‘ZONA DE INTERESSE’: NÃO É TERROR, MAS ASSUSTA ****
Já vimos centenas de filmes passados durante o período nazista e sobre o extermínio de judeus. Mas, nunca vimos nenhum como ‘The Zone of Interest’ (no original), de Jonathan Glazer. O diretor, que filma muito esporadicamente (apenas 4 longas em 20 anos), é dado a obras algo estranhas (‘Birth’ e ‘Sob a pele’, por exemplo). Aqui, ele adaptou um livro do recém falecido Martin Amis, sobre o cotidiano de uma família alemã perfeita: eles vivem numa bela casa, com um belo jardim, piscina, empregados, comida farta. Mas, do outro lado do muro da casa está… o campo de concentração de Auschwitz! O dono da casa, Rudolf Höss (que realmente existiu), é um oficial nazista de alta patente, que gerencia a logística dos campos. Nada disso influi na vida da família. A esposa de Höss, Hedwig (Sandra Hüller, de ‘Anatomia de uma queda’), que se diz ‘A Princesa de Auschwitz’, só pensa em futilidades. Nos detalhes, vemos uma fumaça de forno crematório ali, um ruído de trem ao fundo, espocar de tiros acolá, e a vida segue normal para os Höss, que sonham com uma Alemanha nazista perfeita e feliz, sem saber que o sonho vai durar pouco (a trama se passa por volta de 1943, dois anos antes da derrocada nazi). Um filme que assusta, mesmo não sendo do gênero terror, e acaba de uma forma que deixa um nó no estômago. TOM LEÃO