Ontem, dia 22 de fevereiro, foi a grande noite da indústria cinematográfica americana: a entrega dos Oscars. E vamos listar as mulheres mais elegantes nessa festa.
Em primeiro lugar, Rosamund Pike, que concorria à Melhor Atriz, por Garota Exemplar.
Crédito da foto: Reprodução da Internet.
Em segundo lugar, Jennifer Aniston que foi esnobada pela Academia por seu desempenho em Cake.
A cerimônia da 87ª edição do Oscar consagrou os filmes Birdman e Grand Hotel Budapeste, cada um com quatro estatuetas. E deixou Boyhood como o grande perdedor da noite, talvez o mais injustiçado, mas de maneira leve. nunca se viu uma Academia voltada para os filmes independentes, de poucos recursos e voltados para ótimas histórias. o único de um grande estúdio era Sniper americano e também campeão de bilheteria nos Estados Unidos e no mundo todo.
Foi uma grande celebração dos atores onde imperou a emoção de Eddie Redmayne ao buscar o seu Oscar e também na hora da canção Glory, do filme Selma, cantada e ovacionada pela plateia de pé.
Os melhores discursos foram de Patricia Arquette pedindo a igualdade de cachês entre homens e mulheres e o de Julianne Moore que exaltou a família e ressaltou que quem ganha o Oscar rejuvenesce cinco anos.
Outro grande momento foi a performance da polêmica cantora Lady Gaga que contou os grandes sucessos de A Noviça Rebelde que celebrou 50 anos e levou cinco Oscars na ocasião de seu lançamento.
O tapete vermelho esteve marcado por mulheres elegantíssimas com destaque para o vermelho de Rosamund Pike e o branco com detalhes vermelhos, de Julianne Moore. Os homens também estão muito elegantes com destaque para Bradley Cooper, Michael Keaton e o terno azul irreverente de Jared Leto.
Melhor Filme: Birdman
Melhor Diretor: Alejandro Inarritu
Melhor Atriz: Juliane Moore por Still Alice
Melhor Ator: Eddie Redmayne por A Teoria de Tudo
Melhor Atriz Coadjuvante: patricia Arquette
Melhor Ator Coadjuvante: JK Simmons
Melhor Filme de Animação: Big Hero 6
Melhor Canção Original: Glory
Melhor Roteiro Original: Birdman
Melhor Fotografia: Birdman
Melhor Roteiro Adaptado: O Jogo da Imitação
Melhor Trilha sonora original: Grand Hotel Budapeste
Melhor Filme Estrangeiro: Ida, da Polônia
Melhor Documentário: Citizenfour
Melhor Montagem: Whiplash
Melhor Figurino: Grand Hotel Budapeste
Melhor Maquiagem e Cabelo: Grand Hotel Budapeste
Melhor Design de Produção: Grand Hotel Budapeste
Melhor Mixagem de Som: Whiplash
Melhor Edição de Som: Sniper americano
Melhor Curta-metragem: The phone call
Melhor animação em Curta-metragem: Feast
Melhor documentário em curta-metragem: Crisis Hotline: Veterans Press 1
Temos um concorrente à altura de Relatos Selvagens e Ida: Leviatã. O filme russo tem grandes chances de levar a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro, apesar da nossa torcida pelos hermanos. O Globo de Ouro ele já levou.
O filme é crítico com o governo russo e seus trâmites como burocracia e golpes sujos para conseguir o que quer através do drama de um homem que vê sua propriedade em risco porque o prefeito quer desapropriá-la ou comprá-la para construir algo maior ali.
O pai de família, Kolya, recorre a um advogado amigo de Moscou que tenta a todo custo que ele ganhe a causa. Só que o advogado se envolve com a esposa dele. Já havia ali um drama familiar porque seu filho Roma não gosta da mulher e sempre a repele. Com a descoberta da traição após um churrasco de aniversário de um amigo, o drama só tende a aumentar.
Lilya pensa em deixar Kolya, mas o advogado não deixa. O prefeito corrupto acaba por dar uma surra nele e ele vai embora e larga o caso de Kolya.
É notório no filme também as críticas à Igreja pois o prefeito é um cristão ortodoxo devoto, que vai à missa e comunga. Também a fuga dos personagens no álcool, especificamente a vodka. E o contraste do que virou a Rússia de Putin hoje: navios quebrados, carcaças de animais, trilhos de trens desfeitos. E, mesmo assim, há toda a beleza das paisagens naturais do Ártico, perto do Mar de Barrents. O filme também deveria concorrer à fotografia.
Há um paralelo da trajetória de Kolya com a história bíblica de Jó. Quando ele encontra o padre local na venda onde ele costuma fazer compras e o questiona sobre Deus e a Fé já que a mulher dele morreu e toda a tragédia se abateu sobre a família dele. O padre cita Jó como uma ratificação dessa metáfora com a vida de paciência e provação de Kolya. E cita também o monstro Leviatã nessa abordagem. O título do filme Leviatã se refere ao monstro marítimo que aparece na história de Jó e que foi retratado pelo economista Thomas Hobbes como sendo o Estado: soberano, absoluto e imponente.
Interessante que no churrasco à beira do lago em que Pasha, o policial amigo de Kolya, mostra os quadros de Lênin, Gorbatchev e outros ícones russos. Menos Putin, o atual presidente. E o aniversariante diz que ele devia ter o quadro de Yeltsin, naquele arsenal.
No final, Lilya é assassinada e seu corpo jogado no mar: golpeado na cabeça e estuprada. E acusam Kolya do assassinato pois encontram o martelo usado no galpão da casa dele. Era tudo que o prefeito queria: que ele fosse condenado, o que aconteceu, sem provas contundentes, e ficasse quinze anos na prisão.
O lugar onde era a casa de Kolya vira uma igreja ortodoxa e o prefeito tem planos de fazer um refeitório nas redondezas e ampliar o local.
O diretor Andrey Zvyangsey foi muito feliz na concepção de seu filme e ele é favoritíssimo a levar a estatueta para a Rússia.
Alexandre Bragança fez a resenha do último filme, concorrente ao Oscar de Melhor Filme da nossa maratona. Ele é editor do site Pipoca Gigante. Vamos á resenha!
Crédito da foto: Reprodução da Internet.
A estreante em longa metragens Ava DuVerney chega esta semana com “Selma – Uma Luta Pela Igualdade”, produção nomeada ao Oscar de melhor filme e melhor canção e que, de quebra, mereceria também uma indicação na categoria melhor ator, ainda que infelizmente não tenha sido desta vez.
“Selma – Uma Luta Pela Liberdade” conta a história por trás da marcha liderada por Martin Luther King Jr. em 1965 pelo direito de voto aos negros. Como parte da campanha, manifestantes pacifistas percorreram a pé os quase 76 quilômetros entre a cidade de Selma, no interior do Alabama, até a capital do estado, Montgomery.
O longa tem seu ponto forte no elenco. Com cada vez mais destaque em Hollywood por suas excelentes atuações (“Interestelar“, “O Mordomo da Casa Branca“, “Jack Reacher: O Último Tiro” e “Obsessão“), David Oyelowo praticamente carrega o filme nas costas. Responsável por dar vida a Martin Luther King Jr., Oyelowo imprime na tela detalhes gestuais, de impostação da voz e de caracterização que chegam a causar arrepio em alguns momentos.
O ator certamente merecia uma indicação. Quem também chama atenção, apesar do pouco tempo de tela, é o sempre ótimo Tim Roth(“A Negociação“). Roth interpreta o repugnante governador racista George Wallace e, com sotaque sulista carregado e atitudes e falas execráveis, Roth diferencia esse de qualquer outro personagem de sua carreira, realizando mais um notável trabalho.
Oprah Winfrey, que também produz o longa ao lado de Brad Pitt, encarna uma cidadã decidida a se registrar para votar. Suas poucas cenas são excelentes, com destaque maior para sua primeira participação, quando dá um show de interpretação ao transmitir pelo olhar toda a dor e a humilhação sentidas na pele pelos oprimidos.
No aspecto técnico, a direção de fotografia se sobressai. Assim como em “Amor Fora da Lei“, Bradford Young entrega mais um excelente trabalho. Diferente do realizado anteriormente, aqui Young utiliza a fotografia no formato digital.
Ainda assim, consegue manter a sua assinatura: trabalha nas baixas luzes, o que exalta ainda mais a sua perícia técnica. Afinal, se fotografar negros em baixas luzes já apresenta desafios em película (devido ao pouco contraste), no digital as complicações crescem exponencialmente.
Nada que impeça Bradford de alcançar cenas de sublime beleza fotográfica, como nas sequências em que Luther King está preso com seu amigo Ralph (Colman Domingo) e, posteriormente, recebe a visita de sua esposa Coretta (Carmen Ejogo).
Todavia, a condução narrativa da diretora Ava DuVernay e o roteiro desenvolvido pelo também estreante Paul Webb deixam o filme com o ritmo um tanto lento, fazendo a projeção parecer levar mais tempo do que de fato leva. Ainda assim, “Selma – Uma Luta Pela Liberdade” é o tipo de produção que, apesar de contar uma história situada em 1965, infelizmente ainda ecoa fortemente nos dias de hoje e precisa ser assistida.
Foxcatcher é um dos melhores filmes da temporada. Não entendi o porquê de não estar entre os melhores filmes. Seu diretor, Beneth Miller,concorre. Escolheram esse ano oito e poderiam tê-lo colocado num total de dez. O filme é perturbador. Para aqueles que gostam de esportes, é indispensável. Na verdade é mais um thriller psicológico.
Os três atores estão simplesmente maravilhosos: Steve Carrell ( indicado a Melhor Ator), Mark Ruffalo(Indicado a Melhor Ator Coadjuvante) e Channing Tatum, que deveria também ter uma indicação de Melhor Ator.
Mark Schultz é um campeão de luta olímpica da Olimpíada de Los Angeles, que sempre treinou com seu irmão David, até despertar a atenção de um bilionário excêntrico, amante do esporte e treinador, John Dupont. Dupont consegue convencer Mark a treinar em seu centro de esportes na sua fazenda, Foxcatcher. Ele consegue a princípio e se sagra campeão mundial de 1985, mas não imagina a encrenca que entraria: conheceria as drogas, passaria a ser arrogante e a deixar os treinos de lado. Até que Dupont resolve trazer o irmão dele, David, pois seu objetivo é ganhar a medalha olímpica de 1988 para os Estados Unidos, em Seul, e Mark estava botando seu sonho a perder.
O perfil de Dupont é perturbador. Tem uma relação conturbada com a mãe, é obcecado pelos treinamentos e pelo sucesso da equipe e extremamente autoritário. Carrell está fabuloso com prótese do nariz e tudo o mais. Irreconhecível.
Nesse meio tempo, um documentário é feito por um cineasta, a pedido de Dupont, exaltando as suas qualidades como técnico e explorando as imagens dos irmãos. Quando mark, quase perde a seletiva para disputar a Olimpíada, e seu irmão o salva, ele começa a se rebelar contra Dupont e não ter mais a relação amistosa e de gratidão que tinha no começo. Acaba sendo expulso da equipe. Seu irmão continua porque levou sua mulher e filhos para lá e construiu todo um modo de vida.
Channinng arrasa e Mark Ruffalo tem um desempenho excelente. Ruffalo é bom, sem ser bobo, é contido, e explora todas as nuances do drama esportivo e familiar em que se encontra sem ser piegas e sem cair na mesmice. Não deu sorte esse ano porque há também performances inesquecíveis nesse categoria como as de JK Simmons, em Whiplash, e Ethan Hawke, em Boyhood.
O final é surpreendente, chocante até. Na verdade, o título em português deveria ser a história que chocou a América e não o mundo.