Poltrona Cabine: De Volta à Bahia/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: De Volta à Bahia/Cesar Augusto Mota

“Para vencer as ondas, é preciso enfrentar as tormentas”. Esta frase não só se refere ao contexto do mar e do surfe em meio a uma competição importante, como reflete também os conflitos com os quais nos deparamos no dia a dia que precisamos superar para alcançarmos nossos objetivos. Com direção de Eliezer Lipnik e Joana di Carso, “De Volta à Bahia” é uma produção sobre esporte e muito mais, regado por muitas emoções.

Acompanhamos Maya (Bárbara França) e Pedro (Lucca Picon), dois jovens surfistas que acabam se conectando graças a um vídeo viral sobre resgate no mar. Ambos descobrem que são treinados pelo mesmo mentor, PH (Felipe Roque), e durante o preparo para um importante e decisivo campeonato de surfe, engatam um romance, mas cercado por conflitos entre as famílias dos dois. Além da vontade de vencer no esporte, o sucesso no amor irá ditar a trajetória do casal, que enfrentará grandes transformações dentro e fora do surfe.

A cidade de Salvador, onde ocorreram as filmagens, não é apenas um pano de fundo, é um personagem da história, que irá trazer grandes vibrações e energias para os protagonistas que vão em busca de seus sonhos, mas sem esquecer das responsabilidades do dia a dia. A capital baiana, com suas praias e ambientes urbanos, é uma espécie de metáfora, que irá guiar os desafios e as escolhas dos personagens-centrais, no meio esportivo e na vida pessoal.

As atuações são honestas, Bárbara França e Lucca Picon entregam tudo o que se espera de seus personagens, que saem de um contexto romântico para outro mais sério de forma natural, num ritmo cadenciado. O elenco de apoio contribui de forma significativa para a evolução dos protagonistas, principalmente no aspecto psicológico, e na medida em que os conflitos vão aparecendo se notam evolução e amadurecimento de Maya e Pedro a cada barreira superada.

Um filme sobre amor, sonho, amadurecimento e superação. “De Volta à Bahia” reúne importantes elementos que vão chamar a atenção e fisgar o público, ávido por narrativas regadas por ação e emoção, além de muito entretenimento e conhecimento sobre a rica cultura baiana. Uma bela experiência para os cinéfilos.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Davi-Nasce um Rei/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Davi-Nasce um Rei/Cesar Augusto Mota

Produções bíblicas vêm ganhando bastante espaço no mercado audiovisual, seja na quantidade de produções como no número de espectadores nas salas de exibição. Peças dessa espécie significam não só informação, mas um verdadeiro exercício reflexivo sobre os valores e princípios cristãos. A animação “Davi: Nasce Um Rei”, da Heaven Content, com recorde de audiência nos Estados Unidos, chega ao Brasil apostando em um público mais familiar e em um grande engajamento.

Davi, um jovem pastor, sempre embalado pelas canções de sua mãe e silenciosas conversas com Deus, desenvolve um verdadeiro sentimento de fé. Quando surge Golias, um gigante para intimidar todo o povo de Israel, Davi, movido por sua forte crença e coragem parte em busca de algo que parece ser impossível e intransponível aos olhos dos israelenses, derrotar o gigante com uma funda e pedras. A alma, a fé e a identidade de um povo estavam a salvo.

A paleta de cores é harmoniosa e diversificada, mostrando um mundo pela perspectiva de Davi, denominado belo e criado por Deus. O jogo de sombras utilizado em momentos de tensão e o contraste feito com a luz ilustram a esperança, o otimismo e a coragem, mesmo diante de um cenário desfavorável. De quebra, as músicas contêm letras que ilustram situações alinhadas com o cotidiano, além de carregadas com um forte peso emocional. A trilha sonora é de qualidade, se encaixa perfeitamente ao contexto histórico e à luta contra as adversidades.

As atuações dos personagens são sólidas, com um protagonista carismático e com todos os atributos de um personagem que percorre uma autêntica jornada do herói, desde a sua autodescoberta até a transformação interna pela qual passou. A história é envolvente e inspiradora, com personagens secundários com fortes valores e que foram importantes na trajetória de David até o alcance de seu objetivo.  Uma história que vai além do entretenimento, com debates sobre espiritualidade, fé e escolhas.

“Davi: Nasce Um Rei” é uma obra com propósito, com potencial para envolver não apenas pessoas cristãs, como também quem procura por uma obra que entretenha, encoraje, inspire e motive. Uma animação 3D para públicos variados.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Abre Alas/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Abre Alas/Cesar Augusto Mota

Em uma sociedade predominantemente machista e opressora, a mulher enfrenta desafios diários não só para se reconhecer em meio a dificuldades, como também se firmar e fazer a diferença no meio social. Com direção de Ursula Rosele, o documentário “Abre Alas” compartilha histórias de sete mulheres em uma roda, com histórias de desafios e superações.

Ao longo da produção, Walkíria, Dora, Silvana, Sheila, Regina, Lorena e Heloisa refletem sobre suas escolhas e compartilham suas experiências, repletas de momentos felizes e tristes. Elas atestam que ser mulher requer força e muita resiliência. Não só palavras, mas também é possível ouvir o silêncio, tamanhos foram os traumas e angústias vividos pelas protagonistas.

Histórias envolvendo depressão, abandono, maus-tratos, violência doméstica são partilhadas e nos fazem refletir sobre questões como acolhimento, respeito, empatia e prazer, que foram anteriormente negados e mais tarde conquistados pelas personagens. É possível perceber que a mulher possui uma grande força interior e ela é capaz de transformar amor em força, conseguindo seguir em frente.

O espaço ilustrado no documentário, uma mesa com sete pessoas em volta, não só dignifica um ambiente de amizade e cumplicidade, como também de cura, com os infortúnios e tristezas relatados e todos os meios utilizados para se driblar tudo isso. Mulheres guerreiras e resilientes revelam suas experiências, mas também tornam suas lutas como exemplo para quem possa estar na mesma situação. Uma obra sensível e bastante inspiradora.

“Abre Alas” é sinônimo de renascimento da mulher, e das mais diversas formas. Quem acompanha não vai só simpatizar, como se identificar com as protagonistas. Uma obra honesta, sensível e vibrante.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Apolo/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Apolo/Cesar Augusto Mota

O cinema brasileiro tem se mostrado cada vez mais dinâmico, abordando pautas sociais diversas e importantes, principalmente no tocante à família e políticas públicas. O que pode parecer comum para uns é tido como tabu por outros, como o relacionamento e a gestação de um casal trans. Estreante como cineasta, a atriz Tainá Muller, juntamente de Ísis Broken, procuram abordar de uma forma simples e natural as situações mencionadas em “Apolo”, distribuído pela Biônica Filmes.

O documentário começa a ilustrar a jornada transformadora e desafiadora do casal trans Ísis e Lourenzo, desde a gestação até o parto de Apolo, filho dos dois, concebido por Lourenço. O desafio não está só na aceitação por parte da sociedade, mas também em ter atendimento eficiente e digno no sistema público de saúde. A revolta fez Ísis fazer um desabafo forte nas redes sociais, proporcionando a partir daí debates importantes sobre o quão sofre a pessoa trans no Brasil, país no qual mais se mata transgêneros no mundo.

Temas como direitos reprodutivos e dignidade no acesso à saúde também são abordados e se fazem importantes nessa obra, pois são direitos de todos. Além do sinal de alerta sobre o preconceito e negligência com as pessoas transgênero, o documentário também significa protesto e apelo por uma sociedade mais justa. Temos emoção e informação nessa trajetória do casal Ísis e Lourenzo, que representa a realidade de outros casais trans.

O nome Apolo é simbólico, não só representa luz na vida do casal, como também a esperança de uma vida com mais tolerância e respeito. O documentário é um perfeito retrato de família, mostrando a intimidade de Ísis e Lourenzo, um casal feliz que mostra que muitas pessoas ainda não aprenderam a lidar com o conceito de amor.

Uma obra que fará o público se identificar, com o significado mais simples de amor, um sentimento verdadeiro e presente em todas as famílias, sem distinção.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: À Procura de Anne Frank/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: À Procura de Anne Frank/Cesar Augusto Mota

Quem leu o livro e viu o filme “O Diário de Anne Frank” certamente se comoveu com a história da protagonista, que se escondeu com a família em um sótão na cidade de Amsterdã para escapar dos nazistas durante a Segunda Guerra. A jovem escreve um diário e ela conversa com Kitty, sua amiga imaginária. E como seria adaptar essa célebre história para os tempos atuais?

Na animação “À Procura de Anne Frank”, com direção de Ari Folman, Kitty é libertada por meio de uma descarga elétrica que atinge o diário de Anne Frank, exposto em um museu, queimando o nanquim e libertando das páginas a garotinha ruiva. Na Amsterdã atual, Kitty não só está e, busca de Anne Frank como também faz reflexões sobre o conteúdo do diário e traça um paralelo com a atualidade, acerca de antissemitismo, racismo e xenofobia.

A essência da mensagem de Anne Frank é buscada pela protagonista, que depois conhece jovens refugiados e passa a compreender o que Anne sentiu durante o tempo em que foi perseguida. A adaptação para os tempos atuais serviu para atrair um público jovem que cresceu com a internet e pode até não ter lido o livro. A empatia também é destacada na animação, quando Kitty administra um abrigo para refugiados ilegais, com o apoio do amigo Peter.

A representação visual da obra é bem chamativa, a história é dinâmica e o propósito não é apenas o de recordar um triste episódio histórico, mas o de transmitir uma importante mensagem e dar esperanças para as futuras gerações, de que é possível salvar quem precisa ser salvo e que ainda é possível construir um mundo melhor, com mais amor e tolerância e com menos dor e preconceito.

Um lindo laço de amizade entre Anne e Kitty, uma corrente que jamais poderia ser quebrada. Assim é “À Procura dse Anne Frank”, um convite a todos que conhecem ou gostariam de conhecer a história de alguém que não apenas escreveu um diário, mas uma importante página na História e que repercute até os dias de hoje.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota