Poltrona Séries: Dom-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Dom-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Séries brasileiras estão cada vez mais em alta nos serviços de streaming, com muitas histórias envolventes e baseadas em fatos reais. E esta obra veiculada pela Prime Video não fica atrás, com uma narrativa que é um misto de drama e thriller policial contada em oito episódios de sessenta minutos casa: ‘Dom’. Encabeçada por Breno Silveira, a série surgiu de um projeto ambicioso que levou cerca de 10 anos para ser posto em prática e filmado em pouco mais de 160 locações.

‘Dom’ retrata a trajetória de Pedro Machado Lomba Neto, líder de uma organização criminosa especializada em assaltos a edifícios de luxo no Rio de Janeiro. Vivido por Gabriel Leone, Pedro Dom é inicialmente apresentado na adolescência, período no qual ingressou no mundo das drogas antes de ser o chefe de sua gangue que passou a assombrar a sociedade carioca. Quem também dá o ar da graça na série é o pai de Pedro Dom, Victor Dantas, interpretado por Filipe Bragança, e Gabriel Tolezani, na fase adulta. Victor é o contraponto ao protagonista, pois ele faz parte do serviço de inteligência da Polícia Civil e caberá a ele chefiar o grupo que estará em busca do filho e todo o seu bando.

Com muito drama, emoções e perseguições, ‘Dom’ consegue apresentar uma trama sólida, bem estruturada e uma boa quantidade de elementos para os espectadores, que conseguem acompanhar a narrativa em um ritmo frenético e num bom jogo de cores quentes e frias. As tomadas utilizadas para as histórias de Pedro Dom e Victor mostram as variadas camadas dos personagens, principalmente de Dom. A capacidade de transformação e a força nas convicções são os destaques dos personagens, que são muito bem ilustradas pelos atores, Leone e Bragança. Os dois são competentes e conseguem prender a atenção do público ao longo dos episódios, até o derradeiro desfecho.

Além do roteiro e da fotografia, a série mostra importantes informações acerca do mundo das drogas, o efeito sobre os usuários e suas famílias, além dos grandes avanços da ciência no oferecimento de novos tratamentos. Há outros personagens e histórias paralelas em Dom’, mas a trama se concentra no embate entre pai e filho, com muito drama e emoção, do início ao fim.

Quem gosta de uma boa narrativa policial, com personagens de personalidades fortes e sequências instigantes, ‘Dom’ é uma ótima opção de a Amazon Prime Video oferece. A série já possui duas temporadas e a terceira com estreia prevista para 2024. Vale a pena acompanhar.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Wandinha-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Wandinha-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Quem não se lembra da Família Addams? Após a primeira aparição em uma série de 1964, tivemos algumas versões em desenho animado, além de dois longas-metragens, de 1991 e 1993, sucessos de bilheteria. A bola da vez é o spin-off ‘Wandinha’, série da Netflix dirigida pelo icônico Tim Burton.

A filha mais velha do clã Addams (Jenna Ortega) vive o dilema da puberdade e acerca do mundo que a rodeia, e parte em uma grande jornada de investigações e descobertas em meio a escola Nervermore. Ao chegar à instituição, ela se depara com criaturas muito presentes no universo do terror, como lobisomens, vampiro e górgonas, além de alunos que se sentem excluídos do meio social, como ela. Uma narrativa cheia de suspense e com doses de uma boa comédia de terror, presente nas obras de Tim Burton.

Muitos vão se perguntar sobre a Família Addams, alguns membros até aparecem, como Morticia e Gomez, mas eles fazem apenas pequenas pontas, para decepção de muitos, mas eles têm participações importantes e decisivas no universo de Wandinha. Aquele suspense presente em novelas como o ‘quem matou?’ se faz presente, mas a conclusão deixa a desejar. As intervenções da protagonista, com representações insanas de sua imaginação e a quebra da quarta parede são os atrativos de boa parte dessa primeira temporada, além da reprodução dos trejeitos da Wandinha que lembram a versão de 1991, vivida por Christina Ricci. Jenna Ortega entrega uma ótima protagonista e consegue conquistar o público com seu carisma e espontaneidade.

Outros atrativos da série são os planos fechados e texturas escuras na fotografia, imprimindo um ar sombrio que a obra pede. O paralelo entre o estranho e o ridículo também são empregados, além de interessantes inserções literárias de Edgar Allan Poe, constantes em filmes de terror, para comparar a ficção com a realidade. Referências a alguns filmes de Burton também são perceptíveis, como A Noiva Cadáver e a Lenda do Cavaleiro sem Cabeça.

A questão da inclusão é bem abordada, com Wandinha buscando a compreensão de como ela vive e formas de se inserir em seu novo meio social, diferentemente de querer se isolar e viver apenas para si mesma. Temos comicidade e originalidade na série, com uma personagem com características preservadas dos longas-metragens, mas com elementos novos, além de personagens secundários que tentam ao máximo se descobrir e resolver os dilemas vivenciados por eles em uma fase tão desafiadora, que é a adolescência. 

Quem ainda não viu não pode perder ‘Wandinha’, uma série na qual você ri, se assusta e fica ansioso para saber como serão os próximos capítulos e o que virá em possíveis próximas temporadas. Vale a pena.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Casa do Dragão-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Casa do Dragão-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

A produção de séries ligadas a grandes sucessos, os famosos spin-offs, tem se tornado prática de grandes serviços de streaming, e com a HBO Max não seria diferente. Ambientada 200 anos antes dos acontecimentos de Game of Thrones, do universo de George R.R.Martin, ‘A Casa do Dragão’ é a nova aposta para atrair os fãs da antiga série, ou até mesmo conquistar novos públicos.

Acompanhamos o reino de Westeros, governada pelos Targaryen, sob o comando do rei Viserys I. Em vez de disputas por poder, é retratada uma disputa interna em um mesmo núcleo familiar, com os núcleos Pretos e Verdes competindo. E há também como destaque a representação feminina feita de forma cuidadosa e minuciosa, das amigas Rhaenyra e Alicent, que tiveram inicialmente suas trajetórias traçadas por homens, mas, posteriormente, há mudanças de rumo, com cada uma tomando suas decisões e seguindo direções opostas.

Ao longo dos dez episódios, é possível perceber a preocupação da HBO Max em oferecer ao público uma nova narrativa, com representações gráficas mais bem definidas e personagens com arcos complexos e capazes de cativar o espectador. As cenas são executadas com eficiência e há personagens que foram capazes de provocar reações negativas no público, com destaque para o ator Matt Smith, na pele do príncipe Daemon Targaryen. Há cenas de sexo e nudez, como em Game of Thrones, mas elas são pontuais e não há superexposição das atrizes, e os dragões que aparecem são também personagens, e não simples alegorias.

O maior problema dessa primeira temporada ficou por conta do roteiro, com uma linha do tempo demasiadamente acelerada e com grandes saltos. Alguns personagens fizeram poucas aparições, sendo logo substituídos em episódios posteriores, impedindo que os espectadores se acostumassem com eles e compreendessem seus arcos dramáticos. Mas a teia composta por intrigas quase mortais e a lavagem de roupa suja em família conseguiram atenuar um pouco os defeitos, preparando o público para uma nova sequência.

Apesar dos altos e baixos, ‘A Casa do Dragão’ surge como um produto que tem muito a oferecer aos seus espectadores, mas precisa ter sua linha temporal ajustada e continuar com sua receita que parece ter agradado, com fortes conflitos familiares e personagens fortes, que mostram que realmente possuem a força dos dragões dentro de si mesmos.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The White Lotus-2ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The White Lotus-2ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Obras com sátiras, críticas aos aspectos políticos e econômicos de uma sociedade e o uso de belezas geográficas de uma cidade como personagem e não só como um cenário da história costumam ser grandes atrativos para os espectadores, com consequente mobilização, audiência e engajamento nas redes sociais. Foi o que ocorreu na primeira temporada de ‘The White Lotus’, série da HBO Max e criada por Mike White, tendo como palco o Havaí, famoso arquipélago vulcânico situado nos Estados Unidos.

Nessa nova sequência de sete episódios, vamos acompanhar novos personagens em um hotel da Sicília, com diversos arcos dramáticos, doses de humor bem aplicadas, além de questões importantes levantadas na série, como a sexualidade, o quão são complexas as relações humanas e se vale tudo para se alcançar o que quer.

Se na primeira temporada tivemos um clima de tensão e mistério no tocante a um assassinato que ocorrera no Havaí, agora nos deparamos com uma trama animalesca dotada de equilíbrio entre as histórias e um ritmo cadenciado que pudesse dar ao espectador tempo para se acostumar com os personagens e a possibilidade de criar ligações entre eles.

Destaque para a entrada de personagens homossexuais e aristocratas, como Quentin (Tom Hollander) e Jack (Leo Woodall), além das atitudes questionáveis de Mia (Beatrice Grannó) e Lucia (Simona Tabasco), além da contida e ríspida da diretora Valentina (Sabrina Impacciatore), que tenta segurar um segredo íntimo a todo custo. E sem esquecer de Jennifer Coolidge (Legalmente Loira), com seu carisma e personagem contagiante, reprisando seu papel.

A impressão que temos é a de que acompanhamos um reality show e não uma série, com personagens em meio a muita curtição, ostentação e jogando um contra o outro, além de situações fictícias imitando a vida real. Um ótimo passatempo para quem gosta de uma narrativa com variados elementos, de tensão, humor e muita reflexão sobre os prazeres e problemas do cotidiano.

Se você procura uma série da qual nada espera e quer se divertir muito, ‘The White Lotus’ é uma ótima sugestão e você vai se divertir horrores.

Cotação: 4/5 estrelas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Crown-5ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Crown-5ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

"O começo do fim": trailer de "The Crown" antecipa funeral de Lady Di

Uma grande produção da Netflix desde 2017 e que deixou boas impressões, a série ‘The Crown’ vem para sua quinta temporada em 2022 com promessa de grande audiência e abordagem de novas polêmicas em torno da Família Real britânica. E os ânimos estarão ainda mais exaltados após a morte da rainha Elizabeth II no último dia 08 de setembro, mas será que essa nova sequência de 10 episódios vai agradar ao público?

O foco está na década de 1990, especialmente em acontecimentos como a separação da princesa Diana do príncipe Charles e as dificuldades da rainha Elizabeth, agora vivida por Imelda Staunton, em blindar a monarquia das críticas públicas de Diana e fortalecer a imagem da família, prestes a ruir com a separação do filho mais velho da monarca. Reforçar a importância da família real para o Reino Unido, além de transmitir a imagem de modelo ideal a ser seguido são os maiores desafios, sem dúvida, mas a abordagem política também se faz presente, principalmente no que tange a relação da família de Elizabeth II com os Romanov.

Um antigo recurso e de bastante eficácia se fez presente também nesta temporada, como o paralelo entre os dramas familiares e os compromissos da monarquia, realizados com perfeita sintonia. A relação entre Elizabeth e o príncipe Phillip se dá de maneira bem fluida, o que não vemos entre Charles e Diana. Mas a atuação de Elisabeth Debicki como Lady Di traz uma ilustração perfeita não só no aspecto físico, mas nos trejeitos e na personalidade de Diana, que não fazia questão de esconder nada e sempre mostrar quem era. Destaque para a entrevista polêmica que ela concede à BBC, em 1995.

Em termos gerais, a fotografia é muito bem retratada, como as roupas e adereços da época, mas as interações entre os personagens são mais contidas. Até a 4ª temporada, víamos personagens com mais energia e desdobramentos bombásticos. Apesar dos entreveros e da separação entre Charles e Diana, não houve o impacto que era esperado na série como se deu na vida real. Foi uma temporada com sabor de quero mais.

Apesar dos altos e baixos, ‘The Crown’ deixa importantes ganchos com possibilidades para o desfecho da última temporada, vale a maratona.

Cotação: 3,5/5 estrelas.

Por: Cesar Augusto Mota