
Como funciona a mente humana? Ela está atrelada às amarras do dia a dia e/ou questões familiares? E o que se passa na cabeça de um criminoso? Já tivemos obras famosas do cinema que trabalharam essa premissa, como ‘Psicose’ e ‘A irresistível face do mal’, sobre o serial killer Ted Bundy. Baseada no livro ‘Um Estranho no Ninho’, de Ken Kesey, a série Ratched, da Netflix, apresenta ao público uma enfermeira sádica e bastante controversa, ao longo de oito episódios de cerca de 50 minutos. Uma produção que vem chamando a atenção e com gancho para uma próxima temporada.
Ambientado em 1947 e no norte da Califórnia, a série conta a história de Mildred Ratched (Sarah Paulson), uma enfermeira que trabalhou na Segunda Guerra e que ingressa na Clínica Lucia de Recuperação. Com seu jeito frio e manipulador, ela acaba por manipular e influenciar a todos, inclusive o doutor Richard Hanover (Jon Jon Briones), diretor do hospital. Em um piscar de olhos, tudo vira de pernas para o ar e todo o cuidado com a enfermeira Ratched será pouco, ainda mais que ela possui planos para cada um dos pacientes e funcionários da Clínica Lucia.
A ambientação nos anos 40 é bem retratada, com fotografia em cores frias e personagens com semblantes de sobressalto, tendo em vista o caos do ambiente que é a Clínica Lucia, com pacientes que possuem todo tipo de distúrbio, e os métodos insanos e cruéis de tratamento que são utilizados. A cor vermelha é bem nítida em algumas cenas, para ilustrar a barbárie e a insanidade que imperam no local, além do perfil assombroso, frio e calculista da personagem principal.
A visão deturpada que a enfermeira Ratched tem da realidade e sua rápida mudança de comportamento chamam a atenção, ora compreensiva e com compaixão, outra bastante fria e insana. O espectador percebe que ela quer o bem-estar dos pacientes, mas suas ações são bem cruéis e inacreditáveis, a ponto de provocar espanto e pavor, até vontade de deixar de acompanhar a história. Mas o arco dramático é tão bem trabalhado que o imprevisível faz o espectador voltar e esperar que outra coisa insana ou até algum tipo de redenção ocorra.
Se o foco da série era a exploração da mente de Mildred Ratched e a origem de seus atos, a produção acabou por dar mais atenção ao sofrimento dos pacientes ao seu redor. O ritmo da história é lento, mas as peças vão aos poucos se encaixando e o sentimento de decepção é compensado pelo enredo e performance dos personagens, com destaque para a enfermeira Ratched e o doutor Hanover, que tem um passado cheio de amarras e contas a serem acertadas.
Se você curte séries com cenas fortes e enredos emocionantes, Ratched vai oferecer tudo isso e horas de atenção. Uma jornada assustadora, mas bem interessante.
Cotação: 4/5 poltronas.
Por: Cesar Augusto Mota