Obras que envolvam deuses e mitologias podem ser atraentes, não é mesmo? E o que dizer da cultura nórdica, mais especificamente nos dias atuais, sobre o apocalipse e a guerra que envolve o deus Thor contra os gigantes? ‘Ragnarok’, produção norueguesa da Netflix, apresenta esse universo para ilustrar o fim dos tempos (significado de Ragnarok). Mas será que é tão boa como se imagina?
A história se passa na cidade de Edda, local que sofre com a poluição da água e do ar por conta das indústrias Yuttum, de propriedade de uma família rica e que guarda um grande segredo: o núcleo familiar representa os Gigantes, que duelaram com grandes deuses do apocalipse há milhares de anos. Os Yuttum tentam aparentar uma vida normal na Noruega e a o mesmo tempo se preocupa em manter o império construído com muito esforço. Mas não se dão conta de um grande perigo, a chegada do jovem Magne (David Stakston) e sua família. O adolescente é a reencarnação de Thor, todo-poderoso e praticamente imbatível.
O roteiro, que traz assuntos importantes como preservação ambiental, qualidade do ensino educacional e os dilemas da adolescência, esbarra na abordagem sobre a mitologia nórdica. Os personagens não esbanjam segurança, não existe um elo de ligação entre eles e as histórias apresentam pontas soltas. Os adolescentes se envolvem em tramas esquecíveis e tudo se dá de forma acelerada, alguns arcos poderiam ter ganho maior contorno, e uma narrativa com apenas seis episódios acabou não sendo o suficiente para a abordagem desses temas, além do universo dos gigantes e deuses que duelaram no fim dos tempos.
Sobre os deus e gigantes, nada de figurinos exuberantes, os cenários não são faraônicos, e há poucos efeitos especiais. Magne demora a se descobrir e também a se relacionar com os outros jovens, mas ele se mostra mais ativo no tocante à investigação sobre a morte de Isoldi, sua melhor amiga. Ele não crê em acidente, mas no envolvimento de alguém dos Yuttum e luta com todas as suas forças por justiça. Falta profundidade ao protagonista, uma grande oportunidade a série perde de mostrar outras facetas de Magne e uma narrativa vais sólida. E boa parte dos personagens secundários se perdem ao longo do caminho e só na reta final o espectador encontra novos motivos para voltar a ver a série.
Apesar de se tratar de uma produção que explora os arquétipos, ou seja, personagens com padrões definidos, o clássico herói e seus vilões, acaba por se perder e se esquece de inserir elementos mais intrigantes e ícones que sejam marcantes, alguém que marque presença e faça o espectador para sempre se lembrar, seja por seus objetivos e atitudes. ‘Ragnarok’ apresenta a cultura rica de um dos países mais bem desenvolvidos do mundo e demonstra potencial para se redimir, tendo em vista os bons ingredientes que tem, além do gancho que pode aproveitar do desfecho, bastante enigmático. Não é uma produção para se descartar, mas que decepciona em seu início.
Um país repleto de tradições e culturas milenares, também guarda belezas naturais únicas e a possibilidade de momentos incríveis. Esse documentário lhe mostrará todas as belezas, curiosidades históricas, gastronomias e aspectos sociais que valem muito a pena de serem conhecidos nesse país.
Depois que passar essa loucura de pandemia, quero conhecer o Perú: Lima e norte do país porque tenho problemas de altitude.
2. Feminists: What Were They Thinking?
Um documentário original Netflix que nos coloca por dentro do assunto Feminismo, um tema necessário, que aqui ganha inteligentes falas e pontos de vista.
Como as histórias do passado abriram caminho para o futuro – mais livre e longe das amarras que designavam certos “papéis” a serem seguidos pelas mulheres.
O documentário faz-se entender, opressões não são meras coincidências – são estruturas. E através de sinceras palavras de fascinantes mulheres como Jane Fonda, Lily Tomlin, Judy Chicago, Kate Millet, Phyllis Chesler e Laurie Anderson, nos envolvemos em um aprendizado de como as “mulheres foram, são e como devem ser tratadas”.
Abordando temas como identidade, aborto, raça, maternidade, influências na infância, somos apresentados a uma explicação do que é Feminismo, afinal de contas o que elas estavam pensando? Em suma, igualdade de gênero e a valorização do papel da mulher na sociedade, longe de “mimimis” está um movimento político e social importantíssimo.
3. Terra
O planeta terra, ou melhor, a destruição em massa que os seres humanos estão causando é tema para muitos documentários. Neste, intitulado Terra, de forma direta, somos tirados de nossa zona de conforto e levados a encarar o absurdo que causamos às outras espécies ao mesmo tempo em que condenamos a nossa própria.
Terra é um documentário de Yann Arthus-Bertrand e Michael Pitiot, produzido por Hope Production. Mostrando a vida na Terra em meio a um visual deslumbrante que explora a vida no planeta e a rica diversidade nele presente.
Premissa para uma viagem que te espera através da tela, com cenas grandiosas e realistas mostra as faces de uma planeta lindo, tal como devastado.
Um filme para repensar a vida na Terra, e entender que nos afastar da compaixão para com as outras espécies, é condenar a nossa própria, ao que somos totalmente dependentes da natureza, mas estamos destruindo ela, e não é aos poucos.
4. Malala
“Há um momento em que você tem de escolher entre silenciar e se rebelar”. Estas são palavras de Malala, uma jovem paquistanesa que, foi baleada ao defender a educação feminina em seu país.
Neste documentário, acompanhamos a história de uma jovem garota, que levou um tiro na cabeça por ousar em sugerir que meninas também deviam ir à escola.
Uma extraordinária história real, inspiradora e emocionante, sobre uma menina que fez de suas palavras mais poderosas que qualquer arma. Malala conquistou o título de mais jovem ganhadora do Nobel da Paz em 2014, não por menos, ela fala em nome de muitos, sua voz dá visibilidade e causa mudanças, fazendo com que a educação seja para todos.
Questões como educação, ativismo e igualdade de gênero, atrelado à perseverança e não se deixar abater quanto ao que se acredita, dão forma a um documentário inspirador e emocionante que vale muito a pena conferir na Netflix.
5. Minimalism: A Documentary About The Important Things
Dirigido por Matt D’Avella, o documentário Minimalism nos leva a conhecer o estilo de vida dos amigos Joshua Millburn e Ryan Nicodemus, onde a ideia central pode ser o conceito de “menos é mais”, no qual a vida atual deles se baseia.
No documentário Minimalism, é deixado claro que a ideia deles não foca em nada radical, o objetivo não está em se livrar de tudo quanto é bem material, e sim aqueles que excedem muito o necessário, coisas superficiais, que por vezes acabamos comprando apenas para suprir uma necessidade que criamos com o intuito de obter algo, que no fim não tinha realmente um propósito, e sim, somente por consumismo e materialismo.
Minimalism apresenta uma perspectiva superinteressante , enfatizando “o que eu sou não depende dos meus bens materiais” e as distorções sobre o que realmente precisamos e não o que a mídia e a publicidade em massa nos fazem acreditar que é importante comprar.
Assistir o documentário Minimalism: A Documentary About The Important Things pode tirar os mais consumistas da zona de conforto, tal como enfatizar a ideia de experienciar o que está ao nosso alcance, ao invés de buscar comprar e ter posse de tudo a nossa volta.
6. Explicando
Explicando é uma produção original da Netflix, a qual se encontra entre os títulos mais relevantes da plataforma. Em formato de documentário abrange aos mais variados assuntos, os episódios são curtos, com duração de no máximo 20 minutos.
Cada episódio trata de forma clara e objetiva sobre determinado assunto, temas que abrangem alguma lacuna social, assuntos complexos e por vezes até polêmicos.
Alguns dos assuntos já debatidos em Explicando falam sobre vida extraterrestre, influência de games, o mercado de ações, maconha. E ainda levanta e debate questões como Porque as Dietas dão errado? Astrologia é verdade, funciona? Porque as mulheres ganham menos? Podemos viver para sempre?
O documentário Explicando pode não ter a exata resposta para tudo, mas consegue passar muitas informações e esclarecer bastantes dúvidas que você possa ter sobre determinado assunto. Das duas uma, ou você esclarece pensamentos, ou em meio a tantas informações mais dúvidas podem surgir.
7. Cowspiracy: O Segredo da Sustentabilidade
No documentário Cowspiracy, Kip Andersen e Keegan Kuhn mostram o porquê de a pecuária ser a indústria que mais destrói o planeta, tal como recursos naturais.
O processo todo de produção que leva ao consumo da carne é destrutivo, mas porque as organizações ambientais não contestam nem falam sobre o assunto? O documentário traz descobertas sobre o que está por trás da indústria pecuária.
O trabalho feito por Kip e Keegan é louvável , ao que são destemidos em ir em busca de soluções que, de fato, possam acarretar resultados para as questões ambientais e levar a uma vida sustentável, descartando “possíveis” soluções superficiais e palavras vazias.
Não precisamos ir muito longe para entender o real motivo por trás de grandes negócios realizados no planeta, o dinheiro, mesmo que este possa não ser capaz de salvar e desfazer a destruição que vem causando. Este é o ponto do documentário Cowspiracy, debater alternativas viáveis, para que a humanidade de fato prospere, sem arruinar tudo a sua volta.
8- La Casa de Papel, el fenómeno
O documentário fala do sucesso da série e contém spoilers da Quarta Temporada. Muito interessante. Super Recomendo,.
Se devoraste a nova temporada de La Casa de Papeltoda num dia, não desesperes. A espera por novos episódios pode ser longa, mas, se já estás com saudades dos criminosos mais famosos de Espanha, a Netflix disponibilizou El Fenómeno, que vai aos bastidores de uma das séries mais populares da atualidade.
Estreou no dia 3 de abril, no mesmo dia que os oito episódios da nova temporada. La Casa de Papel: El Fenómeno é um filme original Netflix que explora a onda de entusiasmo que a série teve e tem por tudo o mundo. A sua popularidade é incontestável e o número de máscaras de Dalí e de macacões vermelhos vendidos prova-o.
Ao longo de uma hora, o documentário mostra entrevistas exclusivas dos protagonistas da série, entre eles Álvaro Morte (Professor), Itziar Ituño (Lisboa), Alba Flores (Nairóbi) ou Úrsula Corberó (Tóquio). Também Álex Pina, criador da produção, explica o processo de elaborar um mundo como este.
Atypical: Um menino de 18 anos autista, estuda, trabalha e namora. Sua busca por independência coloca a família toda em uma aventura de autodescoberta.
La casa de Papel: Um grupo de ladrões prepara o roubo do século na Casa da Moeda da Espanha.
Lucifer: Entediado com a vida nas trevas, o diabo se muda para Los Angeles, abre um piano-bar e empresta sua sabedoria a uma investigadora de assassinatos.
Stranger Things: Quando um garoto desaparece, a cidade toda participa nas buscas. Mas o que encontram são segredos, forças sobrenaturais e uma menina.
House of Cards:O congressista Francis Underwood e sua mulher, Claire, fazem de tudo para conquistar seus objetivos. Um mundo político recheado de ganância, corrupção e luxúria.
Dirigido em 1993 por, Richard Linklater (“Antes do Amanhecer”) o clássico “Jovens, Loucos e Rebeldes” mostra o que acontece nos últimos dias de aula de um grupo de jovens no final da década de 1970. Uma jornada de humor, drama e amadurecimento que mostra que Linklater viria a ser um dos diretores autorais mais icônicos de Hollywood.
2-Lion: Uma Jornada para Casa
Produção com com seis indicações para o Oscar, o longa apresenta a trajetória do indiano Saroo, que sai à procura de seus pais biológicos e de suas origens, 25 anos depois de se perder do seu irmão em Khandwa, na Índia.
3-A Viagem de Chihiro
Oscar de Melhor Filme de Animação em 2003, esse anime de 2001, dirigido por Hayao Miyazaki, é tida como uma das produções mais ousadas dos últimos anos. Trata-se da história de um mundo mágico, recém-descoberto por Chihiro e seus pais, em que as pessoas são transformadas em animais.
4-Farol das Orcas
Protagonizado pela espanhola Maribel Verdú, o filme argentino oferece espectador uma viagem pelas paisagens da Península Valdés, na Patagônia O local será palcopara a história de uma mãe que viaja com seu filho autista, em busca conexões com suas emoções.
5-Viver Duas Vezes
O filme espanhol traz uma mistura de humor e drama com a expertise do cinema argentino. Emilio (Oscar Martínez) é diagnosticado com Alzheimer e sua família resolve levá-lo em uma jornada para reencontrar um amor de infância.
Universos distópicos e ficção científica estão bastante em alta, principalmente nos serviços de streaming. A Netflix já havia apresentado ao público a série brasileira ‘3%’, de Pedro Aguilera, que teve uma recepção positiva. Agora temos a produção ‘Onisciente’, também assinada por Aguilera, que mostra uma sociedade refém das tecnologias e em uma São Paulo de baixos índices de criminalidade.
Se já tivemos a sensação de sermos vigiados, agora com a internet e as redes sociais nos sentimos em um verdadeiro Big Brother. E na série em questão os cidadãos que transitam pelas ruas e todos os ambientes de São Paulo são constantemente focalizados por drones capazes de captar todas as sensações, fazer um breve relatório sobre o comportamento e também detectar crimes, sejam de grau mais baixo até os de maior gravidade. E a empresa ‘Onisciente’, que dá nome à produção, é a responsável por todo o aparato que está na cidade. Mas o sistema de vigilância não é perfeito e tampouco 100% confiável, o que já se pode atestar no primeiro episódio.
Um crime bárbaro abala Nina Peixoto (Carla Salle), a protagonista. Seu pai leva um tiro a queima roupa, mas o crime não é registrado pelo drone. Em uma investigação com ritmo frenético e cheia de percalços, Nina vai em busca do criminoso, mas não será fácil, pois as imagens de todos os drones da cidade são protegidas, apenas máquinas conseguem ter acesso e uma possível conexão seria caracterizada como violação de privacidade.
O plano visual não conta com grandes efeitos especiais, nem com representações sofisticadas no tocante ao futuro. O destaque fica para os efeitos em preto e branco e as tomadas fechadas dos drones, com todas as informações explicitadas, e possíveis crimes detectados. As ruas não contam com carros voadores, nem com prédios espelhados e luzes de neon, o que caberia muito bem em uma narrativa que se passa no futuro. O uso de flashbacks faz a relação pai e filha ser bem explorado e o espectador se envolver com os traumas da personagem central, mobilizando-o a torcer para que atinja seus objetivos, como a de desvendar o mistério que ronda a morte do pai e a efetivação no trabalho, na Onisciente, mesma empresa na qual o pai trabalhava, no setor de manutenção.
Apesar de o futuro e o uso da tecnologia já terem sido bastante explorados em outras produções, Onisciente tem uma narrativa envolvente, uma protagonista cativante e um elenco secundário que faz a personagem principal crescer, além de questões importantes como a moral, a intimidade e as fragilidades de um sistema tecnológico e o quanto isso pode ser perigoso para uma coletividade. Referências a ‘Black Mirror’ não são à toa, com toque brasileiro.
Ficou curioso? ‘Onisciente’ possui seis episódios e com um ótimo gancho para a próxima temporada, com uma continuação que mostra que nunca estamos sozinhos e que devemos desconfiar de tudo o que está a nossa volta, e todo cuidado é pouco.