Tensão define.
Memórias Secretas traz às telas, o nonagenario e sobrevivente de Auschwitz, Max, interpretado por Martin Landau, que promete ao seu parceiro de asilo, que, assim que sua esposa falecesse, ele iria buscar vingança indo atrás do homem responsável pelo extermínio de suas famílias. O grande problema é que Max sofre de Alzheimer e isso dificulta a sua jornada, fazendo com que ele necessite carregar uma carta de seu “asilomate” explicando a situação, caso seja necessário a retornar à lembrança.
O homem que Max busca se chama Rudy Kurlander, e existem quatro pelo país que podem ser o procurado.
O diretor do filme é Atom Egoyan, armênio que fez O Doce Amanhã, filme que já foi premiado com uma Palma de Ouro no festival de Cannes.
Entretanto, Memórias Secretas está longe de merecer um prêmio tão renomado.
O filme cria uma tensão surreal: uma missão perigosa feita por um senhor de idade, com leves problemas, causa uma tensão natural em qualquer ser humano digno de compaixão. É impossível não sentir por Max e torcer para que ele consiga ficar bem no final.
O longa cumpre bem o seu papel neste quesito, por conseguir prender a atenção, conseguir segurar o espectador na sala de cinema e criar uma necessidade de saber o que vai acontecer com o protagonista.
Mas se faz necessário muito mais do que isso para poder criar um filme de alta qualidade e a impressão que fica é de que o diretor perdeu a mão de como fazer um filme digno de um prêmio de alto escalão.
Egoyan fez uso de um tema que poderia render um filme completamente rico, bem explorado, e que poderia até gerar um filme em homenagem à memoria dos sobreviventes, mas tornou o longa apenas sobre vingança e a busca incessante pela mesma. Mais do mesmo.
Todos ingredientes certos estão lá: o suspense, a tensão e o tema que pode ser muito bem explorado. O grande pecado foi forma como todos os acima foram utilizados: de forma rasa e supérflua.
Cotação Poltrona: 3 poltronas







Berlim, 2011. Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Sente uma grande dor de cabeça. O uniforme cheira a querosene. Olha à sua volta e não encontra Eva Braun. Nem uma cidade em ruínas, nem bombardeiros a riscar os céus. Em vez disso, descobre ruas limpas e organizadas, povoadas de turcos, milhares de turcos. E gente com aparelhos estranhos colados ao ouvido. Começa assim o surpreendente primeiro romance de Timur Vermes, passado na Alemanha de Angela Merkel, 66 anos depois do fim da guerra. Hitler ganha nova vida. Na sociedade espetáculo, dos reality shows e do YouTube, o renascido Führer é visto como uma estrela, que uma televisão sequiosa de novidades acolhe de braços abertos. A Alemanha da crise, do Euro ameaçado, da austeridade, vê nele um palhaço inofensivo. Mas ele é real, assustadoramente real.
Adolf Hitler andando por aí livre, leve e solto?
Sei que o alívio cômico para certos temas pode até ajudar na compreensão, mas aliviar a barra de Hitler ? !! O filme tem frases muito impactantes, onde nosso personagem reflete sua indignação frente aos problemas atuais do povo alemão comparando-os a década de 30 ou 40. Não sei até que ponto isso parece justo mas… Não há reflexões sobre os ocorridos do holocausto. O que vi foram opiniões de alemães sobre seu incômodo com os estrangeiros em suas terras, como os turcos e africanos. Me incomodou muito um trecho específico onde há um diálogo com um popular citando o Q.I alemão e como este mesmo Q.I ficou abaixo do esperado no processo de miscigenação.
O filme me agradou muito mas não posso deixar de refletir o quanto a mentalidade das pessoas não mudou ao longo dos anos pós guerra. Sei que todo o conteúdo da produção não reflete o pensamento do povo alemão em sua totalidade, mas poderiam ter dado bons “puxões de orelha” nessa figura história refletida, mesmo sendo um filme humorístico.
