‘O Banquete’, filme de Daniela Thomas, é retirado da mostra competitiva do Festival de Gramado

‘O Banquete’, filme de Daniela Thomas, é retirado da mostra competitiva do Festival de Gramado

O Banquete, longa-metragem dirigido por Daniela Thomas, teve sua sessão cancelada 46º Festival de Cinema de Gramado. A suspensão do longa-metragem, que integrava a mostra competitiva do evento, se deu em função da morte de Otavio Frias Filho, diretor de redação do jornal Folha de S. Paulo.

A sessão seria realizada na quarta-feira (22). A morte do editor, que também foi ensaísta e dramaturgo, foi anunciada nesta terça-feira (21), em São Paulo. O jornalista tinha 61 anos.

“Sinto muito pela perda de Otávio e me solidarizo com a família, com seus amigos e funcionários. Foi um grande publisher, um intelectual admirável e tinha muito ainda a contribuir com o País”, comentou a diretora Daniela Thomas. O Banquete tem inspiração em eventos reais que marcaram o Brasil. Um desses eventos é o envio de uma carta aberta que foi publicada por Otavio Frias Filho, nos anos 90, ao presidente da República, cargo que na época foi ocupado por Fernando Collor.

Thomas considera que o resgate desse evento em um momento de luto pode não trazer as reflexões que ela intenciona. “O momento é inoportuno para o encontro de ficção e realidade e as possíveis interpretações equivocadas que a ficção pode suscitar. Por isso retiro o filme do festival”, disse a cineasta, de acordo com um comunicado à imprensa divulgado pela assessoria do Festival de Gramado.

Ano passado, na temporada de festivais nacionais, outro filme de Thomas foi envolto em polêmicas. Vazante, que aborda a rotina de uma fazenda de um senhor de escravos no Brasil colonial, foi acusado de ter um ponto de vista condescendente com o racismo.

Fonte: Adoro Cinema

Poltrona Cabine: Escobar-A Traição/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Escobar-A Traição/ Cesar Augusto Mota

A cinebiografia é um dos grandes atrativos para os cinéfilos, não só por contar uma história real, mas também por mostrar a amplitude e a importância do personagem central em um contexto social. E a bola da vez está com Pablo Escobar, o mais temido traficante do mundo, que já foi chefe do poderoso e forte cartel de Cáli e que manteve um relacionamento perigoso com a jornalista mais famosa da Colômbia, Virginia Vallejo. ‘Escobar: A Traição’ (Loving Pablo) é o mais novo filme do cineasta espanhol Fernando León de Aranoa, que também roteiriza o longa, e traz no elenco estrelas como Javier Bardem e Penélope Cruz.

Inspirado no best-seller de Virginia Vallejo, “Amando Pablo, Odiando a Escobar”, a trama conta com a narração em off de Virginia (Cruz), revelando suas impressões de Hacienda Nápoles, local suntuoso e erguido com as riquezas de Escobar  (Bardem). No local, ela conhece o protagonista, bem como seus planos para o futuro do país e sem dar importância para a origem do dinheiro, nasce um romance. E a partir daí, a vida de Virginia Vallejo vai do céu ao inferno, sofrendo ameaças e sendo alvo de um atentado, que quase a vitimou.

Além de explorar o drama vivido por Virginia, o roteiro não poderia esquecer de retratar as fases mais impactantes e a dimensão do estrago causado por Escobar, como a criação do Cartel de Medellín, a explosão do avião da Avianca, os sicários e os assassinatos em La Catedral. Os fatos retratados são concernentes aos últimos 10 anos de vida de Escobar, que mesmo apoiado por grandes comparsas e praticamente ter a Colômbia na palma de sua mão, um dos méritos de Aranoa foi também mostrar o lado vulnerável e amoroso do personagem central, tendo a família como sua fortaleza e também seu ponto fraco.

A ambientação da época na qual ocorreram os principais acontecimentos que colocaram Escobar em evidência e puseram a Colômbia em colapso é feita de forma cuidadosa, com as filmagens realizadas na própria Colômbia e nos locais reais onde os confrontos com a polícia aconteceram, e isso consequentemente traz mais autenticidade e credibilidade ao filme. O que pesa contra foi o uso da língua inglesa durante a projeção, tendo em vista que a produção é espanhola e búlgara, com atores espanhóis interpretando latinos e em território sul-americano, o que não faz muito sentido.

E nas atuações, temos avaliações díspares. Javier Bardem cumpre bem seu papel como Escobar, conferindo ao personagem um caráter menos jocoso e um pouco mais humanizado, mostrando seu caráter frio, sombrio e também inseguro, pois todo o seu império poderia cair a qualquer momento, mesmo que muito bem assessorado e com todo o armamento em mão. Já Penélope Cruz, mesmo sendo uma atriz de alto nível, teve seu desempenho na trama um pouco prejudicado, não por lhe faltar competência, mas o roteiro que não deixou claro se Virginia era vítima ou cúmplice de Escobar. Nem mesmo com o desfecho da história isso fica claro para o espectador.

Apesar de algumas falhas técnicas, ‘Escobar: A Traição’ é capaz de mexer com os brios dos espectadores mostrando não só a face de uma das figuras mais controversas da América do Sul, que já fez barulho em outros países, inclusive nos Estados Unidos, e ilustrar que o dinheiro pode corromper os mais poderosos. Um ótimo exercício para o cinéfilo, vale assistir.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

A Sombra do Pai terá estreia mundial no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

A Sombra do Pai terá estreia mundial no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

“A SOMBRA DO PAI”, novo longa-metragem da diretora Gabriela Amaral Almeida (O Animal Cordial), tem seu cartaz oficial divulgado. O filme estreia no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um dos festivais de cinema mais antigos do Brasil, que acontecerá entre os dias 14 e 23 de setembro.

Feito pela designer portuguesa Ana Teresa Ascenção, o cartaz tem como centro o olhar enigmático da protagonista Dalva (interpretada pela atriz-mirim Nina Medeiros) . “Acreditamos, Ana Teresa e eu, ser o potente olhar de Dalva a chave para a compreensão sensível do universo ora fantasioso, ora apavorante da história”, afirma a diretora.

Protagonizado por Julio Machado (Joaquim) e Nina Medeiros (As Boas Maneiras), A SOMBRA DO PAI conta a história de Dalva, uma menina de nove anos às voltas com o silêncio do pai, o pedreiro Jorge (Machado), que fica mais e mais triste após perder o melhor amigo em um acidente. A irmã de Jorge, Cristina (Luciana Paes, de O Animal Cordial), administrava a vida de pai e filha desde a morte da mãe da menina, há três anos. Quando Cristina deixa a casa do irmão para se casar, Jorge e Dalva precisam enfrentar a distância que os separa.

Fã de filmes de terror, Dalva acredita ter poderes sobrenaturais e ser capaz de trazer a mãe de volta à vida. À medida que Jorge se torna mais e mais ausente – e eventualmente perigoso –, a Dalva resta a esperança de que sim, sua mãe há de voltar.

O filme aborda as consequências da inversão de papéis entre um pai e uma filha, que enfrentam uma situação de exceção, através de uma narração realista, com toques de horror e fantasia, marcas registradas da diretora. Gabriela volta a apresentar um filme em Brasília, após ter sido premiada em duas ocasiões, como melhor roteirista pelos curtas A Mão que Afaga (2011) e Estátua! (2014).

-O Festival de Brasília é precisamente o lugar onde eu quero estar com A Sombra do Pai: às vésperas de uma eleição que vai definir os rumos do país, falando e sendo ouvida do lugar sensível e potente que é o cinema. É uma honra – comemora a diretora.

O roteiro de A SOMBRA DO PAI foi premiado em diversas seleções nacionais e internacionais, entre elas a do SUNDANCE INSTITUTE (2014, EUA), onde Gabriela Amaral Almeida foi a única brasileira a participar dos laboratórios de Roteiro, Direção, Música e Desenho de Som. O projeto contou com assessoria de Quentin Tarantino (“Pulp Fiction”), Marjane Satrapi (“Persépolis”), Ed Harris, Robert Redford (“Butch Cassidy and the Sundance Kid”), dentre outros. O filme também participou do Guadalajara Film Market (2014, México); Fundación Carolina – Curso de Desenvolvimento de projetos (2013, Espanha), entre outros.

Ainda sem data de estreia comercial, A SOMBRA DO PAI é uma produção da Acere em coprodução com a RT Features.

SINOPSE

Quando uma criança é obrigada a virar o “adulto da casa” porque seu pai está doente e a sua mãe, morta, há uma inversão na ordem natural das coisas. A infância se transforma em saga. E a paternidade frustrada, em condenação.

FICHA TÉCNICA

Direção e roteiro: Gabriela Amaral Almeida
Argumento: Gabriela Amaral Almeida
Elenco: Júlio Machado, Nina Medeiros, Luciana Paes
Produção: Acere
Coprodução: RT Features
Produção: Rodrigo Sarti Werthein, Rune Tavares e Rodrigo Teixeira
Produção Executiva: Rodrigo Sarti Werthein e Rune Tavares
Direção de Fotografia: Bárbara Álvarez
Direção de Arte: Valdy Lopes Jn.
Montador: Karen Akerman
Trilha Sonora: Rafael Cavalcanti
Idioma: Português
Gênero: Drama / Fantasia / Horror
Ano: 2018
País: Brasil
Classificação: 16 anos

SOBRE A DIRETORA

A SOMBRA DO PAI é o segundo projeto de longa-metragem de Gabriela Amaral Almeida, e estreia em Festivais quase simultaneamente à estreia comercial de seu primeiro filme, O ANIMAL CORDIAL (em cartaz nos cinemas brasileiros a partir do dia 9 de agosto). Diretora, roteirista e dramaturga, Gabriela é Mestre em literatura e cinema de horror pela UFBA (Brasil) com especialização em roteiro pela Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV) de Cuba. Escreveu (e escreve) para outros diretores, como Walter Salles, Cao Hamburger e Sérgio Machado. Como diretora, realizou os curtas “Náufragos” (2010, co-dirigido com Matheus Rocha), “Uma Primavera” (2011), “A Mão que Afaga” (2012), “Terno” (2013, co-dirigido com Luana Demange) e “Estátua” (2014). O conjunto de seus curtas foi selecionado para mais de cem festivais nacionais e internacionais, tais como o Festival de Cinema de Brasília, o Festival Internacional de Cinema de Roterdã, o Festival de Curtas de Nova York, dentre outros.

São destaque os prêmios recebidos por algumas destas obras, como os prêmios de melhor roteiro, melhor atriz (para Luciana Paes) e prêmio da crítica no 45o Festival de Cinema de Brasília para “A Mão que Afaga”, e os prêmios de melhor atriz (para Maeve Jinkings) e melhor roteiro para “Estátua!”, no mesmo festival, dois anos depois. Com o seu projeto de longa-metragem “A Sombra do Pai”, foi selecionada para os laboratórios de Roteiro, Direção e Música e Desenho de Som do Sundance Institute. O projeto contou com a assessoria de Quentin Tarantino (“Pulp Fiction”), Marjane Satrapi (“Persépolis”), Robert Redford (“Butch Cassidy and the Sundance Kid”), dentre outros.

Seu mais recente trabalho como roteirista foi para o média-metragem “A Terra Treme”, drama ambientado na tragédia ambiental ocorrida em Mariana, Minas Gerais. Dirigido por Walter Salles, o curta integra uma antologia composta por cinco curtas, dirigidos por outros quatro diretores além de Salles: Aleksey Ferdochenko (Rússia), Madhur Bhandarkar (Índia), Jahmil X.T. Qubeka (África do Sul) e Jia Zhangke (China). O filme coletivo estreia no Festival de cinema BRICS, em Chengdu, na China, em junho deste ano (2017).

Atualmente, trabalha no desenvolvimento de seu próximo longa-metragem, uma fábula de exorcismo (ainda sem título), a ser produzida também pela RT Features. Nos Estados Unidos, é agenciada pela WME.

 

Edson Celulari é homenageado no Festival de Gramado com o Troféu Oscarito

Edson Celulari é homenageado no Festival de Gramado com o Troféu Oscarito

Edson Celulari foi o escolhido pelo Festival de Cinema de Gramado deste ano como homenageado pelo troféu Oscarito, entregue nesta segunda-feira (20) na cidade da Serra gaúcha. Com a homenagem, o evento reconhece e celebra a trajetória de alguma figura importante para o cinema nacional. No ano passado, Dira Paes foi a ganhadora.

No ar como Dom Sabino, um dos protagonistas de “O Tempo Não Para”, o ator tem novelas, filmes e peças de teatro no currículo. “Com esse troféu eu comemoro os 40 anos de carreira e passo para os próximos 40, que é o que pretendo. Sempre trabalhando”, diz.

E nestes anos que virão, Edson estará também por trás da câmera: ele irá rodar “Do Atlântico ao Pacífico”, longa que começa a ser gravado no ano que vem. “É uma história de pai e filha que fazem uma viagem entre Uruguai, Argentina e Chile, um road movie”, comenta Celulari. Será seu primeiro longa como diretor. Celulari já tem a direção do curta “Cinzas” no currículo.

O 46º Festival de Cinema de Gramado vai até o próximo sábado (25).

Por Anna Barros

Fonte: G1

Crédito da foto: Edison Vara/Pressfoto

Longa carioca Mormaço e os curtas Plantae e Majur são exibidos no Festival de Gramado

Longa carioca Mormaço e os curtas Plantae e Majur são exibidos no Festival de Gramado

Com início na última sexta-feira (17), O Festival de Cinema de Gramado segue oferecendo diversidade aos espectadores, bem como promovendo interessantes debates. No terceiro dia do evento, assuntos como questões nacionais, estaduais e municipais, como o direito à habitação, a preocupação com o meio ambiente e os povos indígenas estiveram em pauta.

O curta animado Plantae abriu a sessão abordando uma possível solução para o problema do desmatamento das florestas brasileiras com magia, utilizando uma estética da natureza estonteante, contrastando com os traços nada realistas do único homem em cena.

Além dele,  foi também apresentado Majur, documentário do jovem Rafael Irineu sobre o chefe de cultura da etnia Bororo na Aldeia Poboré, do sul do Mato Grosso. Chamado Gilmar e apelidado Majur, o indígena é gay e frequentemente confundido com uma mulher.

Por fim, foi exibido o longa Mormaço, de Marina Meliande, uma obra de essência carioca e que aponta as transformações efetuadas na cidade em virtude dos Jogos Olímpicos, criando um apavoramento que gera consequências não apenas psicológicas, mas também físicas na população. Tendo a Vila Autódromo,  como um dos personagens da trama, o filme tece críticas às esferas municipais e estaduais de poder e o desconforto pessoal gerado pelas medidas arbitrárias implantadas por meio de Ana (Marina Provenzzano), defensora pública que luta pelos moradores da comunidade ao mesmo tempo em que precisa lidar com o fim de seu prédio, cobiçado por uma rede hoteleira.

Além do longa e dos dois curtas, foram conhecidos os vencedores da Mostra Gaúcha de Curtas:

Melhor Filme – Um Corpo Feminino, De Thaís Fernandes
Melhor Direção – Henrique Lahude, por Fè Mye Talé
Menção Honrosa – A Formidável Fabriqueta de Sonhos Menina Betina
Melhor Curta Gaúcho pelo Júri da Crítica – Sem Abrigo, de Leonardo Remor
Melhor Ator – Sirmar Antunes e Clemente Viscaíno, por Grito
Melhor Atriz – Rejane Arruda, de Sem Abrigo
Melhor Roteiro – Thaís Fernandes, por Um Corpo Feminino
Melhor Fotografia – Marco Antônio Nunes, por Sem Abrigo
Melhor Montagem – Germano De Oliveira, por Sem Abrigo
Melhor Direção de Arte – Taísa Ennes, por Mulher Ltda
Melhor Música – Jonts Ferreira, por Nós Montanha
Melhor Edição de Som – Guilherme Cassio, por Abismo
Melhor Produção / Produção Executiva – Rafael Duarte e Taísa Ennes, por Mulher Ltda

Por: Cesar Augusto Mota