Poltrona Cabine/ Como Nossos Pais/ Por: Vitor Arouca

Poltrona Cabine/ Como Nossos Pais/ Por: Vitor Arouca

maxresdefaultClarice e Rosa tem uma relação problemática de mãe e filha. Uma revelação de Clarice deixa sua filha chateada e com raiva. Rosa e Dado são casados e pais de Juliana e Nara. Rosa trabalha com projetos de cerâmica de banheiro e o marido é ambientalista.

Por trabalhar com o meio ambiente e defendendo as causas da Mata Atlântica, Dado vive viajando e a responsabilidade de pai fica em segundo plano. Rosa trabalha em casa e tem que se virar com as suas responsabilidades profissionais e as pessoais que praticamente realiza sozinha e isso deixa o relacionamento com o marido conturbado.

O filme é um verdadeiro conflito familiar passado de geração em geração que envolve a todos, mas o amor de filha e mãe, mesmo com o erro de Clarice faz essa relação ficar bem melhor. Além de retratar a semelhança do jeito e atitudes entre pais e filhos.

Um excelente filme brasileiro da diretora Laís Bodanzky. Grande atuação de Maria Ribeiro. Elenco: Clarice Abujamra, Paulo Vilhena, Herson Capri.

Estreia: Dia 31 de agosto.

Poltronas: 5/5

Poltrona Cabine: Bingo: O Rei das Manhãs/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Bingo: O Rei das Manhãs/ Cesar Augusto Mota

Que tal um filme que procura valorizar a cultura pop, com carga nostálgica e que dose momentos de humor com outros dramáticos? ‘Bingo: O Rei das Manhãs’, além de ser uma cinebiografia, é um verdadeiro tributo aos anos 1980.

Baseado na história real de Arlindo Barreto, um dos primeiros intérpretes do palhaço Bozo e que passou por momentos conturbados até abandonar de vez a carreira e encontrar redenção na religião, o filme mostrará Vladimir Brichta em dois papéis na história: Bingo, um palhaço irreverente e aposta da emissora TVP na guerra contra a audiência matutina, e  Augusto Mendes, um ator de filmes adultos que tenta se reinventar e engrenar de vez na carreira artística e que dará vida ao palhaço.

A montagem é feita de forma eficiente, com um bom equilíbrio de cenas dos bastidores do show do Bingo, os preparativos de Augusto para incorporar o personagem e sua vida particular, mostrando-se um pai amoroso, porém com uma vida boêmia. A direção de arte é primorosa, os cenários do show do Bingo remontam ao original do SBT, além das roupas e também os objetos que eram famosos na época e se fizeram presentes nas casas das pessoas. Quem não se lembra das fitas K7 BASF, que muitos usaram para gravar diversos sucessos, e muitos no lado B? Quem está vendo o filme acredita que se trata realmente dos anos 80, sem falar na popularidade dos programas infantis e das músicas internacionais e as boates lotadas.

Falei em lado A e B da fita K7, o filme possui dois lados. O primeiro, de luta e sucesso de Augusto Mendes como Bingo, e o segundo, da frustração. O ator, mesmo consagrado pela crítica e adorado pelas crianças, não pode ter sua identidade revelada, e não se sente completo. De quebra, começa a se distanciar da família e a ter uma vida desregrada, prejudicando seu relacionamento com o filho. O garoto já não se sentia bem com o sucesso de Bingo, e experimenta momentos tristes e tortuosos na vida. A alegria dá lugar à apreensão e melancolia na vida de Augusto Mendes, que parece ter chegado ao fundo do poço. Os recursos utilizados nas cenas mais dramáticas, com sombras e os holofotes se apagando ao notarmos Bingo sair dos estúdios são de encher os olhos, sem esquecer do trabalho do estreante diretor Daniel Rezende, que soube mesclar os momentos de humor e de drama, sabendo bem como contar uma história e que ela merecia ser contada.

O roteiro mostra que foi feito um estudo completo e cuidadoso da trajetória de Arlindo Barreto e houve preocupação em abordá-la com delicadeza e também com veia cômica, mas nota-se alguns clichês e outras coisas já vistas em outros filmes, não há originalidade propriamente na história. Mas há virtudes não só no trabalho de direção, como também de toda a parte técnica e dos atores.

Vladimir Brichta encarna os dois personagens com maestria, são duas histórias paralelas e que se entrelaçam, o ator consegue transmitir emoção com Augusto, inclusive em cenas mais difíceis, como nas quais o personagem vive na boêmia e sozinho apela para métodos nada satisfatórios para fugir de seus problemas. Não só no drama, ele demonstra que sabe fazer o público rir e ao interpretar Bingo mostra que é possível com talento e improviso,  não ser refém do script. Além dele, os personagens de Leandra Leal, a diretora do programa Bingo, Lúcia, uma mulher linha-dura na televisão e religiosa fora, e de Cauã Martins, o filho Gabriel, possuem participações importantes e são fios condutores na trama, essenciais na transformação de Augusto Mendes.

Você ri e se emociona com ‘Bingo: O Rei das Manhãs’, e mesmo que não apresente um roteiro original, se sente nostálgico com uma época que deixou saudade e que infelizmente não volta mais, além de recordar um personagem que fez a alegria e mexeu com o imaginário da garotada. Mas quem não viveu nos anos 80, após ver esse filme vai perceber que foi uma época boa e era saudável e mágico ser criança.

Avaliação: 4/5 Poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Annabelle 2-A Criação do Mal

Poltrona Cabine: Annabelle 2-A Criação do Mal

É inegável que a franquia ‘Invocação do Mal’ se tornou um grande sucesso do gênero terror. Foram duas produções que arrancaram muitos gritos e fizeram as pessoas pularem da cadeira várias vezes, fora o êxito com a bilheteria. Com o intuito de levar mais pessoas às salas de cinema, a Warner Bros. resolveu investir em um filme derivado da saga e explorar uma figura já vista antes: Annabelle.

Com um longa morno e decepcionante em 2014, Annabelle tem agora uma nova sequência, e com uma equipe de primeira, a começar pelo diretor. David F. Sandberg, após o sucesso de ‘Quando as Luzes se Apagam’, é o responsável por ‘Annabelle 2: A Criação do Mal’, e com as atuações de Talitha Bateman, Lulu Wilson (‘Ouija: A Origem do Mal’), além de Anthony LaPaglia, (‘Without a Trace’), Miranda Otto, Samara Lee (O último Caçador de Bruxas) e Stephanie Sigman.

A narrativa trata da história do casal Mullins (Otto e Lapaglia), que perdeu a filha Annabelle num trágico acidente e após 12 anos resolve fazer da casa um lar para meninas órfãs, abrigando algumas garotas e a irmã Charlotte (Sigman). A história focaliza duas crianças em especial, Janice (Bateman), com dificuldade de locomoção causada por uma poliomielite, e Linda (Wilson). As duas começam a notar coisas estranhas e experimentam momentos sombrios e tensos, envolvendo as demais colegas.

Na medida em que a trama vai passando, todos os segredos acerca da estranha e amaldiçoada boneca vão sendo revelados e uma enorme bola de neve vai se formando. Quem está assistindo tem a impressão que se trata de ‘Invocação do Mal’, pois o plano-sequência utilizado é o mesmo, com foco e preocupação com a casa de uma família e filmagens com pouca luminosidade e efeitos com sombras bem produzidos. Cores amareladas e cinzentas, presentes nos filmes de James Wan, são percebidas em ‘Annabelle 2’, além dos efeitos utilizados, com aparições visuais repentinas e ruídos estrondosos após um longo silêncio, tudo isso funciona muito bem.

Além de utilizar ferramentas que lembrem os filmes anteriores, o diretor David F. Sandberg consegue fazer uma conexão eficiente entre eles, sem prejudicar o enredo, além de um preciso controle entre as cenas e a trilha sonora, algumas tomadas mais fortes por conta do som e outras mais divertidas e sem necessidade de sonorização.

O roteiro, assinado por Gary Daubermann, apresenta alguns problemas. Alguns personagens não são tão aprofundados, como as demais garotas órfãs, além da irmã Charlotte. Algumas situações acerca do passado das irmãs Janice e Linda não são explicados, além do ritmo acelerado no ato final da história, mas nada que comprometa o resultado final, que é satisfatório e infinitamente superior ao primeiro ‘Annabelle’.

As atuações são primordiais, a direção de arte é impecável, além da montagem. Quem gosta do gênero terror vai se surpreender positivamente com o filme, além de torcer por uma sequência. Se Sandberg for mantido para uma produção futura, as chances de bom resultado são enormes, nem preciso dizer nada se James Wan voltar, não é mesmo?

Recomendo ‘Annabelle 2: A Criação do Mal’, um filme assustador em boa parte dos 110 minutos de duração, e algumas cenas cômicas nos momentos que são necessários. E não saia correndo, você verá duas cenas pós-créditos. Não perca!

Avaliação: 4/5 Poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Poltrona Cabine: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Quem é fá de ficção científica certamente gosta de aventuras excitantes, com cenários futurísticos, grandes explosões, viagens por mundos imaginários e confrontos épicos com seres alienígenas e temíveis monstros, não é mesmo? Está prestes a ser lançado no Brasil um filme baseado em uma série de quadrinhos, ‘Valérian et Laureline’, de 1967, criado por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières . O cineasta francês Luc Besson, de sucessos como ‘O Quinto Elemento’, ‘O Profissional’ e ‘Lucy,’ é o responsável por dar vida à ‘Valerian e a Cidade dos Mil Planetas’, com orçamento mais caro da história do cinema da França, de US$ 200 milhões. Mas será que se trata realmente de uma superprodução e vai render bons resultados?

A história acompanha os agentes espaciais Valerian (Dane Dehaan) e Laureline (Cara Delevingne), enviados pelo Governo dos Territórios Humanos a uma missão secreta na estação espacial Alpha, local que abriga milhões de pessoas de todos os cantos do universo e pouco mais de 8 mil espécies capazes de trocar informações, experiências e tecnologias. O que parecia tranquilo começa a se complicar após uma falha na operação, o que não apenas coloca o Major Valerian e a Sargento Laureline em perigo, como também toda uma raça, e uma séria decisão terá que ser tomada por Valerian, se segue o seu coração ou se cumpre ordens superiores e aniquila de vez toda uma espécie.

Logo de cara já somos agraciados com imagens paradisíacas de um planeta habitado por humanóides que lembram as criaturas de ‘Avatar’. Eles vivem tranquilos, sem apego a bens materiais e com espírito de compaixão e amor ao próximo. Depois vemos terríveis confrontos nesse planeta e gravíssimas consequências, inclusive para seus habitantes, antes de chegarmos à missão na qual foram recrutados Valerian e Laureline.

A montagem é bem articulada, o espectador passa por incríveis experiências imersivas em ambientes virtuais e cenários compostos das mais variadas espécies de criaturas e com grandes efeitos especiais, além da qualidade da maquiagem, que trouxe mais realismo às criaturas. O figurino também é exemplar, com um visual dos protagonistas bem despojado no início, mas depois em possantes uniformes, além da estética dos habitantes do planeta Mül, devastado no início da história. O aspecto estético é de impressionar.

Se a estética do filme é bastante acentuada, não se pode dizer o mesmo do roteiro e da atuação dos atores. Antes de nos inserirmos na trama, há dois prólogos, que demoram a se desenvolver, o ritmo é lento. A história principal também se arrasta, é cansativa, os personagens se mostram bastante engessados e pouco inspirados. Valerian, interpretado por Dane Dehaan, se mostra bastante durão, arrogante, inseguro e abusa nas cenas em que assedia Laureline, você não se empolga, fica entediado. E Laureline não é uma personagem simpática e que faça você se identificar e ficar ao lado dela, Cara Delevingne teve sérios problemas para interpretá-la, falta aperfeiçoamento na expressão facial, não passou sinceridade. A química entre os dois atores é desastrosa, as atuações individuais ainda rendem alguma coisa, mas quando estão juntos em cena, não vingam. Ainda há a participação especial da cantora Rihanna na história, um papel pequeno, mas que ficou de bom tamanho, um maior aprofundamento poderia prejudicá-la, pois não é a área dela.

Um projeto ousado e que demandou um orçamento alto para ser implementado, com algumas semelhanças com outras produções, como ‘Star Wars’ e ‘Avatar’, mas que careceu de novidades. Não é um filme para se desprezar, mas que poderia ter entregue mais ao espectador, houve bastante preocupação com a forma do que com o conteúdo, o que compromete a essência de ‘Valerian e a Cidade dos Mil Planetas’. Um filme médio, bem abaixo do que as produções de Luc Besson podem oferecer, é possível muito mais.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine/ Diário de um Banana: Caindo na Estrada/ Por: Vitor Arouca

Poltrona Cabine/ Diário de um Banana: Caindo na Estrada/ Por: Vitor Arouca

__5936f55b306b8-medium.jpgA maior parte do filme acontece dentro do carro e nas estradas dos EUA. A família Heffly decide realizar uma viagem de quatro dias de carro até chegar em Indianápolis para o aniversário de 90 anos da Bisavó de Greg.

Susan, mãe do Greg, teve a ideia de ir para a festa de automóvel e aproveitar mais tempo com a sua família. Susan é desconectada de aparelhos tecnológicos, seu marido, Tom, e os seus filhos, Greg e Rodrick são viciados em celulares e computadores. No início da viagem, a mãe cria a seguinte regra: é proibido usar qualquer tipo de tecnologia na viagem e isso deixa os três homens da casa revoltados.

Greg é vidrado em videogame e deseja ir à convenção de vídeo games que acontecerá na cidade vizinha a de sua bisavó. Para conseguir o seu objetivo, Greg muda o destino no GPS do carro e a partir deste momento a confusão, que já era grande no carro, se torna ainda maior.

Um bom filme para rir e assistir com a família. O tema do filme é que devemos dar mais importância à nossa família.

O filme estreia no dia 10 de agosto aqui no Brasil.