Maratona Oscar: Fences ´Um limite entre nós/Flavia Barbieri

Maratona Oscar: Fences ´Um limite entre nós/Flavia Barbieri

fences2Vinte e nove anos após sua estréia na Broadway, “Fences” chega aos cinemas por cortesia de um roteiro do próprio dramaturgo August Wilson. Ganhador de dois prêmios Pulitzer e autor da magnífica obra de dez peças, “The Pittsburgh Cycle”, da qual “Fences” é a sexta peça.

“Fences” conta o cotidiano de um coletor de lixo da cidade de Pittsburgh – Troy Maxson, esplendoramente interpretado por Denzel Washington; que ao final dos dias se reúne com sua família e seu melhor amigo Bono (Stephen Henderson) para contar histórias em uma rotina cercada de lembranças e garrafas de gin.

A história da classe operária da década de 1950 serve de pano de fundo para a vivência da família de Troy. Sua esposa Rose – docemente interpretada por Viola Davis, seu filho mais velho Lyions (Russel Hornsby), seu irmão incapacitado Gabe (Mykelti Williamson – O inésquecível Bubba de “Forest Gump”) e seu filho mais jovem Cory (Jovan Adepo).

Nas discussões com os filhos, nos enlaces emocionais com a esposa e seu irmão, a história se desenrola cheia de sentimentos, destacando a vida dos negros daquela época. Muitas passagens importantes reafirmam o preconceito e a segregação sofrida por eles.

Como diretor Denzel Washington respeitou a escrita de August Wilson, como a verdadeira estrela do filme. Um roteiro que flui fácil pelas palavras trocadas entre seus personagens, como se todas as cenas realmente tivessem acontecido em algum lugar daquele tempo.

O final do filme culmina de forma mágica e suave. Podemos dizer que o ápice do filme é justamente seu fim, como um laço de emoções eternas congeladas no coração daquela família.

Obra indispensável para os amantes do bom cinema. Na premiação dos Oscar desse ano, já vejo Denzel e Viola juntos no Palco.

O filme concorre a Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado.

 

Maratona Oscar: Zootopia/Lívia Lima

Maratona Oscar: Zootopia/Lívia Lima

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Apaixonante e revigorador.

Zootopia pode parecer apenas mais uma animação irrevente que chegou para estourar bilheterias com animais fofinhos e uma história comovente, mas é isso e muito mais.
A trama acontece em um mundo onde os animais vivem em harmonia, exercendo funções direcionadas para cada espécie. A história gira em torno da coelhinha Judy Hopps, que desde criança sonha em ser uma policial. Judy, até então completamente desvalorizada dentro de uma profissão de predadores, por um acidente, é designada para um caso de desaparecimento na cidade. Para isso, ela conta com a ajuda de Nick Wilde, uma raposa malandra que logo mostra ser muito mais do que o simples estereotipo das raposas.

Apesar da alusão utópica, a trama se aproxima da realidade atual de uma forma alegre e colorida, gerando reflexões importantes em tempos tão difíceis. Judy é uma mulher, fisicamente pequena e lida a todo tempo com preconceito e menosprezo de todos os lados por conta de sua escolha profissional.

A forma como a personagem principal maneja as pressões externas e o seu desejo de seguir o seu sonho é exemplar e magnifica, sem nenhum apelo ao amor romântico e focada plenamente em sua confiança, o que faz com que as lições expostas no filme sejam passadas através de reflexões necessárias.

Em tempos de discursos reacionários, é revigorante ver um filme infantil que combata, de forma sutil e descontraída, o machismo, o racismo, a homofobia e as tensões entre diferentes classes sociais.

Roteiro ótimo, diálogos consistentes e personagens cativantes e referências à grandes sucessos como Breaking Bad e O Poderoso Chefão são alguns fatores que contribuem para que o conjunto da obra seja tão bom.
Os diretores Rich Moore e Byron Howard também brincaram bem com o imaginário ao criarem uma cidade fictícia teoricamente adaptada a todos os animais possíveis.

É como um sopro de esperança ver um filme que sustenta a ideia de que devemos ser a mudança que queremos ver no mundo. Reforçar aos pequenos que atitudes positivas e benéficas são o caminho a se seguir, de forma que também toca o publico adulto, não é um trabalho fácil e Zootopia conseguiu exerce-lo plenamente.
Talvez o mundo fosse mais gentil se todos assistissem essa animação tão renovadora com muita atenção aos detalhes.

Cotação Poltrona de Cinema: 4 Poltronas

Por: Lívia Lima

Maratona Oscar: Moonlight/Lívia Lima

Maratona Oscar: Moonlight/Lívia Lima

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Duro e doce, bem como a vida.
Moonlight transporta, mesmo que não se trate de uma ficção irreal e extraordinária. Chiron, é um menino negro e periférico, e o filme retrata a sua jornada de autoconhecimento, enquanto tenta lidar com seus problemas familiares e fugir da criminalidade de Miami. A trama passa por sua infância até sua vida adulta, abordando conflitos comuns gerados por assuntos como sexualidade, bullying e consumo de drogas.

Moonlight não é um filme de amor, mas definitivamente é um filme sobre o amor. Chiron tenta lidar com questões como sua sexualidade e problemas familiares e é possível notar, com sutileza, o amor sendo encontrado, o que torna o longa muito humano e sensível.

Diálogos simples, porém sucintos, passam a confiança das reflexões com leveza. Fotografia impecável, assim como a trilha sonora, com certeza fazem o espectador se apaixonar pela produção. É importante também salientar que a sintonia entre os três atores que interpretam Chiron em suas três fases é visível e trás uma credibilidade real à história.

Em eras onde a homofobia ainda é presente, a importância de um filme tão empoderador quanto Moonlight consegue ser é imensurável. Apesar da pouca idade, Chiron já lida com agressões de colegas e com o passar dos anos e com a evolução do bullying, isso culmina em um sofrimento reprimido que é observado também em sua fase adulta.
Apesar de sentir falta de um melhor trabalho em relação aos traumas e ao sofrimento de Chiron, ao observar que o filme lida bem com a sutileza, em pequenas cenas, é possível ver que são nos diálogos delicados e simples que essas questões são trabalhadas, o que acaba por compensar essa falta.

Simples e Brilhante. Uma grande produção, com muito a ensinar sobre o amor, sobre o sofrimento e, principalmente, sobre a vida.

Cotação Poltrona de Cinema: 4 poltronas

Por Lívia Lima

Maratona Oscar: Até o Último Homem

Maratona Oscar: Até o Último Homem

2396_capaO filme de Mel Gibson é baseado em fatos reais. O longa foi indicado em seis categorias do Oscar. Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhor Edição.

Desmond Doss é um homem religioso e sofre junto com a sua família devido ao alcoolismo do pai, Tom Doss. A doença de Tom afeta diretamente a relação com sua esposa, Bertha Doss e com os filhos, Desmond e Harold.

Tom é um ex – soldado do Exército americano que sempre deixou claro para os seus filhos que não seguissem a carreira militar devido aos grandes traumas psicológicos que ele sofreu durante as guerras em que participou, mas os seus filhos não seguiram o seu conselho. Harold virou soldado do Exército e Desmond médico.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército precisava de mais homens para a Batalha de Okinawa e nessa abertura dos militares para a inscrição de civis, Desmond Doss se habilita á serviço dos Estados Unidos da América. Desmond é direcionado para a companhia de atiradores. Doss que segue os princípios de sua religião passa por quase todos os testes antes da guerra, mas se recusa a pegar numa arma para atirar e isso revolta os comandantes do Exército que fazem de tudo para tirar o rapaz religioso do serviço militar.

Doss acaba sendo preso por não seguir todas as normas estabelecidas pelo Exército e é julgado. Demond Doss ganha o julgamento e consegue a permissão para ir a Batalha de Okinawa como médico e sem ter uma arma.

Por: Vitor Arouca

Maratona Oscar: A Chegada / Luis Fernando Salles

Maratona Oscar: A Chegada / Luis Fernando Salles

A Chegada é um filme de ficção científica estadunidense, dirigido Denis Villeneuve e escrito por Eric Heisserer. O longa conta com Amy Adams (indicada ao prêmio Globo de Ouro de melhor atriz de 2017) e Jeremy Renner.

A história do filme foi inspirada no conto Story of Your Life (1999), de Ted Chang. Nela, 12 naves alienígenas pousam em diversos locais do globo causaposter-a-chegadando apreensão dos governos e pânico na população. Apesar do alvoroço, os visitantes não parecem ser nossos inimigos, pois, apesar das mobilizações militares ao longo da Terra, eles se mantêm em postura pacifica.

Uma das naves se encontra, obviamente, nos Estados Unidos, e o exército norte – americano recorre a Dr. Louise Banks (Amy Adams) uma linguista renomada e o físico Ian Donely (Jeremy Renner) para que eles possam  entrar em contato com os extraterrestres e descobrir o verdadeiro motivo de sua visita.

Dr. Banks e seu parceiro começam a se comunicar com os alienígenas e tentam, a partir da combinação de sinais e análise numérica, a dialogar com os recém chegados.  Porém, como era de se esperar, as coisas mudam quando alguns governos resolvem que os visitantes não são mais bem-vindos e planejam atacá-los.

O longa concorre ao Oscar de Melhor Filme de 2017 e a outras seis categorias. Além de tentar retratar como seria uma situação a qual o ser humano se coloca a prova com o desconhecido e a incerteza da sua sobrevivência.