A polarização da sociedade brasileira conflagrada pela maior crise política e econômica do Brasil e seu paralelo no mundo são investigados em “O muro”, longa-metragem dirigido pelo cineasta Lula Buarque de Hollanda que tem pré-estreia na mostra Novos Rumos, da Première Brasil, no Festival do Rio, hoje, dia 10 de outubro, às 20h15.
A narrativa de “O muro” se desenrola ao longo da série de manifestações que tomou o país nos meses que antecederam o impeachment da presidente Dilma Rousseff em agosto de 2016, e constrói com uma estética experimental, na fronteira entre o documentário e a videoarte, um retrato urgente do Brasil atual. O documentário testemunha manifestantes de campos rivais compartilhando seus pontos de vista contrastantes enquanto posam para retratos “em movimento”. E também se dedica a uma outra leitura dos fatos, ao entrevistar pensadores, cientistas políticos, historiadores, filósofos, acadêmicos e brasilianistas.
O filme nos leva até a Alemanha, em busca da sombra do lendário Muro de Berlim, e a Israel, onde o muro que separa israelenses e palestinos simboliza a recusa em coexistir. E joga luz sobre o recente avanço da extrema direita no Brasil e no mundo, examina a complexidade do momento, mescla depoimentos conflitantes e mostra, no caso do Brasil, um denominador comum: a postura de uma sociedade em franca transformação, onde a distopia parece ser o denominador comum, exigindo uma nova forma de se fazer política.
Financiado pelo Fundo Setorial do Audiovisual (PRODAV 01/2013), o longa-metragem foi produzido com exclusividade para o Curta! pela Espiral Criação e pela Produção Cultural. Na TV, o documentário estreia com exclusividade no Curta! em 2018.