Poltrona Cabine: Amazônia Groove/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Amazônia Groove/ Cesar Augusto Mota

A música costuma ser inerente aos nossos sentimentos, expressando nossa visão de mundo e elevando nosso espírito. Além disso, representa as tradições e costumes de um povo, já marcado pela religião e poesia. E o que dizer de um documentário cujo cenário é a região Amazônica, tão rica em valores e com um povo acolhedor? ‘Amazônia Groove’, de Bruno Murtinho, realiza um passeio pelas águas do Rio Amazonas e promete uma experiência grandiosa e imersiva a todos os públicos, mostrando a diversidade e a alma do Brasil no campo da cultura.

Logo de início transitamos pela Floresta Amazônica ao som dos cânticos dos pássaros e das folhas batendo, e em seguida interessantes perguntas: quantas músicas cabem dentro do Rio Amazonas? O que elas representam? Não há apenas canções indígenas, como também outras vertentes, com diversificados arranjos e acordes, com versos que vão embalar o ritmo fluvial e uma bela troca do som da batida do rio bem ritmada com as cordas do violão. Acompanhamos histórias de alguns artistas e muitas de suas canções, com melodias intensas e cheias de sentimentos.

Dentre os entrevistados, temos o violonista Sebastião Tapajós, o compositor Paulo André Barata, o Mestre Damasceno e Dona Onete. Além deles, o baixista Mg Calibre faz uma bela junção entre Jazz e Hip-Hop e ritmos locais, o DJ de eletro Waldo Squash e Thiago Albuquerque, pesquisador e compositor, que converte cantos de pássaros e sons da natureza em sinfonias, algo até então desconhecido dentro do Brasil e reverenciado no exterior. Por fim, se apresenta ao público a cantora independente, Gina Lobrista, que vende seus CDs no Mercado do Ver-O-Peso. São diversos gêneros, desde o Chamegado de Dona Onete até o Tecnobrega de Gina Lobrista.

Além de belas músicas e de importantes representações visuais, como a do Rio Amazonas, da Ilha de Marajó e de cartões-postais de Belém-PA, há histórias de vida e superação dos entrevistados e um gancho entre elas, mostrando como a música mudou a trajetória de cada um, fazendo cada artista espalhar alegria por onde passa e deixar os mais diversos problemas pessoais ou limitações físicas de lado. A humildade dos intérpretes, bem como a empolgação e a humildade do povo que consome esses ritmos são contagiantes e também são chamarizes para que o espectador acompanhe atentamente o documentário, numa região acolhedora e rica em belezas naturais e valores culturais.

A direção de arte e fotografia também são impressionantes, e por incrível que pareça, as primeiras filmagens no Rio Amazonas foram feitas com o auxílio de um drone, permitindo a cada espectador se sentir como se estivesse ali. A combinação luz e ambiente e a inserção das músicas no momento em que as localidades de Belém e da Floresta Amazônica são mostradas são perfeitas, um deleite para quem vê, uma jornada agradável do início ao fim.

Quem curte o gênero documentário vai se sentir leve e certamente vai embarcar nessa incrível viagem pela Amazônia, uma das regiões mais populares e visitadas do mundo e com muitos atrativos a oferecer aos turistas e aos próprios brasileiros. Vale a pena.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Patrulha Canina-Super Filhotes/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Patrulha Canina-Super Filhotes/ Cesar Augusto Mota

Não é de agora que uma série se transforma em longa, ainda mais em se tratando de animação. A novidade passa por ‘Patrulha Canina’, série animada do canal Nickelodeon, que agora ganha as telonas com ‘Patrulha Canina: Super Filhotes (Paw Patrol: Mighty Pups). A produção original é voltada para o público infantil, principalmente da faixa dos cinco aos dez anos, mas esse formato novo serve para todas as idades e com novos atrativos.

A primeira novidade fica pela presença dos jovens Lorena Queiroz (Carinha de Anjo) e Pedro Miranda (The Voice Kids) antes e durante o intervalo das sessões. Eles interagem com o público e realizam quiz para testar os conhecimentos da plateia acerca dos personagens da animação. Com muito carisma e desenvoltura, Lorena e Pedro não só mostram confiança diante das telas, como também capacidade de voos mais altos e de alcançarem públicos diversos, não só os da correspondente faixa etária ou os fãs da série Patrulha Canina.

Sobre o longa, ele possui apenas quarenta e cinco minutos, mas foram incluídos três episódios inéditos da série animada, cada um com quinze minutos, e entre esses intervalos, a presença de Lorena Queiroz e Pedro Miranda. O enredo se passa na Baía de Aventura, com o garoto Ryder, de 10 anos, líder da Patrulha Canina. O menino sempre organiza as missões e chama os filhotes da Torre de Comando e se destaca por ser um bom líder. Já a Patrulha Canina é composta por sete lindos e simpáticos filhotes, como Chase, Skye, Rubble, Marshall, Rocky, Everest e Zuma. Eles passam a ter super poderes após um meteorito cair na Terra, mas vão ter que tomar cuidado com o prefeito Humdinger, que pretende se apoderar do fragmento.

A essência foi mantida, quem já acompanha a série de origem canadense não percebe grandes novidades, as histórias passam sempre pela premissa de se salvar o dia e combater o mal, há o uso do dinamismo e ação dos bichinhos, os cenários com cores vibrantes são propositais para causar impacto visual e vibração, e os personagens são cativantes. Até mesmo quem nunca viu ‘Patrulha Canina’ vai se interessar, claro que a qualidade passa um pouco longe das produções da Disney/Pixar, mas é uma ótima opção para as crianças.

O caráter educativo do longa também merece ser valorizado, além de testar a atenção das crianças, com perguntas sobre detalhes no vídeo, ensina os pequenos a aprenderem a distinguir itens, como a diferença entre um suposto ‘monstro do pântano’ e um bagre, o que gerou confusão durante a história. Quem assiste ri se diverte e também aprende, e são poucas as produções que valorizam o aspecto didático de uma animação, outro ponto para essa produção.

Se você possui um filho ou uma criança pequena, vá aos cinemas com ela e confira ‘Patrulha Canina: Super Filhotes’, direção garantida do início ao final, um formato diferente, fragmentado e com testes, e com chances de agradar o público infantil e também o jovem. Uma boa pedida.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: X-Men: Fênix Negra

Poltrona Cabine: X-Men: Fênix Negra

Os mutantes mais amados do cinema estão de volta, e desta vez para o capítulo final da saga que já vem desde 2000 fazendo fãs pelo mundo todo. ‘X-Men: Fênix Negra’ (X-Men: Dark Phoenix), de Simon Kinberg (Quarteto Fantástico) será o quarto capítulo da nova safra, que vem após ‘X-Men: Apocalipse’ (X-Men: Apocalypse), que tentou agrupar uma série de eventos em uma única trama e um vilão um tanto avulso e sem convencer na trama. Será um fim digno, tendo em vista que a franquia foi adquirida pela Disney e o grupo de heróis liderados pelo Professor Xavier (James McAvoy) pode aparecer no Universo Cinematográfico da

e nossos heróis e os mais temíveis inimigos do Universo X-Men. Todas as subtramas bem amarradas com a principal e um desfecho digno de uma franquia que apresentou personagens marcantes e que para sempre ficarão na memória dos cinéfilos e fãs de HQs. Podemos dizer que ‘Fênix Negra’ foi para X-Men o que ‘Ultimato’ foi para Vingadores, a cereja do bolo. E agora os dois universos juntos em um futuro próximo, para a alegria dos que adoram super-heróis e histórias com muita ação e pancadaria.

‘X-Men: Fênix Negra’, antes cercado de desconfianças por conta do resultado abaixo do esperado do filme anterior, encerra com honras um ciclo que ofereceu muita ação, magia e emoção a públicos diversos. Agora é ficar na torcida por uma nova jornada, com grandes novidades e novas experiências para os cinéfilos.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Beatriz/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Beatriz/ Cesar Augusto Mota

“Até onde você pode ir por amor? De que você é capaz de fazer pela pessoa que ama? Iria até as últimas consequências? Essas três perguntas poderiam soar como clichê, mas fazem parte do enredo dessa produção Portugal-Espanha e com um casal brasileiro como protagonista. ‘Beatriz’, de Alberto Graça (O Dia da Caça), aborda questões como erotismo, prazer e liberdade feminina também são abordados, mas esses ingredientes serão suficientes para sustentar uma trama com premissas interessantes?

O filme traz o casal Beatriz (Marjorie Estiano) e Marcelo (Sérgio Guizé), que largam o Brasil para viverem juntos em Lisboa. Ela trabalha como advogada, ele é um escritor de contos eróticos de uma revista. A rotina do casal é movida a provocações e sexo em locais públicos. Marcelo publica publicado um livro que gerou crise no casamento, e depois tem a chance de poder lançar um segundo livro, mas ele usa a história do casal como inspiração. Ele larga seu emprego na revista e passa a se se dedicar ao novo livro., mas ele precisará que a esposa, que está grávida, vivencie novas experiências eróticas com ou sem ele para auxiliá-lo a construir uma história de sucesso.

A primeira pergunta feita até que é bem respondida durante a história, mas o que se vê é a submissão de Beatriz a tudo o que o marido quer e ele não possui tanta paixão que se esperava que pudesse ter. Marcelo é tão complexo que inicialmente se mostra firme em sua proposta, mas se perde ao longo da trama e só no fim ele se restabelece e retorna para seu objetivo principal, o de publicar um livro com histórias interessantes e apimentadas para seus leitores, mas tudo baseado no que ele experimentou ao lado de Beatriz.

Se o personagem de Guizé decepciona, Marjorie apresenta uma personagem com diversas camadas, dotada de sensualidade, elegância, fragilidade e força nos momentos mais dramáticos. Ela encara uma Beatriz difícil de ser interpretada e capaz de segurar a trama, apesar dos diálogos rasos e em profundidade. O elenco de apoio não dá suporte à trama principal, há atores portugueses desconhecidos do público brasileiro, como Beatriz Batarda, Luís Lucas, Margarida Marinho e Paulo Pinto. Há a encenação de uma peça que adapta o romance original, uma espécie de metalinguagem,  mas há problemas de encaixe com os eventos principais e a trama fica com uma lacuna, que sequer é preenchida.

A fotografia é bela e inspiradora para quem gosta de contemplar as belezas portuguesas e espanholas e queria escrever ou entoar poesias, mas as paisagens não suprem as deficiências do roteiro e as interpretações dos personagens, sem profundidade e com pouco a oferecer.

‘Beatriz’ tem uma grande produção, com filmagens em grandes cenários, mas que peca na execução. Faltou uma história mais bem explorada e um protagonista que pudesse entregar mais do que poderia, caso de Marcelo, personagem de Sérgio Guizé. Um filme com gosto amargo e que prometia muito.

Cotação: 2/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Rocketman/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Rocketman/ Cesar Augusto Mota

Divertido, irreverente, honesto e talentoso. Assim é Reginald Dwight, ou melhor, Elton Hercules John, grande astro do show business e que ostenta o título de sir concedido pela rainha Elizabeth II, da Inglaterra. ‘Rocketman’, a cinebiografia dirigida por Dexter Fletcher (Bohemian Rhapsody), vem para sensibilizar e empolgar o público, além de explorar diversas camadas de uma lenda da música que consegue também ser bastante controversa, e com a atuação de um talentoso Egerton (Kingsman: O Círculo Dourado), figura que vem sendo bastante aclamada por espectadores e crítica.

Logo de início nos deparamos com Elton (Egerton) em uma reunião dos AA (alcoólicos anônimos), uma cena que ilustra a fragilidade do protagonista e um gancho para que ele comece a contar sua história, boa parte dela com eventos reais e outros mesclados com fantasia. Nada é escondido, tudo está ali à mostra para o espectador, como seu vício em drogas, sexo, sua homossexualidade e suas intrigas com a imprensa e o compositor e amigo Bernie Taupin (Jamie Bell), principalmente no momento em que interpreta a canção “Goodbye Yellow Brick Road”, que destaca um possível afastamento dos dois. Elton não é apontado como um deus e um ser onipotente, mas alguém que possui virtudes e defeitos e sujeito a armadilhas da vida, e isso torna a história interessante e cada vez mais dinâmica, tendo em vista a quantidade de eventos inseridos e explorados ao longo dos 120 minutos de projeção.

O filme não poderia deixar de ter sua roupagem musical, com grandes sucessos de Elton sendo interpretados pelo próprio Taron Egerton e cada música com uma ligação entre os eventos apresentados durante a trama. Os personagens secundários também ganham destaque e são importantes na evolução do protagonista, como o empresário John Reid (Richard Madden), o pai, Stanley (Steven Mackintosh) e a mãe, Sheila (Bryce Dallas Howard). O primeiro é um aproveitador e quer usá-lo para se enriquecer, o segundo não possui afeto por ele e a terceira extremamente egoísta e bem distante do filho. Tudo isso fez Elton perceber que ele antes de amar ao próximo era incapaz de amar a si mesmo, o que desencadeou uma série de problemas internos e também discussões acaloradas ao logo da vida, mas que o fizeram refletir e melhorar como pessoa.

Se Elton tinha defeitos, sobravam qualidades para ele, com um bom timbre de voz, alta afinação e uma maneira de interpretar as músicas de se encher os olhos, com um entusiasmo fora do comum e colocando muito sentimento nas letras das canções. A direção de arte e de fotografia contribuem bastante para o espectador apreciar o talento de Elton e suas altas performances nos shows, com o brilho das luzes, um ótimo jogo de sombras, o público indo ao delírio e o intérprete flutuando literalmente no palco, levado por sua empolgação e de seus fãs. Uma espécie de rei que valoriza seus súditos e os brinda com muito carisma, belas músicas e excelentes performances com seus figurinos e adereços exóticos, coisas que só Elton conseguia fazer.

A atuação de Taron Egerton é excelente, ele consegue trazer o público para perto dele e convencer ao interpretar o artista e o ser humano Elton John, um homem que sabia se destacar na multidão por suas voz e suas roupas, mas que tinha dificuldades de criar laços com as pessoas por conta de sua fobia de ficar sozinho e por ser muito inseguro. O timbre de voz nas músicas é semelhante ao de Elton, mas Egerton consegue dar sua própria versão para as interpretações, o que torna a obra mais atrativa e não uma tentativa de um ator talentoso tentar imitar a voz de um ícone consagrado da música. A escolha de Egerton para o papel principal foi uma das mais acertadas, e dentre o elenco secundário, Jamie Bell (Quarteto Fantástico) na pele do compositor e parceiro de Elton, Bernie Taupin é o maior destaque. O personagem de Bell representa o amigo, o conselheiro, um dos grandes alicerces de Elton na falta de apoio dos pais e um dos principais responsáveis pelo sucesso inicial e retomada da carreira devido aos problemas do astro com drogas e álcool. Bernie Taupin foi uma espécie de anjo da guarda, figura crucial na vida profissional e pessoal de Elton e que também merece elogios.

Com proposta de divertir e ao mesmo tempo emocionar a plateia, retratando todas as camadas de vida do astro Elto, mas sem suavizar sua trajetória, que também foi cercada de polêmicas, ‘Rocketman’ acerta a mão e presenteia os fãs do cantor e de música de qualidade com uma trajetória de sucesso e superação e uma trilha sonora de altíssimo nível e de tirar o chapéu. Sem dúvida uma experiência que pode ser inesquecível para quem for ver.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota