O grande destaque foi a exibição, em primeira mão, do teaser exclusivo do longa-metragem ‘100 Dias’. Dirigido por Saldanha e estrelado por Bragança, o filme reconta a odisseia solitária de Klink ao atravessar o Atlântico Sul a remo em 1984. No palco, a obra recebeu a bênção do próprio navegador.
“Eu acho que o filme superou muito a minha emoção”, elogiou Amyr Klink. “Normalmente o cinema não é tão bom quanto o livro, mas o Saldanha conseguiu transmitir a emoção real sem deturpar a viagem, sem usar excesso de liberdade poética”, brincou o velejador, relembrando percalços reais da viagem, como o período em que o barco ficou retido na África do Sul.
Saldanha reforçou ainda o peso de dirigir a biografia: “Esse filme não é um documentário. Eu interpretei da minha forma, mas queria fazer justiça à história com aquela responsabilidade, tentando captar a essência da emoção que o Amyr sentia na água. Fiz de tudo para transmitir o sentimento real.” O filme teve sua data de estreia confirmada nos cinemas para o dia 29 de outubro.

Os desafios da música independente e o impacto da inteligência artificial
O mercado da música esteve sob forte movimento no palco SoundBeats. Tony Kiewel, presidente do icônico selo norte-americano Sub Pop (que lançou o Nirvana), trouxe provocações contundentes sobre o cenário da música independente global, a febre dos algoritmos e os desafios da IA generativa no publishing, no painel ‘A Música Independente no Mundo’.
“Os artistas independentes são os que realmente estão expandindo os limites de qualquer gênero que a gente espere”, afirmou Kiewel. Ele criticou a dependência excessiva das redes sociais para a construção de carreiras na atualidade: “O Instagram e o TikTok não são boas opções exclusivas devido aos seus algoritmos. O algoritmo decide quem será o seu público, e isso não é saudável. É muito mais importante cultivar suas próprias culturas, comunidades e faixas de colaboração. É melhor ter muitos fãs que tenham, cada um, 100 seguidores engajados, em vez de apenas um seguidor com um milhão.”
A discussão sobre tecnologia continuou no painel ‘Música & IA: Céu ou Inferno’, com a cantora e compositora Céu e o produtor Felipe Vassão, que propuseram exercícios de futurologia sobre o uso da inteligência artificial na música. Em contrapartida, o SoundBeats 3 celebrou o case de sucesso do trio de São Gonçalo Os Garotin, vencedores do Latin Grammy 2024, detalhando a mistura de R&B, MPB e a estética dos antigos bailes blacks que conquistou o mercado fonográfico.
Esportes em jogo
O palco SportsON dedicou a sua programação de sexta-feira para debater o esporte muito além das quatro linhas, focando na preparação mental extrema e no impacto social dos projetos de patrocínio de continuidade no país.
Na mesa ‘Mente, Risco e Neurofitness: O Cérebro Como Alavanca da Performance’, o multicampeão de skate vertical Sandro Dias (Mineirinho) uniu-se à neurocientista da Sociedade Esportiva Palmeiras, Luciane Moscaleski, e à jornalista Vanessa Riche. O debate investigou o comportamento cerebral quando o corpo é levado ao limite físico e os mecanismos para dominar o medo em frações de segundo.
O painel destrinchou como o conceito de neurofitness – o treinamento voltado para o aprimoramento das funções cognitivas – ajuda a desenvolver foco, tempo de reação e resiliência emocional. Moscaleski e Sandro Dias mostraram que a capacidade de tomar decisões frias em momentos de alta intensidade e risco é uma habilidade treinável, fundamental tanto para atletas que encaram mega-rampas quanto para profissionais do mercado corporativo que precisam performar sob constante pressão.
No fim da tarde, o painel ‘Time Petrobras: Muito Além da Medalha – as Histórias que Movem o Brasil’ deslocou o foco dos resultados frios – como rankings e pódios – para as complexas jornadas humanas dos atletas. Comandado por Adriana Samuel (medalhista olímpica e gestora do projeto) e Rafael Oliveira (Gerente de Patrocínio Esportivo da Petrobras), a mesa reuniu atletas de ponta como Carol Santiago (multicampeã da natação paralímpica), Rebeca Lima (boxe) e Henrique Marques (taekwondo).

Os atletas compartilharam os bastidores de suas rotinas, marcados por escolhas difíceis, superação de contextos sociais complexos e a importância crucial de uma rede de apoio estruturada. O debate evidenciou como projetos de investimento contínuo e de longo prazo são os verdadeiros pilares para construir carreiras consistentes.
