Maratona Oscar: Link Perdido/César Augusto Motta

Maratona Oscar: Link Perdido/César Augusto Motta

Boa parte das animações que acompanhamos não só nos divertem como nos faz deparar com importantes mensagens sobre a vida e o convívio em sociedade. E não é diferente em ‘Link Perdido’, animação do estúdio Laika, em parceria com a Disney, que já produziu ‘Coraline e o Mundo Secreto’ (2009), ‘Paranorman’ (2012), ‘Os Boxtrolls’ (2014) e ‘Kubo e as Cordas Mágicas’ (2016). Mas essa receita também resultará em sucesso sobre um dos mais famosos mitos, o do Pé Grande?

Um dos grandes investigadores de mitos e monstros do mundo, sir Lionel Frost (Hugh Jackman) se vê em um dilema, o de não ser levado a sério por seus colegas e ter barrada sua filiação ao clube de caçadores e lendas. Disposto a mostrar ainda mais força, ele desafia o presidente da organização e tem a intenção de provar que existe o Elo Perdido entre homem e macaco. Mas no meio do caminho terá que se desvencilhar de cúmplices do líder do clube para tentar se sair bem-sucedido em seu objetivo, que se cruza com o de Senhor Link (Zack Galifianakis), que é o de voltar para o convívio de seus ancestrais, nas montanhas do Himalaia.

A animação é feita em stop-motion, com uma grande beleza estética e movimentos sincronizados dos personagens. Os cenários variados contribuem para o dinamismo da aventura, que se inicia no Velho Oeste, passa por Londres, um antigo templo na índia até chegar às montanhas geladas do Himalaia, destino final da história e local onde o Senhor Link deve desembarcar. Suas motivações, apesar de diferentes, acabam por encontrar uma linha em comum, o sentimento de pertencer a um grupo, ou seja, encontrar seu devido lugar no mundo.

Os vilões são um tanto canastrões e pouco trabalhados, e logo são esquecidos durante a trama, cujo foco é o deslocamento de sir Lionel, juntamente de Adelina Fortinight (Zoe Saldana), seu apoio moral, além do Senhor Link. Há poucas reviravoltas, os desdobramentos são previsíveis e a solução do conflito final é demasiadamente fácil, o que significa um balde de água fria em uma narrativa emocionante. Mas esses problemas são compensados com o humor de Link, que vai pelo sentido literal das palavras e pouco entende o que os humanos falam, além de seu jeito estabanado, sempre esbarrando nas coisas e sua personalidade sensível, quebrando a imagem de criatura agressiva que se poderia ter de um Pé Grande.

Se a história de ‘Link Perdido’ não impressiona e por representar mais do mesmo, sua estética, o carisma dos personagens-centrais e a veia cômica são elementos compensadores e proporcionam uma boa diversão, principalmente ao público infantil, que vai se encantar com o Senhor Link e torcer para sir Lionel enfim se encontrar.

Link Perdido ganhou o Golden Globe de Melhor Animação, não ganhou nenhum Annie Award, o Oscar da animação e concorre ao Oscar, podendo ser o grande azarão da noite. Klaus e Toy Story 4 estão à sua frente.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

 

Poltrona Estreia: Estreias da Semana

Poltrona Estreia: Estreias da Semana

Um Lindo Dia na Vizinhança

Drama, direção de Marielle Heller

Sinopse: Fred Rogers (Tom Hanks) foi o criador de Mister Rogers’ Neighborhood, um programa infantil de TV muito popular na década de 1960. Em 1998, Tom Junod (Matthew Rhys), até então um cínico jornalista, aceitou escrever o perfil de Rogers para a revista Esquire. Durante as entrevistas para a materia, Junod mudou não só sua visão em relação ao seu entrevistado como também sua visão de mundo, iniciando uma inspiradora amizade com o apresentador.

Veja nossa crítica sobre o filme aqui.

Um Espião Animal

Animação, direção de Nick Bruno e Troy Quane

Sinopse: Quando um evento inesperado acontece, Lance Sterling (voz de Will Smith), o melhor espião do mundo, precisa unir forças com o inventor Walter (voz de Tom Holland) para salvar o dia.

A Possessão de Mary

Terror, direção de Michael Goi

Sinopse: David (Gary Oldman) é um capitão de colarinho azul que luta para melhorar a vida de sua família. Estranhamente atraído por um navio abandonado que está em leilão, David impulsivamente compra o barco, acreditando que será o bilhete de sua família para a felicidade e a prosperidade. Mas logo depois que eles embarcam em sua jornada inaugural, eventos estranhos e assustadores começam a aterrorizar David e sua família, fazendo com que se voltem um contra o outro e duvidem de sua própria sanidade.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Estreia: Estreias da Semana

Poltrona Estreia: Estreias da Semana

Frozen 2

Animação, direção de Jennifer Lee e Chris Buck

Sinopse: De volta à infância de Elsa e Anna, as duas garotas descobrem uma história do pai, quando ainda era príncipe de Arendelle. Ele conta às meninas a história de uma visita à floresta dos elementos, onde um acontecimento inesperado teria provocado a separação dos habitantes da cidade com os quatro elementos fundamentais: ar, fogo, terra e água. Esta revelação ajudará Elsa a compreender a origem de seus poderes.

 

O Farol

Suspense, direção de Robert Eggers

Sinopse: Início do século XX. Thomas Wake (Willem Dafoe), responsável pelo farol de uma ilha isolada, contrata o jovem Ephraim Winslow (Robert Pattinson) para substituir o ajudante anterior e colaborar nas tarefas diárias. No entanto, o acesso ao farol é mantido fechado ao novato, que se torna cada vez mais curioso com este espaço privado. Enquanto os dois homens se conhecem e se provocam, Ephraim fica obcecado em descobrir o que acontece naquele espaço fechado, ao mesmo tempo em que fenômenos estranhos começam a acontecer ao seu redor.

O Caso Richard Jewell

Drama, direção de Clint Eastwood

Sinopse: A história real de Richard Jewell (Paul Walter Hauser), segurança que se tornou um dos principais suspeitos de bombardear as Olimpíadas de Atlanta, no ano de 1996. Na realidade, ele foi o responsável por ajudar inocentes a fugirem do local e avisar da existência de um dos explosivos.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Estreia: Estreias da Semana

Poltrona Estreia: Estreias da Semana

Star Wars: A Ascensão Skywalker

Ficção Científica, direção de J.J. Abrams

Sinopse: Término da nova trilogia Star Wars, concluindo as tramas de O Despertar da Força (2015) e Os Últimos Jedi (2017).

A Batalha das Correntes

Drama, direção de Alfonso Gomez-Rejon

Sinopse: Ambientado no final do século XIX, a Guerra das Correntes, que foi uma disputa entre Thomas Edison (Benedict Cumberbatch) e George Westinghouse (Michael Shannon) sobre como deveria ser feita a distribuição da eletricidade. Edison fez uma campanha pela utilização da corrente contínua para isso, enquanto Westinghouse defendia a corrente alternada.

Playmobil-O Filme

Animação, direção de Lino DiSalvo

Sinopse: Marla está acostumada a cuidar do irmão mais velho, Charlie, até o dia em que ele desaparece misteriosamente dentro do universo mágico dos Playmobil. A garota embarca numa jornada de resgate com a ajuda de novos amigos encontrados pelo caminho, como o agente secreto Rex Dasher, o caminhoneiro Del, uma fada madrinha e um androide.

Confira aqui nossa crítica sobre o filme.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Playmobil-O Filme/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Playmobil-O Filme/ Cesar Augusto Mota

‘A vida perde o sentido se não a aproveitarmos e vivermos grande emoções’. Com esse pensamento se inicia a divertida animação ‘Playmobil-O Filme’, de Lino DiSalvo, com um carismático garoto que se transforma e se deixa levar pelo universo mágico Playmobil. Ele se permite ser quem quiser em um mundo recheado de glitter, vikings e até mesmo de dinossauros voadores. Será que é semelhante a ‘Lego’, outra franquia pela qual já nos encantamos?

Inicialmente, não nos deparamos com uma animação, mas com o mundo real, no qual dois irmãos se desentendem e chegam a se isolar um do outro. O pequeno Charlie (Gabriel Bateman), resolve aprontar e sai de casa sem avisar a irmã mais velha, Marla (Anya Taylor- Joy) e vai a uma exposição noturna de brinquedos. No momento em que se encontram e estão prestes a voltar para casa, acabam por serem transportados para um ambiente de magia, com bonecos Playmobil, e eles automaticamente são incorporados ao ambiente. Charlie vira um viking e acaba por ser sequestrado por piratas, e cabe a Marla resgatá-lo e reencontrar o caminho de volta, mas antes eles vão vivenciar uma grande aventura com diversos personagens e cenários históricos ao longo do percurso.

A experiência de diversão e êxtase de Charlie não é o único fator que chama a atenção, mas a jornada de amadurecimento de Marla, inicialmente sobre o momento de luto que viveu após a perda trágica dos pais e depois a responsabilidade de cuidar de si mesma e do irmão mais novo. Ela enxergava a vida de uma forma mais fria, já Charlie era uma espécie de válvula de escape, que procurava motivar a irmã e mostra a ela que a vida vai além do trabalho e das responsabilidades, e que há muito o que se aproveitar. Ela não só sai de sua zona de conforto como vê que pode experimentar coisas novas e sair do tédio.

A transição de um cenário para outro se dá de forma instantânea e momentos épicos são testemunhados, desde a chegada dos vikings até o futuro, com seus carros voadores. Em cada ambiente, Marla encontra um aliado, que dá importantes dicas para desvendar o paradeiro de Charlie, e o destaque está com Rex Dresher, um detetive no estilo James Bond. Mas quem vê essa divertida aventura não só contempla personagens em perfeita sincronia e cores vivas, vê boas conexões de locais até um confronto final épico no Coliseu de Roma, com o imperador Nero. Um deleite para os fãs de Playmobil e até para os que nunca viram, que evidenciam personagens carismáticos e uma história bem estruturada, com objetivos claros e reviravoltas interessantes.

Outro chamariz está no equilíbrio entre a seriedade e o humor. Os momentos mais sérios apresentam perigos, mas de rápidas soluções, e as piadas empregadas são de humor sadio, com sarcasmo e situações clichês, como quedas livres e tropeços. A presença de musicais nos faz lembrar de filmes da Disney, e cada canção casa com a devida ocasião, deixando a história mais leve e preparando o público para o próximo obstáculo que cada um dos irmãos vai enfrentar, um de cada lado. Apesar de não representar propriamente uma novidade, é uma boa opção para quem quer se divertir e passar o tempo, seja adulto ou criança.

Com pegada frenética e de bom paralelo entre infância e vida adulta, ‘Playmobil-O Filme’ nos mostra que vale pena ainda manter o espírito infantil dentro de nós e que devemos nos permitir novas experiências e descobertas, afinal, a vida é uma caixinha de surpresas.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota