Poltrona Séries: A Desordem que Ficou/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Desordem que Ficou/ Cesar Augusto Mota

As minisséries estão chegando e se tornando populares na Netflix, com tramas que exploram o mistério e o thriller psicológico, com grandes dilemas internos enfrentados pelos personagens centrais.  ‘A Desordem que Ficou’ (El desorden que dejas) é uma produção espanhola criada por Carlos Montero, o mesmo de ‘Elite’, que possui oito episódios. E uma pergunta vai ficar na mente dos expectadores, que vão procurar descobrir: uma das protagonistas cometeu suicídio ou foi assassinada?

A narrativa possui duas linhas temporais que acompanham a trajetória de duas professoras de literatura: a primeira, Viruca (Barbara Lennie), uma profissional competente e apaixonada pela profissão, mas que se envolve e acaba assediada e ameaçada por alunos, até um dia ser encontrada boiando em um rio. A segunda, Raquel (Inma Cuesta), a substituta, bastante assustada no início e passiva com seus alunos, busca ganhar o respeito de todos. Mas a sombra da antiga professora assombra Raquel, que vai investigar e buscar saber tudo o que aconteceu. Mas ela passa a ser também ameaçada pelos alunos, e teme terminar como Viruca.

A divisão da narrativa com duas vidas paralelas chama a atenção e nos faz acompanhar todas as pistas, para não perder nada e saber o que realmente aconteceu e as revelações a cada novo episódio deixam o espectador ainda mais confuso e ansioso para ver como a história vai terminar. As ameaças, assédios e chantagens que as duas professoras enfrentam as fazem beirar a insanidade e tudo isso faz a trama ter mais substância e atrativa ao público.

A fotografia e a montagem são outros atrativos. Com tons frios, há a sugestão de algo bem sombrio, e a mistura de sensações das personagens ficam bem estabelecidas e conexas na história. E a montagem é bem precisa, não há confusão sobre qual trajetória se está acompanhando, e ambas são bem interligadas, até a chegada do clímax, que nos esclarece tudo e desvendamos o mistério, se Viruca foi morta ou se ela se suicidou.

E as atuações foram acima da média, as atrizes souberam passar ao espectador tudo o que suas personagens sentiam, além de conduzirem a narrativa de uma forma magnetizante e cheia de reviravoltas. E os personagens secundários também se destacam, em especial Áron Piper, o Ander de Elite. O jovem, com seu olhar e expressões perturbadoras, não só intrigaram as vidas das professoras como também envolveu os demais alunos, com sentimento de sobressalto e culpa, por mostrarem que Viruca não foi ouvida, o mesmo se passando com Raquel.

Uma obra intrigante, mas com bons ingredientes e um elenco coeso. ‘A Desordem que Ficou’ é uma ótima sugestão para quem aprecia histórias com muito mistério e conflitos internos de personagens. Vale a pena conferir.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Alice in Borderland-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Alice in Borderland-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Produções estrangeiras têm tido grande destaque na Netflix, em diferentes gêneros. Seja em ação, terror ou suspense, o espectador experimenta diferentes coisas, e consequentemente, vive grandes sensações. E com produções japonesas não seria diferente, com cultura nipônica misturada com a ocidental, bem como a chegada de um mundo totalmente paralelo ao que se vive. ‘Alice in Borderland’ possui oito episódios em sua primeira temporada e tem muito a oferecer.

A obra é inspirada em um mangá de mesmo nome, adaptado livremente da versão de ‘Alice no País das Maravilhas’, de Lewis Carroll. A história traz três jovens bastante desmotivados, Arizu (Kento Yamazaki), Chota (Yûki Morinaga) e Karube (Keita Machida). Após alguns incidentes, eles acabam por se deparar com uma Tóquio completamente vazia. Ao explorarem a cidade deserta, os amigos são forçados a entrar em uma série de desafios que precisam ser completados, e, caso contrário, acabam por se tornarem mortais. Eles podem ter seus vistos renovados se sobreviverem e caso abandonem o jogo ou não consigam créditos suficientes, serão eliminados.

A estrutura narrativa é atraente, com jogos bem elaborados e que abusam do sadismo, nos fazendo lembrar de ‘Jogos Mortais’. A diferença é que na produção estadunidense, sabemos logo de início quem está por traz dos desafios e ouvimos mensagens perturbadoras e ameaçadoras do autor, já na obra japonesa nós não sabemos quem é o mestre dos jogos, e só passamos a conhecê-lo a partir do quinto episódio, em uma nova ambientação.

O universo vai se expandindo na medida em que os personagens vão se aventurando, e a violência utilizada não é gratuita, ela movimenta a trama. Os efeitos especiais empregados, com muito sangue jorrando e membros decepados, são no estilo anime, e as lutas bem coreografadas e com elementos de desenhos japoneses, com os oponentes conversando durante o combate e apresentando as armas que cada um possui de melhor. Vemos também novos personagens sendo apresentados com o auxílio de flashbacks, e o público não perde o interesse pela história após alguns serem executados.

Com potencial para um mundo ainda mais amplo e desafios ainda mais insanos nas próximas temporadas, ‘Alice in Borderland’ traz interessantes referências americanas da obra de Carroll, mas sem perder a essência nipônica. Uma grande novidade para quem curte ação e gosta de ver muito sangue na tela.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Cobra Kai-3ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Cobra Kai-3ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Aliar o saudosismo com inovação é um grande desafio dos diversos remakes que são lançados ultimamente. Mas uma produção que antes era do Youtube Red e agora é da Netflix vem cumprindo muito bem esse papel: ‘Cobra Kai’. Produção que segue os acontecimentos de ‘Karatê Kid’, grande clássico dos anos 80, os atores dessa franquia foram trazidos de volta para reprisar seus papéis trinta anos depois, juntamente com uma nova geração, para trazer assuntos atuais como vida marginalizada e bullying. Uma fórmula de sucesso?

Se nas temporadas anteriores tínhamos como foco a rivalidade entre os senseis Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka) e os alunos dos dojôs Miyagi-Do e Cobra Kai, agora vemos o insano John Kreese (Martin Kove), ex-capitão do Exército, que esteve na Guerra do Vietnã. Agora é ele quem está àfrente de Cobra Kai, deixado por Lawrence após uma briga entre alunos dos dois dojôs, que levou o jovem Miguel Diaz a um coma e quase à morte. Kresse ensina karatê a seus alunos do seu jeito, com os ideais de bater ou morrer e de falta de compaixão para com seu oponente. Sem dúvida, isso provocará um grande rebuliço e grandes encrencas nos dez episódios dessa nova sequência.

O roteiro tem uma grande sacada e sabe aliar a nostalgia com o presente, além do timing certo para abordar assuntos sérios e trazer algumas piadas. Além disso, vemos a importância das artes marciais no cotidiano e a defesa pessoal, sem haver um veredicto final. Cada personagem tem seu espaço para brilhar, como os adolescentes dos respectivos dojôs, além dos adultos. Destaque maior para Lawrence, ainda preso ao passado e que busca amadurecer com suas falhas e crescer junto aos seus alunos, bem como tentar acertar as contas com o filho Rob e participar da recuperação de Miguel.

As coreografias são bem ritmadas e os golpes apresentados pelos praticantes de karatê são convincentes, quem acompanha se sente nos antigos filmes de Karatê Kid, sem muito tempo para respirar, com alta adrenalina e com desfechos imprevisíveis, com combates nos quais o mais fraco pode vencer o mais forte e vice-versa. Os arcos dramáticos são bem interessantes e a trama fica mais dinâmica, apesar de alguns elementos clichês de dramas e romances adolescentes. Cada personagem possui um desenvolvimento e ninguém fica de fora, não há pontas soltas e tudo é bem amarrado, até o grand finale da temporada, que abre possibilidades para uma nova sequência.

E não poderíamos deixar de destacar Daniel LaRusso, ou Daniel-Sam, carinhosamente conhecido. O pupilo do senhor Miyagi se mostra fora de rumo e busca o caminho certo para sua vida pessoal e profissional e justamente na Ilha de Okinawa ele consegue se reencontrar. Em sua passagem pelo Japão, ele também revê pessoas que foram importantes e marcantes em seu passado para achar possíveis respostas e sem esquecer de suas antigas glórias. Ele faz uma autoanálise para ver como está no presente e buscar um futuro melhor para si. Somos brindados com cenas de encher os olhos de Karatê Kid, além de relembrarmos importantes valores ensinados pelo senhor Miyagi, não só para a luta, mas também para a vida de Daniel.

Além do saudosismo e de um belo jogo entre cenas do passado e do presente, ‘Cobra Kai’ é uma aula para quem busca não só bem-estar, mas ser um cidadão de bem. A prática de esportes é importante para a saúde física e mental, e os efeitos físicos e psicológicos que trazem para os praticantes são benéficos. O esporte não é só um lazer, mas um importante fator social para uma comunidade. Vale acompanhar essa terceira temporada, a mais vibrante até o presente momento.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Series Especial: Versailles – Primeira Temporada/Anna Barros

Poltrona Series Especial: Versailles – Primeira Temporada/Anna Barros

Quem gosta de História e da França precisa assistir a Versailles, na Netflix. A série mostra a vontade do Rei Luis XIV, o Rei Sol, de construir um palácio e colocar Versailles como centro do poder da França tirando a corte de Paris. Ele tem como grande opossitor seu irmão Philippe.

Nesse ínterim há muitas tramas eróticas, tanto que a censura é de 18 anos. George Bladgen é sensual e bonito como Rei Luis XIV e Alexander Vlahos, seu irmão Philippe está cotado para entrar na sexta temporada de Outlander.

Há muitas tramas de traições e emboscadas e muitos querendo atrapalhar os desejos do Rei Sol. Esse período na França é do mais puro Absolutismo, aquele que o Rei se acha o representante de Deus na Terra.

A série tem cenários maravilhosos., figurinos deslumbrantes. Tenho excelentes recordações do Palácio de Versailles que visitei em 1997.

Pra completar o Rei Luis XIV tem um caso com a esposa de Philipe, Henriqueta, e muitas amantes na Corte na cara da rainha espanhola que acaba tendo um filho negro que não é dele e que ele dá para adoção. Mais complicado, impossível.

A série também aborda o racismo.

Aula de História pura. Vale a pena ver!

4/5 poltronas

Poltrona Resenha: Pieces of a Woman/Anna Barros

Poltrona Resenha: Pieces of a Woman/Anna Barros

O filme fala de parto domiciliar e depressão pós-parto e um excelente desempenho de Vanessa Kirby e Shia Labeouf.

Um filme denso, com um plano-sequência impactante de um parto em casa e com a perda do bebê uma série de eventos que destroem um casamento e separam uma família.

No filme, Martha e Sean lidam com a dor de formas muito diferentes. Ele está aberto ao processo do luto, quer falar sobre o assunto, sofrer e passar pelas etapas. Martha se fecha completamente e não conssegue digerir todo o processo e nem aceita terapia.

Ellen Bursten que faz a mãe de Martha, a protagonista, vivida por Vanessa Kirby, também rouba a cena como a mãe autoritária e controladora que quer justiça contra a parteira a qualquer custo sem compreender o sofrimento que sua filha passa. Em sua cabeça é uma espécie de fraqueza a depressão.

Elizabeth é uma sobrevivente. Sua mãe, judia, sofreu durante o nazismo e precisou esconder sua bebê para que ela sobrevivesse. Chegou a ouvir do médico que deveria jogá-la fora. Ela odeia Sean, o marido, vivido por hia Labeouf, e até oferece dinheiro para que ele deixe Martha.

Em sua estreia, no Festival de Veneza de 2020, já conquistou troféus e consagrou Vanessa. O filme tem grandes chances de indicações ao Oscar, incluindo prêmios pela atuação de Vanessa e de Ellen, direção e roteiro. É produzido por Martin Scorsese.

Eu sou contra parto domiciliar e quem é a favor deveria ver esse filme com atenção. O filme mexe com a emoções e é bastante reflexivo tocando em pontos cruciais de um problema tão recorrente que é a depressão pós-parto.

Gostei muito desse drama que fala todas as camadas do luto de uma mulher que perde sua filha recém-nascida. Disponível na Netflix.

4/5 poltronas