Poltrona Cabine/ Diário de um Banana: Caindo na Estrada/ Por: Vitor Arouca

Poltrona Cabine/ Diário de um Banana: Caindo na Estrada/ Por: Vitor Arouca

__5936f55b306b8-medium.jpgA maior parte do filme acontece dentro do carro e nas estradas dos EUA. A família Heffly decide realizar uma viagem de quatro dias de carro até chegar em Indianápolis para o aniversário de 90 anos da Bisavó de Greg.

Susan, mãe do Greg, teve a ideia de ir para a festa de automóvel e aproveitar mais tempo com a sua família. Susan é desconectada de aparelhos tecnológicos, seu marido, Tom, e os seus filhos, Greg e Rodrick são viciados em celulares e computadores. No início da viagem, a mãe cria a seguinte regra: é proibido usar qualquer tipo de tecnologia na viagem e isso deixa os três homens da casa revoltados.

Greg é vidrado em videogame e deseja ir à convenção de vídeo games que acontecerá na cidade vizinha a de sua bisavó. Para conseguir o seu objetivo, Greg muda o destino no GPS do carro e a partir deste momento a confusão, que já era grande no carro, se torna ainda maior.

Um bom filme para rir e assistir com a família. O tema do filme é que devemos dar mais importância à nossa família.

O filme estreia no dia 10 de agosto aqui no Brasil.

Poltrona Cabine: O Estranho que Nós Amamos/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Estranho que Nós Amamos/ Cesar Augusto Mota

As opiniões dos cinéfilos sempre ficam divididas quando é lançado um remake de um  grande sucesso. Alguns aprovam, outros questionam a qualidade do novo título, e o que veremos em breve certamente fará as rodas de debates bombarem. A premiada cineasta Sofia Coppola, de filmes consagrados como ‘Maria Antonieta’, ‘As Virgens Suicidas’ e ‘Encontros e Desencontros’, dirige a nova versão de ‘O Estranho que Nós Amamos’, protagonizado por Clint Eastwood e dirigido por Don Siegel na versão de 1971. Sofia promete dar um novo foco e sob o olhar feminino. Será que ela conseguirá ter êxito em sua abordagem?

A história se passa durante a Guerra Civil americana, no século XIX, entre os anos de 1861 e 1865. John McBurney (Colin Farrel), soldado da União, está gravemente ferido e encontra refúgio em uma escola para moças no sul Confederado, dirigida por Miss Martha (Nicole Kidman). O internato conta com as aulas da professora Edwina (Kirsten Dunst) e possui apenas cinco jovens que restaram por conta da devastação da guerra, e um dos destaques é Alicia (Elle Fanning). A presença do soldado em um local rodeado por mulheres nos faz lembrar de ‘As Virgens Suicidas’, filme no qual várias pessoas presas em um mesmo teto passam a se relacionar e ter um envolvimento emocional com alguém de fora.

Com o passar dos dias, nota-se uma maior aproximação e uma relação ainda mais próxima entre o homem e mulheres das mais diferentes idades e personalidades, e cada uma se sentindo atraída por ele, das mais diversas formas. As paisagens do Sul dos Estados Unidos retratadas no começo da trama passam a dar lugar a um ambiente de delírio, muitas intrigas, desespero e claustrofobia, que farão o espectador ficar impactado e se sentir mais envolvido com a história. Questões como o espírito cristão, a moral e os sentimentos reprimidos são bem trabalhados, e cada uma se acentua em momentos chaves da história.

A fotografia é impressionante, principalmente a retratada no ambiente interno, da escola para moças. No início do filme percebemos tons pasteurizados e suaves, enquanto na casa sentimos um ar mais intimista, com iluminação por velas e um ambiente mais sombrio e pesado. O som e a trilha sonora também se destacam, e contribuem para as mudanças bruscas que ocorrem na narrativa.

O roteiro aborda temas que se fazem ainda mais presentes no cotidiano, como o machismo, o empoderamento feminino e paixões proibidas, mas tudo acontece de maneira muito rápida, não dá tempo de o espectador respirar, pois uma ação já desencadeia outra, além de não trazer muitas surpresas e apresentar um desfecho bem previsível. A duração curta do filme, de pouco mais de uma hora e meia, contribui para tudo isso.

Não poderia esquecer das atuações, todas competentes, mas dou destaque maior para Colin Farrel, que foi a força-motriz da trama, Nicole Kidman, que apresentou uma personagem forte e com o forte desafio de lidar com a perda de um grande amor, miss Marta consegue segurar as pontas e vai ser a chave para os conflitos e a conclusão da história, além de Kirsten Dust, uma moça delicada, mas que foi capaz de amadurecer, porém com a missão de evitar que as jovens internas caiam nas armadilhas feitas pela vida.

Sofia Coppola fez um trabalho elogiável, inclusive o roteiro leva seu nome, ela é capaz de passar importantes mensagens, de que se pode dar importância aos outros, mas antes é necessário se importar consigo mesmo e que existe confiança, mas não de forma plena. O filme ilustrou um grupo forte de mulheres, com suas próprias crenças e regras, além de umas protegendo as outras, mas a questão do empoderamento feminino, como Sofia fez questão de explorar, poderia ter sido de uma forma mais acentuada, uma guerra de sexos, digamos assim, mas a produção é de alto nível e merece ser apreciada. Uma produção eficiente, mas que poderia oferecer e entregar muito mais ao espectador.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Planeta dos Macacos: A Guerra/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Planeta dos Macacos: A Guerra/ Cesar Augusto Mota

Que a franquia ‘Planeta dos Macacos’ é sinônimo de sucesso, isso não podemos negar. Adaptado do romance  La Planète des Singes, do escritor francês Pierre Boule, de 1963, surgiu o primeiro filme, em 1968, de Franklin J. Schaffner, e mais outros sucessos surgiram. Foram ‘Planeta dos Macacos’, de Tim Burton (2001), além de ‘Planeta dos Macacos: A Origem’ (2011), de Rupert Wyatt, e ‘Planeta dos Macacos: O Confronto’ (2014) de Matt Reeves. E o que dizer desse novo filme, também de Reeves, que está chegando ao circuito nacional e que encerra uma trilogia?

Em ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’, da Fox Films, a raça humana passa a enfrentar uma grande ameaça, de um vírus que confere capacidade cognitiva a um grupo de macacos e faz o homem chegar ao seu estado primitivo e sem possibilidade de fazer comunicação verbal. Um grupo de homens, liderados pelo impiedoso Coronel, entendem que para salvar a espécie devem enfrentar o grupo de símios liderados por César e exterminá-los. Para César, é a chance de lutar pela salvação de sua família e também de sua raça.

Nota-se uma diferença abissal de comportamento em César em ‘O Confronto’ para ‘A Guerra’. No primeiro filme, ele se mostra bastante rebelde e inconsequente, no segundo é mais clemente e um tanto reservado, acumula ódio e lembranças da morte de Koba, seu arqui-inimigo. Mas isso não faz o público diminuir a empatia pelo personagem, brilhantemente interpretado por Andy Serkis, pois ele mostra um lado mais emocional e nos ajuda a compreender sua dor e seu sentimento de alívio em alguns momentos, além de mostrar uma postura corporal imponente e intimidante. Além de César, o Coronel, com a atuação de Woody Harrelson, também se destaca, por sua personalidade forte e implacável e movido por muita força e coragem na luta pela salvação da raça humana, indo até as últimas consequências.

A trama não traz apenas Coronel e César como as principais figuras, temos também o chimpanzé Rocket, o orangotango Maurice, o gorila Luca, além da garotinha Nova (Amiah Miller), que não fala, mas forma junto com eles uma espécie de exército e que vai lutar com todas as forças pela salvação e preservação dos símios. A interpretação de todos os que compõem esse núcleo, bem como os humanos, é de se reverenciar, e junto aos efeitos especiais empregados, deu um ar mais carregado e mais emoção nos confrontos, mesmo o foco do filme não ser a guerra em si.

As locações utilizadas, bem como a fotografia do filme, são impressionantes, com cenas rodadas em cenários com muito gelo e escuridão, e ambas conseguem refletir o sentimento de César, de semblante abatido, bastante retraído e tomado por raiva, mas capaz de mostrar misericórdia pelos humanos, como bem demonstra.

Se era esperado um filme com entretenimento e muita ação, não é o que acontece. A produção foca mais em desenvolver cada personagem, traçar um paralelo entre homens e macacos e procurar uma reflexão, sobre o que separa um do outro e levantar algumas virtudes, de os humanos terem facilidade em se adaptar a determinadas situações e os símios com maior chance de sobreviver a um cenário caótico. A narrativa é bem estruturada, mas é prejudicada na reta final da trama, por conta de sua lentidão, além de não entregar tudo aquilo que poderia. Mas faz um trabalho eficiente com todo o seu elenco, fotografia, montagem e trilha sonora de Michael Giacchino, de ótima qualidade.

Se peca em alguns elementos, ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’ apresenta excelentes recursos técnicos, além de valorizar o legado de César. Uma trilogia que se encerra com gosto de quero mais.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Maki

Poltrona Cabine: O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Maki

Quando se fala de filmes que trazem lutas de boxe com certeza você se lembra de filmes como ‘Rocky: O Lutador’ e ‘Touro Indomável’, não é verdade? ‘O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Maki’, produzido pela Zeta Filmes, tem um foco bem diferente e sem dúvida vai impressionar você.

A história acompanha o pugilista finlandês Olli Maki (Jarkko Lahti), recém-saído do boxe amador, que recebe uma chance única em sua vida: decidir o título mundial dos Peso-Penas em casa e contra o atual campeão, o norte-americano Davey Moore.O filme de Juho Kuosmanen nos mostra os acontecimentos antes da luta, com Olli sendo orientado por seu técnico, Elis Ask (Eero Milonoff), não só durante os treinos pesados e intensos, como também em relação ao comportamento que o atleta deve ter para com a imprensa e o público. Além da preparação, vemos também o relacionamento raso que Olli tem com Raija (Oona Airola), uma jovem completamente diferente dele, mais cativante e receptiva, mas que está sempre ao lado do lutador, para o que der e vier.

Percebe-se um Olli com postura completamente oposta a de um candidato a ídolo e um homem disposto a nadar contra a maré e ditar as regras do seu jeito. Olli ama o boxe e adora treinar, mas demonstra não se mostra preparado para lidar com a pressão de se tornar um herói nacional. Ele é constantemente cobrado para vencer, mas odeia dar entrevistas, tirar fotos e participar de eventos com patrocinadores, e sempre com um discurso modesto, do tipo ‘Vamos lutar e ver o que acontece’. Não há uma ambição pelo triunfo e, consequentemente, o título mundial dos Penas.

A narrativa apresentada é com a intenção de abordar a pressão que o ser humano sofre pela conquista da vitória, bem como o jogo de cintura para lidar com regras impostas pela sociedade e o mercado capitalista. A pessoa deve sempre estar na moda, andar com carrões, estar rodeado de mulheres bonitas e ostentar roupas caras. E Olli não se impressiona com nada dessas coisas.

A fotografia e as cenas feitas em plano fechado são formidáveis, bem como as filmagens em preto e branco, lembrando um documentário, mostrando a rotina de Olli e os bastidores de preparação para a luta do ano. Tomadas isoladas, como cenas em que Olli anda por corredores vazios e quando ele corre com uma pipa pela floresta refletem bem o sentimento de solidão do protagonista.

A relação de conflito com o técnico Elis e o romance com Raija, dois fatos que não combinam com a rotina de um postulante a título mundial, são bem articuladas durante a história, um lado delicado e humano nunca antes visto em Olli é apresentado ao espectador. O foco inicial era o da expectativa de criação de um herói nacional, mas o isolamento e prostração de Olli acabam por ser primordiais para mostrar que a felicidade pode estar onde você quiser, não necessariamente em um projeto.

‘O Dia Mais Feliz da Vida de Oli Maki’ é uma obra-prima, que trata de esporte, mas com foco maior nos sentimentos e também com uma análise social impactante, sobre uma sociedade cada vez mais consumista e obcecada pelo desejo do ser e parecer, o culto à imagem, presente ainda mais nos dias de hoje. Estar em evidência já era uma obsessão, ainda mais na atualidade, numa sociedade cada vez mais moderna e globalizada. Uma autobiografia e um filme épico, não perca!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Como se Tornar um Conquistador/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Como se Tornar um Conquistador/ Cesar Augusto Mota

Ninguém conseguirá viver feliz se se sentir com medo e o que ganhamos é pelo que trabalhamos e não o que desejamos. Esses dois pensamentos estão presentes em ‘Como se Tornar um Conquistador’, filme do diretor Ken Marino, com o protagonismo de Eugenio Derbez e um elenco de peso, composto por Salma Hayek, Rob Lowe, Michael Cera, Kristen Bell e Raquel Welch. Uma história cômica e didática que sem dúvida vai envolver você.

Máximo (Derbez) é um homem que sonha em viver uma vida de luxo, com muitos carros, empregados, mas sem levantar uma palha para isso. O mulherengo utiliza de suas táticas de sedução para atrair mulheres mais velhas e ricas e atingir seu objetivo, viver com sombra e água fresca. Mas tudo começa a mudar para ele quando após 25 anos de casamento é trocado por um rapaz mais jovem (Michael Cera) e perde todos os bens. A situação obriga Máximo a viver com Sara (Hayek), uma irmã distante e com quem não possui uma boa relação, e o sobrinho Hugo (Raphael Alejandro), um garoto meigo, intelectual e um tanto problemático. O que parece ser tranquilo torna-se algo complexo, pois Máximo nunca soube o que é realmente uma família e terá que aprender a conviver com Sara e Hugo, além de buscar trabalho, que nunca exerceu.

Durante a convivência com o sobrinho, Máximo descobre que Hugo nutre uma paixão secreta por Arden (Mckenna Grace), colega de escola, mas ele não tem coragem de chegar e falar com ela. E Sara tem uma leve queda por seu vizinho, mas ela não se sente pronta para um novo relacionamento após a morte do marido. Entra na história a avó de Arden, Celeste (Welch), uma senhora idosa e milionária, e Máximo vê nela a oportunidade de retomar à sua vida de ostentação, e para conseguir conquistá-la ele vai ajudar irmã e sobrinho para conseguir se aproximar de Celeste. Uma grande bola neve é formada durante a trama e que pode causar muitos estragos.

O roteiro, assinado por Chris Spain e Jon Zack, nos apresenta uma história com importantes mensagens, como a importância de se ter um trabalho, a busca pela felicidade e a importância da família, e aos poucos o protagonista vai descobrir o valor de cada um desses itens, além de se revelar um homem de bom coração, apesar de se mostrar um tanto egoísta e vaidoso em boa parte das ocasiões.

Além disso, os recursos utilizados para se transmitir as mensagens, como o uso de situações tragicômicas em alguns momentos e atitudes mais sérias em outros funciona bem, não torna a história vazia e sem propósito. Tudo é feito na medida certa, e os atores foram capazes de transmitir o que o filme propôs, uma divertida comédia, dosada de momentos reflexivos.

Os atores mostraram uma química incrível, a parceria entre Salma Hayek e Eugenio Derbez deu muito certo, e o desempenho de seus personagens, dois irmãos tão diferentes, mostra que nem sempre é tarde para recomeçar e que tudo pode ser reparado. O núcleo de conflito da história também funciona, as situações mais arriscadas e complicadas conseguiram arrancar o melhor de Máximo, além de proporcionar boas risadas com alguns momentos cômicos, como na festa de Arden, onde Máximo tenta conquistar Celeste.

Fique ligado, ‘Como se Tornar um Conquistador’ vai fazer você rolar de rir e dar mais valor à vida, não perca sua estreia por nada. Com distribuição da Paris filmes, o longa chega ao circuito nacional em 27 de julho de 2017, confira!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota