantes mensagens contra o machismo e racismo, e a protagonista é retratada como uma agente poderosa e protetora, e não um objeto de deleite por conta da beleza da atriz que dá vida à heroína. Uma direção precisa, cuidadosa e que valoriza o empoderamento feminino e o sentimento do amor, capaz de derrubar a indiferença, a maldade e a incompreensão humanas. Nota 10 para a cineasta.

A produção geral de ‘Mulher-Maravilha’ é excelente, poderiam os vilões da trama terem sido mais bem aprofundados, além de uma trilha sonora de peso, e um filme DC também pede músicas de qualidade, não é mesmo? Quem for ver o filme vai perceber que a produção foi fiel ao HQ e que é possível agradar a todos os gostos. Não perca, ‘Mulher-Maravilha’ chega aos cinemas brasileiros em 1 de junho, corra e garanta seu ingresso!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Inseparáveis/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Inseparáveis/ Cesar Augusto Mota

Imagine uma história com um pouco de drama, comédia, sensibilidade e amor. O filme argentino “Inseparáveis”, um remake do sucesso francês “Intocáveis”, possui potencial para cativar e emocionar o público, além de proporcionar muitas gargalhadas durante a sessão.

A trama acompanha a vida de Felipe (Oscar Martinez), um rico empresário que sofre um terrível acidente após cair de um cavalo e fica tetraplégico. Ele está na busca por um assistente terapêutico e realiza entrevistas com candidatos bem qualificados, mas resolve contratar Tito (Rodrigo De la Serna), assistente de seu jardineiro e sem habilidades para a função.

Muita gente vai imaginar um filme com roteiro simples, diálogos melosos e desfecho previsível. Mas “Inseparáveis” não possui nenhum desses elementos, trata-se de uma obra que reúne vários ingredientes, como alegria, tristeza, reflexão e ansiedade. Logo nas primeiras cenas você se depara com uma corrida frenética de carro envolvendo Tito e Felipe e daí nasce a curiosidade de saber como nasceu aquela situação, se é meramente uma diversão ou se ambos estavam perseguindo ou fugindo de alguém. E outros questionamentos vão surgir durante a trama, uma surpresa a cada cena e resultados imprevisíveis.

A narrativa é incrível, capaz de arrancar risos por conta dos trejeitos e vocabulário recheado de piadas e palavrões de Tito, além de sua personalidade destemida e serelepe. Ele demonstra sempre ter uma resposta para tudo, não tem medo de enfrentar as mais difíceis situações e disposto a dar a cara à tapa. Sua evolução durante o filme é impressionante, lógico que demonstra dificuldades para cuidar de uma pessoa portadora de deficiência no início, mas com seu jeito peculiar e muita persistência vai derrubando barreiras, inclusive de motivar seu chefe e fazê-lo despertar para uma nova fase da vida, tendo em vista o abalo não só por conta do acidente, mas pela perda recente da esposa.

O roteiro é muito bem construído, a história não fica restrita a Tito e Felipe, os demais personagens que residem na mansão do empresário possuem participações importantes e que vão transformar a vida dos protagonistas, além de personagens secundários de Monica Raiola e Javier Niklison, mãe e irmão de Tito, respectivamente. Cada ato é bem dividido e a passagem para o próximo deixa a história ainda mais curiosa, provocando ansiedade pelos próximos acontecimentos.

Falei anteriormente que o filme também possui momentos tristes, realmente sim, é bastante complicado para Tito em dados momentos conseguir arrancar sorrisos de Felipe, mas para isso ele usa todas as suas armas, e resolve inclusive participar de maneira mais efetiva da vida pessoal de seu chefe, ajudando-o também a conseguir um encontro com uma mulher com quem se corresponde há seis meses, mas não faz ideia sequer de como seja seu rosto. Na medida em que o tempo vai passando, Tito vai se envolvendo cada vez mais na vida de todos e acaba por se tornar um membro da família, digamos assim. A parte final surpreende, e você vai torcer muito por Tite, além de desejar que Felipe reencontre o amor e a alegria de viver.

“Inseparáveis” é um filme emotivo, vai mostrar que a vida deve ser vivida intensamente e sem perda de tempo, além de ilustrar que as melhores coisas podem estar debaixo de nossos olhos. Vale a pena, o longa terá a distribuição da Paris Filmes e estreia no circuito nacional em 1 de junho de 2017.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota