Maratona do Oscar: Carol/Flavia Barbieri

Maratona do Oscar: Carol/Flavia Barbieri

carolCarol é um daqueles filmes sutis, com um roteiro que começa no meio da história. Duas mulheres com vidas diferentes, passando pelos mesmos problemas. Therese Belivet (Rooney Mara) tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha.

Com uma história envolvente, o roteiro nos conduz para uma relação charmosa e instigante entre essas duas mulheres, que se aproximam após uma viagem pelos Estados Unidos.

O filme apresenta uma roupagem sedutora em todos os momentos. Nos vestígios de batom de um cigarro, no tilintar de um piano distante, na própria transgressão dessa relação proibida.

Cate Blanchett está impecável (como sempre!) no papel de uma mulher infeliz, que está se divorciando e encontra em Therese Belivet (Rooney Mara) um caminho para novas e apaixonantes emoções. Cate consegue misturar sentimentos que vão desde altivez e elegância combinados com medo e insegurança.

Por sua vez, Mara tem traz um refinamento delicado à sua personagem. Tão merecida a indicação ao Oscar, como foi a de Cate. Ela tem um feitiço afiado e sutil que dança com a personagem de Cate, com uma valsa. As duas se tornam Yan e Ying num amor cerceado pelos limites sociais da época.

O roteirista Phyllis Nagy, soberbamente, adaptou o romance original de Patricia Highsmith de 1952. O filme também traz contornos clássicos e o descontentamento de duas mulheres sob a luz do homoerotismo.

A história lança-se sobre o mistério de como as pessoas homossexuais da década de 50 conseguiam gerir suas vidas e seus segredos, com dignidade.

O filme concorre ao Oscar de Melhor Atriz, para Cate Blanchett, Melhor Atriz Coadjuvante, para Rooney Mara, Melhor Fotografia, para Edward Lachman e Melhor Roteiro adaptado para Phyllis Nagy.

 

 

 

Maratona do Oscar: Brooklyn/Flavia Barbieri

Maratona do Oscar: Brooklyn/Flavia Barbieri

 

 

 

brooklynEilis Lacey (Saoirse Ronan) é uma jovem imigrante irlandesa vivendo no Brooklyn dos anos 50. Atraída pela promessa da América, Eilis parte da Irlanda, saindo do conforto da casa de sua mãe para a cidade de Nova York. Em sua nova cidade, Ellis vive um romance inebriado de amor com um nova-iorquino. Numa trama inteligente e um roteiro bem amarrado, vivenciamos as dúvidas e a tensão da jovem Eilis, na escolha entre dois países e na reflexão sobre as alternativas de sua vida.

 

A história é iniciada quando Eilis sente-se envolvida pelo charme italiano de Tony Fiorello (Emory Cohen), sendo apresentada a uma culinária e a um estilo de vida tão diferente do seu, quando casamentos e funerais a chamam de volta à Irlanda. Dividida entre os novos sentimentos e emoções mais familiares, Eilis se vê em um caminho de escolhas maduras e decisivas.

 

A narrativa, perfeitamente situada no início dos anos 50, com um estilo de cinema em que a mulher é figura central de toda a trama, como nos idos do cinema popular, traduz um filme emocionalmente inteligente que pode ser considerado a melhor obra do diretor John Crowley. Para os fãs de Bette Davis, Joan Crawford e Barbara Stanwyck, Brooklyn é, sem dúvida, um revival.

 

Nova York surge como um universo de sapatos vermelhos, vestidos amarelos e carros azuis. Mulheres austeramente encamisadas e meninos de blazer e cabelos oleosos ao estilo Garry Cooper.

 

O filme tem contrastes interessantes entre as cenas inciais de igrejas e dias chuvosos e frios, não apenas na temperatura, mas no sentimento; e as ruas americanas de tons mais quentes e divertidos. Tudo analisado pelos olhos de Eilis.

 

Destaque para os produtores e figurinistas que conseguem traduzir através de roupas e maquiagens, a sutileza das transformações da heroína. O filme tem um feitiço delicado e um charme discreto, próprio dos que são parte da história de sucesso do cinema.

 

O filme concorre por Melhor Filme, Melhor Atriz – Saoirse Ronan e Roteiro Adaptado.

 

Maratona do Oscar: Amy /Anna Barros

Maratona do Oscar: Amy /Anna Barros

amyAmy é o grande favorito a vencer o Oscar de Melhor documentário. O filme foi dirigido por Asif Kapadia, o mesmo de Senna.  Asif foi feliz porque ele mostra uma Amy antes da fama, ainda adolescente mostrando às amigas Lauren e Juliette todo o seu vozeirão. Ali estava a Amy pura e dócil que com a separação dos pais, começou a se enfiar no mundo das drogas e a ter um ar triste. Amy jamais aceitou a separação dos pais e tinha verdadeira idolatria pelo pai.

Ela começou a galgar a carreira e com ela os conflitos surgiram, principalmente depois que ela conhece seu marido Blake Fielder. O amor dos dois, obsessivo e conturbado foi responsável pela grande fase criativa de Amy mas a fez se entregar mais ao álcool e às drogas pesadas. E dali se vê seu declínio até a sua morte por overdose de álcool.
Antes disso, Amy conhece a fama e apesar de amar cantar no estúdio e no palco, não consegue lidar com ela. Vê apensas suas amgias como pessoas verdadeiras, além da mãe e percebe como seu pai explorava seu sucesso, querendo sempre tirar casquinha dele.
Na primeira crise, antes do estouro de Back to Black, seu pai, Mitch, não deixou que a internassem numa clínica de reabilitação como seu produtor, empresário e amigos queriam e isso pode ter ampliado o abismo que existia entre a Amy mulher e a Amy cantora. Ela não conseguia lidar com as tristezas e sofrimentos da vida, a ponto, de, nas vezes em que ficou em abstinência de drogas e álcool, achar a vida um porre sem elas.
Quando Blake vai para a prisão seu mundo desaba. Ela se afunda mais e acaba o traindo com outro homem, levando-no a pedir o divórcio por adultério. Blake foi o grande amor de sua vida e seu ponto destruidor. Esse amor surreal a fez se distanciar de todos e a começar a arruinar sua carreira. Foi chamada pra um festival em que simplesmente não conseguiu cantar. A turnê foi devidamente cancelada e ela decidiu ir ao casamento de seu ex-empresário. Três dias antes foi encontrada morta em seu apartamento por seu guarda-costas. O filme fala da derrocada de uma artista esplêndida aos 27 anos e o quão devastador pode ser a entrega de uma pessoa às drogas. Além de cocaína, Amy foi viciada em crack e heroína, essas últimas apresentadas por Blake, no melhor estilo Meu bem, meu mal.
O documentário é triste mas à medida que mostra a vida de Amy, intercala suas principais canções mostrando como a sua vida influenciava diretamente as suas canções. Essa parte é bem sensível de Asif e própria para os fãs da voz da cantora e de sua música.
Uma das partes mais bonitas é quando ela faz dueto com seu ídolo, Tony Bennett. Ele consegue perceber seu valor extraordinário e ela consegue resgatar a Amy menina, da adolescência ao exalar toda a sua doçura frente ao seu ídolo.
Acabamos por refletir a que ponto um artista com aquele potencial se deixa derrotar e manipular pelas artimanhas e circunstâncias da vida. O documentário é linear, bonito e profundo. Ficamos pensando nele por alguns dias e vêm a dúvida: se ela não tivesse se envolvido com Blake, estaria viva?
Amy ganhou o Bafta 2016 como Melhor Documentário e é muito favorito a levar a estatueta dourada. A conferir no próximo dia 18 de fevereiro.
Super indico! Para ver e se emocionar!!
O Oscar da não-diversidade não terá boicote dos americanos

O Oscar da não-diversidade não terá boicote dos americanos

will smithAtores negros reclamaram da falta de diversidade no Oscar 2016 em que nenhum ator negro concorre ou filme dirigido por negros. A questão é que em 87 anos da entrega da estatueta dourada, apenas 30 receberam a mesma, ou seja, 1%. A única chance dos negros ganharem algo nessa edição será através dos músicos The Weeknd e Jason “DaHeala” Quenneville, que concorrem com a canção “Earned It”, de “Cinquenta Tons de Cinza”, que brigará pau a pau com Sam Smith e Lady Gaga.

Mesmo com toda essa polêmica, quase metade dos americanos não boicotorá o Oscar. O mesmo não ocorrerá com o premiado diretor Spike Lee, o ator Will Smith e a sua esposa e atriz Jada Pinckett= Smith que optaram por protestar.

A pesquisa foi realizada cerca de três semanas depois de a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, cujos membros são majoritariamente homens e brancos e que escolhe os Oscars, anunciar que irá duplicar a quantidade de mulheres e integrantes de minorias em suas fileiras nos próximos quatro anos.

 

Por Anna Barros

Spotlight vence prêmio em Los Angeles e acirra disputa no Oscar

Spotlight vence prêmio em Los Angeles e acirra disputa no Oscar

spotlight 2Spotlight venceu o prêmio de Melhor Filme do Primeiro Prêmio Veritas do Clube de Imprensa de Los Angeles.

A honraria premia o filme baseado em eventos reais ou pessoas reais.

O novo prêmio é julgado pelos membros do LAPC.

Josh Singer e Tom McCarthy escreveram o roteiro baseado na investigação de repórteres investigativos do Boston Globe sobre os casos de pedofilia na Arquidiocese de Boston.

O vice-campeão foi Ponte dos Espiões de Steven Spielberg.

O prêmio de Melhor Filme tinha um favorito, O Regresso, mas parece que agora na reta  final Spotlight e Ponte dos Espiões chegam com gás na corrida.

 

Crédito da foto: Participant Media