A meu ver, a melhor série espanhola da Netflix: O Tempo entre costuras. A história tem como pano de fundo histórico, o pré-Guerra Civil Espanhola e depois a guerra propriamente dita e fala das desventuras da aprendiz de costureira, Sira Quiroga, que vive em Madrid com a mãe. Ela começa a namorar, fica noiva, mas acaba de apaixonando por um vendedor de máquina de escrever e larga tudo por causa dele. Eles vao para o Marrocos com perspectiva de trablho, mas ele a acaba enganando-a levando todo o dinheiro e joias que ela havia ganho de seu pai, que abandonou sua mãe e reaparece. Após essa desilusão e perder o bebê que esperava, vai para o hospital e fica sob a custódia da polícia até pagar a dívida com o hotel em Teluhan, Marrocos. Vai para uma pensão, faz amizade com a dona e decide abrir uma ateliê. Faz amizade com uma moça inglesa, Rosalinda Fox, amante de um militar espanhol ligado ao General Franco e aos alemães nazistas.
Seu grande desejo era morar de novo com a sua mãe que ficara na Espanha. Através da ajuda de um jornalista inglês, amigo de Rosalinda, ela consegue buscar a mãe e trazê-la para o Marrocos. A mãe encontrava-se em depressão mas acaba se recuperando.
Até que Sira é recrutada para voltar a Madrid e se tornar espiã. Usa como disfarce seu trabalho de costureira e monta um ateliê na capital espanhola para trair freguesas alemãs. Ela ajuda os ingleses, mas não pode ter contato com eles. Sira muda de identidade, vira marroquina e Arish e se mete nas mais variadas confusões.
A série é eletrizante, você não consegue parar de assistir. E fica torcendo para Sira esquecer as mágoas do passado e se apaixonar de novo pelo inglês Marcus Logan. Ela sempre tem o pé atrás com ele, mas o amor deles é muito bonito. Até que aparece um português bonitão e perigoso, Manuel da Silva.
As paisagens da Espanha, Marrocos e Portugal são lindas. E os vestidos maravilhosos! Cada um mais lindo que o outro. Adriana Ugarte como Sira Quiroga arrebenta na sua interpretação passando muita verdade.
O bom da série é que você pratica também o seu Espanhol.
A meu ver, a série é melhor que La Casa de Papel e Merlí. Pena que só tenha uma temporada!
Sabe aquela série que te faz chorar, rir e também parar para pensar que a vida pode nos pregar peças e é uma caixinha de surpresas? Sucesso de audiência nos Estados Unidos, no canal NBC, ‘This is Us’ foi um sucesso de público e crítica e levou prêmios como o Emmy e o Globo de Ouro logo após a conclusão da primeira temporada, com 18 episódios. A segunda, e mais recente, conta também com a mesma quantidade de episódios, e esclarece alguns pontos que não ficaram muito claros para o público, além de reviravoltas bem interessantes.
O pontapé inicial do segundo ano da série nos mostra uma grande ruptura no cotidiano dos trigêmeos Randall (Sterling K. Brown), Kate (Chrissy Metz) e Kevin (Justin Hartley), com o primeiro interessado em adotar uma criança, a segunda disposta a trilhar uma carreira musical e o terceiro numa nova etapa em sua vida profissional A adoção de Deja (Lyric Ross), um jovem com histórico familiar problemático vai dar motivações e impactar a vida dos demais personagens, como Randall e sua esposa Beth (Susan Kelechi Watson), e as filhas biológicas do casal, Tess (Eris Baker) e Annie (Faithe Herman), que ganham mais contornos em relação à primeira temporada. Kevin vai conseguir um papel importante em um filme ao lado de Sylvester Stallone e seria um indicativo de que ele resolveria a questão da instabilidade profissional e iria acertar sua relação com Sophie (Alexandra Breckenridge), mas ele passará por um grande problema, o abuso de medicamentos e a necessidade de ir para a reabilitação. E Kate enfrentará complicações de uma gravidez não-planejada, e um destaque também para o casamento com Toby (Chris Sullivan). Isso fará Kate se Rebecca (Mandy Moore), dando novos contornos à conturbada relação entre mãe e filha.
A trama não fica restrita aos arcos dos três irmãos, Rebecca também ganha espaço, com o drama dela após a morte do marido Jack (Milo Ventimiglia), com as mudanças no cotidiano, com as dificuldades em criar os filhos sozinha e a convivência com a dor da perda e o sentimento de culpa. Os episódios “Number One”, “Number Two” e “Number Three”, explora individualmente cada um dos personagens e os limites deles para esclarecer a morte de Jack, numa grande reviravolta.
O encerramento já nos dá ganchos para a próxima temporada, com estreia prevista para 25 de setembro, nos Estados Unidos. Temos a depressão de Toby, o envolvimento de Rebecca com Miguel (Jon Huertas) e uma nova fase da família Pearson com uma linha do tempo no futuro. Apesar da alta dramaticidade, ‘This is Us’ é uma série didática e para toda a família, que transmite mensagens importantes e mostra que o amor, a união e a compreensão são ingredientes importantes e necessários nesse tão complexo jogo chamado vida. E cada desafio proposto deve ser encarado com parcimônia e coragem para serem superados. Vale a pena!
A sexta e última temporada de House of Cardsganhou novas fotos, revelando um novo núcleo de personagens, a família Shepherd.
Diane Lane e Greg Kinnear interpretam respectivamente Annette Shepherd e Bill Shepherd, irmãos que herdaram a Shepherd Unlimited, uma rede poderosa de empresas fundada por uma família atuante nos bastidores do cenário político americano. A dupla possui a mesma perspectiva de futuro para a América, assim como os dois compartilham um passado conturbado com os Underwoods. Cody Fern (American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace, American Horror Story: Apocalypse) dá vida a Duncan Shepherd, filho leal e ambicioso de Annette, que representa a nova geração de influentes políticos de Washington DC.
Robin Wright ocupará o papel central no ano final, depois que a quinta temporada concluiu com seu personagem, Claire Underwood, se tornando a nova presidente dos Estados Unidos. Todos os sinais apontam para que o personagem de Kevin Spaceysofrerá uma morte fora da tela.
A sexta temporada de House Of Cards teve sua data de estreia revelada pela Netflix. A série, que retorna para o seu último ano, tem lançamento marcado para 2 de novembro.
A história da Família Real Britânica está de volta. Após uma primeira temporada que teve a apresentação de todos os seus personagens, a saída de cena de George VI e a chegada de uma Elisabeth II que começou de forma titubeante, mas posteriormente satisfatória sua trajetória, agora temos uma segunda temporada ainda mais ampla. A inserção do espectador será ainda maior, e a beleza e glamour da Coroa serão ainda mais colocadas à prova, tendo em vista a responsabilidade que a rainha carrega, bem como os conflitos sociais e familiares que ela terá que lidar.
A estrutura episódica da atual temporada é consistente, com a apresentação dos fatos no momento presente e o uso de flashbacks para detalhar outros acontecimentos, coo a viagem do Duque de Edimburgo (Matt Smith), marido da rainha (Claire Foy), para as mais remotas colônias britânicas por um período de cinco meses. Outros personagens, como o próprio Duque, além da princesa Margareth (Vanessa Kirby), irmã de Elisabeth II, ganham mais espaço, com episódios centrados em suas figuras, explorando seus lados mais vulneráveis. E vulnerabilidade é vista em larga escala, inclusive da chefe de Estado, que terá que lidar não só com os escândalos familiares, como os dilemas institucionais, afinal, tudo o que afeta a Coroa, também interfere em sua pessoa.
The Crown não é feita apenas de intrigas e polêmicas, a linha do tempo com os fatos que marcaram a história da monarquia é feita com maestria, além do ótimo trabalho de montagem, trilha sonora, figurinos e cenografia, com a impressão que estamos ambientados na década de 05, além das belezas das instalações e das joias da realeza. Sentimos que conhecemos de perto e a fundo todos os personagens, e somos convidados também a entrar no debate concernente aos princípios no que tangem à moral e à ética, revelando, consequentemente, o caráter dos personagens.
Se o trabalho de Peter Morgan é excelente, as atuações são acima da média, principalmente da protagonista. Claire Foy, com sua expressão corporal e facial, numa verdadeira postura de líder, além de lembrar a verdadeira rainha Elisabeth, com seus trejeitos e seu carisma característicos. Matt Smith, na pele do marido da rainha, o duque de Edimburgo, mostra que não é meramente uma peça decorativa na realeza. Seu personagem nos proporciona um interessante debate sobre a posição do homem e da mulher na sociedade. Se antes víamos os homens tomarem as rédeas e as mulheres à sombra, agora vemos um cenário invertido. Isso é abordado de maneira didática no começo, e volta a ser ilustrado no décimo episódio, encerrando a temporada de forma satisfatória.
Gostou? Se você já havia curtido a primeira temporada, não perca, mas se você não viu e aprecia séries de época, não perca a oportunidade de assistir à ‘The Crown’, uma produção que mostrou a que veio e que, sem dúvida, virá mais forte na terceira temporada. Bom divertimento a todos!
A Netflix no Brasil está a cada dia se notabilizando, não só pelo número de assinantes do serviço de streaming, como também pelas produções do país que estão sendo produzidas e oferecidas a seus consumidores. Após ‘3%’ e ‘O Mecanismo’, foi lançada a primeira série de comédia nacional, ‘Samantha!’, protagonizada pela estrela Emanuelle Araújo. É mais uma obra que traz a nostalgia dos anos 1980 e importantes discussões, como novas maneiras de se consumidor conteúdos, o culto à imagem e as diferentes formas de se tornar uma celebridade em um mundo mais exigente e cheio de padrões sociais e estéticos.
Samantha (Araújo) era o principal nome de um popular grupo infantil, a Turminha Plimplon, em um programa no estilo Balão Mágico, e auxiliada por um mascote bem peculiar, o Zé Cigarrinho (Ary França). A década de 80 era bem característica, pois existia muitas situações politicamente incorretas, com crianças fazendo comerciais para adultos e anunciando cigarros e bebidas alcoólicas, e produtos que chegaram a ser polêmicos, como cigarros de chocolate. Mas o tempo passa e Samantha não consegue manter o sucesso, e ela está disposta a tudo para voltar aos holofotes. Nesse meio tempo, ela faz um ensaio para uma revista masculina e se casa com um ex-jogador de futebol, Dodói (Douglas Silva), que fica preso por doze anos e retorna para bagunçar a vida dela e dos dois filhos.
Durante os sete episódios da série, com média de 30 minutos cada um, o espectador vai se deparar com uma porção de dilemas de Samantha, como as tentativas de emplacar o sucesso, como ser jurada em um programa de tv, gravar um comercial de cerveja ao lado do ex-marido e até um reality show no qual se relaciona com um ricaço e simula um casamento com o magnata. Além disso, pessoas do passado e que fizeram parte de sua vida voltarão para uma espécie de acerto de contas com a protagonista, além da chegada da digital influencer Laila (Lorena Comparato), que vai dar um choque de realidade em Samantha, avessa a novas tecnologias. Laila mostrará para ela a importância das redes sociais e maneiras de conquistar milhões de seguidores, o que será bastante complicado para a personagem central.
‘Samantha!’ não trata apenas de revisitar a cultura pop oitentista, mas também visa debater questões de comportamento, se vale a pena tudo pelo sucesso, além de mostrar os conflitos entre o analógico e o digital e a necessidade de adequação ao mercado, que possui nichos pré-estabelecidos e a necessidade de o artista se renovar sempre, principal dificuldade de Samantha. Além disso, a narrativa vai abordar as questões familiares, a maneira como a protagonista lida e os rumos que a convivência com Dodói vão levar na trama. Em termos de narrativa, a história é muito bem conduzida, além de uma boa sinergia entre atores e do perfeito equilíbrio entre as situações de humor e as mais dramáticas.
Na questão de atuação, tanto Emanuelle Araújo e Douglas Silva surpreendem positivamente, a primeira por mostrar desenvoltura e facilidade para o humor, o segundo por encarar o lado dramático e se transformar na trama, mostrando um lado cômico, não característico em personagens antes interpretador, como em Cidade de Deus e Cidade dos Homens. O núcleo secundário também dá retorno, como Daniel Furlan, o agente desonesto de Samantha, Marcinho, bem como Rodrigo Pandolfo, o Tico, ex-companheiro dos Plimplons. E não poderia esquecer do núcleo infantil, composto por Sabrina Nonato (Cindy) e Cauã Gonçalves (Brandon), que dão o ar da graça e conseguem se sustentar na história, mesmo que fiquem um tempo sem interagir com os adultos.
No quesito humor e nostalgia, ‘Samantha!’ cumpre muito bem seu papel, além de servir de campo discursivo entre a antiga e a nova geração e promover um choque de culturas, com uma realidade atual mais atrelada ao politicamente correto e que dá margens à intolerância em comparação ao passado, com um mundo mais liberal. A série também transmite importantes mensagens, principalmente uma que Samantha repete em vários episódios, ‘é preciso sempre acreditar’, e outra que toca o coração de todos, como ‘é preciso crescer, o passado é importante lembrar, mas deve-se andar para a frente’. Uma ótima sugestão para quem aprecia uma boa comédia e quer matar a saudade de uma das melhores épocas da televisão, e para quem não vivenciou os anos 80, vale conhecer.