Maratona Oscar/Poltrona Cabine: Um Completo Desconhecido/Anna Barros

Maratona Oscar/Poltrona Cabine: Um Completo Desconhecido/Anna Barros

Fomos convidados pela Disney pra Cabine de Imprensa de Um Completo Desconhecido filme dirigido por James Mangold e estrelando Thimotee Chamalet, Elle Fanning, Mônica Bárbaro e Edward Norton. O filme é uma cinebiografia da época inicial da carreira do lendário cantor folk Bob Dylan que revolucionou a música.

O filme é maravilhoso e Thimotee como Bob Dylan está incrível: o gestual, a voz, as canções, maneirismo: está simplesmente idêntico.

O roteiro é muito bom adaptado de um livro e o filme é redondinho. São 2h20 que você nem vê passar. Monica Bárbaro é a cantora Joana Baez e concorre a Melhor Atriz Coadjuvante mas Zoe Saldana a Rita de Emília Perez está melhor.

Eu gostei muito de Edward Norton como Pete Seeger: contido, firme, elegante na atuação e profundo. Se Kieran Culkin não fosse o faboriracp por A Verdadeira Dor, gravaria que ele levaria. Edward concorre pela quarta vez e está ótimo.

Thimotee Chamalet rouba a cena. É seu melhor papel desde Me Chame Pelo Seu Nome. Dá pra ver que ele se dedicou muito. Está simplesmente irretocável. Mas nessa categoria tem Ralph Fiennes por Conclave,eu favorito,  e Adam Brody por O Brutalista, filme que ainda não vi. Thimotee corre por fora. É o azarão da categoria.


Um Completo Desconhecido recebeu oito indicações ao Oscar 2025, incluindo: melhor filme, melhor direção (James Mangold), melhor ator (Timothée Chalamet), melhor ator coadjuvante (Edward Norton), melhor atriz coadjuvante (Monica Barbaro), melhor roteiro adaptado, melhor figurino e melhor som. Merecia ganhar pelo menos um Oscar.

É um filme denso, profundo e delicado. Um filme à altura de Bob Dylan que vou e gostou. A trilha sonora é ótima. Não entendi porque não concorre. E pode ser que leve Melhor Som mas tem um concorrente de peso: Dune parte 2.

Amei o filme e super indico.

O filme estreia em grande circuito hoje, dia 20 de fevereiro.

4/5 poltronas

Maratona Oscar: The Nickel Boys/Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: The Nickel Boys/Cesar Augusto Mota

O cinema americano tem ganho ainda mais destaque na última década pela exploração de fatos históricos e impactantes para o país e que significaram verdadeiros marcos para a humanidade. O Movimento dos Direitos Civis, da década de 60, passa a ser o pano de fundo de ‘The Nickel Boys’, de RaMell Ross, que irá ilustrar uma história impactante, humana e de muita resiliência.

Inspirado em um romance homônimo, de Colson Whitehead, a obra traz a história de Elwood e Turner, dois jovens negros que se conhecem no reformatório Nickel, na Flórida, Estados Unidos. Os dois criam um vínculo sólido e muito poderoso, mas passam a viver momentos sofridos e angustiantes em um ambiente opressor, tendo de passar por verdadeiras provações.

As perspectivas em primeira pessoa dos personagens é um interessante recurso para imprimir uma experiência mais íntima, única e extremamente torturante, tendo em vista o racismo que imperava nos Estados Unidos e que persiste até os dias atuais. O sofrimento e resiliência dos personagens-centrais prendem o espectador do início ao fim, tamanhos foram os abusos e a violência empregada contra os internos da instituição Nickel.

As atuações são viscerais e comoventes, e aliadas com o ótimo trabalho de direção e fotografia e som. Cenas mais dolorosas retratadas pela ótica dos personagens e com pouca sombra deram sensação de melancolia e angústia, e um clima de suspense capaz de prender a atenção para a sequência de ações e suas consequências. As memórias afetivas também são exploradas, mas com sutileza e sem apelações.

Instigante, complexo e impactante, ‘The Nickel Boys’ é um convite a reflexão sobre respeito e o papel de cada um no mundo, bem como as consequências de cada ação em sociedade. A obra concorre ao Oscar 2025 nas categorias de melhor filme e melhor roteiro adaptado, um ótimo concorrente na atual temporada de premiações.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: O Brutalista/Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: O Brutalista/Cesar Augusto Mota

Abordagens sobre períodos difíceis e dolorosos da história da humanidade aliados às condições humanas são, na maioria das vezes, atrativas para fãs de cinema e os apreciadores de reconstituições de fatos reais. Uma abordagem profunda munida de oposições entre ideias e as complexas relações humanas dão forma ao filme ‘O Brutalista’, de Brady Corbet. Estrelas como Adrien Brody e Guy Pearce também são outros atrativos, que prometem mexer com as emoções de quem embarcar nessa jornada de três horas e trinta e seis minutos de projeção.

Os acontecimentos se passam em 1947, que ilustram a busca do arquiteto László Tóth (Brody) e sua esposa por reconstrução após a Hungria ser devastada durante a Segunda Guerra Mundial. László recebe uma proposta de Harrison Van Buren (Pearce), de construir um monumento que exalte a América Moderna e todo o seu simbolismo. Mas o que se vê é uma verdadeira oposição entre a arte e a submissão e exploração e poder.

O roteiro é bastante variado e rico em conteúdo, com abordagens sobre capitalismo, perseguição religiosa, traumas do passado e o sentimento de pressão e culpa por ter de entregar resultados em um cenário que vai contra as próprias crenças. A essência criativa de László também é abordada, de uma forma profunda, sutil, e com uma atuação visceral de Adrien Brody, que foi capaz de sensibilizar o público, com a plateia entrando em seu cérebro, visualizando uma série de nós e o cenário complexo para tentar desatá-los.

A fragilidade do psicológico humano combinado com o anseio de vencer é o verdadeiro golpe de mestre do filme, que tem um desfecho positivo para o protagonista. Brody entrega tudo o que se espera dele, com um personagem de vida sofrida e com uma impressionante superação. Já Pearce é um ótimo antagonista, que tenta sugar até a última gota do personagem-central, sendo um personagem ambicioso, sem escrúpulos e com algumas vulnerabilidades.

‘O Brutalista’ vem forte para a atual temporada de premiações, tendo sido indicado em dez categorias do Oscar, como melhor filme, melhor ator, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro original. Uma obra que vai além do entretenimento, vale a pena.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Anora/Tom Leão

Maratona Oscar: Anora/Tom Leão


‘ANORA’: PODE SER O GRANDE AZARÃO DO OSCAR ****

 O diretor Sean Baker, de filmes como o experimental ‘Tangerine’ (filmado com dois iphones) e ‘Projeto Flórida’ (aquele da menininha irritante), com ‘Anora’, nos dá uma espécie de versão mundo real do fantasioso ‘Uma linda mulher’, aos nos mostrar o romance entre um jovem rico e irresponsável e uma garota de programa interesseira. Os dois, após noites de loucuras, acabam se casando em Vegas, e a família do rapaz, oligarcas russos, tenta desfazer o engano. Embora seja, por vezes engraçado, o filme, na verdade, é um drama, que termina de forma melancólica (é um dos melhores finais que já vi, tocante).

O destaque é a maravilhosa novata Mikey Madison, como Anora, simplesmente arrebatadora, que merece ganhar todos os prêmios que vem acumulando com o papel. O filme só não é melhor porque dura um pouco além do que deveria.

 Em cartaz no Brasil, sem chamar a atenção nas bilheterias (entrou na penúltima posição do top ten da ComScore quando estreou e já saiu da lista na segunda semana), ‘Anora’, repentinamente, se transformou num dos filmes mais quentes para ganhar o Oscar principal, o de Filme do Ano, depois que ganhou, em sequência, prêmios equivalentes, tanto no Critic´s Choice Awards (para surpresa geral) quanto do Directors Guild of America. Este ultimo, sim, um termômetro forte para arrebatar o careca dourado, nada de Golden Globes.

Já que, dos últimos 15 filmes que ganharam nesta categoria no DGA, 12 ganharam o Oscar do ano. E com o derretimento do hype do superestimado ‘Emilia Pérez’, por causa dos comentarios infelizes da atriz Karla Sofia Gascón, ‘Anora’ (uma produção independente, feita quase toda na base da vaquinha), que concorre a seis estatuetas da Academia (filme, diretor, atriz, ator coadjuvante, roteiro e edição), tem tudo para ser o grande azarão da temporada. Para mim, sempre foi a aposta certa.

TOM LEÃO

Maratona Oscar/Poltrona Cabine: Conclave/Anna Barros

Maratona Oscar/Poltrona Cabine: Conclave/Anna Barros

O filme fala sobre a morte de um Papa em condições misteriosas e o conclave para a eleição de um novo papa, que segundo a Igreja Católica, é movido pelo Espírito Santo. Só que acontecem coisas que deixam o decano Lawrence com a pulga atrás da orelha: o encontro do cardeal canadenseTremblay com o papa antes de sua morte, o envolvimento do cardeal Adeyemi da Nigéria com uma freira, a hesitação do cardeal americano Aldo e o surgimento de um cardeal mexicano, Benítez, desconhecido que vive em Cabul, Afeganistão e que o papa anterior o apoiou e pagou seu tratamento num hospital da Suíça. 

O cardeal Lawrence é vivido magistralmente por Ralph Fiennes em mais um papel que pode lhe indicar uma indicação ao Oscar. Seu ar contido, misterioso de um cardeal que dúvida de sua fé e faz de tudo para que a escolha seja a mais acertada é realmente estupendo. Ralph é maravilhoso mais uma vez.

Há uma demora na eleição após seis escrutínios e a ameaça de terrorismo através de uma bomba solta nos arredores do Vaticano que destrói uma parte do teto da Capela Sistina e deixa o cardeal Lawrence assustado levando à um extenso debate o que leva os olhos a Benítez, o cardeal mexicano.

Há uma surpresa no conclave e um final surpreendente e inesperado. Excelente atuação também de John Litgow como o cardeal Tremblay e de Isabella Rosselini como uma freira, fundamental para a solução de alguns mistérios da trama.

Linda fotografia, lindo figurino e uma excelente direção de Edward Berger. Conclave deve ser indicado TB a Melhor Filme do Oscar.

Conclave estreia em todos os cinemas brasileiros dia 23 de janeiro.

5/5 poltronas