Não é de agora que uma série se transforma em longa, ainda mais em se tratando de animação. A novidade passa por ‘Patrulha Canina’, série animada do canal Nickelodeon, que agora ganha as telonas com ‘Patrulha Canina: Super Filhotes (Paw Patrol: Mighty Pups). A produção original é voltada para o público infantil, principalmente da faixa dos cinco aos dez anos, mas esse formato novo serve para todas as idades e com novos atrativos.
A primeira novidade fica pela presença dos jovens Lorena Queiroz (Carinha de Anjo) e Pedro Miranda (The Voice Kids) antes e durante o intervalo das sessões. Eles interagem com o público e realizam quiz para testar os conhecimentos da plateia acerca dos personagens da animação. Com muito carisma e desenvoltura, Lorena e Pedro não só mostram confiança diante das telas, como também capacidade de voos mais altos e de alcançarem públicos diversos, não só os da correspondente faixa etária ou os fãs da série Patrulha Canina.
Sobre o longa, ele possui apenas quarenta e cinco minutos, mas foram incluídos três episódios inéditos da série animada, cada um com quinze minutos, e entre esses intervalos, a presença de Lorena Queiroz e Pedro Miranda. O enredo se passa na Baía de Aventura, com o garoto Ryder, de 10 anos, líder da Patrulha Canina. O menino sempre organiza as missões e chama os filhotes da Torre de Comando e se destaca por ser um bom líder. Já a Patrulha Canina é composta por sete lindos e simpáticos filhotes, como Chase, Skye, Rubble, Marshall, Rocky, Everest e Zuma. Eles passam a ter super poderes após um meteorito cair na Terra, mas vão ter que tomar cuidado com o prefeito Humdinger, que pretende se apoderar do fragmento.
A essência foi mantida, quem já acompanha a série de origem canadense não percebe grandes novidades, as histórias passam sempre pela premissa de se salvar o dia e combater o mal, há o uso do dinamismo e ação dos bichinhos, os cenários com cores vibrantes são propositais para causar impacto visual e vibração, e os personagens são cativantes. Até mesmo quem nunca viu ‘Patrulha Canina’ vai se interessar, claro que a qualidade passa um pouco longe das produções da Disney/Pixar, mas é uma ótima opção para as crianças.
O caráter educativo do longa também merece ser valorizado, além de testar a atenção das crianças, com perguntas sobre detalhes no vídeo, ensina os pequenos a aprenderem a distinguir itens, como a diferença entre um suposto ‘monstro do pântano’ e um bagre, o que gerou confusão durante a história. Quem assiste ri se diverte e também aprende, e são poucas as produções que valorizam o aspecto didático de uma animação, outro ponto para essa produção.
Se você possui um filho ou uma criança pequena, vá aos cinemas com ela e confira ‘Patrulha Canina: Super Filhotes’, direção garantida do início ao final, um formato diferente, fragmentado e com testes, e com chances de agradar o público infantil e também o jovem. Uma boa pedida.
Os mutantes mais amados do cinema estão de volta, e desta vez para o capítulo final da saga que já vem desde 2000 fazendo fãs pelo mundo todo. ‘X-Men: Fênix Negra’ (X-Men: Dark Phoenix), de Simon Kinberg (Quarteto Fantástico) será o quarto capítulo da nova safra, que vem após ‘X-Men: Apocalipse’ (X-Men: Apocalypse), que tentou agrupar uma série de eventos em uma única trama e um vilão um tanto avulso e sem convencer na trama. Será um fim digno, tendo em vista que a franquia foi adquirida pela Disney e o grupo de heróis liderados pelo Professor Xavier (James McAvoy) pode aparecer no Universo Cinematográfico da
e nossos heróis e os mais temíveis inimigos do Universo X-Men. Todas as subtramas bem amarradas com a principal e um desfecho digno de uma franquia que apresentou personagens marcantes e que para sempre ficarão na memória dos cinéfilos e fãs de HQs. Podemos dizer que ‘Fênix Negra’ foi para X-Men o que ‘Ultimato’ foi para Vingadores, a cereja do bolo. E agora os dois universos juntos em um futuro próximo, para a alegria dos que adoram super-heróis e histórias com muita ação e pancadaria.
‘X-Men: Fênix Negra’, antes cercado de desconfianças por conta do resultado abaixo do esperado do filme anterior, encerra com honras um ciclo que ofereceu muita ação, magia e emoção a públicos diversos. Agora é ficar na torcida por uma nova jornada, com grandes novidades e novas experiências para os cinéfilos.
“Até onde você pode ir por amor? De que você é capaz de fazer pela pessoa que ama? Iria até as últimas consequências? Essas três perguntas poderiam soar como clichê, mas fazem parte do enredo dessa produção Portugal-Espanha e com um casal brasileiro como protagonista. ‘Beatriz’, de Alberto Graça (O Dia da Caça), aborda questões como erotismo, prazer e liberdade feminina também são abordados, mas esses ingredientes serão suficientes para sustentar uma trama com premissas interessantes?
O filme traz o casal Beatriz(Marjorie Estiano) e Marcelo (Sérgio Guizé), que largam o Brasil para viverem juntos em Lisboa. Ela trabalha como advogada, ele é um escritor de contos eróticos de uma revista. A rotina do casal é movida a provocações e sexo em locais públicos. Marcelo publica publicado um livro que gerou crise no casamento, e depois tem a chance de poder lançar um segundo livro, mas ele usa a história do casal como inspiração. Ele larga seu emprego na revista e passa a se se dedicar ao novo livro., mas ele precisará que a esposa, que está grávida, vivencie novas experiências eróticas com ou sem ele para auxiliá-lo a construir uma história de sucesso.
A primeira pergunta feita até que é bem respondida durante a história, mas o que se vê é a submissão de Beatriz a tudo o que o marido quer e ele não possui tanta paixão que se esperava que pudesse ter. Marcelo é tão complexo que inicialmente se mostra firme em sua proposta, mas se perde ao longo da trama e só no fim ele se restabelece e retorna para seu objetivo principal, o de publicar um livro com histórias interessantes e apimentadas para seus leitores, mas tudo baseado no que ele experimentou ao lado de Beatriz.
Se o personagem de Guizé decepciona, Marjorie apresenta uma personagem com diversas camadas, dotada de sensualidade, elegância, fragilidade e força nos momentos mais dramáticos. Ela encara uma Beatriz difícil de ser interpretada e capaz de segurar a trama, apesar dos diálogos rasos e em profundidade. O elenco de apoio não dá suporte à trama principal, há atores portugueses desconhecidos do público brasileiro, como Beatriz Batarda, Luís Lucas, Margarida Marinho e Paulo Pinto. Há a encenação de uma peça que adapta o romance original, uma espécie de metalinguagem, mas há problemas de encaixe com os eventos principais e a trama fica com uma lacuna, que sequer é preenchida.
A fotografia é bela e inspiradora para quem gosta de contemplar as belezas portuguesas e espanholas e queria escrever ou entoar poesias, mas as paisagens não suprem as deficiências do roteiro e as interpretações dos personagens, sem profundidade e com pouco a oferecer.
‘Beatriz’ tem uma grande produção, com filmagens em grandes cenários, mas que peca na execução. Faltou uma história mais bem explorada e um protagonista que pudesse entregar mais do que poderia, caso de Marcelo, personagem de Sérgio Guizé. Um filme com gosto amargo e que prometia muito.
Divertido, irreverente, honesto e talentoso. Assim é Reginald Dwight, ou melhor, Elton Hercules John, grande astro do show business e que ostenta o título de sir concedido pela rainha Elizabeth II, da Inglaterra. ‘Rocketman’, a cinebiografia dirigida por Dexter Fletcher (Bohemian Rhapsody), vem para sensibilizar e empolgar o público, além de explorar diversas camadas de uma lenda da música que consegue também ser bastante controversa, e com a atuação de um talentoso Egerton (Kingsman: O Círculo Dourado), figura que vem sendo bastante aclamada por espectadores e crítica.
Logo de início nos deparamos com Elton (Egerton) em uma reunião dos AA (alcoólicos anônimos), uma cena que ilustra a fragilidade do protagonista e um gancho para que ele comece a contar sua história, boa parte dela com eventos reais e outros mesclados com fantasia. Nada é escondido, tudo está ali à mostra para o espectador, como seu vício em drogas, sexo, sua homossexualidade e suas intrigas com a imprensa e o compositor e amigo Bernie Taupin (Jamie Bell), principalmente no momento em que interpreta a canção “Goodbye Yellow Brick Road”, que destaca um possível afastamento dos dois. Elton não é apontado como um deus e um ser onipotente, mas alguém que possui virtudes e defeitos e sujeito a armadilhas da vida, e isso torna a história interessante e cada vez mais dinâmica, tendo em vista a quantidade de eventos inseridos e explorados ao longo dos 120 minutos de projeção.
O filme não poderia deixar de ter sua roupagem musical, com grandes sucessos de Elton sendo interpretados pelo próprio Taron Egerton e cada música com uma ligação entre os eventos apresentados durante a trama. Os personagens secundários também ganham destaque e são importantes na evolução do protagonista, como o empresário John Reid (Richard Madden), o pai, Stanley (Steven Mackintosh) e a mãe, Sheila (Bryce Dallas Howard). O primeiro é um aproveitador e quer usá-lo para se enriquecer, o segundo não possui afeto por ele e a terceira extremamente egoísta e bem distante do filho. Tudo isso fez Elton perceber que ele antes de amar ao próximo era incapaz de amar a si mesmo, o que desencadeou uma série de problemas internos e também discussões acaloradas ao logo da vida, mas que o fizeram refletir e melhorar como pessoa.
Se Elton tinha defeitos, sobravam qualidades para ele, com um bom timbre de voz, alta afinação e uma maneira de interpretar as músicas de se encher os olhos, com um entusiasmo fora do comum e colocando muito sentimento nas letras das canções. A direção de arte e de fotografia contribuem bastante para o espectador apreciar o talento de Elton e suas altas performances nos shows, com o brilho das luzes, um ótimo jogo de sombras, o público indo ao delírio e o intérprete flutuando literalmente no palco, levado por sua empolgação e de seus fãs. Uma espécie de rei que valoriza seus súditos e os brinda com muito carisma, belas músicas e excelentes performances com seus figurinos e adereços exóticos, coisas que só Elton conseguia fazer.
A atuação de Taron Egerton é excelente, ele consegue trazer o público para perto dele e convencer ao interpretar o artista e o ser humano Elton John, um homem que sabia se destacar na multidão por suas voz e suas roupas, mas que tinha dificuldades de criar laços com as pessoas por conta de sua fobia de ficar sozinho e por ser muito inseguro. O timbre de voz nas músicas é semelhante ao de Elton, mas Egerton consegue dar sua própria versão para as interpretações, o que torna a obra mais atrativa e não uma tentativa de um ator talentoso tentar imitar a voz de um ícone consagrado da música. A escolha de Egerton para o papel principal foi uma das mais acertadas, e dentre o elenco secundário, Jamie Bell (Quarteto Fantástico) na pele do compositor e parceiro de Elton, Bernie Taupin é o maior destaque. O personagem de Bell representa o amigo, o conselheiro, um dos grandes alicerces de Elton na falta de apoio dos pais e um dos principais responsáveis pelo sucesso inicial e retomada da carreira devido aos problemas do astro com drogas e álcool. Bernie Taupin foi uma espécie de anjo da guarda, figura crucial na vida profissional e pessoal de Elton e que também merece elogios.
Com proposta de divertir e ao mesmo tempo emocionar a plateia, retratando todas as camadas de vida do astro Elto, mas sem suavizar sua trajetória, que também foi cercada de polêmicas, ‘Rocketman’ acerta a mão e presenteia os fãs do cantor e de música de qualidade com uma trajetória de sucesso e superação e uma trilha sonora de altíssimo nível e de tirar o chapéu. Sem dúvida uma experiência que pode ser inesquecível para quem for ver.
Criaturas gigantes estão cada vez mais populares no cinema, e Godzilla é uma delas. O lendário monstro dos quadrinhos japoneses teve seu primeiro longa lançado pela Toho Film Company Ltd. em 1954 com o título ‘Godzilla’ (Gojira) e sob a direção de Ishirō Honda. Chegou aos Estados Unidos em 1956 com o filme ‘Godzilla, o Rei dos Monstros’(Godzilla: King of the Monsters), de Ishirô Honda e Terry O. Morse. Em 2019, após 28 produções, temos a volta do icônico bicho em ‘Godzilla II: Rei dos Monstros’ (Godzilla: King of the Monsters), dirigido por Michael Dougherty (X-Men: Apocalypse). O elenco é composto por estrelas, dentre elas Vera Farmiga (Invocação do Mal 2), Kyle Chandler (O Primeiro Homem), Sally Hawkins (A Forma da Água) e Millie Bobby Brown (Stranger Things). Mais um sucesso vindo aí?
A narrativa acompanha Emma Russell (Farmiga), da agência criptozoológica Monarch e responsável por criar o dispositivo Orca, que pode ser usado para se comunicar e controlar remotamente os Titãs, criaturas que ameaçam a humanidade, como a mariposa gigante Mothra, o pterossauro Rodan, e seu maior rival, o dragão de três cabeças Rei Ghidorah. O invento desperta cobiça de pessoas e organizações que querem usar os Titãs para ganhos pessoais, mas ninguém contava com o ressurgimento do monstro Godzilla das profundezas do Pacífico para lutar contra essas temíveis criaturas, deixando em xeque a existência da raça humana.
Esse longa é uma continuação direta do reboot ‘Godzilla’, lançado em 2014 e dirigido por Gareth Edwards (Rogue One – Uma História Star Wars). Logo de cara o espectador já consegue notar diferenças, como a quantidade de recursos visuais empregados e o tempo de Godzilla na tela. Enquanto em 2014 ele só aparece no terço final da narrativa, na produção de 2019 ele e os demais monstros se defrontam e provocam destruições em massa o tempo todo, com intensos quebra-quebras, explosões e perseguições com longos planos-sequência, destacando os ambientes e reforçando o grau de tensão vivido pelos personagens. O jogo de luzes, aliado à edição de som, estabelecem novas vibrações e transformam os confrontos em batalhas insanas, captando a essência do filme original japonês.
O ritmo é intenso e o enredo também valoriza o drama dos humanos, principalmente no que concerne à família Russel. Mesmo que todos estejam em meio ao caos, ainda há espaço para a exploração de questões mal resolvidas entre Emma, Mark e Madison. Apesar das atuações satisfatórias do elenco, principalmente de Millie Bobby Brown e Vera Farmiga, que trouxeram dinamismo na busca pela resolução dos conflitos, as criaturas destoam e ganham destaque maior na história, pois proporcionam emoção, angústia e muita agitação nos espectadores, tamanhas são as destruições feitas e o visual de cada monstro, de encher os olhos.
Quem assiste tem a sensação de estar em uma viagem no tempo e relembra de clássicos como Jaspion e Ultraman, tendo em vista as texturas e a projeção das imagens, similares aos primeiros filmes de Godzilla. Além disso, há menções a Kong do filme ‘Kong: A Ilha da Caveira’ (Kong: Skull Island), que está no mesmo universo de monstros. Surgem informações novas e um importante gancho para um possível confronto Kong vs Godzilla, o que motiva ainda mais o espectador. Se o longa já faz ponderações importantes sobre cultura e religião, ele já prepara a plateia para o que pode vir adiante, como uma continuação e novos conflitos, e isso pode ser sentido na reta final da história, com uma resolução memorável e além das expectativas.
Frenético, dinâmico e bem divertido, ‘Godzilla II: Rei dos Monstros’ não só homenageia a cultura e o cinema japonês, como traz uma pitada americana a um personagem clássico que movimenta gerações e com potencial para atingir novos públicos. Um resultado satisfatório e que impulsiona a franquia Godzilla a escrever novos capítulos em um universo tão rico de monstros na sétima arte.