Poltrona Cabine: Verdade e Traição/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Verdade e Traição/Cesar Augusto Mota

Ser fiel a seus princípios em um sistema que prega valores opressores é um grande desafio, e retratar esse contexto requer muita sensibilidade e sagacidade do realizador. Inspirado em uma história real, “Verdade e Traição” não só vem para relembrar um dos períodos mais sangrentos e amargos da história da humanidade como também fazer o público se sentir parte da história sob a perspectiva do protagonista.

Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o jovem alemão Helmuth se vê em um dilema, o de ser leal ao seu país em meio a um regime nazista. Quando seu amigo judeu é levado por soldados, Helmuth decide enfrentar o nazismo produzindo panfletos com críticas à ideologia pregada por Hitler. A coragem de agir em um cenário marcado por medo, preconceito e perseguição é um dos destaques na trajetória de Helmuth, assim como sua fé inabalável na religião mórmon.

Cenas de sequestro, tortura, espancamento e ameaças são angustiantes e desconfortáveis, mas necessárias para contar a história. E o principal lema seguido pelo protagonista, “Faça o que é certo; que as consequências venham”, torna o filme inspirador para quem tem fé e está decidido a seguir seus princípios e fazer as escolhas que julgue corretas, mesmo que sejam difíceis e o caminho muito cruel.

A integridade, fé e coragem de Helmuth em busca da verdade traduzem a autêntica jornada do herói pela qual passa o protagonista, capaz de mobilizar todas as crenças e todos os povos, que devem sempre seguir o coração e os valores assimilados ao longo de suas trajetórias de vida. Além de impactante, o filme é inspirador e motivador, quem acompanha não só se lembrará da censura, extremismo e barbárie que foi o nazismo, como também da luta de um ser humano por um mundo mais justo, com amor, respeito e tolerância.

Um filme forte, com elenco talentoso e um arco dramático explorado com realismo, profundidade e inteligência do diretor Matt Whitaker, “Verdade e Traição” é para o grande público e pode ser apreciado pelos adeptos de todas as religiões. Vale a experiência.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Ruas da Glória/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Ruas da Glória/Cesar Augusto Mota

Filmes dramáticos com o amor e obsessão como panos de fundo exigem alta intensidade, com um elenco coeso e capaz de entregar sentimentos e ações contundentes. “Ruas da Glória”, de Felipe Sholl, explora esse universo, além de abordar a solidão e o pertencimento, tão comuns nas produções contemporâneas.

Situado no bairro da Glória e no Centro do Rio de Janeiro, acompanhamos Gabriel (Caio Macedo), um jovem professor de literatura que acaba de se mudar para a cidade. Quando conhece Adriano (Alejandro Claveaux), um garoto de programa uruguaio, vive uma paixão avassaladora que se transforma em obsessão. Quando Adriano desaparece, o medo da solidão faz Gabriel afundar no desespero. É em sua nova rede de apoio que construiu nas noites do Rio de Janeiro que encontra um espaço seguro de acolhimento.

 

Antes de ilustrar uma relação conturbada, Sholl aborda o vazio existencial presente na vida de Gabriel, que projeta em Adriano todas as suas fantasias, medos e carências. Na medida em que a história avança, o sentimento de amor evolui para obsessão. O erotismo se faz presente, e este elemento simboliza a solidão, o desejo e desespero do protagonista, de amar, ser acolhido por alguém e não se ver sozinho novamente após um caso traumático recente.

As ruas do Centro e da Glória são personagens do filme e não apenas cenários, com edificações precárias, ruas e bares escuros e com encontros reservados. O sentimento em meio a esses palcos não só é de solidão, mas de vulnerabilidade e desespero. A sensualidade e sensibilidade emocional são os ingredientes do filme, que não se resume a um relacionamento LGBTQIA+, mas uma relação na qual o amor pode ser a salvação ou até mesmo o declínio.

As atuações se complementam, Caio Macedo interpreta um personagem fragilizado e com esperanças de redenção, já Alejandro Claveaux sintetiza alguém mais calejado e experiente com relações amorosas, mas desconfiado e com receio de passar por mais uma desilusão. Ambos nos mostram que podemos nos encontrar ou nos perdermos no amor. A atmosfera perturbadora e a intensidade nos sentimentos são bem esboçados pelos atores, e justamente esses elementos se sobrepõem na narrativa, que não conta com reviravoltas.

Intenso, comovente e perturbador, “Ruas da Glória” não só vai mexer com as emoções dos espectadores como os fará refletir sobre a importância e dimensão do amor, que pode alcançar patamares que sequer imaginamos.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: De Volta à Bahia/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: De Volta à Bahia/Cesar Augusto Mota

“Para vencer as ondas, é preciso enfrentar as tormentas”. Esta frase não só se refere ao contexto do mar e do surfe em meio a uma competição importante, como reflete também os conflitos com os quais nos deparamos no dia a dia que precisamos superar para alcançarmos nossos objetivos. Com direção de Eliezer Lipnik e Joana di Carso, “De Volta à Bahia” é uma produção sobre esporte e muito mais, regado por muitas emoções.

Acompanhamos Maya (Bárbara França) e Pedro (Lucca Picon), dois jovens surfistas que acabam se conectando graças a um vídeo viral sobre resgate no mar. Ambos descobrem que são treinados pelo mesmo mentor, PH (Felipe Roque), e durante o preparo para um importante e decisivo campeonato de surfe, engatam um romance, mas cercado por conflitos entre as famílias dos dois. Além da vontade de vencer no esporte, o sucesso no amor irá ditar a trajetória do casal, que enfrentará grandes transformações dentro e fora do surfe.

A cidade de Salvador, onde ocorreram as filmagens, não é apenas um pano de fundo, é um personagem da história, que irá trazer grandes vibrações e energias para os protagonistas que vão em busca de seus sonhos, mas sem esquecer das responsabilidades do dia a dia. A capital baiana, com suas praias e ambientes urbanos, é uma espécie de metáfora, que irá guiar os desafios e as escolhas dos personagens-centrais, no meio esportivo e na vida pessoal.

As atuações são honestas, Bárbara França e Lucca Picon entregam tudo o que se espera de seus personagens, que saem de um contexto romântico para outro mais sério de forma natural, num ritmo cadenciado. O elenco de apoio contribui de forma significativa para a evolução dos protagonistas, principalmente no aspecto psicológico, e na medida em que os conflitos vão aparecendo se notam evolução e amadurecimento de Maya e Pedro a cada barreira superada.

Um filme sobre amor, sonho, amadurecimento e superação. “De Volta à Bahia” reúne importantes elementos que vão chamar a atenção e fisgar o público, ávido por narrativas regadas por ação e emoção, além de muito entretenimento e conhecimento sobre a rica cultura baiana. Uma bela experiência para os cinéfilos.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Davi-Nasce um Rei/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Davi-Nasce um Rei/Cesar Augusto Mota

Produções bíblicas vêm ganhando bastante espaço no mercado audiovisual, seja na quantidade de produções como no número de espectadores nas salas de exibição. Peças dessa espécie significam não só informação, mas um verdadeiro exercício reflexivo sobre os valores e princípios cristãos. A animação “Davi: Nasce Um Rei”, da Heaven Content, com recorde de audiência nos Estados Unidos, chega ao Brasil apostando em um público mais familiar e em um grande engajamento.

Davi, um jovem pastor, sempre embalado pelas canções de sua mãe e silenciosas conversas com Deus, desenvolve um verdadeiro sentimento de fé. Quando surge Golias, um gigante para intimidar todo o povo de Israel, Davi, movido por sua forte crença e coragem parte em busca de algo que parece ser impossível e intransponível aos olhos dos israelenses, derrotar o gigante com uma funda e pedras. A alma, a fé e a identidade de um povo estavam a salvo.

A paleta de cores é harmoniosa e diversificada, mostrando um mundo pela perspectiva de Davi, denominado belo e criado por Deus. O jogo de sombras utilizado em momentos de tensão e o contraste feito com a luz ilustram a esperança, o otimismo e a coragem, mesmo diante de um cenário desfavorável. De quebra, as músicas contêm letras que ilustram situações alinhadas com o cotidiano, além de carregadas com um forte peso emocional. A trilha sonora é de qualidade, se encaixa perfeitamente ao contexto histórico e à luta contra as adversidades.

As atuações dos personagens são sólidas, com um protagonista carismático e com todos os atributos de um personagem que percorre uma autêntica jornada do herói, desde a sua autodescoberta até a transformação interna pela qual passou. A história é envolvente e inspiradora, com personagens secundários com fortes valores e que foram importantes na trajetória de David até o alcance de seu objetivo.  Uma história que vai além do entretenimento, com debates sobre espiritualidade, fé e escolhas.

“Davi: Nasce Um Rei” é uma obra com propósito, com potencial para envolver não apenas pessoas cristãs, como também quem procura por uma obra que entretenha, encoraje, inspire e motive. Uma animação 3D para públicos variados.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Abre Alas/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Abre Alas/Cesar Augusto Mota

Em uma sociedade predominantemente machista e opressora, a mulher enfrenta desafios diários não só para se reconhecer em meio a dificuldades, como também se firmar e fazer a diferença no meio social. Com direção de Ursula Rosele, o documentário “Abre Alas” compartilha histórias de sete mulheres em uma roda, com histórias de desafios e superações.

Ao longo da produção, Walkíria, Dora, Silvana, Sheila, Regina, Lorena e Heloisa refletem sobre suas escolhas e compartilham suas experiências, repletas de momentos felizes e tristes. Elas atestam que ser mulher requer força e muita resiliência. Não só palavras, mas também é possível ouvir o silêncio, tamanhos foram os traumas e angústias vividos pelas protagonistas.

Histórias envolvendo depressão, abandono, maus-tratos, violência doméstica são partilhadas e nos fazem refletir sobre questões como acolhimento, respeito, empatia e prazer, que foram anteriormente negados e mais tarde conquistados pelas personagens. É possível perceber que a mulher possui uma grande força interior e ela é capaz de transformar amor em força, conseguindo seguir em frente.

O espaço ilustrado no documentário, uma mesa com sete pessoas em volta, não só dignifica um ambiente de amizade e cumplicidade, como também de cura, com os infortúnios e tristezas relatados e todos os meios utilizados para se driblar tudo isso. Mulheres guerreiras e resilientes revelam suas experiências, mas também tornam suas lutas como exemplo para quem possa estar na mesma situação. Uma obra sensível e bastante inspiradora.

“Abre Alas” é sinônimo de renascimento da mulher, e das mais diversas formas. Quem acompanha não vai só simpatizar, como se identificar com as protagonistas. Uma obra honesta, sensível e vibrante.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota