Poltrona Cabine: Hebe-A Estrela do Brasil/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Hebe-A Estrela do Brasil/ Cesar Augusto Mota

Abordar o período de transição do Regime Militar para a redemocratização em nosso país é sempre um grande desafio para qualquer cineasta, tendo em vista os resquícios de censura que ainda existiam na veiculação de programas na TV ou em músicas executadas nas estações de rádio. E colocar um ícone, ou simplesmente, a rainha da TV Brasileira em meio a esse cenário, é um prato cheio para grandes debates. ‘Hebe-A Estrela do Brasil’, cuja personagem central é vivida por Andréa Beltrão, é mais que uma cinebiografia, é uma obra que mostra um lado que você não conhecia de Hebe Camargo, aclamada e consagrada pelo público em seus mais de sessenta anos de carreira.

Maio de 1985. Hebe é líder de audiência em seu programa de auditório da TV Bandeirantes, mas os conservadores e autoritários censores ainda estavam em sua cola. Sua produção a alerta para constantes reclamações da censura e possíveis ameaças, mas ela é posta contra a parede por Walter Clark (Danilo Grangheia), poderoso executivo da emissora, que exige mudanças drásticas e cortes em assuntos como política e sexualidade, para evitar riscos, como possível corte na concessão do sinal da emissora, ou a retirada do programa do ar por 30 dias. Disposta a enfrentar seus desafetos e sem se fazer de rogada, ela impõe que o programa seja feito do seu jeito ou nada, até não conseguir mais lutar sozinha contra a perseguição e pedir demissão ao vivo. Ela passa por um período sabático até ser contratada por Silvio Santos (Daniel Boaventura) e ter liberdade de expressão e retorno à televisão, agora no SBT.

Quem já viu Hebe séria no momento que deve ser e aberta para falar sobre qualquer assunto e sem se importar com questionamentos ou ataques, percebe isso nessa obra e muito mais. O público aprecia seus períodos festivos e tresloucados ao lado das amigas Nair Belo (Cláudia Missura) e Lolita Rodrigues (Karine Telles), seu lado superprotetor com o filho Marcelo Camargo (Caio Horowicz) e uma relação conturbada com o marido Lélio Ravagnani (Marco Ricca), com os dois protagonizando cenas pesadíssimas. E não para por aí, o espectador atesta uma bonita relação de cumplicidade e forte amizade com o cabeleireiro Carlucho (Ivo Müller), com quem viveu por 1 anos e o perdeu para a Aids e vê seu lado família durante as reuniões de pauta com sua produção, que dava alguns pitacos e ela sua pitada nos assuntos que poderiam ir ao ar, com o jeito Hebe de ser, ‘do meu próprio jeitinho’, como ela dizia.

Sem dúvida, o lado desafiador de Hebe aos conservadores é o ponto alto dessa obra. Sem hesitar em criticar políticos e falar de corrupção, Hebe encontrou espaço em seu programa para, pela primeira vez, falar de Aids, saúde pública, conversas sobre problemas sociais e mostrar que ela ‘não era de direita ou de esquerda, mas direta’, como se definia. Um filme com potencial para proporcionar debates acalorados sobre a apresentadora, e, claro, de maneira positiva. Vista como uma mulher à frente de seu tempo, Hebe deu sua cara à tapa, combateu o preconceito e estimulou as pessoas a saírem de suas próprias bolhas, estimularem seus lados críticos e a lutar por seus direitos, e isso poucos faziam com coragem e autenticidade como Hebe fazia e incentivava os outros a fazerem.

E para uma cinebiografia tão eficiente funcionar, as atuações funcionarem também. E isso se vê muito bem em Andréa Beltrão, que facilmente vira a chave do humor para o drama, ela consegue emprestar seu lado despojado e expansivo para Hebe e também mostra seu lado sério nos momentos considerados chave, passando muita verdade para a plateia, que compra suas ideias. E Marco Ricca, na pele de Lélio, apimenta ainda mais a obra, apresentando ao público uma faceta do marido de Hebe que era desconhecida por muitos, além de cenas de alta carga dramática, proporcionando muitos sobressaltos.

Um tributo à uma diva e um filme com debates acalorados e saudáveis sobre censura, preconceito e liberdade de expressão. Um filme necessário, bastante atual e uma merecida homenagem à uma mulher que fazia seu trabalho com amor e lutava por seu país. Hebe merece isso e muito mais.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

‘Antes Que Eu Me Esqueça’, com José de Abreu, tem exibição gratuita na Mostra de Cinema ChinaBrasil

‘Antes Que Eu Me Esqueça’, com José de Abreu, tem exibição gratuita na Mostra de Cinema ChinaBrasil

No ar como Otávio Rocha na novela “A dona do Pedaço”, José de Abreu poderá ser visto na Mostra de Cinema ChinaBrasil como Polidoro em “Antes que eu me esqueça”. O longa tem exibição gratuita dia 24 de setembro, no Espaço ltaú de Cinema. 

Premiado no Agenda Brasil Milão (Milão/Italia) (2018), no Festival Golden Rooster & Hundred Flowers Film Festival (2018), Festival de Cinema de Xangai (2018) e no Festival Internacional de Praga (2019), a produção traz o ator como Polidoro, um juiz aposentado que vive sozinho e mal tem contato com o filho Paulo (Danton Mello). Quando a filha mais próxima, Bia (Letícia Insnard) decide interditar o pai, uma reaproximação entre pai e filho promove uma mudança na vida de ambos.

Além desse, outros 10 filmes nacionais e chineses integram a mostra entre os dias 23 e 25 de setembro. Com curadoria de Antonio Leal (diretor e idealizador do CINEfoot) e do documentarista Hélio Pitanga (Arpoador/2016 e Som, Sol e Surf/18), o projeto cultural foi idealizado pelo empresário chinês, naturalizado brasileiro, Arthur Chen e visa a difusão do cinema chinês para o público carioca.

‘Foro Íntimo’, de Ricardo Mehedff, estreia em 26 de setembro

‘Foro Íntimo’, de Ricardo Mehedff, estreia em 26 de setembro

Longa aborda o enclausuramento de um juiz em seu próprio gabinete, num país assolado pela corrupção de todos os lados.

Depois de percorrer dezenas de festivais internacionais, nos quais angariou diversos prêmios como Melhor Filme Estrangeiro no London International Film Festival, FORO ÍNTIMO, primeiro longa-metragem do premiado diretor Ricardo Mehedff, chega aos cinemas brasileiros em 26 de setembro, com produção da VFilmes, coprodução da Hungry Man e distribuição da Embaúba Filmes.

A ideia do filme, segundo Mehedff que também assina o roteiro, surgiu a partir de uma matéria de jornal. “Em 2012 eu li uma matéria sobre um juiz federal do Mato Grosso do Sul, que foi forçado a viver dentro do fórum durante seis meses. Quando comecei a pesquisar, descobri que tinha um juiz em Porto Alegre que também havia sido ameaçado de morte e teve que dormir em seu local de trabalho, enquanto sua família havia sido realocada na Argentina, descobri também um outro caso desse em Manaus”. Para a construção da narrativa, o diretor conta que entrevistou um juiz aposentado que havia julgado um processo de tóxicos e entorpecentes, semelhante ao caso abordado no filme.

À época que o projeto começou a ser desenvolvido, ainda não haviam surgido as polêmicas em torno do sistema judiciário brasileiro. “Hoje, me espanta o quanto algumas cenas e situações se aproximam da realidade”, comenta Mehedff, que buscou fazer um filme aberto, retratando uma circunstância. “O filme traz a figura de um juiz, como um ser humano que faz coisas certas e erradas; algo que vem sendo, com toda razão, bastante questionado no Brasil. E levanta a questão da imparcialidade, ao mostrar um pouco da relação promíscua, antiética e corrupta que ocorre entre o juiz e o promotor do caso que está julgando”.

FORO ÍNTIMO foi filmado todo no Fórum Lafayette, no centro de Belo Horizonte, durante o recesso do judiciário. Esse foi um dos desafios enfrentados pelo diretor. “Só tivemos três semanas para rodar o filme inteiro, o que é muito pouco tempo para um longa-metragem. Mas isto, na verdade, acabou sendo muito bom, pois me forçou a encontrar soluções criativas e acabou por ajudar a construir esse outro ‘personagem’ do filme, que é o Fórum Lafayette”, explica.

Desde o início, a intenção de Mehedff era fazer um filme em preto e branco e quando entrou no fórum esse desejo se confirmou: “as cores do Fórum, seus corredores, varas e banheiros são todas naquele tom bege/cinza, típicos de repartição pública. Os elementos arquitetônicos do Fórum também atiçaram mais ainda o meu desejo pelo P&B”.

O longa acompanha a rotina do juiz Dr. Teixeira durante 24 horas nas dependências do fórum, que se tornou sua casa há meses, onde se alimenta, dorme e toma banho. Ameaçado de morte por criminosos sob seu julgamento, ele se encontra refém do sistema legal, vivendo constantemente vigiado e acompanhado por seguranças da polícia federal.

Gustavo Wernek, ator com ampla carreira no teatro, dá vida ao protagonista. A escolha se deu sem a realização de testes, como lembra o diretor: “eu já conhecia e admirava seu trabalho. Por acaso, ele estava em cartaz em Belo Horizonte com a peça Sarabanda, adaptação do filme do Berman, e assistindo à peça, eu soube que ele era o ator certo para o filme. Convidei, ele aceitou de pronto e mergulhou de cabeça no personagem. Frequentou comigo o Fórum Lafayette e chegou a passar alguns dias com um juiz, numa vara criminal, para sentir e entender o dia-a-dia”.

A pompa e imponência da arquitetura moderna do Fórum Lafayette, o personagem coadjuvante, é contraposta com a reconhecida divisória de repartição pública e as pilhas de processos nos corredores. O juiz, cada vez mais encurralado, parece estar na iminência de perder o controle de suas próprias emoções, quando a pressão do seu cotidiano atual coloca em xeque sua normalidade psicológica, criando ciclos que podem ter acontecido ou serem apenas imaginação de sua mente abalada.

Neste momento, em que o judiciário se tornou protagonista do noticiário brasileiro, o diretor comenta sua expectativa em relação a FORO ÍNTIMO: “Gostaria que o filme instigasse, para além de uma discussão política, uma reflexão sobre o sistema judiciário brasileiro e todas as suas contradições. Após frequentar diversos Fóruns de justiça e conversar com inúmeros magistrados, enxergo o sistema judiciário em um estado de adoecimento, por vezes incapaz de agir de forma clara e imparcial”.

SINOPSE 
Inspirado em eventos reais, ‘Foro Íntimo’ navega as turbulentas águas que escondem a sombria situação do Poder Judiciário no Brasil. O filme acompanha 24 horas na vida de um juiz acuado por criminosos e refém do sistema legal.

TRAILER

FICHA TÉCNICA 

Direção: Ricardo Mehedff
Produção executiva: Cristina Maure
Produtores associados: Afonso Nunes e José Baracho Junior
Roteiro: Guilherme Lessa e Ricardo Mehedff
Direção de fotografia: Dudu Miranda
Direção de arte: Priscila Amoni
Figurino: Julia Lynn Gordon
Montagem: Marília Moraes E Ricardo Mehedff
Desenho De Som e Mixagem: Alessandro Laroca e Daniel Virmond Lima
Trilha original: Alessandro Artur e Alexandre Andrés
Som direto: Gustavo Fioravante
Elenco: Gustavo Werneck, Jefferson Da Fonseca Coutinho, Bia França,
Leo Quintão, André Senna, Letícia Castilho, Alex Mehedff e Edu Costa
Produção: VFilmes e Hungry Man
Distribuição Brasil: Embaúba Filmes
País: Brasil
Ano: 2017
Duração: 74 min.

FESTIVAIS E PREMIAÇÕES 
41º International Film Festival of São Paulo – Brasil
20º London International Film Festival – Inglaterra – Prêmio Melhor Filme Estrangeiro
Paisagens 2018 – Festival Intenacional de Cinema de Sever do Vouga, Portugal – Prêmio Melhor Filme Longa-Metragem
21º Avanca Film Festival – Portugal – Prêmios Melhor Ator e Prêmio Especial do Júri
15º Boston International Film Festival – EUA
13º International Filmmaker Festival – Berlim, Alemanha
5º Urban International Film Festival – Teerã, Irã – Prêmio Melhor Cinematografia
Chandler International Film Festival – Arizona, EUA
CIFF – Creation International Film Festival – Ottawa, Canada – Prêmios Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Cinematografia
SANFICI – Santander Festival Int. de Cine Independiente – Colombia
Construir Cine International Film Festival – Buenos Aires, Argentina – Prêmio Melhores Filmes Estrangeiros
Aurora International Film Festival – Russia
Fingal Film Festival – Irlanda
Fic Autor – Festival Int. de Cine de Autor – Guadalajara, México
17º Sopot Film Festival – Polonia
Stockholm International Film Festival – Suécia
12º BlowUp International Arthouse Film Festival – Chicago, EUA
10º International Crime & Punishment Film Festival – Turquia
8º Jagran International Film Festival – India
10º Lumiere Film Festival
19º Hong Kong International PUFF Film Festival – Hong Kong
Meraki Film Festival – Espanha
San Mauro Film Festival – Italia
CPH Film Festival – Copenhagen, Dinamarca
15º Festival CineAmazônia
Cinecôa – 7º Festival Internacional de Cinema de Vila nova de Foz Côa, Portugal

SOBRE O DIRETOR 
Ricardo Mehedff é pós-graduado em cinema pela George Washington University.  Diretor de filmes consagrados como ‘Foro Íntimo’, ‘Capital Circulante’, ‘Um Branco Súbito’ e ‘Noite Aberta’, seus premiados filmes foram selecionados para mais de 100 festivais, incluindo alguns dos principais eventos de cinema no mundo como Roterdã, Oberhausen, Havana, Guadalajara, Rio, São Paulo, Gramado, Uppsala e Toulouse. Além disso, foram comercializados para TVs de diversos países como França, Itália, Espanha, Canada, Estados Unidos e Brasil. Ricardo também tem um renomado currículo como montador e trouxe inovações ao mercado de distribuição de filmes no Brasil criando e editando inúmeros trailers para o cinema nacional e Hollywood. ‘Foro Íntimo’, primeiro longa de Ricardo foi selecionado para mais de trinta festivais pelo mundo (em vinte países diferentes), levando diversos prêmios incluindo Melhor Filme Estrangeiro nos festivais de: Londres (London International Film Festival), Buenos Aires (Festival Internacional Construir Cine), Ottawa (Creation Int. Film Festival) e Portugal (Paisagens 2018 – Sever do Vouga Int. Film Festival).

SOBRE A DISTRIBUIDORA 
A Embaúba Filmes é uma nova distribuidora de cinema brasileiro, sediada em Belo Horizonte. A empresa atua com a distribuição de filmes autorais em todas as suas etapas, incluindo festivais de cinema, lançamentos no circuito comercial, negociações e vendas no Brasil e no exterior, além de um site próprio de VOD, para locação de seus títulos pela internet. A empresa é dirigida por Daniel Queiroz, que vem de uma experiência prévia de mais de 10 anos como programador de cinema, em salas (Cine Humberto Mauro e Cine 104) e festivais (Festival Internacional de Curtas de BH, Festival de Brasília, Semana de Cinema). A Embaúba possui em seu catálogo filmes como Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans; Inferninho, de Guto Parente e Pedro Diógenes; Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de João Salaviza e Renée Nader Messara; Inaudito, de Gregório Gananian; Eu Sou o Rio, de Anne Santos e
Gabraz; No Coração do Mundo, de Gabriel Martins e Maurílio Martins; e Os Sonâmbulos, de Tiago Mata Machado.

23º Festival de Cinema Brasileiro de Miami anuncia indicados ao prêmio Lente de Cristal em sete categorias

23º Festival de Cinema Brasileiro de Miami anuncia indicados ao prêmio Lente de Cristal em sete categorias

Troféu Lente de Cristal será entregue ao Melhor Filme e Melhor Filme (Júri Popular), Ator, Atriz, Diretor, Fotografia e Roteiro, na maior e mais importante mostra de filmes nacionais realizada no exterior, 
de 14 a 21 de setembro

Com produção da Inffinito, o Festival de Cinema Brasileiro de Miami acaba de anunciar os indicados nas sete categorias do troféu Lente de Cristal. Com sua 23ª edição confirmada de 14 a 21 de setembro, na Flórida, o Festival vai premiar destaques do cinema brasileiro de Melhor Filme (Júri Popular), Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Diretor, Melhor Cinematografia e  Melhor Roteiro.

Seis longas foram selecionados para concorrer com representantes nessas categorias: os ainda inéditos no Brasil Veneza, de Miguel Falabella, e Boca de Ouro, de Daniel Filho; a cinebiografia Simonal, de Leonardo Domingues; o romance Todas as Canções de Amor, de Joana Mariani; o drama Deslembro, de Flávia Castro, eleito Melhor Filme da Crítica no Festival Latino Americano de Biarritz e Melhor Filme do Júri Popular no Festival do Rio; e a comédia romântica De Pernas Pro Ar 3, de Julia Rezende. Todos serão exibidos no Regal South Beach, na Lincoln Road. A grande homenageada desta edição é a atriz Dira Paes, que estrela Veneza e também Divino Amor, de Gabriel Mascaro, que será exibido em sessão hors concours no encerramento do BRAFF Miami, depois de passar pelos festivais internacionais como o de Sundance e de Berlim, recebendo diversas críticas positivas da imprensa internacional.

Durante oito dias, atores, diretores, produtores nacionais e estrangeiros, além de executivos americanos e latinos do setor audiovisual estarão na cidade para assistir às produções nacionais da safra 2018-2019 e para discutir caminhos para a coprodução com países latino-americanos e para a distribuição internacional nas mais variadas janelas de exibição.

“O Festival é uma ação de resistência. Fomos o primeiro com conteúdo exclusivamente brasileiro produzido no exterior. Ao longo dos últimos 23 anos nossa missão foi e continua sendo a de estimular o público estrangeiro a conhecer, se familiarizar e começar a consumir a cinematografia brasileira”, diz Adriana L. Dutra.

OS FINALISTAS DO 23º FESTIVAL DE CINEMA BRASILEIRO DE MIAMI

Melhor Filme e Melhor Filme (Júri Popular)
Boca De Ouro
De Pernas Pro Ar 3
Deslembro
Simonal
Todas as Canções de Amor
Veneza

Melhor Ator
Bruno Gagliasso (Todas as Canções de Amor)
Bruno Garcia (De Pernas Pro Ar 3)
Eduardo Moscovis (Veneza)
Fabricio Boliveira (Simonal)
Julio Andrade (Todas as Canções de Amor)
Marcos Palmeira (Boca De Ouro)

Melhor Atriz
Dira Paes (Veneza)
Ingrid Guimarães (De Pernas Pro Ar 3)
Isis Valverde (Simonal)
Jeanne Boudier (Deslembro)
Luiza Mariani (Todas as Canções de Amor)
Malu Mader (Boca de Ouro)
Marina Ruy Barbosa (Todas as Canções de Amor)

Melhor Diretor
Daniel Filho (Boca De Ouro)
Flávia Castro (Deslembro)
Joana Mariani (Todas as Canções de Amor)
Julia Rezende (De Pernas Pro Ar 3)
Leonardo Domingues (Simonal)
Miguel Falabella (Veneza)

Melhor Cinematografia
Dante Belluti (De Pernas Pro Ar 3)
Felipe Reinheimer (Boca de Ouro)
Gustavo Hadba (Todas as Canções de Amor)
Gustavo Hadba (Veneza)
Heloisa Passos (Deslembro)
Pablo Baião (Simonal)

Melhor Roteiro
Euclydes Marinho (Boca de Ouro)
Flávia Castro (Deslembro)
Marcelo Saback, Rene Belmonte E Ingrid Guimaraes (De Pernas Pro Ar 3)
Miguel Falabella (Veneza)
Nina Crintz, Vera Egito E Roberto Vitorino (Todas as Canções de Amor)
Victor Atherino e Leonardo Domingues (Simonal)

PROFISSIONAIS DO JÚRI

Os indicados e vencedores são escolhidos por um júri de renomados profissionais do mercado internacional audiovisual e cultural. Nesta edição é composto por Adriana Sabino, Fundadora e Presidente do Centro Cultural Brasil-USA; Ana François, Professora da University of Miami; Maria Sanchez, Aquisições de Conteúdo na Amazon Prime Video, e Monica Sufar, Consultora na WarnerMedia.

 

ABERTURA E MOSTRA PANORAMA

Na noite de abertura do Festival, dia 14 de setembro, serão exibidos, fora de competição, Maria do Caritó, de João Paulo Jabur e O Beijo no Asfalto, dirigido por Murilo Benício. A Mostra Panorama apresenta, também, fora de competição, o inédito Orlamundo, filme de Orlando Morais, dirigido por Alexandre Bouchet, que foi premiado em junho no LAIFFA – Los Angeles Independent Film Festival como o Melhor Documentário em Longa-Metragem; Chacrinha – O Velho Guerreiro, de Andrucha Waddington; Cine Holliúdy 2 – A Chibatada Sideral, de Halder Gomes; Minha Vida em Marte, de Susana Garcia; O Fantástico Patinho Feio, de Denilson Félix, que levou o prêmio de melhor filme brasiliense do Festival de Brasília em 2017; e Tá Rindo de Quê?, de Cláudio Manoel, Álvaro Campos e Alê Braga.

 

COLETIVA DE IMPRENSA

O cinema Silverspot sediará uma coletiva de imprensa no dia 17 de setembro, às 17h, com a participação de Lilia Cabral (atriz – Maria do Caritó), Miguel Falabella (diretor – Veneza), Dira Paes (atriz – Veneza / Divino Amor), Orlando Morais (cantor, ator – Orlamundo), Antonia Morais (cantora, atriz – Orlamundo), Andréa Darocha  (produtora – Orlamundo), Camila Morgado (convidada especial), Daniel Del Sarto (ator, cantor e apresentador – noite de encerramento), Fabrício Boliveira (ator – Simonal), Paulo Baião (fotógrafo – Simonal), Alex Ribeiro (produtor – O Fantástico Patinho Feio), Denilson Félix (diretor – O Fantástico Patinho Feio), João Luiz Fonseca (produtor – O Fantástico Patinho Feio), Luiz Noronha (produtor – Minha Vida em Marte) e Marcelo Ludwig Maia (produtor – O Beijo no Asfalto).

 

INFFINITO CONNECT – MERCADO

Além das mostras de filmes, a Inffinito realiza este ano seu evento de mercado com um novo formato: o Inffinito Connect, que reunirá players brasileiros, latinos e americanos para painéis e debates. Pela primeira vez, o evento será disponibilizado ao vivo via streaming pelas redes sociais da Inffinito, mediante inscrição e o foco será na coprodução entre Brasil e países latino-americanos e na distribuição internacional nas mais diversas janelas de exibição, com destaque para o painel “Quais as oportunidades atuais para a inserção do conteúdo do Brasil no mercado internacional?”.

Durante estes 23 anos foram realizados, ao todo, 148 painéis mercadológicos, com a presença de cerca de 400 players internacionais, que fizeram um forte network com os realizadores brasileiros e encontraram algum tipo de comercialização para TV, VOD, remakers, coproduções, convites para festivais internacionais, distribuição para cinema, universidades e centros culturais no mercado latino e americano”, diz Claudia Dutra.

 

SOBRE O FESTIVAL

Idealizado pelas produtoras Adriana L. Dutra, Cláudia Dutra e Viviane B. Spinelli, o BRAFF (Brazilian Film Festival of Miami / Festival de Cinema Brasileiro de Miami) é pioneiro na exibição exclusiva de cinema brasileiro no exterior e tem sido o maior responsável, nas últimas décadas, pelo fomento do audiovisual nacional no exterior. O evento integra o calendário oficial da cidade de Miami e Miami Beach, e é reconhecido como um Festival de mercado, considerado uma importante plataforma de negócios e comunicação entre profissionais e empresas do setor audiovisual nas Américas.

“Em 23 anos de realização, o Circuito Inffinito de Festivais, teve mais de 1.080.000 espectadores em seus 81 festivais apresentados em todo o mundo e já exibiu cerca de 850 filmes em diversos gêneros e formatos e principalmente, propiciou a oportunidade de novos negócios para cerca de 40% destes filmes.”, conta Viviane B. Spinelli.

Até o dia 21 de setembro, Miami será tomada pela programação do Festival, com filmes inéditos ou recém-lançados no Brasil (e todos inéditos na Flórida), em diversos espaços da cidade, como o tradicional cinema Regal South Beach (onde acontece a Mostra Competitiva), o Colony Theatre   (teatro art déco que sedia a cerimônia de encerramento), a Florida Internacional University (FIU), que exibe dois filmes dentro da programação oficial: América Armada, de Alice Lanari e Pedro Asbeg, e Sócrates, de Alex Moratto, ganhador do Spirit Awards; além do Silverspot Cinema, que recebe a Mostra Panorama.

 

PROGRAMAÇÃO BRAFF MIAMI

 

DATA

 FILME

MOSTRA – LOCAL 

14 SET (SAB)

  7PM  –  MARIA DO CARITÓ        

   9:30 PM – O BEIJO NO ASFALTO

ABERTURA

REGAL CINEMAS

15 SET (DOM)

6:30PM  – O FANTÁSTICO PATINHO FEIO

8:30 PM – MINHA VIDA EM MARTE

MOSTRA PANORAMA

SILVERSPOT CINEMA

16 SET (SEG)

6:30PM  –   TA RINDO DE QUÊ?

8:30 PM – CHACRINHA

MOSTRA PANORAMA

SILVERSPOT CINEMA

17 SET (TER)

6:30PM  –  ORLAMUNDO

8:30 PM –  CINE HOLLIÚDY 2 – A CHIBATA SIDERAL

MOSTRA PANORAMA

SILVERSPOT CINEMA

18 SET (QUA)

7PM – DE PERNAS PRO AR 3

9:30PM – VENEZA

MOSTRA COMPETITIVA

REGAL CINEMAS

19 SET (QUI)

3:00PM –  AMÉRICA ARMADA

5:00PM – SÓCRATES

MOSTRA UNIVERSITÁRIA

FIU

19 SET (QUI)

7PM –  DESLEMBRO

9:30PM –  SIMONAL

MOSTRA COMPETITIVA

REGAL CINEMAS

20 SET (SEX)

7PM – TODAS AS CANÇÕES DE AMOR

9:30PM –  BOCA DE OURO

MOSTRA COMPETITIVA REGAL CINEMAS

21 SET (SAB)

8PM –  DIVINO AMOR

HOMENAGEM A DIRA PAES

NOITE DE PREMIAÇÃO

ENCERRAMENTO

COLONY THEATRE

SERVIÇO

14, 18, 19 E 20 de setembro, 7:00pm e 9:30pm
Mostra Competitiva
Regal South Beach
Endereço: 1120 Lincoln Rd, Miami Beach, Fl 33139

15, 16 e 17 de setembro, 6:30pm e 8:30pm
Mostra Panorama
Silverspot Cinema Downtown Miami
Endereço: 300 Se 3rd St #100, Miami

19 de setembro, 10:00am
Inffinito Connect
Nautilus Hotel South Beach
Endereço: 1825 Collins Ave, Miami Beach

19 de setembro, 3:00pm e 5:00pm
Mostra Universitária
Fiu – Florida International University
Endereço: 11200 Sw 8th Street, Graham Center Room 140, Miami, Florida 33199

21 de setembro, 7:30pm
Noite de Encerramento e Premiação
Colony Theatre
Endereço: 1040 Lincoln Road, Miami Beach

Ingressos

1. Regal Cinemas
A. Ingresso Inteira = Us$14,00

Seniors que apresentarem Golden Tickets e Primeiros Members = Livre

2. Silverspot Cinema Downtown Miami
A. Ingresso Inteira = Us$14,00

3. Florida International University
A. Ingresso = Livre

4. Colony Theatre
A. Ingresso Inteira = Us$25

Para  compra de ingressos:
https://www.inffinito.com/tickets

CURADORIA

A curadoria do BRAFF Miami é composta por profissionais do setor audiovisual.

  • Adriana L. Dutra – Cineasta, documentarista e diretora do Circuito Inffinito
  • Jal Guerreiro – Diretora da BOX BRASIL
  • Liliana Kawase – Produtora Executiva da Titanio Films
  • Viviane B. Spinelli – Produtora e diretora do Circuito Inffinito

 

PRÊMIO LENTE DE CRISTAL – CATEGORIAS

Melhor Filme (Júri Popular)
Melhor Filme
Melhor Diretor
Melhor Cinematografia
Melhor Roteiro
Melhor Ator
Melhor Atriz

HOMENAGEM À ATRIZ DIRA PAES, COM EXIBIÇÃO DE ‘DIVINO AMOR’ NO ENCERRAMENTO.

Patrocínios: Miami-Dade County (Tourist Development Council, Department of Cultural Affairs, Cultural Affairs Council, Mayor and Board of County Commissioners), City of Miami Beach – CAC e E! Entertainment Channel.

Apoio institucional: Consulado Geral do Brasil em Miami.

Companhia aérea oficial: American Airlines.

Bebida oficial: Johnny Walker e Tanqueray.

Hotel oficial: Nautilus by Arlo.

Apoios: Piola, ATC Cargo, Regal Cinemas, Silverspot Cinema Downtown Miami, Neiman Marcus – Bal Harbour, Sound Components and Adriana de Castro – One Sotheby’s Realty.

Apoio de mídia: Miami Herald, El Nuevo Herald, Achei USA Newspaper, Acontece Magazine, Culture Owl, Globo Internacional TV e Radio Florida Brazil.

Este Festival contou com recursos do Edital 11, de Apoio a Festivais, Mostras e Eventos de Mercado: BRDE, FSA, Ancine, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Governo Federal.

SOBRE A INFINITTO

Fundada em 1995 pelas sócias Adriana L. DutraCláudia Dutra e Viviane B. Spinelli, a Inffinito é hoje uma das mais importantes produtoras culturais do Brasil e a maior vitrine do cinema nacional no exterior. A Inffinito atua na produção de eventos culturais, ações de capacitação, experiências em sustentabilidade e produção de conteúdo audiovisual para cinema e TV.

A Inffinito é idealizadora do Circuito Inffinito de Festivais, o único circuito de Festivais de cinema brasileiro no mundo. A empresa também produz filmes em todos os formatos: curtas, médias e longas, e produtos para a TV. Em seu portfólio estão os longas-metragens documentários Fumando Espero (2009) e Quanto Tempo o Tempo Tem (2017), de Adriana L. Dutra; Fumando Espero, a SérieOpção Laje; Opção América e Transgente (exibidas pelo Canal Brasil);  Sons Brasilis  (exibido pelo Canal Curta!); Quero Botar Meu Bloco Na Rua (exibido pela TV Cine Brasil); Pioneiros, documentário de Viviane B. Spinelli e Dulce Bressane (2008); além de Caravana MT: Concertos pela Paz no Trânsito (2008), de Viviane B. Spinelli. Atualmente, está em produção o longa Sociedade do Medo, de Adriana L. Dutra.

​​​A Inffinito é ainda responsável pela realização de eventos culturais no Brasil como o Cine Pedal Brasil, Cine Verão do Rio, Cinema da GenteVerão do RioConexão SambaRedecard Conexão BrasilB-a-bá do Cinema NacionalProjeto Ecocine & Expo Lamsa Arte de Comunidade, entre muitos outros.

 

 

Poltrona Resenha: Bacurau/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Bacurau/ Cesar Augusto Mota

Cada vez mais em ascensão, o cineasta Kléber Mendonça Filho, traz ao público mais uma obra de forte apelo, que mistura ficção científica, faroeste e traz um mundo distópico, juntamente de Juliano Dornelles. Aclamado e premiado no Festival de Cannes, com o prêmio do júri, ‘Bacurau’ chega em solo brasileiro e já está chamando bastante a atenção, não só pelo conteúdo, como também da maneira como foi construído.

A narrativa se passa na pequena cidade homônima ao título do filme, situada no Nordeste e composta praticamente por uma só rua. Lá todos se conhecem, e conhecemos a médica Domingas (Sônia Braga), o ex-matador Pacote (Thomas Aquino) e a prestativa Teresa (Barbara Colen). Todos juntos e misturados, praticamente constituem uma pequena cidade que não está mais no mapa, um local onde todos moram, se respeitam e se ajudam. Porém, Bacurau é abalada com a chegada de um grupo de estrangeiros comandado por Michael (Udo Kier). Aparecem dois forasteiros brasileiros (Karine Teles e Antonio Saboia) montados em motos de trilha. Depois, o grupo principal surge e uma série de assassinatos começa a ocorrer, provocando a mobilização de todo o povoado, que elabora uma estratégia de defesa.

Antes de inserir o espectador com profundidade na história, Kleber Mendonça e Dornelles primeiramente procuram apresentar com esmero a cidade de Bacurau, que também é personagem da trama, marcada por desigualdades sociais, falta de investimento e muitas famílias vivendo na miséria, porém com moradores que encontram forças para lutar contra todas as adversidades e a inércia e corrupção de seu prefeito. Em seguida, há as oposições entre nacional e estrangeiro e, por fim, a trama principal, com os assassinatos que vitimam os moradores de Bacurau causados por um grupo estrangeiro de atiradores e dispostos a marcar território. Cada etapa construída com cuidado, precisão e com contextos por trás, facilmente captados pelo público.

Além de uma história impactante, com ingredientes tarantinescos, como o uso de cenas fortes e sangue jorrando para todos os lados, a veia crítica se sobressai, com alfinetadas sobre a questão do armamento, a xenofobia e o combate à violência. A montagem e fotografia também contribuem para o sucesso da produção, que permite também apreciar a beleza do Nordeste brasileiro, a cultura local e as belas paisagens do sertão. Objetos brasileiros e estrangeiros também entraram no embate nacional x estrangeiro, como bicicleta e drone, além de representações visuais americanas e brasileiras. Esses recursos são utilizados pelos dois cineastas de forma proposital, para exaltar o sentimento nacionalista, o valorizar mais o que é nosso, o que acaba funcionando.

E uma boa história só funcionaria se houvessem atuações fortes e capazes de carregar a trama até o fim, e com isso também nos deparamos. Mesmo com menos tempo em tela em comparação com as outras produções de Kléber Mendonça, Sônia Braga (Aquarius) representou com sua personagem o símbolo de resistência e uma grande guerreira, que deixa transparecer aos poucos sua personalidade e com um forte apelo na medida em que as pessoas a conhecem com mais profundidade. O vilão, representado por Udo Kier (Melancolia) como o líder dos americanos, é um excelente contraponto e com presença imponente na região. E menção honrosa para Silvero Pereira (Serra Pelada), o pistoleiro Lunga, ele aumenta a dramaticidade da história e brinda o público com bons momentos de humor.

Um filme moderno, forte, crítico e de denúncia. Assim pode ser definido ‘Bacurau’, que procura não só apontar as imperfeições e os males nos quais está inserida a sociedade brasileira, como também construir, valorizar e defender a identidade do povo brasileiro, principalmente o nordestino, que é trabalhador, forte e, sobretudo, acolhedor. Uma obra para ser apreciada e exaltada com todas as honras.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota