Poltrona Cabine: Paterson

Poltrona Cabine: Paterson

Um filme com uma mesma sequência de ações, mas que vai explorar e exaltar a beleza da vida em meio a uma rotina diária intensa com o auxílio da poesia. Tudo isso está em “Paterson”, longa dirigido por Jim Jarmusch e com Adam Driver no elenco, famoso pelo papel de Kylo Ren em Star Wars, Episódio VII.

O personagem vivido por Driver possui o mesmo nome da cidade onde nasceu e onde viveu o poeta William Carlos Willians, seu ídolo. Paterson é um simpático motorista de ônibus e que procura ter uma rotina tranquila e de paz. Todos os dias acorda abraçado à esposa, toma café, vai ao trabalho, escreve durante os intervalos alguns versos de poemas que pretende ler para a amada e volta à noite para casa. Ele janta, leva o cachorro para passear e toma uma cervejinha com os amigos. Sua rotina é assim.

Outra peculiaridade de Paterson é que ele se recusa a ter um celular no bolso e usar computador, ao contrário da amada Laura (Golshifteh Farahani), uma mulher hiperconectada ao mundo moderno e às tecnologias digitais. Outra diferença é que ela é sonhadora, se imagina uma grande cantora country ou uma bemsucedida vendedora de cupcakes, já ele é mais pé no chão, e sequer cogita se tornar um poeta conhecido, o que é sugerido por Laura ao pedir para ele tirar cópias de ser caderno secreto de poesias.

O que pode parecer desinteressante para o público, com uma história com praticamente as mesmas ações e divididas entre todos os dias da semana, passa a se tornar atraente na medida em que Paterson escreve novos versos e estes aparecem na tela, numa belíssima fotografia e com belas paisagens, principalmente da cachoeira, em referência a um dos poemas de William Carlos Willians, inspiração de Paterson.

Todas as palavras escritas são baseadas em sua rotina e em tudo o que ele vê na cidade de Paterson, no estado de New Jersey, e traz belas metáforas, sobre as letras das caixas de fósforos Ohio Blue, que parecem com som de megafone, além da comparação feita entre o beijo e o ato de fumar, verdadeiras lembranças ardentes sob o olhar de Paterson.

A montagem é muito bem feita, com a transição entre os dias realizada de forma harmônica, além da importante retratação da melancolia do personagem central e a busca pela libertação, que ele encontra por meio da poesia. O roteiro explora muito bem o universo e o cotidiano de um apaixonado por versos, que sabe transformar coisas banais em alegorias e mostrar que a simplicidade da vida é fascinante e pode apaixonar as pessoas.

Mesmo imerso em uma rotina sufocante e em meio a pessoas cada vez mais isoladas pela tecnologia, Paterson consegue achar uma válvula de escape, apesar da rotina intensa, sob stress e quase sem tempo para aproveitar o que a vida tem a oferecer. Apesar dos problemas, devemos fazer um brinde à vida, e isso o longa “Paterson” ilustra bem.

Não perca essa grande produção, “Paterson estreia nos cinemas brasileiros em 20 de abril, aproveite!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Despedida em Grande Estilo

Poltrona Cabine: Despedida em Grande Estilo

Nas primeiras cenas de “Despedida em Grande Estilo”, remake do sucesso de 1979 e que será lançado pela Warner nesta quinta-feira (06), a primeira impressão que você terá é que Willie (Morgan Freeman), Joe (Michael Caine) e Albert (Alan Arkin), três idosos e amigos de longa data, levam uma vida tranquila após a aposentadoria. Mas não é o que parece.

O primeiro vive uma vida distante, mas se comunica com a filha e a neta via Skype, o segundo participa da criação da neta e todos os dias a deixa na porta da escola, sendo considerado por ela seu melhor amigo. Já o terceiro aproveita o tempo dando aulas de saxofone, com destaque para um aluno gordinho, desajeitado e neto de uma mulher que nutre pelo professor uma paixão secreta. Até aí nada de mais, mas uma bomba cai sobre esses velhinhos, mudando os rumos das vidas de cada um: a aposentadoria deles é cortada pelo banco, que vai congelá-las e utilizá-las para saldar contas.

O que parece ser o fim é só o começo de uma jornada que promete levar os três protagonistas para uma situação arriscada e ao mesmo tempo divertida: o assalto ao mesmo banco que reteve as aposentadorias. Para Willie, Albert e Joe, tratava-se de uma questão pessoal, pois repentinamente perderam suas fontes de renda e não queriam decepcionar as pessoas que amam por não terem meios para se manter. Além disso, não tinham mais nada a perder, tendo em vista que já não existia tanta expectativa de que poderiam prolongar um pouco mais a vida, isso na visão de Joe, que teve a ideia após vivenciar um assalto à referida agência bancária.

A forma utilizada para contar a história é muito bem construída, com as trajetórias de vida dos personagens principais colocadas em sincronia e com ótimos jogos de cena e enquadramentos, além da construção do plano para o assalto, a formulação do álibi e do plano de fuga. O enredo não cansa, não há cenas arrastadas e o ritmo dos acontecimentos é alucinante, que ficará ainda maior com a perseguição aos assaltantes por um detetive que não dá o braço a torcer, interpretado magistralmente por Matt Dillon. Há a possibilidade de tudo ser desvendado, graças a uma pequena trapalhada do trio. Não existe crime perfeito.

Na medida em que a trama vai evoluindo, o espectador fica curioso para saber o que vai acontecer em seguida, isso graças ao bom roteiro e também às atuações de Morgan Freeman, Michael Caine e Alan Arkin, que pareciam se entender com um simples olhar, cada um sabia como se portar em cena e o que deveria fazer. Mesmo se tratando de um negócio ilegal e por conta do carisma dos três personagens, há uma torcida para que eles fossem bem sucedidos na missão e saíssem ilesos.

O trabalho do diretor Zach Braff é fora de série, pois junta numa mesma produção três grandes nomes e consegue fazer uma história tensa e de grandes proporções se desenrolar de uma maneira que prenda a atenção de todos e ao mesmo tempo proporcione diversão a quem acompanha. Destaque também para a direção de arte, que faz ótimas referências a filmes de sucesso e também a ícones importantes na história do cinema, sem falar das cenas na lendária cidade de Nova York.

Ficou curioso com “Despedida em Grande Estilo”? Não perca a estreia dessa grande produção, você vai se amarrar e vai torcer pelos velhinhos simpáticos da trama, vale a pena!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: A Cabana

Poltrona Cabine: A Cabana

Baseado no best-seller do escritor canadense William P. Young, ‘A Cabana’ estreia nos cinemas brasileiros em 6 de abril e vem para transmitir importantes mensagens sobre amor e perdão, principalmente numa época de intolerância e de intensos conflitos no mundo em que vivemos. No elenco, destaque para Octavia Spencer, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante de 2012, no papel de Deus, ou Papa, como é carinhosamente conhecida.

A história nos traz o drama vivido por Mack Phillips (Sam Worthington), ocorrido após uma terrível tragédia que envolveu Missy (Amélie Eve), sua filha mais nova, mudando a vida de todos para sempre. A partir daí, Mack entrou em depressão e passou a enfrentar uma crise que abalou sua fé, chegando até mesmo a questionar se Deus era mesmo bom por permitir que coisas ruins acontecessem. Mas tudo começa a mudar quando Mack recebe uma misteriosa carta que o convida a ir para uma cabana no deserto de Oregon e lá encontra um grupo composto por três pessoas que irão ajudá-lo a superar o trauma e mostrar a vida por outro ângulo.

O filme começa num ritmo tenso, mas na medida em que vai evoluindo, o espectador passa a ser apresentado a um ambiente carregado de leveza aliado a uma bela paisagem, com flores, insetos e intensa luz solar, além das importantes intervenções dos atores. Mesmo diante de um bonito cenário e de conhecer Papa (Spencer), Jesus (Avive Alush) e Sarayu (Sumire), Mack se mostra bastante cético, além de bastante traumatizado e consumido pela raiva. Apesar de ter o livre arbítrio de sair da cabana e voltar para sua família, Mack é convencido a ficar e buscar a cura interior.

O que parece ser um enorme desafio se transforma em uma importante jornada espiritual de Mack, com direito a cenas que fazem alusão a alguns acontecimentos bíblicos, além de uma importante participação de Alice Braga como Sabedoria, que mostrará a Mack a maneira como ele trata as pessoas ao seu redor, bem como a forma que ele enxerga os ensinamentos divinos. Esse momento da trama será fundamental para o processo vivido por Mack, que busca se libertar de um passado trágico e se tornar uma pessoa mais evoluída espiritualmente. Ele terá a chance de mais uma vez se redimir com Papa, com quem foi ríspido antes, bem como de ajudar sua família, afetada por seu isolamento e comportamento frio.

Além da bela fotografia e da excelente montagem, nos deparamos com um importante trabalho feito pelo diretor Stuart Hazeldine, que consegue fazer uma perfeita adaptação do livro para as telonas, um trabalho que nem sempre é feito com precisão e eficiência. O desempenho dos atores é excepcional, com um perfeito entrosamento e importantes mensagens transmitidas por todos, o que vai certamente mobilizar e conquistar o público.

‘A Cabana’ vem para nos mostrar que é possível alterar o mundo em que vivemos e que não estamos imunes aos males que nos cercam, mas antes de se pensar em modificar o mundo devemos mudar a nós mesmos. Certamente um filme que vai emocionar e cativar toda a família e lotar as salas de exibição.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Poderoso Chefinho

Poltrona Cabine: O Poderoso Chefinho

Timothy, um garoto adorável de 7 anos, é o centro das atenções e vive feliz com sua família, com direito a canção composta e cantada por seus pais antes de dormir. Tudo parece bem, até uma chegada inesperada e que vai impactar a vida de todos: um bebê de terninho preto, que carrega uma maleta e veio em uma missão secreta. ‘O Poderoso Chefinho’ é a nova aposta da Fox Film no gênero animação e que tem tudo para fazer o público se apaixonar pelos personagens e se encantar com a história.

De início, Timothy fica com ciúmes, uma reação normal para quem antes era filho único e vê o novo integrante dominar a casa e todos, mas quando descobre que o bebê sabe falar e está por trás de uma missão um tanto arriscada, faz de tudo para conseguir provas e mostrar aos seus pais que seu novo irmãozinho não é quem aparenta ser. Logicamente, não será nada fácil. Ambos ficam em pé de guerra, nos garantindo muitas risadas.

O roteiro é muito bem construído, com cenas que fazem referências a grandes sucessos, além de interações dinâmicas e cômicas do bebê e de Timothy, que brigam em boa parte da trama, mas posteriormente se juntam na busca por seus objetivos individuais. Não poderei contar mais porque perde a graça e estraga a surpresa, ok? Sem dúvidas você se envolverá mais com a história na medida em que ela for se desdobrando e vai ter grandes surpresas.

Além de uma excelente fotografia e uma história divertida para toda a família, contada sob o ponto de vista de Timothy, “O Poderoso Chefinho’ nos transmite mensagens e valores importantes, como a importância da família e o amor, capaz de transformar as relações humanas e proporcionar momentos inesquecíveis.
Outro ponto alto do filme foi a junção de realidade com a imaginação de Timothy, que muitas vezes se confundem durante a trama e cativam o público. Com muita criatividade e coragem, momentos que parecem difíceis se tornam mágicos e tornam as constantes intervenções do bebê e de Timothy ainda mais divertida, transformando um importante conflito numa hilária aventura.

Com direção de Tom McGrath, o mesmo dos sucessos ‘Madagascar’ e Megamente’, ‘O Poderoso Chefinho’ contará com as vozes em inglês de Steve Buscemi (Francis E. Francis), Alec Baldwin (Chefinho), Lisa Kudrow (mãe), Patton Oswalt (Narrador, Tim mais velho), Jimmy Kimmel (Pai) e ViviAnn Yee (Stacy). Na versão dublada, a voz de Janice, a mãe, será de Giovanna Antonelli. A estreia no circuito nacional será no dia 30 de março de 2017.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

 

Poltrona Cabine: Dolores/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Dolores/ Cesar Augusto Mota

Baseado numa história real, ‘Dolores’, uma coprodução Brasil e Argentina, é um retrato fiel da vida de fazendeiros argentinos que buscam meios de sobreviver durante a Segunda Guerra Mundial. Um misto de romance e drama que promete impressionar o público.

A história nos mostra Dolores (Emilia Attías), uma argentina residente na Escócia, que retorna à sua terra natal após a morte da irmã Helen para cuidar do sobrinho Harry. Lá reencontra Jack (Guillermo Pfening), cunhado e antiga paixão durante a adolescência. O cenário é de melancolia, não só pela dor da perda de Helen, como também de desespero, tendo em vista que a casa da família está hipotecada e a dívida com 14 meses de atraso.

Com a chegada de Dolores, o núcleo familiar ganha novo fôlego e as negociações com o banco são retomadas, mas a questão da paixão mal resolvida entre Dolores e Jack se torna cada vez mais perturbadora. A irmã de Jack, Florrie (Mara Bestelli), tenta impedir o romance, mas a situação piora quando entra na história o rico fazendeiro e descendente de alemães, Octavio Brandt (Roberto Birindelli).

Com o coração dividido, Dolores terá que se resolver com quem quer ficar em meio a um cenário de guerra. Se a questão histórica de rivalidade entre ingleses e alemães era latente, acabou por desembocar para o lado pessoal, tendo em vista a descendência inglesa de Jack e a alemã de Octavio.

A sequência de ações, bem como o trabalho de direção de arte, com as réplicas de figurinos da década de 1940 são excepcionais. O diretor Juan Dickinson acerta na proposta de trazer ao público um filme de uma das épocas mais cruciais para a humanidade, aliado ao charme e glamour dos bailes existentes na ocasião. O roteiro é sólido, com incríveis reviravoltas na trama, bem como atuações dignas do elenco.

E por falar em atuações, o desempenho de Emilia Attías como Dolores é impressionante, sua interpretação é de tamanha elegância e ilustra uma mulher forte e que conseguiu se impor numa época predominantemente masculina, além de ser o oposto de Jack, seu antigo amor, frágil e que raramente tomava decisões difíceis. Essa postura firme e a personalidade forte fazem de Dolores uma das razões para acompanhar o filme de nome homônimo, de ótima produção e extremo bom gosto.

‘Dolores’ participou da Première Latina no Festival do Rio de 2016 e produzido pela produtora brasileira Angelisa Stein, da empresa Valkyria Filmes e a argentina Dar A Luz Cine, de Fernando Musa. A estreia no circuito nacional está prevista para 30 de março de 2017.