Maratona Oscar/Poltrona Resenha: O Irlandês/Anna Barros

Maratona Oscar/Poltrona Resenha: O Irlandês/Anna Barros

Se um filme de Martin Scorsese, você para para assistir, mesmo sabendo que a película terá 3h30, o que pe muito longo, mesmo para streaming, onde você parar quando quiser. Mas não pare.Veja direto e terá uma experiência muito melhor.

O que esperar de um filme com Robert De Niro, Al Pacino, Joe Pesci e Harvey Keitel? Sempre o melhor, se é  que isso seja possível. Mas a narrativa é lenta e custa a pegar. Pega no tranco e melhora sensivelmente quando  Al Pacino entra em cena. A história é uma da máfia envolvendo Jimmy Hoffa que já teve seu filme sozinho outrora. Só que deixa a desejar e comparado a O Poderoso Chefão, Bons Companheiros e outros filmes com o mesmo tempo.

Ali se vê a marca de Scorsese: bom roteiro e ação fluida.  E outro adendo: a narração em primeira pessoa.  E mostra três momentos da vida do protagonista, Frank Sherran, vivido por Robert De Niro.  A montagem também é muito boa para poder encaixar três histórias em uma só. O  filme fala de guerra, crescimento na máfia e amizades entre os mafiosos. Além de uma boa contextualização hsitórica com o assassinato do presidente John Kennedy.

De Niro podia dar mais de si, às vezes seu personagem fica ofuscado pelo brilho de Al Pacino e Joe Pesci.

As sequências de silêncio entre Frank e suas filhas, principalmente Peggy que faz vista grossa com a profissão do pai até que uma das mortes a atinge diretamente. Sua filha, Peggy, vivida por Anna Paquin é a única que realmente percebe o que o pai e seus amigos realmente fazem e acaba  ignorando-no com uma determinada observação. O final é simplesmente surpreendente.

Frank vai contando toda a sua vida quando se encontra num asilo, solitário com suas lembranças e pensamentos. A parte psicológica do filme é a melhor, mais que as cenas de violência crua e ação.

Vale a pena assistir! E aguardar as premiações porque O Irlandês deve concorrer ao Globo de Ouro e ao Oscar.

Sinopse: Conhecido como “O Irlandês”, Frank Sheeran (Robert De Niro) é um veterano de guerra cheio de condecorações que concilia a vida de caminhoneiro com a de assassino de aluguel número um da máfia. Promovido a líder sindical, ele torna-se o principal suspeito quando o mais famoso ex-presidente da associação desaparece misteriosamente.

 

Cotação: 3,5/5 poltronas

 

Poltrona Resenha: Carcereiros-O Filme/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Carcereiros-O Filme/ Cesar Augusto Mota

Sucesso de audiência com duas temporadas na TV Globo, a série Carcereiros ganha versão para as telonas e chega com grandes expectativas. Adaptação da obra homônima de Drauzio Varella, ‘Carcereiros: O Filme’, de José Eduardo Belmonte, preserva o formato já conhecido e vem com novos elementos para fisgar novos públicos e mostrar que o cinema nacional possui capacidade de proporcionar novas experiências e emoções e vai além do gênero comédia.

Nos deparamos logo de início com o cotidiano do carcereiro Adriano (Rodrigo Lombardi), em um presídio de São Paulo, junto a seus colegas e na tentativa de apaziguar os ânimos entre os detentos. Mas o local passa a bombar ainda mais com a chegada de Abdel Mussa (Kaysar Dadour), um perigoso terrorista internacional, preso por explodir uma bomba e matar crianças em uma escola. Duas facções se mobilizam para tomar o local e há uma verdadeira guerra civil, com invasões, correrias. Os carcereiros têm muito trabalho, principalmente Adriano, para controlar tudo e evitar que o local vire um palco sangrento.

As cenas de ação são intensas, os closes utilizados promovem uma verdadeira imersão do espetador no ambiente, e o trabalho feito com o som é de excelência, nos fazendo lembrar de produções hollywoodianas, com o barulho dos tiros ecoando por todos os cantos da sala, além de explosões fortes diante de nossos olhos, provocando sensações desconfortáveis e muita angústia. Os diálogos, bastante afiados e bem elaborados, também colaboram para o aumento de tensão e envolvem o espectador a não tirar os olhos da telona para saber como tudo irá terminar, se a solução para o conflito será de fácil resolução ou se vai haver uma grande surpresa, um deus ex machina.

Além da parte técnica e visual, a produção proporciona debates importantes, sobre a situação precária das prisões do Brasil, além da corrupção e das regalias existentes dentro de celas que comportam presos de classes sociais mais altas. O personagem de Rodrigo Lombardi consegue colocar o dedo na ferida ao tocar nesses assuntos e faz a plateia pensar um pouco sobre a situação do país, que já beira o caos e ainda está longe de encontrar a solução para seus maiores males, a violência e a falta de segurança. São assuntos delicados, mas que precisam e devem continuar a ser debatidos, e a discussão é feita durante o filme sem vertentes políticas ou inclinação para uma determinada ideologia, o que o torna ainda mais atraente, com potencial para atrair públicos de faixas etárias diversas.

Preciso, cirúrgico e com primor visual e técnico, ‘Carceiros: O Filme’ bebe da fórmula hollywoodiana, mas sem perder a essência da série, e se torna um atrativo para quem apoia o cinema nacional e crê que ele tem potencial para alçar voos mais altos.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar/Poltrona Resenha: Parasita/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar/Poltrona Resenha: Parasita/ Cesar Augusto Mota

Quer um filme com boa dose sarcástica e que faça críticas sociais e mostre que o meio é capaz de influenciar no comportamento humano? Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, ‘Parasita’ (Parasite), filme sul-coreano de Bong Joo Ho (O Hospedeiro) vem para impactar e fazer o espectador refletir sobre o capitalismo e a constante luta de classes e suas diferenças.

A história apresenta dois núcleos familiares que vivem realidades diferentes. A família Kim, composta por Ki-taek (Song Kang-ho), o pai; Choong-sook (Jang Hye-jin), a mãe e os filhos Ki-woo (Choi Woo-shik) e Ki-jung (Park So-dam) vivem na escala da pobreza e sobrevivem dobrando caixas de pizza. Do outro lado, os Park, uma família rica e que vive na ostentação, com o pai, o senhor Park (Lee Sun-kyun); a mãe, Yeon-kyo (Cho Yeo-jeong) e os filhos Da-hye (Jung Li-so) e Da song (Jung Hyun-joon). Tudo começa a mudar quando Ki-woo, da família Kim, recebe proposta para trabalhar como professor de inglês na mansão dos Park, e o primeiro núcleo começa a elaborar sucessivos planos para cada membro se inserir dentro da casa dos Park e alcançar uma rápida ascensão econômica. Todos os truques feitos de maneira meticulosa e em dados momentos com requintes de crueldade, tudo para os Kim conseguirem se dar bem, não importa o que fizessem.

O roteiro apresenta de início uma narrativa de ritmo lento, em seguida, após as artimanhas dos Kim, vemos não só diferenças de classes, mas também de personalidades, estes são mais secos e fechados, os Park são mais ingênuos e carismáticos. Do segundo para o terceiro ato, o choque no público, que mostra que os atos definem o destino das pessoas e que a vida cobra de cada um, a depender do que cada um faça e a maneira como leva a vida. O contraste é importante para mostrar o quão é absurda e também a enorme lacuna existente na Coréia do Sul. É  feita uma crítica leve, principalmente na apresentação das casas e dos becos nas periferias de Seul. Os Kim usam de piadas para lidar com os problemas do dia a dia e são mostrados como pessoas ambiciosas e sedentas por melhores condições de vida, mesmo que se utilizem da prática de crimes para alcançar seus objetivos.

Outro ponto importante no longa está no olhar para o futuro e a preocupação de cada um dos Kim ao vislumbrar a possibilidade de mudança de classe. Ki-woo chega a cogitar comprar a casa dos Park e a construir família, ele é o mais lúcido de todos, o ponto fora da curva. Do lado dos Park, impressiona a inocência de Yeon-kyo e a relação amistosa com seus empregados, os antigos e também com os Kim, sem suspeitar do que eles tramavam contra sua família. O espectador sente empatia pelos Park e por alguns membros dos Kim, méritos do diretor que conseguiu construir um perfeito contraste entre a classe burguesa e a pobre e ilustrou com precisão o quão dura a realidade pode ser, principalmente no momento em que um forte temporal tomou conta do país.

Com bom equilíbrio entre humor e drama, ‘Parasita’ oferece uma trama envolvente, impactante e que fará o público fazer importantes comparações e interpretações acerca de panoramas sociais tão distópicos, tanto na sociedade oriental como ocidental. Um estudo social importante e necessário nos dias de hoje.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Netflix: O que poderíamos ser/Anna Barros

Poltrona Netflix: O que poderíamos ser/Anna Barros

Os filmes mexicanos são muito bons. Especialmente os de comédia romântica.

Depois de se apaixonar por uma mulher mais velha, Amanda, um estudante de cinema, Santiago,  aprende a amar e a perder, mas acaba tendo outra chance de ser feliz de verdade. O rapaz faz loucuras pelo amor da professora, tornando o romance uma obsessão. Mas quando ela decide se engajar um projeto de cinema com um cineasta, afloram no jovem os piores sentimentos como ciúme e machismo. Ao seu lado, há uma velha amiga que o apoia em tudo que faz, inclusive vende seu próprio carro para financiar o filme de fim de semestre que eles precisam apresentar para e formar.

O filme em questão é ousado porque conta o romance do jovem e da professora de Cinema. Tem-e a impressão de que ela não aprovaria o projeto mas ela acaba gostando. No fim, ele descobre que o verdadeiro amor estava ao seu lado o tempo todo e ele não havia percebido.

Amanda e Santiago tentam construir um relacionamento onde reinam os penamentos completamente diferentes obre amor, compromisso, projetos e sobre a vida no geral.

A comédia é leve, divertida e tem um final surpreendente. É uma interessante metalinguagem. A professora de Cinema aparece em Escola de Solteiras mais envelhecida.

 

Poltrona Netflix: Gente que vai e volta/Anna Barros

Poltrona Netflix: Gente que vai e volta/Anna Barros

 

Mais um filme do canal de streaming Netflix.  É uma comédia romântica que fala de traição e perdas. Narra a história de Bea e sua família. Bea é uma criança que quer se tornar arquiteta e vive com a mãe médica que atende as pessoas em troca de comida. Ela tem duas irmãs e um irmão. Ao crescer, ela sai de Zaragoza e decide tentar a sorte em Madrid. Acaba se apaixonando por Victor que a trai com uma jornalista famosa que era seu crush. Acaba incentivado sem querer pela própria Bea numa festa. Ao descobrir a traição, ela tem uma crise no meio de uma apresentação e acaba perdendo o trabalho. Decide voltar à Zaragoza e acaba se envolvendo com as problemáticas de sua família. A irma mais velha é prefeita e a mais nova é casada com um filho mas cheia de conflitos. A família é meio complicada.

Convivendo mais com a família, acaba descobrindo que a mãe tem pouco tempo de vida por causa de uma doença pulmonar. E redescobre o amor num viúvo que tem uma filha que não fala após a perda da mãe. Ele acaba contratando Bea para construir uma casa na árvore e daí eles estreitam o relacionamento.

Há tramas bem curiosas que envolvem a irmã casada e seu filho anão.

Além da premiada Carmen Maura(Mulheres à beira de um ataque de nervos, Volver), vemos também algumas figurinhas fáceis da produção espanhola como Carlos Cuevas que fez Merlí e é o irmão gay de Bea. E Alex Garcia, que é seu novo amor e fez Tempos de Guerra.

O filme tem uma fotografia belíssima e nos faz refletir sobre lutos e relacionamentos. Também tem um toque de política já que a irmã mais velha de Bea é prefeita e tem um olhar de esquerda ao querer construir uma usina à base de biomassa o que gera alguns protestos.

Se você está domingo à tarde de bobeira em casa, vale muito a pena assistir.

Poltronas: 3/5