Poltrona Séries: A Casa das Flores-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Casa das Flores-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Sabe aquela série que lembra os dramalhões que você acompanha nas novelas mexicanas? Existe uma produção mexicana da Netflix que é assim e chega a sua segunda temporada. ‘Casa das Flores’ investe no humor negro e em altas doses de ironia ao retratar uma família que enriqueceu com uma floricultura, que dá nome à série, e que passou a ter seus segredos revelados após um suicídio ocorrer no local. O maior nome do elenco é Veronica Castro, que não retornou para a nova sequência de nove episódios, e a solução dos produtores da série foi a de promover o falecimento de sua personagem.

O primeiro episódio da temporada começa com novo drama dos irmãos De La Mora, que ficaram sem a floricultura e sem dinheiro após Diego (Juan Medina), responsável pelas finanças, roubar a fortuna e entregá-la a “Los chiquis”, inimigos da família. Casa um vai para um lado tentar viver sua vida, mas Paulina (Cecicilia Suárez), Elena (Aislinn Derbez) e Julián (Dario Bernal) acabam por se juntar novamente para tentar retomar a floricultura e um cabaré vendido pelo pai, Ernesto (Arturo Ríos), resolver questões acerca do testamento da família e vingar a morte da mãe, que sequer foi filmada durante a produção dos episódios. E claro, vingança contra Diego.

Os nove episódios apresentam arcos interessantes, alguns desconectados de outros e apenas para preencher lacunas, como o de Ernesto, que vendeu o cabaré e entrou para uma seita misteriosa e de práticas questionáveis, e Micaela (Alexa de Landa), que se prepara para tentar ganhar um concurso de talentos, primeiro com números de mágica, e depois como cantora. Já os problemas de Paulin, Elena e Julián movimentam a trama, sempre conectados e com muito sarcasmo. De quebra, vemos durante os episódios muitas piadas com o sotaque espanhol, ouvimos bastante reggaeton e nos deparamos com cenários bregas, típicos das novelas mexicanas.

Dentre todos os personagens, Paulina é a que se sobressai em relação aos demais, seja pela sua voz diferente e pronúncia, como por suas atitudes, pois ela toma a frente de tudo e mais se preocupa com o bem-estar dos irmãos e demais familiares do que consigo mesma. Todos os planos para reerguer a família passam por suas decisões, desde a readmissão de antigas funcionárias do cabaré a contratação de acompanhantes para um negócio paralelo. Elena também não fica muito atrás, mas mais se destaca pelas polêmicas nas quais se insere, como a se envolver em um caso amoroso com um padre e por ser nitidamente ninfomaníaca. Já Julián mantém um relacionamento de fachada, mas logo de cara é revelados eu segredo, não aceito por todos.

A imprevisibilidade e a diversidade são as principais características dessa série, principalmente na atual temporada, cada episódio possui uma surpresa, várias situações absurdas e bizarrices aparecem, além dos comuns dramalhões, críticas sociais e também questões do universo LGBT. Uma personagem trans entra durante a trama, movimentando-a ainda mais na questão da recuperação do cabaré inicialmente montado por Ernesto para sua falecida amante. De quebra, vemos referências e homenagens ao diretor espanhol Pedro Almodóvar, como a presença de trans e drags, cenários coloridos e situações regadas com muito humor e ironia.

‘A Casa das Flores’ oferece personagens cativantes, situações cômicas e os populares ingredientes de uma produção mexicana, com dramalhões, família desajustada e muito sentimentalismo. O diretor Manolo Caro tem méritos e mostra que o México vai muito além de suas novelas e que a série não foi apenas para satirizar tudo o que é mostrado na televisão. Essa série não só entretem, mas tem também muito a dizer.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Stranger Things-3ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Stranger Things-3ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

A série oitentista da Netflix mais aclamada do público voltou a todo vapor. Após uma primeira temporada incrível e uma segunda que dividiu opiniões, ‘Stranger Things’ tem oito novos episódios de tirar o fôlego. As referências aos anos 80 continuam, com toque que só os irmãos Matt e Ross Duffer saber fazer, além de uma trama consistente e com personagens vibrantes e peculiares.

Mike (Finn Wolfhard), Will (Noah Schnapp), Lucas (Caleb McLaughlin), Max (Sadie Sink) e Eleven (Millie Bobby Brown) estão de volta, mas agora em fase pré-adolescente, com os meninos se preocupando com questões mais complexas, como namoros, além das dificuldades que todo jovem enfrenta em sua faixa etária. Apenas Will é o ponto fora da curva, que deseja ainda fazer coisas de criança, pois ficou bastante traumatizado pelo tempo que ficou preso no Mundo Invertido. E por falar nisso, esse universo volta à pauta e com grande holofote para o sombrio Devorador de Mentes, uma criatura que promete aterrorizar todos e buscar um novo hospedeiro.

Outro grupo também ganha destaque, formado por Steve (Joe Keery), Dustin (Gaten Matarazzo), Robin (Maya Hawke) e Erica (Priah Ferguson). Os dois primeiros, que já tinham uma forte amizade, mantém a cumplicidade, as demais não ficam atrás, cada uma possui uma habilidade especial e elas vão se juntar aos dois garotos para interceptar as comunicações do Exército Comunista, desvendar seus planos e elaborar estratégias para detê-los. O trunfo da série é o de inserir personagens que somem e sejam relevantes para o desenrolar do arco da temporada, e é o que ocorre nessa terceira parte de Stranger Things, com gratas surpresas. E não podemos esquecer das tramas paralelas que envolvem o delegado Hopper (David Harbour), Joyce (Winona Ryder), Nancy (Natalia Dyer) e Jonathan (Charlie Heaton).

As forças da terceira temporada da série estão no elenco afiado, as tramas paralelas bem construídas e entrelaçadas e os belos efeitos visuais. O universo se mostra ainda mais sombrio e perigoso e ele prepara terreno para o que possa vir a ocorrer na próxima temporada ou até mesmo no fechamento da série. Algumas situações estranhas deixam dúvidas e elas podem vir a ser respondidas na nova leva de episódios. O conceito de Mundo Invertido e os ingredientes utilizados pelos irmãos Duffer são tão vastos que é possível dar um pouco mais de vida útil à série, que chegou e conquistou de vez o público fã de ficção científica e os saudosistas dos anos 80.

Quem ainda não viu, deve ver a terceira temporada de ‘Stranger Things’. Onze continua a ser uma das estrelas, mas seus poderes não são o foco dessa nova etapa, embora eles vão ser necessários e imprescindíveis nos novos episódios e quem não teve tanto destaque ganha importância nessa nova fase. Corra, não deixe de assistir, será uma grata surpresa para quem já viu as temporadas anteriores, mas quem não viu vai sentir vontade de ver o que não teve oportunidade.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Elite-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Elite-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

A série que fez pouco mais de vinte milhões de pessoas assistirem já na primeira semana está de volta. Com forte apelo, críticas sociais e debates acerca da diferença de classes e um forte enredo como pano de fundo, ‘Elite’, produção espanhola do serviço de streaming Netflix, vem com oito novos episódios para intrigar e engajar ainda mais o espectador, agora com um novo mistério.

O fim da primeira temporada foi para lá de chocante, pois ocorreram o assassinato da jovem Marina (María Pedraza) e a prisão de Nano (Jaime Lorente), acusado de cometer o crime. E o retorno às aulas no colédio Las Encinas não poderia ser tenso, pois o irmão Guzmán (Miguel Bernardeau) anda bastante atormentado e ríspido com alguns colegas, principalmente com Samuel (Itzan Escamilla), irmão de Nano, suspeito de ter ligação com a morte de Marina. Este se envolve em incidentes e acaba por sumir misteriosamente. O desaparecimento de Samuel acaba por ser o mote da atual temporada, que também ilustra os tormentos de Carla (Ester Espósito), Christian (Miguel Herrán) e Pólo (Álvaro Rico), outros envolvidos.

Os personagens da primeira parte do Las Encinas voltam, mas também nos deparamos com novos estudantes, eles vão movimentar bastante a trama e proporcionar muitas emoções. Surge uma nova investigação, cada episódio apresenta interrogatórios e alunos cada vez mais pressionados. Cada depoimento e pistas encontradas pela polícia tornam a narrativa mais tensa e convidativa para quem está acompanhando desde o início. Os verdadeiros culpados pelo assassinato já são conhecidos, mas suas angústias e a dúvida se eles vão resistir por tanto tempo pela culpa que carregam e se vão se entregar às autoridades são os ingredientes para conduzir e sustentar os oito episódios, que são muito bem articulados e o elenco consegue segurar bem as pontas.

Quanto aos novos alunos, Rebeca (Claudia Salas) é uma jovem emergente e que acaba por envolver Samuel em negócios escusos. Acabamos por entender a ascensão que ela e sua família tiveram, e não foi um ‘ganhar na loteria’, como ela afirma por diversas vezes. Valerio (Jorge López), meio-irmão de Lucrécia (Danna Paola) é um garoto cheio de vida, mulherengo, mas com uma quedinha pela meia-irmã. Na reta final da temporada, ele se envolve em um sério episódio que acaba por provocar estragos na vida de Guzmán e também na sua e de Lucrécia. Já Cayetana (Georgina Amorós) é a personagem que gera mais discussões, pois apesar de sua empatia com seus colegas e pela enorme força que demonstra para alcançar o que deseja, ela tem uma personalidade contestável, pois demonstra ser alguém que não é e a expectativa se ela vai ou não ser desmascarada só cresce a cada episódio, tendo em vista que não é fácil sustentar uma mentira por muito tempo.

A produção mostra algumas cenas fortes, dentre elas envolvendo sexo, com um grau moderado de apelação, e comportamentos de jovens que refletem os adolescentes atuais, ainda mais com o advento das redes sociais. Muitos querem se sentir amados e pertencentes a um grupo, outros usam e abusam da tecnologia para intimidar, descobrir segredos e desfazer algumas amizades e relacionamentos, e outros encontram sérios problemas familiares e não contam com total apoio dos pais. Alguns dilemas do cotidiano são encaixados e explorados como na primeira temporada, com uma estrutura narrativa eficiente, de bom ritmo e que instiga o espectador a acompanhar até o fim, para ver os dramas dos adolescentes solucionados, além do desaparecimento de Samuel, bem esclarecido no desfecho.

Humor, dramas e o clima de suspense marcam os oito novos episódios de ‘Elite’, a nova sensação da Netflix, e que está mobilizando muitos espectadores, principalmente no Brasil. Vale a pena maratonar.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Succession: relações de poder marcamo dress code dos personagens masculinos

Succession: relações de poder marcamo dress code dos personagens masculinos

Em sua segunda temporada, a série SUCCESSION, da HBO, continua sua incursão pelo universo dos milionários norte-americanos. As relações de poder entre os integrantes da família Roy, que movimentam a trama, são ilustradas também pelo figurino – especialmente quando se trata do universo masculino. A série vai ao ar todos os domingos, às 22 horas, pela HBO e a HBO GO.

Criada pelo indicado ao Oscar® Jesse Armstrong, a produção tem como personagem principal Logan Roy (Brian Cox), o patriarca que manipula seus quatro filhos para evitar sua substituição à frente da Waystar Royco – conglomerado do setor de comunicações construído por ele. Inspirado no rei Lear, personagem de William Shakespeare, Logan chegou ao topo do mundo e já não está mais preocupado em impressionar ninguém.

 

Logan Roy

Do alto do seus 80 anos, ele prefere o conforto à elegância e  não abre mão da sua coleção de bonés de beisebol e de uma correntinha para pendurar os óculos  no pescoço. Troca facilmente o fino corte dos paletós, confeccionados por seu alfaiate particular, por uma coleção de cardigãs de cores variadas. Mas sempre acrescenta uma gravata quando marca presença nas reuniões da empresa.

 

Kendall Roy

Se a aparência não é prioridade para Logan, o mesmo não se pode dizer de seus filhos. A começar por Kendall (Jeremy Strong), o mais dedicado de todos, que ostentava sua classe de forma impecável, com ternos de cortes modernos, acompanhados de camisas e gravatas elegantes, seguindo a linha dos maiores executivos novaiorquinos. A combinação misturava o clássico “paletó + camisa branca + gravata escura” e ganhava o complemento de calça slim e sapatos sociais de cadarço – dando um ar de modernidade e sofisticação ao visual.   No entanto,  a reviravolta em sua história, como a frustrada tentativa de destituir o pai e o envolvimento em uma acidente fatal, provocaram também um downgrade no seu look: saem as gravatas e entram down jackets com forro de penas de ganso.

 

Roman Roy

Na contramão de Kendall, o caçula Roman (Kieran Culkin) trocou o guarda-roupa de playboy pelo de executivo desde que começou a trabalhar na Waystar Royco. E busca impressionar com seu estilo ao acrescentar um lenço no bolso sempre nos mesmos tons da gravata. Sua tentativa de ascenção também se destaca quando está fora do ambiente corporativo, ao se vestir com calças sociais e camisas escuras, preferencialmente as azuis-marinhos e vinho.

 

Connor Roy

O primogênito Connor (Alan Ruck), mesmo fora do ambiente manipulador criado por seu pai, lança mão do dress code para realizar seu mais novo desejo: tornar-se presidente dos Estados Unidos. Para isso, deixa de lado os ares de hippie de meia-idade que vive em um rancho do Arizona. Abandona as jaquetas de camurça, coletes puffer e camisas xadrez e passa a adotar ternos e gravatas clássicos – um look à altura das suas inspirações.

Poltrona Séries: La Casa de Papel 3/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: La Casa de Papel 3/ Cesar Augusto Mota

Os ladrões mais queridos da Espanha estão de volta. A série ‘La Casa de Papel, sucesso de crítica e público, chega à sua terceira parte e com oito novos episódios na Netflix. E vem com algumas novidades, principalmente no que concerne à corrupção que as autoridades espanholas escondem.

O grupo de assaltantes, composto por Nairóbi (Alba Flores), Tóquio (Úrsula Corberó), Denver (Jaime Lorente) e os outros ladrões se reúnem novamente e aparecem curtindo a fortuna faturada com o assalto à Casa da Moeda Espanhola. Tóquio, disposta a curtir ainda mais o momento de fartura, decide pedir um tempo para o namorado, Rio (Miguel Herrán) e o deixa na ilha em que viviam no Caribe. Porém, o grupo é rastreado e pego pela polícia panamenha. Encurralada, Tóquio recorre ao Professor (Álvaro Morte) para reunir os assaltantes e um novo assalto é planejado, no Banco da Espanha, que possui centenas de barras de ouro. E tudo isso para refazer contato com a polícia e negociar o resgate de Rio.

Um grande plano é executado e acaba por deixar ensandecidas as pessoas nas ruas de Madrid e tudo é relatado na visão de Tóquio, com flashbacks que antecedem ao assalto, recurso apresentado nas temporadas anteriores. Grandes reviravoltas acontecem e eventos muito perigosos acabam por desestabilizar o grupo, com a iminência do plano vir a fracassar.

O que chama a atenção nessa parte três é a forte motivação do grupo de assaltantes de mostrar o quão abusivo e opressor é o sistema de vigilância espanhol e segredos obscuros que aos poucos são revelados. Os personagens não querem apenas roubar, mas demonstrar que a segurança do país e falha e que o país conta com autoridades questionáveis, e isso faz o espectador se identificar ainda mais com os assaltantes e ir com eles até o fim do plano. Conseguirão todos saírem ilesos e bem-sucedidos no que foi planejado? Vão ostentar muita riqueza? E os conflitos internos entre os personagens? Serão bem resolvidos?

Outro ponto positivo está na variação de cenários durante os episódios, com direito a uma ilha paradisíaca em um deles. A ousadia do Professor na execução do plano também chama a atenção, com a divulgação de uma mensagem enigmática e uma importante revelação, para o espanto dos cidadãos espanhóis. Se vimos ladrões encurralados anteriormente, vemos agora personagens mais decididos e dispostos a se darem bem e fazer coisas para prejudicar as autoridades corruptas da Espanha. E novos ladrões pintam na área, como Mónica (Estocolmo) e Raquel (Lisboa): Palermo, Marsella e Bogotá. Todos com personalidades peculiares, mas capazes de cativar o espectador. A participação de cada um possui destaque na trama e elas ditam o ritmo dos episódios, bem como os rumos do plano de assalto. Uma temporada incrível e cheia de surpresas.

Se você estava esperando por uma temporada frenética e que propusesse novas emoções, ‘La Casa de Papel 3’ vai muito além do que já foi apresentado e mostra outro lado dos assaltantes que ganharam a atenção e carisma de milhões de espectadores, e com direito a novos integrantes. Vale a pena essa nova experiência.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota