
Almodóvar consegue se reinventar mais uma vez e lança Natal Amargo que parece uma continuação de Dor e Glória.
Um cineasta com bloqueio criativo acaba usando a história de sua amiga próxima em seu novo filme. Só que essa amiga passa pelo luto da namorada e resiste muito para aquela história seja contada.
O filme é uma metalinguagem: um filme dentro do filme. E fala de cinco lutos: a da perda da mãe, uma moça nova de aldeia que perde o filho, a perda do filho da namorada da amiga do cineasta, o luto da criatividade e o luto da amiga de Elsa que descobre a traição do marido e rompe com ela. As histórias se misturam e conseguimos chegar a todos esses dramas.
Natal Amargo (Amarga Navidad) acompanha duas histórias paralelas de criadores compulsivos que exploram os limites entre realidade e ficção. Enquanto a publicitária Elsa mergulha no trabalho para fugir do luto pela morte da mãe, o cineasta Raúl sofre com um bloqueio criativo e usa os dramas ao seu redor para escrever seu próprio roteiro.
Só que Elsa abandona seu amor pelo bombeiro e stripper e o roteiro mostra essa falha no filme de Raul. O bombeiro é abandonado na fila do churrasco. Elsa para fugir da perda da mãe se joga no roteiro de seu novo filme e abandona um pouco seu trabalho como publicitária.
O filme traz muitas reflexões e relembra algumas cenas de outras obras de Almodóvar. Também fala sobre saúde mental ao abordar a depressão da mãe modelo nova que perde seu filho num acidente.
Natal Amargo me toca profundamente e é mais uma obra-prima de Pedro Almodóvar. Fiquei muito emocionada com a parte que fala do luto da mãe da Elsa porque perdi minha mãe há nove anos e esse assunto me é muito sensível.
Recomendo ver Dor e Glória antes porque esse filme parece uma continuação e fechamento de vários sentimentos do cineasta que em muitos aspectos lembra o próprio Almodóvar.
Em grande circuito no cinema. Eu vi no Cinesystem em Botafogo.
4/5 poltronas.