Sou viciada em Netflix e não tinha visto ainda esse filme fofinho chamado A Barraca do Beijo. Fez tanto sucesso no canal de streaming que já conseguiu emplacar uma continuação em 2020: A Barraca do Beijo 2.
O filme é teen mas com temas de adulto como lealdade, amizade, primeiro amor e família.
Elle tem seu melhor amigo Lee que nasceu no mesmo dia que ela. Eles fazem umas regras de amizade que não devem ser quebradas para que o relacionamento perdure. O que Lee não sabe é que seu irmão mais velho bonitão, Noah, é o crush de Elle. Noah sempre procura proteger Elle cuja mãe era a melhor amiga da sua. Mas o que o pessoal da escola não percebe é que ele é apaixonado por ela também. Elle e Lee decidem montar uma barraca do beijo onde os dois deixam de ser BV (boca virgem). E Elle dá seu primeiro beijo no cara mais cobiçado da escola: o próprio Noah. Depois disso, eles começam a namorar às escondidas e descobrem o primeiro amor. A questão maior é como Elle contará a Lee que quebrou as regras de amizade deles. Quando Lee descobre, amizade fica abalada e ela se afasta de Noah. Até que o fato de ele passar para Harvard e ter que ir para a universidade os reaproxima.
O filme é ótimo, delicinha. Vale a pena assistir. E Jacob Elordi, além de lindo, é qualquer nota! Também seria o meu crush.
Joey King como Elle e Joel Courtney como Lee também mandam bem. E de bônus ainda vemos Molly Ringwald (A Garota de Rosa Shocking, Gatinhas e Gatões) como a mãe dos meninos.
Mais uma produção Netflix. Esse filme é mexicano e fala do desespero que bate em alguma mulheres em relação ao casamento. Ana tem um namoro longo e pensa que irá e casar mas Gabriel termina com ela, o que a deixa enfurecida. No aniversário de 35 anos de casamento dos pais, descobre que sua prima mais feia irá se casar em três meses e comenta com ela obre um curso para solteiras.
A escola ensina como investir na aparência, maquiagem, roupas e como se portar com os homens ao ser eletiva. A professora diz para a moças saírem de sua zona de conforto. O filme é leve e divertido. Ana acaba conhecendo Diego mas coloca os pé pelas mãos ao inventar que está grávida para que ele a peça em casamento. Depois não sabe como sustentará a farsa e acaba contando a verdade à ele, que termina tudo,
Apesar do tema retrógrado, e de explorar o desespero das mulheres por um marido, o filme é engraçado. Pena que faz Ana ser chata nessa obsessão e dá a impressão que ela é invejosa, principalmente em relação à prima, ma dá para se divertir. A amigas dela do curo são hilárias!!!
Cada vez mais em ascensão, o cineasta Kléber Mendonça Filho, traz ao público mais uma obra de forte apelo, que mistura ficção científica, faroeste e traz um mundo distópico, juntamente de Juliano Dornelles. Aclamado e premiado no Festival de Cannes, com o prêmio do júri, ‘Bacurau’ chega em solo brasileiro e já está chamando bastante a atenção, não só pelo conteúdo, como também da maneira como foi construído.
A narrativa se passa na pequena cidade homônima ao título do filme, situada no Nordeste e composta praticamente por uma só rua. Lá todos se conhecem, e conhecemos a médica Domingas (Sônia Braga), o ex-matador Pacote (Thomas Aquino) e a prestativa Teresa (Barbara Colen). Todos juntos e misturados, praticamente constituem uma pequena cidade que não está mais no mapa, um local onde todos moram, se respeitam e se ajudam. Porém, Bacurau é abalada com a chegada de um grupo de estrangeiros comandado por Michael (Udo Kier). Aparecem dois forasteiros brasileiros (Karine Teles e Antonio Saboia) montados em motos de trilha. Depois, o grupo principal surge e uma série de assassinatos começa a ocorrer, provocando a mobilização de todo o povoado, que elabora uma estratégia de defesa.
Antes de inserir o espectador com profundidade na história, Kleber Mendonça e Dornelles primeiramente procuram apresentar com esmero a cidade de Bacurau, que também é personagem da trama, marcada por desigualdades sociais, falta de investimento e muitas famílias vivendo na miséria, porém com moradores que encontram forças para lutar contra todas as adversidades e a inércia e corrupção de seu prefeito. Em seguida, há as oposições entre nacional e estrangeiro e, por fim, a trama principal, com os assassinatos que vitimam os moradores de Bacurau causados por um grupo estrangeiro de atiradores e dispostos a marcar território. Cada etapa construída com cuidado, precisão e com contextos por trás, facilmente captados pelo público.
Além de uma história impactante, com ingredientes tarantinescos, como o uso de cenas fortes e sangue jorrando para todos os lados, a veia crítica se sobressai, com alfinetadas sobre a questão do armamento, a xenofobia e o combate à violência. A montagem e fotografia também contribuem para o sucesso da produção, que permite também apreciar a beleza do Nordeste brasileiro, a cultura local e as belas paisagens do sertão. Objetos brasileiros e estrangeiros também entraram no embate nacional x estrangeiro, como bicicleta e drone, além de representações visuais americanas e brasileiras. Esses recursos são utilizados pelos dois cineastas de forma proposital, para exaltar o sentimento nacionalista, o valorizar mais o que é nosso, o que acaba funcionando.
E uma boa história só funcionaria se houvessem atuações fortes e capazes de carregar a trama até o fim, e com isso também nos deparamos. Mesmo com menos tempo em tela em comparação com as outras produções de Kléber Mendonça, Sônia Braga (Aquarius) representou com sua personagem o símbolo de resistência e uma grande guerreira, que deixa transparecer aos poucos sua personalidade e com um forte apelo na medida em que as pessoas a conhecem com mais profundidade. O vilão, representado por Udo Kier (Melancolia) como o líder dos americanos, é um excelente contraponto e com presença imponente na região. E menção honrosa para Silvero Pereira (Serra Pelada), o pistoleiro Lunga, ele aumenta a dramaticidade da história e brinda o público com bons momentos de humor.
Um filme moderno, forte, crítico e de denúncia. Assim pode ser definido ‘Bacurau’, que procura não só apontar as imperfeições e os males nos quais está inserida a sociedade brasileira, como também construir, valorizar e defender a identidade do povo brasileiro, principalmente o nordestino, que é trabalhador, forte e, sobretudo, acolhedor. Uma obra para ser apreciada e exaltada com todas as honras.
Conhecido por abordar a história do cinema e retratar a violência em suas obras, o consagrado cineasta Quentin Tarantino (Os Oito Odiados) chega a sua nona produção com mais uma narrativa recheada de referências e situada em um período histórico. Quem não conseguia pescar os detalhes nos filmes anteriores, não tinha sua experiência prejudicada. Mas, desta vez, conhecer a época na qual se passa, bem como seus ícones, se faz fundamental para o resultado final de quem for acompanhar ‘Era Uma Vez em Hollywood’ (Once Upon a Time…in Hollywood).
Acompanhamos a trama que envolve Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), um ator protagonista de uma série de faroeste que depois tenta uma carreira no cinema, mas precisa se contentar com participações em pontas em outras atrações, sempre como vilão, enquanto tenta alcançar oportunidades em outros papéis. Ao lado dele, está Cliff Booth (Brad Pitt), seu dublê, amigo e braço direito, ao mesmo tempo que tenta ganhar uns trocados nas produções em que Dalton garante um papel. Em paralelo, apreciamos o dia a dia de Sharon Tate (Margot Robbie), uma atriz em alta no fim dos anos 60, casada com o diretor Roman Polanski, que se muda com o marido para uma casa ao lado de Dalton.
O período no qual essas histórias são construídas e esses personagens são desenvolvidos, sendo a última real, se dá no verão de 1969, época em que as grandes produções do cinema e da TV perdem espaço para obras mais autorais. Nessa mesma época, o movimento hippie ‘paz e amor’ está bombando, mas tem um triste e macabro desfecho, com uma série de assassinatos praticados pela seita comandada pelo serial killer Charles Manson, e que teve Sharon Tate entre as vítimas. A narrativa é linear, com estilo clássico, de início, meio e fim, além dos dotes tarantinescos conhecidos do público, com trilha sonora vibrante, inserções de imagens de arquivo, imagens de flashback como apoio às histórias e a liberdade criativa de seu diretor, que faz algumas alterações na história e encaixa sequências insanas de violência, como já o fez em Bastardos Inglórios, alterando inclusive a morte de Adolf Hitler.
O segredo do sucesso do filme não está só na montagem ou no roteiro bem estruturado, como Tarantino sabe fazer, o elenco é bem afiado e há suporte entre protagonista e coadjuvantes. Leonardo DiCaprio (O Regresso) encarna muito bem um ator inseguro e que busca ser aceito na indústria cinematográfica, já Brad Pitt (12 Anos de Escravidão) é o coadjuvante hilário que serve de alívio e que serve de alívio para o protagonista, mostrando que a amizade entre os dois é forte e sobrevive a todo tipo de adversidade. Margot Robbie (O Lobo de Wall Street), apesar das poucas cenas, ilustra que possui carisma, talento e é uma estrela em ascensão na cada vez mais exigente Hollywood. E sem esquecer de outros grandes nomes que fazem parte do elenco, como Al Pacino, Timothy Olyphant, Damian Lewis e o saudoso Luke Perry, que vêm para enriquecer ainda mais a trama.
E, como dito anteriormente, quem não souber das referências e do período da história pode se sentir um pouco deslocado, mas não deixará de apreciar uma obra bem feita, que dá tempo de todos os personagens se apresentarem, se desenvolverem e mostrarem ao público diálogos bem afiados, hilários e cenas altamente frenéticas e brutais, receita de sucesso do cinema de Tarantino. E sem esquecer que sua visão de enxergar os contextos sociais e a forma como ele busca abordar e corrigir alguns acontecimentos são marcas registradas que fazem dele um cineasta diferenciado e com lugar já garantido no coração dos fãs de cinema. Todos esses ingredientes são compensadores para aqueles que não se lembrarem ou até mesmo não conhecerem esse período tão marcante que foi a transição dos anos 60 para o 70, com o surgimento de novos talentos no cinema e na televisão, além de um acontecimento brutal e até hoje lembrado pelas gerações posteriores.
Mais uma obra magistral de Quentin Tarantino, que lamentavelmente fará falta quando resolver se aposentar após seu décimo filme. ‘Era uma Vez em …Hollywood’ sem dúvida é mais uma das célebres produções que fará você se interessar pela história da sétima arte e embarcar em uma narrativa emocionante e recheada de grandes momentos, divertidos e também macabros. Uma ótima opção de entretenimento.
Na onda da recriação de grandes clássicos, a Disney traz ao público uma obra que, sem dúvida, encantou o mundo há 25 anos e agora chega sob uma nova ótica, com todos os seus personagens feitos por computação gráfica (CGI). ‘O Rei Leão’, sob a direção de Jon Fravreau (Homem-Aranha: Longe de Casa) vem com uma proposta de inovar, mas será que consegue se aproximar do que foi a original, com uma animação marcada por personagens carismáticos e uma inesquecível trilha sonora?
Logo de cara somos brindados com uma música conhecida do grande público e a icônica cena de Rafiki erguendo um lindo filhote de leão, aquele que será o futuro rei da Terra dos Reinos: Simba. A obra clássica é seguida à risca, desde os primeiros passos do protagonista até sua fase adulta, quando ele redescobre quem é e sua importância no reino e o momento mais agudo, de ter de voltar para casa após ter sido criado em um local distante por Timão e Pumba. O clássico é respeitado, mas a inovação não é capaz de proporcionar o resultado esperado, de uma obra realista e que seja cativante para quem assiste.
Quem acompanha sente a impressão de ver um documentário do estilo National Geographic ou um programa do Animal Planet, tamanho o realismo dos bichos e de seus trejeitos. Uma bela estética, com animação em 3D semelhante à forma humana na vida real. Porém, os personagens não conseguem criar qualquer tipo de conexão com o público, mesmo que sejam humanizados, e sem demonstrar carisma, característica principal da animação de 1994. Além disso, o ritmo é arrastado, não há tantas emoções e as cores vibrantes dos videoclipes com musicais inexistem nessa obra atual.
E quanto aos personagens, Simba até consegue trazer o público para perto na época em que ainda é filhote e está aprendendo tudo sobre ser um líder da alcateia, mas ao se tornar grande, mostra-se um animal sem expressão, muito genérico, e a magia do encontro e convivência com Timão e Pumba não é vista, se resume a um mero passeio pelo novo ambiente com o qual o leão se deparou e permaneceu boa parte de sua vida. O caráter mágico, lúdico e vibrante, presentes em 1994, não são vistos e sentidos em 2019, e uma obra que tinha tudo para ser inesquecível acaba por ser apenas mais uma nas vastas produções da Disney, que investe pesado e sempre se preocupa em levar grandes produtos e entregar os melhores resultados possíveis.
Mesmo com o retorno de um grande clássico sob uma nova estética, ‘O Rei Leão’ ilustra personagens quase humanos e engessados, sem a inocência, espontaneidade e movimentação do original, o que acaba por comprometer a essência das produções da Disney, de contar grandes histórias e proporcionar emoções inesquecíveis para seus espectadores. Uma obra satisfatória, mas que poderia ter entregue muito mais do que prometia.