“Colegas e o Herdeiro” entra em segunda semana em cartaz e estreia em novas cidades brasileiras no mês da inclusão
Com distribuição da H2O Films, longa amplia presença regional em estados como SP, PR, PA e MG, coincidindo com a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla
O longa-metragem “Colegas e o Herdeiro”, dirigido por Marcelo Galvão, entra em sua segunda semana de exibição nos cinemas brasileiros ampliando sua presença pelo país. A produção chega às salas de novas praças em estados como São Paulo, Paraná, Pará e Minas Gerais, incluindo cidades como São José dos Campos, Diadema, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Pindamonhangaba, Várzea Paulista, Andradina, Umuarama, Apucarana, Cornélio Procópio, Sete Lagoas e Belém.
O anúncio de chegada em novas localidades coincide com um período emblemático para a pauta da diversidade no Brasil. Entre os dias 21 e 28 de agosto, celebra-se a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, com foco no combate ao capacitismo, marcando também o Dia da Pessoa com Deficiência Intelectual (22 de agosto). A trajetória do filme no circuito comercial antecipa ainda as mobilizações do Setembro Verde, mês dedicado à inclusão social, e de datas como o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21 de setembro) e o Dia Nacional do Atleta Paralímpico (22 de setembro), modalidade que conta, inclusive, com a participação dos atores Alessandro Cerabino e Rafaela Fontanetti, integrantes do elenco e atletas de nado artístico.
Paralelamente ao circuito comercial, a produção também adiciona em sua agenda uma sessão especial. No dia 26 de agosto, às 18h, o Cine Arte UFF, em Niterói (RJ), recebe uma exibição de “Colegas e o Herdeiro” acompanhada de um debate sobre o protagonismo de pessoas com síndrome de Down no audiovisual. O evento é promovido pelo Instituto Teatro Novo, em parceria com o Centro de Artes da UFF, UFF Acessível e o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (COMPEDE).
Na nova trama, um grupo de colegas foge do instituto em uma ousada viagem clandestina para reencontrar o amigo Stallone, que vive no Uruguai em meio a uma disputa pela herança de um hotel. A bordo de um avião de carga rumo a Punta del Este, o que deveria ser apenas uma visita transforma-se em uma perigosa aventura quando cruzam o caminho de contrabandistas de pedras preciosas.
Mantendo o DNA de inclusão, “Colegas e o Herdeiro” amplia o escopo com um elenco formado por dezenas de atores com síndrome de Down, autismo, síndrome de Williams e outras deficiências intelectuais. Sobre a expansão do elenco, o diretor Marcelo Galvão destaca o processo de seleção: “Abrimos um casting em todo o Brasil
buscando pessoas com deficiência intelectual para atuar no filme. Foi assim que construímos um elenco tão diverso, com mais de 70 jovens em papéis coadjuvantes. Meu objetivo foi mostrar que existem muitos atores e atrizes com deficiência extremamente talentosos que merecem espaço na arte”.
A relação de trabalho no set seguiu a mesma diretriz do longa original. “O tratamento sempre foi o mesmo que tenho com qualquer ator: respeito, disposição para ouvir, clareza ao explicar os objetivos de cada cena e responsabilidade ao estabelecer os compromissos de todos. Tratar cada pessoa com o mesmo respeito e profissionalismo é a principal lição”, pontua o cineasta.
Sob a direção e roteiro de Marcelo Galvão, o longa traz um elenco principal composto por Ariel Goldenberg, Breno Viola, Rita Pokk, João Vitor de Paiva Bittencourt, Deto Montenegro, Luiza Godoi e Fafy Siqueira, entre outros. A produção presta homenagem à atriz Amélia Bittencourt e a Marçal Souza (“Colegas”, “O Matador”), produtor executivo deficiente visual que faleceu um pouco antes das filmagens.
Refletindo sobre a responsabilidade do projeto, Marcelo Galvão destaca: “Era uma responsabilidade muito grande. Por isso, em vez de tentar superar ‘Colegas’ artisticamente ou repetir sua trajetória nos festivais, preferi concentrar meus esforços em valorizar a diversidade desse elenco extraordinário de jovens com deficiência. Buscamos construir uma narrativa que envolvesse o público e revelasse o talento de cada um deles. O que falta não é talento, mas oportunidade”.
A estrutura visual do filme, rodado entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, adotou soluções específicas para lidar com os desafios orçamentários de uma produção internacional. “Adotamos uma linguagem visual inspirada nos filmes de Wes Anderson, com planos grandiosos e bem compostos, lentes abertas e poucos movimentos de câmera. Para construir o hotel da trama, combinamos locações externas em Punta del Este, estúdios em Porto Alegre e um parque aquático no interior gaúcho”, revela Galvão.
A produção é assinada por Rafael Yoshida e Marcelo Galvão, com coprodução da Globo Filmes e distribuição da H2O Films. A direção de fotografia fica a cargo de Rodrigo Tavares (AIP) e Eduardo Makino, com direção de arte de Zenor Ribas e música original de Ed Côrtes.
Em julho de 2025, “Colegas e o Herdeiro” teve sua estreia internacional na Rússia durante o Zerkalo International Film Festival, na cidade de Ivanovo. Já em outubro do mesmo ano, o filme estreou nos Estados Unidos, no Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF), vencendo o Prêmio Especial do Júri. Logo depois, a produção foi exibida em Orlando durante o LABRFF-Orlando, onde conquistou o prêmio de Melhor Fotografia, além de integrar a seleção da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com sessões na “Mostrinha”, voltada ao público infantojuvenil. Em maio de 2026, o longa competiu na Sibéria (Rússia) no Hero International Film Festival, evento dedicado a produções com heróis que servem de exemplo para a nova geração, onde sagrou-se vencedor na categoria de Melhor Longa-Metragem para Crianças e Jovens. Em julho de 2026, o filme foi selecionado ainda para o Bonito Cinesur, Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito (MS).