Poltrona Séries: Wandinha-2ª Temporada-Parte 1/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Wandinha-2ª Temporada-Parte 1/Cesar Augusto Mota

Com uma grande audiência em seu lançamento, em novembro de 2022, a série “Wandinha”, da Netflix, já indicava que seria renovada e que teria uma segunda temporada. Jenna Ortega, a atriz que vive a protagonista homônima, agora passa a ser também produtora executiva da obra. Ela se sai bem nas duas funções?

A segunda temporada terá oito episódios e será dividida em duas partes. Nos episódios de um a quatro, acompanhados por agora, é possível constatar marcas registradas de Tim Burton, que também é produtor executivo da série. Cores frias, cenários góticos, melancolia e personagens caricatos e personalidades fortes. É possível ver tudo nessa atual temporada e uma relação mais próxima entre Wandinha e Mortícia, que vai ser essencial para compreender alguns desdobramentos.

Os desafetos de Wandinha estão de volta e a ambientação na “Escola Nunca Mais” também, mas a novidade está no surgimento de assassinatos na cidade de Jericho e experimentos sinistros no Hospital de Willow Hill. O carisma da protagonista e a sagacidade para resolver enigmas impressionam e há espaços para abordagem de relações de afeto e amizade.

Os personagens secundários ganham mais espaço e importantes revelações são feitas, dentre elas um stalker de Wandinha. Há uma abertura para um grande desfecho, que deve se dar na segunda parte da temporada, além de participações especiais. Quem já curtiu a primeira temporada certamente vai apreciar essa sequência, com muita comédia, drama e mistério.

Não só os fãs da Família Addams, mas os apreciadores das obras de Tim Burton e quem curte histórias com pistas e resoluções de mistérios. Uma série para públicos variados.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Heróis de Plantão/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Heróis de Plantão/Cesar Augusto Mota

O serviço hospitalar sempre foi alvo de debates, assim como a importância que se deve dar a um profissional a serviço da saúde e compromissado com a ética e a vida. Já vimos produções americanas e brasileiras, como “Grey’s Anatomy”, “Plantão Médico” e “Sob Pressão”, cada uma com seu devido destaque. “Heróis de Plantão”, produção coreana com direção de Lee Do-yune veiculada pela Netflix, é mais um dorama disposto a oferecer muitas emoções e conquistar públicos variados.

A série acompanha a trajetória de Baek Kang-hyuk, um veterano de guerra que volta para Seul com o intuito de transformar o sistema de atendimento de emergência em um centro de traumas no Hospital Universitário de Hankuk. Porém, algumas barreiras surgem, como procedimentos administrativos complexos, cortes orçamentários e a desconfiança dos demais profissionais do hospital.

Agilidade nos atendimentos, principalmente em casos de emergência, investimentos em infraestrutura e o máximo de entrega do profissional no auxílio para com seu paciente são tópicos muito bem explorados durante os oito episódios. Apesar do ritmo acelerado e do pouco desenvolvimento dos personagens secundários, a obra consegue prender a atenção e proporcionar emoções aos espectadores, tamanho é o desafio dos médicos em um centro de traumas.

O protagonista, um pouco frio e arrogante no início, se transforma no decorrer da trama, e sua dedicação e entrega ao trabalho e aos pacientes acaba por não só conquistar a confiança dos colegas de trabalho como a admiração do público. Há doses de humor em momentos oportunos e o drama que é esperado funciona. Uma produção que entrega tudo e que dá gancho para uma possível sequência.

Muitos pacientes costumam ser tratados apenas como números ou ganha-pão de cada profissional da saúde, mas a série mostrou que a vida é o bem mais precioso e mais importante que qualquer coisa, e tudo isso é bem transmitido pela série. Não só os desgastes físico e mental são sentidos pelo espectador, mas também a angústia e ansiedade em tratar cada paciente com excelência e zelar o máximo possível pela vida de cada um.

Cômica, emocionante e necessária, assim pode-se definir “Heróis de Plantão”, uma produção que serve para mostrar que não existem heróis apenas nos campos de futebol ou nas histórias em quadrinhos.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Doctor Odyssey/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Doctor Odyssey/Cesar Augusto Mota

Filme e séries náuticas estão cada vez mais populares, como ‘S.O.S.: Mulheres ao Mar’ e Vida a Bordo’. Ambas as produções têm um viés cômico, mas como seria uma produção com teor dramático? A Disney+ oferece aos seus assinantes a série ‘Doctor Odyssey’, produzida por Ryan Murphy, que busca oferecer entretenimento e inovação.

A trama se desenrola em um luxuoso cruzeiro, no qual há dezenas de casos inusitados, emergências médicas e belas paisagens. Nesse contexto, o doutor Max Bankman (Joshua Jackson) resolve assumir o posto médico da embarcação The Odyssey, mas acaba por se deparar com situações chulas e insanas, bem como dramas pessoais de passageiros. Junto do capitão Robert Massey (Don Johnson), ele tenta tornar a viagem como mágica e inesquecível para todos os passageiros, em meio aos altos e baixos de cada dia de viagem.

Os diálogos são inusitados, beiram a insanidade, mas não se consegue identificar se se trata de uma série médica ou de uma comédia escrachada, tamanhas são as situações fora do comum ao longo dos episódios e das humilhações pelas quais passam os personagens. O humor é exagerado, as interações são previsíveis e os personagens não são aprofundados como a história pede.

Os atrativos da série são o de contar com artistas conhecidos e as belas paisagens que são contempladas, são formas de compensar as falhas que a obra apresenta. Faltou criatividade, ousadia e dinamismo, muitos episódios parecem que não saem do lugar e não há coerência e autenticidade nas relações interpessoais. Uma produção aparentemente feita às pressas e que não passou por supervisão.

Em meio a tantos altos e baixos, ‘Doctor Odyssey’ poderia ter sido um melhor produto para o espectador, mas vale para quem não se importa com diálogos rasos e quer ver algo considerado leve.

Cotação: 2,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Adolescência/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Adolescência/Cesar Augusto Mota

O advento da internet e das redes sociais vêm exercendo grande influência sobre os jovens de nossa sociedade. E até que nível é tolerável? Como evitar que o uso dessas ferramentas venha a virar problema? A série “Adolescência”, da Netflix, aborda esse assunto e traz uma trama policial bastante envolvente, sobre um possível envolvimento de um adolescente na morte de uma colega de escola.

Acompanhamos o garoto Jamie, de 13 anos, acusado de matar uma menina de mesma idade a facadas. Todos querem saber, dos pais à polícia, o que aconteceu? Que motivações um adolescente teria para cometer um crime tão chocante e bárbaro? Sofria bullying? Vivia relações tóxicas em casa e/ou na escola? Possuía algum vício? Aos poucos todas as dúvidas são sanadas durante os quatro episódios da minissérie em um clima de suspense e angustiante.

Um recurso interessante utilizado nesta obra foi o uso do plano-sequência, a gravação contínua das cenas e sem cortes, tudo para garantir a imersão do espectador na trama e explorar sua imaginação. As cenas de Jamie, da ansiedade às lágrimas, tudo é bem articulado, com um grande suspense acerca das provas do crime e do olhar incrédulo dos pais com a situação.

Esta série é um verdadeiro convite à reflexão sobre o cotidiano e o universo no qual os jovens estão inseridos hoje, do fácil acesso à internet, conteúdos de acesso livre nas redes sociais e que muitas vezes molda a opinião de crianças e adolescentes, discursos de ódio e a falta de regulamentação da internet. As atuações são memoráveis, o jovem Owen Cooper se sai muito bem como Jamie e o elenco traz muita autenticidade e dramaticidade ao contexto da história, tudo o que se esperava foi alcançado.

“Adolescência” é uma série instigante, reflexiva e que mexe com os nervos da gente. Ela liga o sinal de alerta acerca do comportamento dos nossos adolescentes e as influências ao redor deles. Uma abordagem corajosa e, sobretudo, necessária.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: On Call/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: On Call/Cesar Augusto Mota

Toda função social envolve dilemas, desafios, complexidades de um contexto social e o combate a todo tipo de corrupção. E o que dizer se o cotidiano de uma determinada profissão colocar o espectador no centro da ação? ‘On Call’, série da Prime Video, vem com o intuito de ilustrar tudo o que envolve as forças policiais de Long Beach,Califórnia, com um alto grau de imersão do espectador, mas será que funciona?

Dos mesmos criadores de ‘Law & Order: SVU’ e ‘FBI’, acompanhamos o cotidiano de dois policiais, com Traci Harmon (Troian Belisario), uma veterana disposta a transmitir toda a sua experiência, bem como Alex Diaz (Brandon Larracuente), um jovem recruta formado na Academia de Polícia da Califórnia. Ambos passam os plantões juntos solucionando os mais diversos casos, desde furtos até batidas policiais de grande risco.

Durante os oito episódios da série, notam-se as mais diversas perspectivas e experiências dos oficiais, que acabam por se complementarem, além das complexidades, que vão além das suas atribuições e do dever de cumprir a lei. A série procura fazer a abordagem do trabalho da polícia da Califórnia de maneira realista e inovadora, e para isso se utiliza de recursos visuais, além das questões humanas complexas e do dilema em ter de tomar decisões difíceis em face da gravidade da situação e da preservação da ordem.

O uso da câmera na mão e a corporal imprimem urgência e realismo na jornada dos dois oficiais, e as filmagens em grande plano proporcionam uma total imersão do espectador, que não só vê como sente o ambiente, como se realmente estivesse nele. Além da relação da polícia com a sociedade, as políticas internas de uma corporação também ganham espaço e ilustram enormes desafios, não só de proteger a população, como o do oficial em estar altamente preparado e apto para servir a toda uma comunidade.

‘On Call’ é uma série que procura pensar fora da caixa e oferecer uma obra diferente das que já foram feitas sobre séries policiais, não se limitando à abordagem do combate ao crime. Merece toda a atenção e audiência.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota