Poltrona Séries: The Umbrella Academy-1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Umbrella Academy-1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

O serviço de streaming Netflix tem olhado com bons olhos o sucesso de HQs com histórias que retratam os mais diversos super-heróis e suas principais virtudes. E não poderia deixar passar a oportunidade de adaptar para as telas ‘The Umbrella Academy’, de Gerard Way e ilustrações do brasileiro Gabriel Bá, com elementos atrativos, que vão de viagens no tempo a previsões apocalípticas. Tudo isso em 10 episódios em sua primeira temporada.

O elenco é caracterizado por sua diversidade, composto por crianças especiais adotadas ao redor do mundo por um alienígena disfarçado de cientista e rico empreendedor e que testemunhou o nascimento de quarenta e três crianças em mulheres aleatórias e desconectadas, sir Reginald Hargreaves (Colm Feore). Cada um possui uma habilidade: Luther (Tom Hopper), o líder do grupo, é dotado de uma força colossal; Diego (David Castañeda) possui habilidade com facas; Allison (Emmy Raver-Lampman) influencia pessoas; Klaus (Robert Sheehan) conversa com os mortos; e Cinco (Aindan Gillen) é um homem de quase 60 anos preso no corpo de um menino, consegue viajar no tempo e no espaço. Já Vanya (Ellen Page) é violinista e não tem poderes sobrenaturais. Juntos, eles precisam descobrir uma maneira de conter o iminente fim do mundo e escapar de uma dupla de assassinos mascarados, Hazel (Cameron Britton) e Cha-Cha (Mary J. Blige).

A apresentação do elenco não se dá da maneira tradicional, com todos reunidos em família. Eles passam a se reunir somente após o anúncio da morte do pai via imprensa, e antes que possam fazer coisa qualquer coisa, eles precisam tratar de assuntos mal resolvidos do passado e superar alguns ressentimentos. Além disso, novos conflitos surgem durante o luto, dando espaço a muitos traumas emocionais num curto espaço de tempo. O público primeiro se envolve com os conflitos internos de cada super-herói antes de embarcar na aventura de todo o grupo, de salvar o mundo de dois malfeitores que prometem não dar moleza e tampouco perdê-los de vista.

Ao longo dos episódios, há grandes saltos no tempo, muitos flashbacks e os dramas pessoais de cada um dos herdeiros explorados à exaustão, mas sem perder o foco na trama principal, o que faz a série funcionar bem. Além disso, a variação dos personagens proporciona a chance de espectadores diversos se identificarem e gostarem de um ou outro personagem. E a questão da imprevisibilidade em relação aos vilões e os planos a serem postos em prática fazem o público manter o interesse e ficar ansioso pelo que pode vir ela frente.

O ponto baixo da produção está nos conflitos entre os irmãos, alguns com desfecho até previsíveis, mas o sentimento de unidade entre eles e que o império criado pelo pai deveria ser mantido e não quebrado são as principais razões para que a produção tenha alcançado o sucesso em sua primeira temporada. A cumplicidade se sobrepõe as diferenças, e as habilidades demonstradas por todos, com exceção de Vanya, fazem o público lembrar do Quarteto Fantástico e do célebre filme de Tim Burton, ‘O Lar das Crianças Peculiares’, cada um com seu grau de importância, não há um que se saliente em relação aos demais, não há uma, mas sete estrelas.

Uma família com boa química, agradáveis aventuras e grandes sobressaltos, ‘The Umbrella Academy’ oferece um conteúdo variado e voltado para diversos públicos, sem dúvida vai entreter e agradar a quem for assistir. Uma boa sugestão.

Cotação: 4/5 poltronas.

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